Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

A pequena seta verde

Nos últimos meses em Israel, um dos assuntos principais de conversa tem sido a seca que o país atravessa. Vários Invernos sucessivos com chuvas insuficientes fizeram decrescer para um nível quase catastrófico os aquíferos e o Kinneret, ou Mar da Galileia, o principal reservatório natural de água doce do país.

Na tradição judaica, é costume começar a rezar pedindo chuvas após a semana de Succot, a Festa das Cabanas. Este ano, elas anteciparam-se e, logo no segundo dia da festa, as chuvas caíram em várias regiões do país, molhando as cabanas onde é costume residir e – se não houver chuva – também dormir. E nesta última semana, a precipitação foi igualmente generosa.

Interessado na situação da seca local, tenho consultado o site da Autoridade da Água de Israel. Numa das suas páginas mostra, quase diariamente, a evolução do nível de água no Kinneret. Há meses, que o nível da água cai, centímetro a centímetro, meses a fio, metro a metro, estando agora vários metros abaixo do nível ideal. A cada medição negativa, uma seta vermelha é acrescentada na tabela do site. Ontem, pela primeira vez desde Abril, o nível do lago aumentou. Um centímetro e meio apenas. Porém, a seta apareceu verde. Hoje, a seta verde repetiu-se. É um sinal.


Os dois últimos registos do nível da água do Kinneret, o Mar da Galileia.

Um rapazinho aqui da vizinhança, assim que as chuvas começaram, ficou espantado a olhar pela janela, a ver o fenómeno – diria – raro, nos últimos anos. Com uma confiança insuperável, perguntou à mãe: "É hoje que o Kinneret enche?".

Decerto que não será só com a chuva de hoje. Mas enquanto há verde há esperança.

publicado por Boaz às 21:40
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Provavelmente Deus

Um cartaz num autocarro diz: "PROVAVELMENTE DEUS NÃO EXISTE. ENTÃO PÁRA DE TE PREOCUPARES E APROVEITA A VIDA".

Uma organização de ateus britânica lançou recentemente uma campanha publicitária nos autocarros de Londres. A "Atheist Bus Campaign", ou "Campanha Ateísta nos Autocarros" destina-se a chamar a atenção para a tendência pró-religião do mundo da publicidade.

Um dos apoiantes da campanha, o Professor Richard Dawkins reclama que "a religião está acostumada a ter uma viagem à borla: isenção automática de impostos, 'respeito' indevido e o direito de não ser 'ofendida', o direito de fazer a lavagem cerebral às crianças".

"Mesmo nos autocarros, ninguém pensa duas vezes quando vê aí colado um slogan religioso. Esta campanha para colocar slogans alternativos nos autocarros de Londres vai fazer as pessoas pensar - e pensar é um anátema para a religião", desabafou o autor do best-seller The God Delusion, (Deus, Um Delírio na edição em português).

Acho uma certa graça a este tipo de fúria propagandista dos ateus. Se eles não querem acreditar que existe Deus - qualquer que seja - que não acreditem. Que deixem o resto do Mundo em paz. Afinal, eles devem incomodar-se bastante com as velhinhas Testemunhas de Jeová que vão bater à porta deles para entregar o panfleto A Sentinela, os jovens "elders" mórmones que tentam conquistar almas na via pública para a igreja deles, ou simplesmente que um qualquer pastor berre ao megafone na praça. No fundo, a "Campanha do Autocarro Ateu" (outra tradução possível para o nome "Atheist Bus Campaign") é também uma forma de proselitismo e uma campanha missionária.

De um ponto de vista puramente prático, como alguém disse um dia: "Não temos nada a perder por acreditar que Deus existe. Se no final não existir, não nos acontece nada. É preferível jogar pelo seguro."

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publicado por Boaz às 18:24
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Sábado, 25 de Outubro de 2008

Caros amigos

Recentemente, numa manhã, quando cruzava o shuq - o mercado árabe da Cidade Velha de Jerusalém - a caminho da yeshivá, uma senhora estrangeira que passava ali interpelou-me, entregou-me um postal colorido e disse-me em inglês: "Parabéns pelos 60 anos do teu país. Nós gostamos muito de Israel e desejamos-lhe muita sorte, a si e ao seu país".

Sorri perante tamanha simpatia e entusiasmo sionista, aceitei o postal e continuei o meu caminho. Assim que virei as costas para retomar a caminhada, olhei brevemente o papel que me entregara. De um lado era um alegre desenho infantil com os dizeres: "ISRAEL 1948-2008 Mazel Tov!" (que é como quem diz: ISRAEL 1948-2008 Parabéns!).

Tive de virar o cartão para desvendar a sua autoria - e intenções. Um texto em hebraico e em inglês, dizia: "Com este cartão nós congratulamo-lo do fundo dos nossos corações com os 60 anos de existência do Estado de Israel. Nós apoiamo-lo, e nós rezamos que o D'us de Abraão, Isaac e Jacob o abençoe, a si e à sua família!" E uma frase bíblica para reforçar a mensagem: "Quão bonitas nas montanhas são os pés do que traz boas novas, sobre os montes que ascendem para anunciá-las para proclamar a paz, para dar a conhecer a salvação, que dizem a Sião: 'O teu Deus reina!';" (Isaías, 52:7)

No fundo, em holandês, revelava-se por fim a autoria do cartão: "Cristãos por Israel".


O "evangelista" americano John Hagee, líder do movimento Christians United for Israel
(Cristãos Unidos por Israel), discursa perante os seus seguidores e apoiantes israelitas num comício no
Centro de Congressos de Jerusalém, Abril de 2008.

É quase um paradoxo a ideia de movimentos cristãos "amigos de Israel". Não que eu ache que temos de ser inimigos figadais como outrora fomos, mas não nos esqueçamos que o Cristianismo foi fundado com a finalidade de "substituir o Judaísmo". Afinal, o "Novo Testamento" está em oposição ao Velho. A "Boa Nova" de Jesus, ou a "Nova Aliança", como lhe chamam, em substituição da (velha) "Aliança de Abraão, de Isaac e de Jacob". No entanto, é um fenómeno cada vez mais visível em Israel. Na última semana, coincidindo com as festividades de Succot, realizou-se em Jerusalém uma marcha de cristãos pró-Israel. Uns 3000 cristãos de quase 100 países desfilaram com as bandeiras azuis e brancas de Israel. Várias instituições, associadas sobretudo ao Protestantismo da linha evangélica, existem com o objectivo de ajudar Israel. Uma boa parte do lobby político pró-Israel norte-americano é formada por cristãos. Milhões de dólares são doados anualmente a Israel por igrejas do mundo inteiro.

É sabida a ligação histórica dos primórdios do Cristianismo à Terra Santa de Israel, com as seculares peregrinações aos locais sagrados de Jerusalém, Belém e Nazaré. O controlo desses locais foi o propósito das Cruzadas, no início da Idade Média. No entanto, o novo apoio cristão a Israel não provém tanto de um desejo de controlo dos locais santos. As profecias judaicas falam claramente da vinda do "Redentor" após a concretização de uma série de factos. A reunião das tribos exiladas de Israel é uma delas. Por isso, uma boa parte da ajuda cristã é canalizada para a assistência aos novos emigrantes judeus em Israel. Instituições em Jerusalém e noutras cidades oferecem aos novos imigrantes objectos para a casa e roupas, bastando-lhe para receberem essa ajuda mostrar o documento que prova que são imigrantes recentes.

Esse apoio cristão internacional é mal visto em muitos sectores da sociedade israelita, incluindo os próprios cristãos árabes de Israel. São também olhadas com desconfiança pelos "pacifistas", pois na generalidade, essas igrejas evangélicas apoiam os colonatos judaicos nos "Territórios Palestinianos", e muitas criticam mesmo as negociações de paz com a Autoridade Palestiniana, além de pressionarem a política norte-americana nesse sentido. Os judeus sionistas religiosos, favoráveis à colonização manifestam igualmente um desconforto pelos novos laços com estes cristãos. É que a filosofia evangélica não esconde que esse apoio não deriva da pura e desinteressada simpatia pelos Judeus ou Israel em si mesmos.

Na verdade, ele tem umas segundas intenções bem determinadas, destinando-se a "antecipar a nova vinda do Messias". Como admitiu o filósofo judeu francês Henri Bergson: "As minhas reflexões levaram-me cada vez mais próximo do Catolicismo, no qual eu vejo a completa finalização do Judaísmo..." Numa nova interpretação da profecia judaica da Batalha de Armagedão, os cristãos crêem numa batalha apocalíptica entre o bem e o mal, que proclamará Jesus como o Messias e na qual os Judeus que não o aceitarem serão exterminados.

Por isto tudo, não é de espantar que, há uns anos, o Rabino Shlomo Aviner, director de uma importante yeshivá de Jerusalém, tenha recusado um chorudo cheque de uma organização de "amigos evangélicos". É que, como diz um célebre cronista português: "Não há almoços grátis".

publicado por Boaz às 22:25
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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

Wiki-viciante

Uma das minhas coisas favoritas na Internet é a Wikipédia. Adoro o conceito de globalização e partilha de conhecimento, mesmo que seja feito por gente amadora. É certo que nem sempre o resultado dessa partilha é de confiança, mas – parece que alguns estudos recentes sobre o fenómeno "wikipédico" mostram que – de uma maneira geral "A Enciclopédia Livre" é mais completa e actualizada do que a maioria das enciclopédias comuns. Em inglês ou em português, tenho consultado centenas de artigos das mais diversas áreas. A base de dados fotográfica é verdadeiramente espantosa.

Recentemente, decidi também contribuir para a causa – não com "cacau", apesar dos apelos aos donativos assinalados em todas as páginas da enciclopédia e de achar a causa bastante meritória. (O meu maasser – o dízimo dos rendimentos requerido pela Lei Judaica – já está destinado para causas mais prementes.) A minha contribuição é com artigos e fotos.

Verifiquei que são relativamente poucos os artigos sobre o Judaísmo e Israel na Wikipédia em Língua Portuguesa, e os que existem são, na sua maioria, muito incompletos. É óbvio porque escolhi estas áreas do conhecimento, apesar de me interessar por muitos outros temas para além do Judaísmo e de Israel. Geografia e História Universal, por exemplo. Essas e outras áreas, posso bem deixá-las para outras pessoas. Decidi ainda partilhar uma parte da minha numerosa colecção digital de fotos de Israel e de Portugal.

Todas estas contribuições dependem da minha disponibilidade de tempo, cada vez mais raro pelas exigências do estudo no kollel da yeshivá e pela sempre exigente vida familiar.

Por fim, tenho de confessar um certo orgulho – talvez patético e fora de moda – ao ver que a Wikipédia em português, apesar do muito inferior número de falantes da língua de Camões no Mundo, tem alguns milhares de artigos a mais do que a Wikipédia em Espanhol.

PS – Talvez no futuro possa também vir a contribuir para a Wikipédia em Hebraico, a qual mostra um vigor impressionante: para um idioma partilhado por menos de 10 milhões de pessoas e que apenas é oficial num único e pequeno país, Israel: consegue ter mais artigos publicados do que a Wikipédia em Árabe, quando o árabe é falado por mais de 400 milhões de pessoas.

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publicado por Boaz às 20:00
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Viver em cabanas

Os Judeus em todo o Mundo preparam-se para a festividade de Succot, a Festa das Cabanas, em memória das cabanas onde o Povo de Israel viveu durante os 40 anos do Êxodo do Egipto. Esta era uma das antigas ocasiões em que os Judeus faziam a peregrinação ao Templo de Jerusalém. Apesar de a peregrinação estar interrompida há quase 2000 anos, outras tradições persistem nesta festa.

O nome "Festa das Cabanas" deriva do facto da obrigação de residir numa cabana (sucá, em hebraico) durante os sete dias da festa. Nos primeiros dias do novo ano – o Ano Novo Judaico foi no último 30 de Setembro – milhares de famílias ocupam-se na construção da sua cabana particular. Seja no jardim, no lugar habitualmente ocupado pelo carro em frente da casa, ou na varanda, as cabanas têm aparecido como cogumelos nos bairros religiosos de Israel. São decoradas, muitas vezes com enfeites preparados pelas crianças, e transformadas em sala de jantar da família.

Na semana de Succot, as famílias devem fazer a maioria das suas actividades diárias na cabana. Devem comer todas as refeições, estudar nela. À excepção da linha Chabad do Judaísmo Ortodoxo, a tradição judaica defende que o homem deve dormir, se possível, na sua sucá.

Nos anos anteriores, costumava usar a sucá da yeshivá, apesar de optar por nunca dormir nela, tal era a desordem que a caracterizava. Dezenas de alunos costumam tirar as suas camas dos quartos, e durante a semana de Succot fazem da sucá o seu quarto colectivo. Sem os empregados da yeshivá para ordenarem o espaço, abunda a bagunça. E, para ajudar, há sempre os gatos vadios que habitualmente pernoitam no pátio da yeshivá.

Este foi o primeiro ano em que construí a minha própria sucá. Uma indústria sazonal fez surgir nos anos mais recentes, verdadeiros "milagres" como as cabanas que se montam em poucos minutos, bastando unir alguns ferros e atando uns panos ou plásticos a fazer de parede. Um dos pré-requisitos da cabana é que o seu telhado seja de matéria vegetal. Esteiras de cana ou palha e ramos de palmeira são as coberturas mais normais. A sucá, com toda a sua vulnerabilidade aos elementos da natureza e falta de conforto em relação a uma casa de tijolo e cimento, tem o simbolismo da plena confiança na protecção de Deus.


Inspecção do etrog no mercado das "quatro espécies", antes de Succot.

Para lá das cabanas que dão nome ao festival, o outro importante preceito de Succot é a presença dos arbaat ha'minim (as "quatro espécies"). São quatro tipos de plantas, usados pelos homens durante as rezas matinais dos sete dias. O ramo ainda fechado de uma palmeira (chamado lulav), dois ramos de chorão (aravá), três ramos de murta (hadas), e uma cidra (etrog), um fruto aparentado com o limão.

Um "quase-limão" por 20 Euros

A Halachá (Lei Judaica) é muito rigorosa com as características que devem ter cada uma das "quatro espécies". Nos bairros religiosos das cidades israelitas, surge nesta época um mercado especial para venda dos arbaat ha'minim. São centenas de vendedores que tentam atrair a clientela. Milhares de compradores verificam os ramos de murta e de chorão, inspeccionam cuidadosamente as pontas das folhas do lulav e, especialmente a cidra. Muitos usam lupas para conseguirem vislumbrar o mais pequeno defeito. O etrog, pela sua beleza e raridade – é difícil encontrar um exemplar perfeito – chega a atingir somas incríveis, para um fruto que parece um limão apenas um pouco mais rugoso.

Uma metáfora descreve as "quatro espécies" como os quatro tipos de Judeus. O lulav, que tem sabor (pelos seus frutos, as tâmaras) mas não tem cheiro, simboliza os Judeus que estudam Torá mas são pobres em boas acções. O hadas, ou murta, tem bom cheiro, mas não tem sabor, representa os Judeus que fazem boas acções, mas carecem de estudo da Torá. A aravá, ou chorão, não tem sabor nem cheiro, é como os Judeus que não estudam Torá nem fazem boas acções. O etrog, um fruto saboroso e com bom cheiro, simboliza os Judeus que são estudiosos da Torá e fazem boas acções. No entanto, tal como o conjunto não serve para cumprir o preceito se lhe faltar algum dos elementos, o Povo de Israel também não está completo sem cada um dos Judeus. Com todas as suas diferenças.

Apesar de alguns sinais da crise económica que também já começam a notar-se em Israel, o entusiasmo dos fiéis para cumprirem da melhor forma as mitzvot (os preceitos judaicos) da sucá e das "quatro espécies", não diminuiu. A agitação no mercado é a melhor prova. Se a chuva não estragar a quadra, impossibilitando dormir ou comer na cabana, o frio que já se começa a sentir, será o único senão da festa.

publicado por Boaz às 15:00
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Ai 'Jasus'

A organização "Jews for Jesus" (Judeus para Jesus) começou uma aguerrida campanha em Israel. Cartazes de rua em pontos estratégicos de diversas cidades do norte do país, como Haifa, Naharyia ou Kiryat Shemona; anúncios de página inteira em jornais diários nacionais e locais; spots de rádio. Tudo, para conquistar almas de fiéis Judeus para Yeshu (nome como é chamado em hebraico).

Esta organização religiosa é afiliada com o movimento cristão evangélico. Como qualquer igreja cristã, prega que Yeshu é o Messias. Porém, ao contrário da generalidade das igrejas cristãs de intuito missionário, que procuram conquistar todas as almas em qualquer ponto do mundo, o seu público-alvo é exclusivamente a comunidade judaica.

Os seus esforços propagandistas são bem patentes na sua atitude. Dissimulam-se entre as comunidades judaicas, usando simbologia como a Estrela de David ou a Menorá. Constroem os seus centros disfarçados de sinagogas, como o fizeram em São Paulo, por exemplo. Abriram a sua confraria em Higienópolis, um dos principais bairros de residência dos judeus. E um dos locais escolhidos para a propaganda de rua não poderia ser menos inocente: em frente a um dos colégios judaicos da cidade, a pouca distância de uma sinagoga de verdade.

O facto de quererem transformar Israel no seu próximo objectivo de conquista suscitou já protestos nas localidades onde a campanha se tem desenrolado. Cartazes de rua foram arrancados. Em Kiryat Shemona, o pneu do carro de um dos missionários foi esvaziado. Tzfania Drori, o rabino-chefe da cidade comentou assim o incidente: "Esta é provavelmente uma reacções mais brandas que se pode imaginar, em resposta à agressiva actividade missionária levada a cabo por estes Judeus para Yeshu."

"Acredito que temos o direito de impedir que estas pessoas entrem na nossa cidade e proclamarem o Novo Testamento e literatura missionária. Isto é equivalente a uma mulher que faz um striptease num lugar público."

Há uns meses, em Jerusalém, surgiu uma polémica, quando se descobriu que um dos mais requisitados salões de festas da cidade era patrocinador de uma organização messiânica do mesmo género da "Jews for Jesus". Imediatamente choveram os cancelamentos de casamentos e eventos no local, especialmente usado por judeus religiosos.

Note-se que, em Israel a liberdade religiosa é total. Porém, é absolutamente proibida qualquer actividade missionária de cariz proselitista. Ora, a "Jews for Jesus" é uma organização que não esconde as suas intenções de levar todos os Judeus para o "outro lado".

publicado por Boaz às 23:25
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Domingo, 5 de Outubro de 2008

É apenas estatística

Há um ano apontei, por curiosidade, o número de visitantes que o Clara mente tinha recebido até então. A cifra era de pouco mais de 25,600. Hoje, conta mais de 56,000. Eu sei que os números valem o que valem, mas estes deixam-me, no mínimo, com um sorriso nos lábios. É impressionante saber que passou aqui tanta gente nos últimos 12 meses. Deixam poucos comentários, há que afirmá-lo, mas de vós, não posso exigir nada...

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publicado por Boaz às 21:24
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Sábado, 4 de Outubro de 2008

Manter a calma

Há dias, a boleia matinal que consegui apanhar para chegar a Jerusalém, deixou-me no bairro de Talpiyot, a sul da capital. Apeei-me antes da zona dos centros comerciais e fui esperar pelo autocarro numa paragem na Estrada de Hebron, a principal avenida do bairro, que liga o sul ao centro da Cidade Santa.

Pouco depois de ter chegado, senti uma palmada nas costas. Nada de muito violento, estilo palmadinha de amigo. Virei-me de imediato, pensando que iria encontrar algum conhecido. Um sujeito totalmente estranho, perguntou-me com ar um levemente provocatório: "Atá coess alai?" (Estás chateado comigo?) Vi que o fulano tinha problemas... Respondi calmamente: "Não, não estou chateado. O que aconteceu?" Toda a situação foi um pouco surreal. Acabou por me fazer rir. Longe dos seus olhos, não fosse o homem ficar ofendido e querer oferecer-me outra palmada, desta vez menos amigável...

O tipo acabou por ter sorte em ter dado as palmadinhas em alguém calmo e "boa onda" como eu. Se tivesse escolhido o típico israelita, poderia ter tido uma resposta menos serena. O israelita comum é agitado, nervoso, fala alto e não evita qualquer oportunidade para responder a uma provocação.

Isso traduz-se em discussões por verdadeiras miudezas: no supermercado, no autocarro, na repartição pública, na espera que o semáforo mude para verde ao atravessar a rua, e especialmente, no trânsito. O uso permanente da buzina, o pé pesado no acelerador, o esbracejar quando a fila não anda e a pressa exige rapidez. Todas estas são expressões diárias desse nervosismo natural do israelita. A histórica situação de conflito e a instabilidade política também influenciam o estado de espírito normalmente agitado.

Quem vem pela primeira vez a Israel ou conhece o seu primeiro israelita, fica com a sensação de ser um povo um pouco impaciente, rude até. É só impressão. Os israelitas usam uma metáfora para descreverem esse modo peculiar de ser. Chamam-se a si mesmos de sabra, o cacto do deserto. Tal como os frutos do cacto, os israelitas são normalmente espinhosos por fora e doces por dentro.

publicado por Boaz às 21:37
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