Quarta-feira, 28 de Junho de 2006

A vida de branco e negro

Na semana passada comecei a trabalhar em part-time em Kiryat Zanz, um bairro de Jerusalém habitado quase exclusivamente por judeus haredim, os chamados "ultra-ortodoxos".

Confesso que senti uma certa suspeita quando a pessoa que me arranjou o trabalho me levou ao local. Um "ortodoxo moderno" como eu é um deslocado num bairro como Kiryat Zanz. Fechadas por natureza, as comunidades haredim - ao menos em Israel - têm pouco contacto com os "de fora".

Normalmente, esse contacto é do tipo daquele que tenho com eles. Trabalho. Neste caso, eu trabalho para eles. Limpo as escadas de três prédios do bairro. Já sabia à partida que a tarefa não iria ser fácil. O facto de terem muitos filhos - uma média superior a 7 filhos por família - faz com que as casas e os edifícios onde vivem sejam difíceis de manter em ordem. Com habitantes preocupados com coisas menos mundanas, os bairros dos "ultras" são frequentemente muito mais sujos que os demais. Ao menos em Jerusalém.

Todavia, e até agora, apesar da sua normal distância, não me posso queixar de falta de hospitalidade. Em vários casos, pessoas que haviam passado por mim nas escadas, voltaram pouco depois de copo na mão e ofereceram-me algo para beber. Noutro caso, um jovem chegou até a perguntar-me se eu era militar do exército de Israel para assim dizer uma bênção por mim. Achei particularmente estranha esta situação.

Os haredim - com as suas dezenas de sub-grupos: Chabad, Zanz, Satmar, Belzer, Breslov, e muitas outras mais pequenas, cujos nomes dependem na maioria dos casos das terras de origem do grupo, são maioritariamente afastados do Estado de Israel e das suas instituições. Assim, uma bênção de um deles por um eventual soldado de Israel pareceu-me quase oposto à crença que normalmente apresentam muitos haredim.

Um destes grupos, Satmar, é mesmo radicalmente anti-sionista. Mais ainda, membros do pequeno grupo Neturei Karta participam frequentemente nas manifestações organizadas a favor dos Palestinianos, na Europa e Estados Unidos. No entanto, não o fazem tanto por um humanismo em relação aos Palestinianos, mas antes para demonstrarem a sua oposição à existência do Estado de Israel. Para eles, um país governado por judeus só sob a liderança do Mashiach (Messias). Muito mediáticos na sua propaganda, são no entanto mal vistos pelos outros haredim, quer pelo seu discurso extremista, quer pelas suas acções.

O seu ódio ao Estado de Israel é tão grande que fazem tudo o que podem para desacreditá-lo. Por isso, nos últimos anos, o líder do Neturei Karta foi inclusive "Ministro dos Assuntos Judaicos" do governo palestiniano e era visita frequente no quartel-general de Arafat. Mais recentemente, apesar das barbaridades ditas pelo presidente iraniano contra Israel e os Judeus (das quais a negação do Holocausto foi apenas uma delas), uma delegação do movimento foi recebida por Ahmadinedjad em Teerão.

Os "corvos"

Pela forma como se vestem, os hassidim ou haredim são alcunhados de "corvos" ou "pinguins". Seguindo o vestuário dos séculos XVIII e XIX da Europa Oriental, usam o invariável traje negro com camisa branca, sem gravata, chapéu negro ou o famoso shtreimel (chapéu de pêlo), as longas barbas e as longas payot encaracoladas. À excepção dos Chabadniks que as usam curtas e atrás das orelhas. As mulheres vestem-se de acordo com as mais rígidas leis de modéstia. Procurando ser o "menos atractivas possível", usam vestidos largos que não permitem fazer notar as formas do corpo e de cores pouco vistosas. Na cabeça lenços ou toucas-estilo-saco ou em alguns casos, perucas, a fim de esconderem completamente o seu cabelo.

Super-protegidas no seu ambiente, e por terem poucos contactos com "os de fora", as crianças haredim são normalmente muito tímidas mas evidentemente curiosas. Durante as minhas horas de trabalho, é com frequência que noto crianças que me observam, escondidas atrás das portas entreabertas, ou no andar de cima, espreitando-me. Se olho na sua direcção, rapidamente se ocultam.

Apesar da desconfiança inicial, tenho de admitir que sinto um certo apreço pelo seu modo de vida. A sua teimosia, chamemos-lhe assim. O desafio em viver de uma forma tão austera - austera para mim e para a maioria de nós. Mas todavia alegre, já que a alegria é um ponto muito importante na religiosidade e quotidiano haredi. O facto de manterem com tanto afinco valores tão distantes daqueles enraizados no modo de vida maioritário no "mundo exterior", como a obsessão pelo culto do corpo ou a busca de prazeres.

Por isso até acho natural que me olhem de lado, com uma certa desconfiança. Já que é óbvio que não sou - nem desejo ser - um deles. Apesar das payot que começam a despontar.

publicado por Boaz às 20:40
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Terça-feira, 27 de Junho de 2006

Tudo por Gilad

Procura-se Gilad Shalit

É a história do momento em Israel: o rapto do soldado Gilad Shalit, em Gaza.

"Precisamos de nos concentrar em trazer para casa [o soldado das FDI raptado] Gilad Shalit. Estamos prontos para uma operação longa e afirmativa. Lutaremos contra o terror e não negociaremos com os raptores," declarou esta tarde o Primeiro Ministro Ehud Olmert na Knesset.

Ao menos aqui na yeshiva - onde se vive um ambiente nacionalista - a opinião dominante é que se deve tomar uma posição de força. A sensação é como se o sequestro de 'um simples' soldado, fosse o sequestro de todo o Tzahal (exército israelita) e de todo o país junto com ele. Uma situação inaceitável.

Espera-se uma operação em larga escala. Soldados destacados em várias regiões do país estarão para ser mobilizados para os arredores da Faixa de Gaza, até receberem ordens para avançar.

Vivos ou mortos, o exército de Israel nunca deixa os seus soldados em mãos do inimigo. Basta lembrar o que se passou há cerca de 2 anos, quando o governo de Israel aceitou libertar 200 prisioneiros palestinianos em troca dos cadáveres de 4 soldados israelitas mortos no Líbano.

Se um país é capaz de libertar 200 indivíduos perigosos para reaver os corpos de soldados mortos, até onde irá para reaver o soldado que - ainda - se supõe vivo?

NOTA: Num aparente regresso às suas tácticas antigas (antes de adoptar os ataques com terroristas suicidas), o Hamas sequestrou mais dois soldados israelitas. Acções de menor impacto mediático, mas igualmente de um enorme impacto emocional para o país.

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Quinta-feira, 22 de Junho de 2006

Tremor de pernas

No dia seguinte à minha entrada no Povo de Israel, tive a oportunidade de subir à Torah, durante o serviço matinal na yeshiva. Assim que chegou a hora de escolher as três pessoas que iriam subir à bimá para ler a Torá, o incumbido da tarefa - que já sabia da conclusão do meu guiur - olhou-me e com um gesto de dedos chamou-me para me perguntar o meu nome hebreu.

Torah emet natan lanu. Baruch Hashem bachar banu.

"É já hoje que subo à Torá!?", pensei. Acerquei-me e disse-lhe: Boaz ben Avraham. Voltei para o meu lugar e busquei no final do siddur (o livro de orações) a leitura daquela semana. Comecei a ficar nervoso.

"Chazak u'baruch"

Ao fim da segunda parte da leitura, ouvi o meu nome e subi ao patamar de onde se lê a Torá. Fiz as bênçãos iniciais sem problema, lendo-as da "cábula" que se encontra colada na mesa da bimá. As pernas tremiam a sério. As mãos suavam. No final, só consegui "ir direito" até metade da bênção. Olhava o texto em hebraico e não conseguia avançar. Uns segundos de hesitação e não conseguia articular uma única palavra. Até que o "levi" que me havia precedido na leitura da Torá me disse a palavra que estava "encravada".

Sabendo que era a minha primeira subida à Torá, muitos se acercaram para me felicitar com o tradicional "chazak u'baruch", ou seja "forte e abençoado". Inclusive o rosh yeshiva (o director da yeshiva) Rav Dov Bigon. Já no final das orações, disseram-me que me havia esquecido de repetir uma das bênçãos iniciais. Não me lembro se o fiz ou não.

Nessa tarde contei o que acontecera a um dos meus professores. De como estava nervoso. "Eu demorei 13 anos a subir à Torá. Tu nasceste ontem e já o fizeste", disse-me.

Aí está, ele teve 13 anos para se preparar...

publicado por Boaz às 21:33
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Quarta-feira, 21 de Junho de 2006

Um dia mais que perfeito

Costuma dizer-se: "há dias assim". Pois sim, mas como o que eu vivi hoje não há mesmo dias. Há um dia único. Cheio de momentos únicos.

Fui a Tel Aviv a fim de ir à mikve, o banho ritual judaico, que marcou o fim do meu processo de guiur (conversão ao Judaísmo). Havia combinado de véspera ir com um colega mexicano da yeshiva. Já conhecedor das suas dificuldades de despertar-se na manhã, fui acordá-lo assim que saí do meu quarto para ir rezar Shacharit, as orações da manhã. Acabada a oração -cerca de uma hora depois - voltei a passar pelo seu quarto para fazê-lo saltar da cama. Nada. Após o pequeno-almoço, nova e última tentativa. Dada a derrota em despertá-lo e não podendo esperar mais tempo, resolvi convidar outro colega, por coincidência também mexicano, para me acompanhar neste dia.

Encontrar um mikve ou uma sinagoga em Tel Aviv é quase tão difícil como em qualquer cidade fora de Israel. Esta é a maior cidade do país, mas de tão pouco religiosa, dificilmente se podia chamar-lhe uma cidade judia. Perguntando aqui e ali, junto à estação de autocarros, lá encontrámos o bairro, a rua e o local exacto.

A espera até à minha vez de entrar no "tanque" fez-se numa sala minúscula apinhada de gente. Desde futuras noivas que também têm de passar o banho ritual antes do casamento, até homens e mulheres que, tal como eu, iriam concluir hoje a sua conversão. Na maioria russos. Entre os que passaram pelo mikve naquele dia, uma senhora russa de uns 60 e muitos anos. No dia seguinte iria casar-se. Sim, parece que as almas gémeas sempre existem e nunca é tarde para as encontrar, ou reafirmar o amor que as une. Aquele casal de anciãos russos emanava uma alegria e vivacidade que em nada correspondia à ideia que normalmente temos das pessoas daquela idade.

Confesso que a minha passagem pela mikve em si não me causou grande impacto. Obviamente que compreendo que até àquelas duas submersões eu era uma coisa e depois passei a ser outra. Bem distinta. Mas a verdade é que não senti nada especial. Marcou-me apenas o ditame de um dos juízes. Perguntou-me: "Puseste os tefilin hoje?" Respondi-lhe que "sim, obviamente". Aí ordenou-me: "Então hoje tens de os pôr outra vez. De manhã não eras judeu. Agora já és." Assim: rápido e certeiro. Estranha afirmação, mas verdadeira.

Logo à saída, fomos procurar uma sinagoga para rezarmos Minchá (oração da tarde), onde eu pudesse também encontrar uns tefilin para cumprir a mitzvá. A primeira sinagoga, ao lado da mikve, estava ocupada com um casamento. Na segunda, um funeral. Andámos bastante até encontrar uma onde pudéssemos rezar. Pela primeira vez, contei para o minyan! Mas não havia tefilin disponíveis. Estava com fé que, na nossa caminhada até à praia conseguíssemos encontrar algum Chabadnik na rua, oferecendo a mitzvá aos muitos "judeus afastados". É comum encontrar adeptos de Chabad nas zonas de Tel Aviv e Jerusalém frequentadas por jovens pouco observantes.

Depois do almoço de festa, um "esticão" até à praia. Há mais de um ano que não punha os pés na areia de uma praia. Que bom voltar ao mar, sentar-me ao sol... Até que chegou a hora do Portugal-México. Aproveitámos a viagem a Tel Aviv e não iríamos perder a oportunidade de seguir o jogo. Bastava para isso encontrar algum bar com televisão que o transmitisse. Mesmo em frente à praia, ao lado da embaixada americana e a 50 metros do antigo Dolphinarium.

O resultado do jogo é história. Foi engraçado vê-lo ao lado de um mexicano. Quais as probabilidades de encontrar um português e um mexicano em Israel a assistirem ao jogo entre as duas selecções?

Na hora de voltar para Jerusalém - e Tel Aviv já me estava a dar volta à cabeça - faltava ainda encontrar algum par de tefilin, antes que entrasse no autocarro, sabendo que ao chegar de noite a Jerusalém, já não poderia cumprir a mitzva neste dia... "Começar a minha vida como judeu e já a quebrar leis" era a minha preocupação. A salvação chegou logo à entrada da Estação Central de Tel Aviv: um cesto com tefilin para quem os quisesse usar. Uff! Abençoada seja Chabad e os seus incansáveis hassidim... Deixei 10 shekels de tzedaka.

À chegada à yeshiva, a recepção dos companheiros de estudo do departamento ibero-americano. Uma canção e muitos abraços. Também de outros colegas que, sabendo ou não o que me havia passado naquele dia, me vieram saudar com um "Mazel Tov".

publicado por Boaz às 20:41
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Terça-feira, 20 de Junho de 2006

Não um fim, mas um novo começo

Tefilin

Amanhã, por volta do meio-dia, vou ter o passo final do meu processo de conversão ao Judaísmo. A ida ao mikve, ou banho ritual. Será em Tel Aviv. É realmente estranho. Vivendo eu em Jerusalém e tendo passado o Bet Din (Tribunal Rabínico) da cidade, que tenha de ir a Tel Aviv, provavelmente, a cidade menos religiosa de Israel. Mas a burocracia assim o exige...

Olhando para trás, desde a altura em que comecei a pensar na hipótese da conversão, passaram talvez 10 anos. Dez anos! Disse "altura" porque não sei exactamente o dia ou mês em que pela primeira vez fiz a mim mesmo a pergunta básica: "Será que devia converter-me ao Judaísmo?". Não é algo que aparece de um dia para o outro. É gradual. De tão gradual que é difícil encontrar o momento que despoletou tudo. No meu caso existirá um momento. Noutros casos de conversões, existem realidades mais concretas como ser filho de pai judeu, ser de origem "marrana" conhecida. São os mais comuns. Na minha história, nas minhas motivações, não estão as origens judaicas porque, pelo menos que eu saiba, nas últimas gerações da minha família não há judeus.

No entanto, mesmo eu acabasse por descobrir que houve judeus entre os meus antepassados, não creio que isso influenciaria a minha vontade em continuar no caminho. Seria apenas um detalhe a fim de despachar a conversa, para fugir à sessão de perguntas sobre o tema que é costume fazerem os judeus "de nascimento" aos conversos, especialmente quando estão na caminhada.

Não é genética que procuro, nem raízes de qualquer ordem. E até creio que alguém que baseie um processo de conversão na busca de raízes, muito fraca motivação tem. Os motivos têm de ser puramente pessoais. Supostas ou confirmadas ligações familiares são cordas demasiado débeis para aguentar o peso do processo.

Para chegar ao momento culminante de amanhã, passei por fases incríveis. Muitas delas, nada agradáveis. O primeiro telefonema nervoso para a Comunidade Israelita de Lisboa, nos finais de 1997, semanas após ter entrado para a Universidade e ter visto nessa mudança de residência e maior proximidade física à comunidade como a situação ideal para desencadear o processo. A frustração do primeiro encontro na sinagoga. Os anos de stand-by. Os emails para o rabino da comunidade, assim que descobri essa porta virtual para contacto. O convite do Mordechai e o primeiro serviço de Kabbalat Shabat. Os episódios pouco simpáticos à porta da sinagoga. A espera de vários meses até obter a autorização para frequentar a sinagoga.

A refeição de Succot quando conheci o Rabino Boaz Pash e a sua família. O início das aulas de conversão em Lisboa e ter conhecido um grupo de gente tão interessante. O primeiro Shabbat "a sério". A primeira vez que celebrei Pessach e Shavuot. A viagem para Israel em Setembro do ano passado. As aulas no ulpan de Efrat, a vida na yeshiva. A incerteza do processo por, na altura, querer voltar para Portugal e saber da decisão do Grão-Rabinato de cancelar sine die os processos dos que tencionavam voltar para a Diáspora. O momento em que soube a data do encontro do Bet Din. A semana de loucos que antecedeu a dita reunião, com a tristeza da partida do meu caro Gonzalo, agora Yosef ben Avraham. O stress do estudo. O dia fatídico da prova no Tribunal Rabínico. Recitar "Shemá" quando os dayanim (juízes rabínicos) finalmente decidiram que eu merecia fazer parte do Povo de Israel. A viagem a Portugal e todas as provas de viver como judeu num ambiente nada judaico. A circuncisão, feita consciente, apenas com anestesia local. A recuperação. E amanhã, o momento a que chamamos carinhosamente de "piscina".

Olhando para todos estes factos, não lamento os contratempos por que passei. Com todos aprendi. Se não tivesse passado por cada um deles, não teria aprendido algo valioso. Se tivesse "despachado" o processo quando estava em Portugal, nunca teria conhecido pessoas que me marcaram tanto e que de outro modo me teriam passado ao lado, assim como tudo o que vivi e aprendi com elas.

A partir de amanhã vou ter de viver o Judaísmo por mim. Certo que desde que passei o Bet Din, que tenho a responsabilidade de cumprir tudo o que um judeu cumpre. Todavia, a partir de amanhã, a responsabilidade é redobrada. Tenho de encontrar o rumo que quero seguir no futuro. Já sem o amparo quase maternal do ulpan. É, ao mesmo tempo, uma perspectiva aliciante e assustadora.

Neste momento lembro-me da letra de uma canção: "Every new begining comes from some other begining's end". ("Todo o novo começo vem com o fim de um outro começo").

publicado por Boaz às 22:27
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Domingo, 11 de Junho de 2006

A quase-fúria

Nunca fui fanático de futebol. Em minha casa, nunca o futebol foi elemento de união (ou desunião) familiar. Talvez por isso não tenha clube-do-coração. Não me interessa minimamente quem ganha o campeonato nacional, quem desce ou quem sobe de divisão. Obviamente que torço pelas equipas portuguesas nas competições europeias.

No entanto, com a selecção a coisa é diferente. E nisso, posso agradecer ao Scolari, pelo que conseguiu fazer durante o Euro'2004. Imagino que muitos portugueses tenham aprendido "A Portuguesa" e olhado com especial atenção para a bandeira das quinas nessa altura. Vibrei a sério com o ambiente incrível que se viveu naquele mês em Portugal. Era impossível abster-se de tanta emoção.

Hoje, em tempos de Mundial e distante mais de 4000 km de Portugal, é com alguma frustração que se me apresenta a competição. Israel não está no campeonato e apesar de ser um país onde o futebol suscita grandes paixões, parece que, pelo menos em Jerusalém, os israelitas estão mesmo "a leste" do Mundial.

Esta tarde, algumas horas antes do início do jogo Irão-México, andei pelas ruas da cidade com um amigo mexicano e outro argentino, à procura ao menos de algum café onde se pudesse ver o jogo e, logo a seguir, o Portugal-Angola. Que tristeza! Até levei a bandeira portuguesa que me ofereceram uns amigos portugueses há uns meses para ajudar à festa. Nada.

Na yeshiva, os brasileiros e argentinos andam loucos com o Campeonato. Fazem previsões e desenvolvem modelos para adivinhar a vitória (para os brasileiros, sempre calha ao Brasil). Para eles, é ainda mais stressante que para mim a distância em relação os jogos. Estão insuportáveis e o Brasil ainda nem jogou...

Para um mínimo de contacto com a emoção em directo, valha-me a Internet e as rádios online.

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publicado por Boaz às 22:10
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Segunda-feira, 5 de Junho de 2006

As mãos no fogo, por Darfur

Será que ela verá a paz?

Não tenho grande esperança, vendo quem são os intervenientes e a sua folha de serviço, mas após três anos de combates, 200 mil mortos, 2 milhões de refugiados e incontáveis actos de barbárie, o Governo do Sudão e a principal força rebelde de Darfur assinaram finalmente um acordo de paz.

PS - Sudão e Israel têm muito pouco a ver um com o outro. No entanto, nos últimos 18 meses, um facto tem ligado os dois países: o fluxo de refugiados sudaneses rumo a Israel. Serão cerca de 200, muçulmanos e cristãos. Há agora a questão de como lidar com eles, uma vez que entraram de forma ilegal no país, a partir da fronteira egípcia. Grupos de direitos humanos pedem ao Governo de Olmert uma decisão ponderada tendo em consideração o facto de muitos deles poderem ser presos e torturados pelas autoridades de Cartum, por dissidência política.

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publicado por Boaz às 20:34
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