Segunda-feira, 27 de Março de 2006

O estrangeiro

Já estou em Portugal, depois da minha longa estadia em Israel. Que diferença! Já estava acostumado - bem acostumado - com a rotina da vida na yeshiva, a integrar-me com o modo de vida israelita, especialmente no ambiente de Jerusalém e agora, pelo menos durante mês e meio, vou ter de reaprender o modo de vida português.

Até agora não saí durante muito tempo à rua - somente o suficiente para a viagem de taxi entre o aeroporto e a casa de uns amigos onde passei a primeira noite, e uma ida ao banco para resolver uns problemas com o telemóvel.

Por um lado gostei de voltar a ver os portugueses na sua vida diária, de ouvir de novo as rádios portuguesas no meu radiozinho de bolso mas, por outro lado, não gostei de não me sentir à-vontade, andando pela rua com tsitsit e kippa. Se bem que a kippa que uso agora passe por um gorro apenas um pouco estranho, os tsitsit são indisfarçáveis no que toca à estranhesa! Sim, eu sei que a solução é andar com eles dentro das calças e não para fora... E voltei a ter a sensação desagradável de ser observado.

Até à pouco mais de um mês, ainda em Israel, estava furioso com a perspectiva de ter de ficar no país para me ser permitido acabar o processo de conversão. Havia ido para Israel com a ideia de despachar o processo em 6 meses e voltar a Portugal, e fazer a minha vida como membro do povo de Israel por cá... A certa altura, alguém meteu à força no pacote a obrigação de permanência em Israel. Que fúria que senti então! A distinção entre israelita e judeu é para mim muito clara, pelo que a imposição de tornar-se israelita junto com o tornar-se judeu, era a meu ver inaceitável.

No entanto, aos poucos, no final da estadia, usando a minha habitual atitude pragmática, acabei por perceber que não me queda outra, se quero viver mesmo como judeu.

Sem dúvida que admiro os raros "resistentes" que em Portugal teimam em viver como judeus autênticos. Não aqueles que se afirmam judeus, mesmo sendo-o realmente de acordo com a Lei Judaica e sendo membros reconhecidos das várias comunidades, mas aqueles que realmente se comprometem a viver seguindo essa Lei. E esses são uma minoria.

Em Israel é, para quem quer viver como judeu, tudo muito mais fácil. Comida casher, o cumprimento de Shabbat e a educação judaica das crianças são as regras básicas. Por cá, cada uma destas coisas apresenta uma série de obstáculos que requerem tarefas hercúleas para se transporem. E nem sempre se ultrapassam da forma ideal.

Olho com espectativa para os próximos dias, para ver como vou enfrentar as minhas obrigações religiosas neste ambiente pouco favorável.

Nota: o significado da kippa e dos tsitsit, dois símbolos de um homem judeu.

publicado por Boaz às 18:58
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2 comentários:
De Tiago Martinho a 21 de Abril de 2006 às 20:17
já agora uma pregunta onde é que eu posso arranjar uma kippa em Lisboa ???????
De Tiago Martinho a 21 de Abril de 2006 às 20:01
Realmente e verdade para comprir a lei judaica em Portugal e necessario ter-se uma força hercúleana eu tenho 16 anos e quando disse a minha familia que queria ser judeu foi a desgraça mas lá consegui que precebecem o meu ponto de vista e agora estou sozinho neste caminho que é a conversão por isso gostaria de entrar em contacto consigo porque penso que me poderia ajudar bastante neste caminho que devo confessar não estar a ser facil e tirar partido da sua experiencia se me poder ajudar ficaria-lhe eternamente grato.

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Perfil do autor. História do Médio Oriente.
Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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