Sexta-feira, 26 de Maio de 2006

Halel por Jerusalém


 

Guerra dos 6 Dias, 1967. Rabbi Shlomo Goren, rodeado por soldados sopra o shofar no Muro Ocidental. Arco de Hurva. Soldado israelita faz as suas orações no Kotel, depois de quase 20 anos de espera.

Hoje, de acordo com o calendário hebreu, é Dia de Jerusalém. Na cidade a animação é enorme. A segurança também é mais evidente - apesar de o nível de alerta ser permanente. Hoje é só mais visível que na maioria dos dias.

Festejam-se os 39 anos da reunificação de Jerusalém, que aconteceu na Guerra dos Seis Dias. Nessa altura Israel reunificou a cidade que estava dividida desde a Guerra da Independência, em 1949. Foram quase 20 anos em que a cidade esteve cortada ao meio, sem possibilidade de os seus habitantes passarem entre a Cidade Nova e a Cidade Velha.

Controlada pela Jordânia, a Cidade Velha, com os seus lugares santos para Cristãos, Muçulmanos e Judeus, esteve inacessível aos fiéis das três religiões que vivessem na parte nova da cidade. Lugares como o Santo Sepulcro, o Muro Ocidental (ou das Lamentações) ou a Mesquita de Al-Aqsa eram lugares proibidos para os cidadãos de Israel. Qualquer que fosse a fé que professavam.

Durante esses anos, a política jordana foi a destruição sistemática do património judaico das zonas sob o seu controle. O antigo Bairro Judeu da Cidade Velha, com as suas dezenas de sinagogas, yeshivot e outros edifícios com séculos de história, foram arrasados. Centos de lápides do cemitério judeu do Monte das Oliveiras - lugar onde estão sepultados alguns dos mais piedosos homens e mulheres do povo judeu, para os quais ser sepultado naquele local tem um significado muito particular -, foram arrancadas e usadas para calcetar estradas.

Apenas uma semana depois da reunificação da cidade, os muçulmanos que habitavam a Cidade Nova e o território de Israel do lado Ocidental da "Linha Verde" puderam rezar no seu 3º lugar mais sagrado, o Haram as-Sharif, ou Esplanada das Mesquitas.

Hoje o acesso continua aberto a todos. Judeus, Muçulmanos e Cristãos podem visitar os seus locais de culto. Com apenas uma excepção recente. Desde que, a Waqf (autoridade muçulmana de Jerusalém) tomou o controlo da Esplanada das Mesquitas - local sagrado tanto para Muçulmanos como para Judeus, pois era aí que se situava o Bet Ha-Mikdash (Templo de Jerusalém), o acesso de Judeus ao local foi fortemente condicionado. Logo abaixo, no Muro Ocidental - exactamente tudo o que resta do antigo Bet Ha-Mikdash, é muito comum ver não judeus rezando, ou simplesmente tirando fotos junto aos crentes judeus. Até é possível ver membros da seita protestante Amish no local.

Hoje, quem passar pela praça principal do Bairro Judeu, verá uma grua no local da antiga sinagoga de Hurva, da qual só restava um arco, reerguido já depois da reunificação. Como símbolo da destruição deliberada de que foi alvo aquele local de culto. As obras de reconstrução da sinagoga estão em andamento e brevemente será de novo possível admirar aquela que era a mais magnífica sinagoga da Terra Santa.

Bem sei que é politicamente incorrecto, mas não me coíbo de afirmar que apenas Israel permitirá a continuação de uma situação de abertura da Cidade para todos os povos. O contrário seria regressar aos tempos em que a Cidade Santa foi rasgada e excluída de ser o centro por excelência da espiritualidade e devoção da Humanidade.

* Halel é uma série de cânticos de louvor ditos no serviço religioso da manhã em algumas ocasiões especiais do calendário judeu. Datas que lembram eventos milagrosos ou extraordinários como Hanucá, por exemplo. Também no Dia da Independência de Israel e neste Dia de Jerusalém, é recitado o Halel.

publicado por Boaz às 21:56
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2 comentários:
De GC a 4 de Junho de 2006 às 17:04
Porque não faz o mesmo comentário sobre o muro que Espanha - com muitos milhões de euros pagos pela União Europeia - construiu em redor de Ceuta? Por Ceuta entram trabalhadores em Espanha e daí para toda a Europa. Da Palestina passam para Israel terroristas sem o mínimo de consideração quanto à natureza dos seus alvos. O que lhes interessa é matar. Seja quem for. Quanto à liberdade, pergunte ao Hamas e afins que tipo de liberdade pretendem para os Palestinianos... É tão fácil mandar 'bocas' quando se está a 4000 km de distância...
De sergio a 2 de Junho de 2006 às 18:13
deve ser por isso que israel constroi um muro para separar israel da palestina

como é que um povo amante da liberdade e que tanto sofreu pode ser tão cruel com os outros?
seus não ensina a amar?

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Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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