Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Crescei e multiplicai-vos

Logo após a criação de Adão por Deus, este foi ordenado a dar continuidade à sua própria espécie. "Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e conquistai-a". Esta foi a primeira ordem divina ao ser primeiro humano recém-criado. Nenhuma outra criatura: animal, peixe ou planta, foi instruído para se reproduzir. Podemos presumir dessa exclusiva ordem divina aos humanos que "reproduzir-se" é mais do que seguir a lei natural, comum a todas as criaturas vivas.

Em todas as culturas – dos "primitivos" caçadores-recoletores da Nova Guiné aos "moderníssimos" japoneses, a formação de uma família é rodeada de uma simbologia especial. A família é a génese de todas as civilizações. Numerosos povos têm na sua mitologia histórias de pais, filhos e irmãos. Desde Zeus/Júpiter e os seus numerosos filhos que constituem o topo do panteão de deuses greco-romanos até às humanas dinastias reais em que o filho sucede – na maioria dos casos – ao pai.

Também no Judaísmo, desde os tempos do patriarca Abraham, que a família é a base da transmissão das tradições. Logo ao oitavo dia, os rapazes judeus são circuncidados. Em hebraico brit milá, o ritual é um dos mais respeitados no Judaísmo. Marca a entrada no pacto entre Deus e Abraham, daí que seja chamado o "pacto do nosso patriarca Abraham".


Cohanim, os membros da casta sacerdotal, abençoam um menino de oito dias,
após a circuncisão, Jerusalém, 2006.

Em geral, nas festas judaicas, a família tem um papel ativo nas celebrações. Em Pessach (a Páscoa Judaica), é em volta da mesa familiar que se realiza o Seder, a refeição acompanhada do relato do Êxodo da escravidão egípcia para a Terra de Canaã. A participação das crianças no desenrolar do Seder é essencial. Em Succot, a Festa das Cabanas, toda a família come durante sete dias em cabanas construídas na varanda ou no pátio da casa. As crianças contribuem para a decoração da sucá, a cabana, e dormir aí, em vez da normalidade de dormirem no seu quarto, transforma-se numa experiência inesquecível.

Ao longo da longa corrente das gerações do Povo Judeu, o nascimento de uma criança é considerado uma grande bênção. Israel é, entre os países desenvolvidos do Mundo, aquele que apresenta a taxa de natalidade mais elevada, ainda bem acima de dois filhos por mulher. Pelo contrário, na Europa e Japão a natalidade tem caído para níveis muito abaixo daquele que é o valor mínimo necessário para a renovação das gerações.

Entre as comunidades ultra-ortodoxas a média é mesmo superior a 8 filhos por mulher, uma das taxas mais altas do Mundo. E a taxa tem crescido, em contraste com a tendência mundial. Ao contrário, entre as mulheres árabes israelitas (e também as palestinianas), a natalidade tem decrescido gradualmente, situando-se por volta dos 4 filhos por mulher. A crescente escolarização das mulheres árabes em Israel – o país conta com a mais alta alfabetização das mulheres árabes no Médio Oriente – e a sua maior participação no mercado de trabalho, tem feito adiar a idade do casamento e decrescer o número de filhos em relação às gerações anteriores. (Estes dados deitam por terra a tão apregoada e quase apocalíptica teoria da bomba demográfica árabe em Israel.)

Mesmo entre os judeus seculares, com o seu estilo de vida tipicamente ocidental, a média de filhos por mulher é superior aos seus congéneres europeus ou americanos. É comum encontrar casais não-religiosos passeando com três criancinhas. Enquanto isso, na Europa, é mais comum ver um casal a passear com dois cachorros do que com duas crianças. Em outras sociedades tradicionais, os filhos eram vistos como uma forma de garantir a velhice e o sustento dos pais. No Povo Judeu, perseguido durante séculos, os filhos são vistos como a garantia da sobrevivência, acima de tudo, das tradições.

Em Alon Shevut, o colonato judeu religioso onde eu moro, os habitantes têm o costume de ajudar a família onde nasceu uma nova criança. Durante uma semana, assim que a mãe regressa da maternidade, a família recebe comida pronta dos vizinhos que se juntam para colaborar. A cargo com um novo bebé, a mãe não precisa, pelo menos durante uma semana, de cozinhar.

Não é por acaso que os Judeus são conhecidos como Filhos de Abraham, ou Filhos de Israel. A vivência judaica assenta antes de mais na transmissão das tradições dentro da família, para a próxima geração. Com a chegada de uma nova criança à família, também nós somos agraciados com a bênção de adicionar mais um anel na longa e milenar corrente do Povo de Israel. É sem dúvida, o melhor "Mazal tov!" que se pode receber.

publicado por Boaz às 14:56
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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Objeto suspeito!

De repente, alguém desconfia de algo anormal. Dá o alarme. A zona é evacuada. Carros da polícia chegam para bloquear as ruas nas imediações. Os pedestres são impedidos de passar. É assim, cada vez que se descobre algum hafetz hashud, um objeto suspeito. Não são assim tão comuns no dia-a-dia israelita, mas não há quem não tenha passado por pelo menos um episódio destes. Quase se podia considerar uma experiência tipicamente israelita.


Soldado com um fato anti-explosivos. No filme "The Hurt Locker".

Encontrado num lugar público, seja no meio da rua, num centro comercial ou numa estação de transportes, a resposta a uma situação de "objeto suspeito" é sempre a evacuação dos civis. Em breves minutos, um esquadrão anti-bomba da polícia chega ao local para analisar o problema. Nos casos mais complicados aparece um veículo-estilo-robô que recolhe o objeto e o faz explodir de forma controlada. Noutros, um elemento da brigada anti-explosivos envolto num fato à prova de explosões (não todas, obviamente) aproxima-se para verificar o incómodo com olhos humanos.

Em cinco anos de residência em Israel, já assisti a estes espetáculos por vezes hollywoodescos. Felizmente, em nenhuma deles o perigo era real. Na última das situações, ontem mesmo durante o regresso a casa, observei as pessoas que tal como eu esperavam que o episódio se resolvesse. Habituadas a incontáveis incidentes do género, em especial durante os anos da Segunda Intifada, respondiam com uma expressão de tédio à informação de que se tratava de mais um hafetz hashud. Fazer o quê? Resta esperar. A polícia não deixa passar ninguém.

Em alguns minutos apenas, a situação resolve-se. O trânsito volta a circular. Em todas as paragens de autocarros acumulam-se passageiros impacientes, desconhecedores do que se passou no outro lado da cidade. Ao terminar a situação de alerta chegam filas de autocarros que haviam ficado retidos no bloqueio da rua.

A desconfiança securitária em Israel é por vezes stressante e exagerada. Na vida quotidiana, a qualquer momento, a normalidade pode ser interrompida por um objecto deixado no sítio errado. Talvez seja inocente – a maioria das vezes é mesmo –, mas não há lugar para indulgências quando está em causa a segurança pública. As ameaças por estes lados são um pouco mais sérias do que as que existem em quase todo o resto do Mundo.

publicado por Boaz às 02:12
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Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010

Espanhóis vs. Alemães

Os Judeus, apesar do seu pequeno número em relação à população mundial – algo como 0,2% da humanidade –, são bastante variados em termos de costumes. Aquilo que em hebraico se chama min’hag. Tradicionalmente dividem-se em sefarditas e askenazitas. Os primeiros são provenientes da Península Ibérica (Sefarad em hebraico, que ainda hoje é também o nome para Espanha) e dos países árabes. Os segundos são descendentes das comunidades do Vale do Reno, na Alemanha (Ashkenaz em hebraico, ainda que hoje se lhe chame Guermânia) e da Europa Oriental. Além destes, ainda há alguns pequenos grupos como os judeus Italianos e os Iemenitas, que têm costumes muito próprios.


Minyan no Kotel. Onde se juntam todos os tipos de judeus.

A história de Sefarad fica marcada pela "Idade de Ouro do Judaísmo Espanhol" a qual produziu génios como Maimónides (o Rambam) e Nachmânides (o Ramban), o Cuzarí e dezenas de autores essenciais da filosofia e da literatura judaicas. Com a expulsão judaica dos reinos ibéricos, os sefarditas espalharam-se por grande parte do Mundo Judaico. Marrocos, Holanda, Itália, Grécia e o Império Otomano foram os principais destinos.

Com a descoberta do Novo Mundo em 1492 – o mesmo ano da Expulsão – e o início da colonização das Américas, judeus e "cristãos-novos" também se estabeleceram no Hemisfério Ocidental. A primeira sinagoga foi estabelecida por descendentes de Judeus portugueses na cidade brasileira de Recife, durante a ocupação holandesa. Após a reconquista da região pelos portugueses, os judeus escaparam para as Caraíbas (Curaçau, Barbados, Jamaica) e a recém-fundada Nova Amesterdão, que seria mais tarde Nova Iorque.

Em Portugal, Espanha e nas colónias – do México ao Brasil –, apesar da oficial Expulsão, nascia o fenómeno dos Marranos (Anussim, em hebraico). Judeus por dentro, cristãos por fora. Receosos da Inquisição sempre vigilante. As gerações passaram, a identidade foi-se perdendo aos poucos, mas mantiveram-se estranhos costumes como acender velas sexta-feira ao anoitecer, jejuar uma vez por ano no começo do Outono, limpar a casa e não comer nenhum alimento fermentado por voltas do início da Primavera. Para muitos, a origem destes costumes era desconhecida. Para outros, a alma e a identidade judaica, ainda que reprimidas, mantinham-se vivas. Em segredo.

Também na Europa Oriental a vida judaica era agitada de tempos a tempos por convulsões. Aí, o pensamento judaico tradicional dividia-se entre as linhas hassídicas com a sua forte componente mística e, em sua oposição, o racionalismo lituano fundador do moderno conceito da yeshivá, a academia rabínica. O liberalismo napoleónico promoveu aos poucos a integração dos Judeus à igualdade de cidadania. Ainda que a fera do anti-semitismo não tenha sido extinta pelo humanismo liberal. Dentro do próprio Judaísmo, a maior abertura social criou uma revolução. A Haskalá ou Iluminismo Judaico abriu caminho a um maior liberalismo na religião e mais tarde à fundação do movimento reformista.

No final do século XIX e no início do século XX, campanhas de massacres da população judaica às mãos de polacos, russos e dos cossacos ucranianos, levaram vários milhões de judeus askenazitas a todo o mundo anglo-saxónico. Hoje, eles são a imensa maioria dos judeus americanos, a maior comunidade da Diáspora Judaica. A liberdade americana fez florescer a comunidade judaica, atingindo um nível de desenvolvimento cultural e social nunca antes alcançado em qualquer outra etapa deste Exílio já bi-milenar.

Nas décadas de 1930-40, o Holocausto destruiu os maiores centros da vida judaica europeia. Por ter atingido em especial a Europa do Leste, a enorme maioria dos seis milhões de mortos judeus durante a Shoá eram askenazitas. Grupos hassídicos inteiros foram exterminados na voragem da ocupação nazi. Na mesma época, também importantes comunidades sefarditas como Salónica (Grécia), Sarajevo (Bósnia) e Amesterdão praticamente desapareceram.

Logo após a independência israelita em 1948, com uma crescente onda de anti-semitismo nos seus países de origem, mais de 800,000 judeus dos países árabes chegaram à Terra Santa. Até aos anos de 1990, antes da grande onda de imigrantes da ex-União Soviética que trouxe mais de um milhão de pessoas, os sefarditas compunham mais de 70% da população judaica do país. Hoje, a proporção entre as duas comunidades é praticamente idêntica, apenas com uma ligeira maioria de sefarditas. Porém, a nível mundial, a população judaica é maioritariamente de origem askenazi, numa proporção de 4 para 5.

Na sua versão moderna, o sionismo teve a origem no Leste Europeu. Os principais impulsionadores da ideia da fundação de um estado judeu na Terra de Israel eram askenazitas. Eles foram os pioneiros das comunidades coletivas locais, os kibbutzim e moshavim; fundadores das primeiras cidades judaicas da embrionária Israel e dos partidos políticos originais no país. Desde o início do Estado de Israel, a política tem sido dominada pelos askenazitas. Em 62 anos, todos os Primeiros-Ministros foram askenazitas. Entre os Presidentes da República, apenas dois eram sefarditas, Moshe Katzav, nascido no Irão, e Yitzhak Navon, descendente de uma família espanhola estabelecida em Jerusalém. Este desequilíbrio na esfera política levou à fundação do Partido Shas, dirigido pelo grande rabino Ovadia Yosef, é hoje o maior partido religioso em Israel e com uma crescente influência política, participando em todas as coligações de governo desde os anos de 1990.

A integração na moderna sociedade israelita de estilo marcadamente europeu, foi particularmente difícil para os judeus recém-chegados dos países árabes, provenientes de sociedades tradicionais. A maioria dos recém-chegados foi alojada em cidades de tendas construídas à pressa (as maabarot) ou insalubres "cidades de desenvolvimento" nas regiões periféricas de Israel. A ruptura com o seu modo de vida tradicional era evidente. Muitos haviam desfrutado de um elevado nível de vida nas suas terras de origem e na fuga à perseguição haviam perdido todos os seus bens. Viver em comunidades agrícolas também não foi bem sucedido, dado que nos países árabes os Judeus haviam sido mercadores e artesãos, e raramente se dedicavam à agricultura. Tal como acontecera com os Judeus na Europa medieval.

No novo país, composto por gente de tão variadas origens, recuperou-se a língua hebraica, a língua nativa dos Judeus. Usada durante os 2000 anos da Diáspora somente no âmbito religioso tornou-se o idioma da vida diária. Os askenazitas, falantes do yiddish, alemão, húngaro ou russo, contribuíram com a forma moderna do alfabeto. Os sefarditas, falantes do ladino, árabe, persa ou bukhari deram a sua pronúncia ao idioma moderno. Numa piada um pouco cínica, alguém definiu esta simbiose com a expressão bíblica "A mão de Esaú e a voz de Jacob".

Ainda hoje existe um certo sentimento de inferioridade dos judeus sefarditas em relação aos askenazitas. Todavia, a tendência parece visionar uma crescente influência dos sefarditas. A demografia joga a seu favor. Afinal, estes compõem a maioria dos judeus religiosos, que têm mais filhos que os seculares. Ainda que a face mais visível do judaísmo ortodoxo em Israel sejam os haredim askenazitas, notados pelas suas capotas negras e os shtreimels (chapéus de pêlo usados no Shabbat e dias festivos), estes são na verdade minoritários no panorama religioso em Israel. Por outro lado, os judeus tradicionalistas ou massoratim (não confundir com os adeptos do Movimento Masorti, uma denominação do Judaísmo Conservador) são parte de um fenómeno característico do público sefardita em Israel. Em geral, os askenazitas ou são ortodoxos ou declaradamente seculares. Esse "meio-termo entre a tradição e a modernidade" é a regra dos sefarditas não ortodoxos. E é raro encontrar um sefardita obstinadamente laico e totalmente ignorante da sua herança religiosa.

Mesmo na Diáspora, em países como o México, o Brasil, a França ou a Venezuela, as comunidades menos "assimiladas" são as sefarditas. Ao contrário, as comunidades askenazitas do mundo anglo-saxónico, com raras excepções, vão sendo dizimadas pelo fenómeno da assimilação e dos casamentos mistos. No moderno Estado de Israel, com a aliá de judeus de todos os cantos do planeta, realiza-se a profetizada kibbutz galuyot, a "reunião dos exilados" na Terra Prometida, o futuro parece antever um gradual atenuar das diferenças entre as diferentes comunidades judaicas.

Afinal, hoje em dia, é comum o casamento entre um homem sefardita e uma mulher askenazi. Ou o inverso. Ou até um homem louro de origem alemã com uma mulher etíope. A divisão askenazi/sefardita é um produto da Diáspora. O "novo judeu" – ideia romântica dos pioneiros sionistas inspirados em ideais socialistas –, é cada vez mais uma simbiose entre os costumes de ambos. Num exemplo caseiro, na mesa israelita é normal encontrar-se hoummous ao lado de gefilte fish. Afinal, pode dizer-se sem cair em sacrilégio que, tirando o toque especial da avozinha, seja ela húngara ou marroquina, cholent e dafina são basicamente a mesma coisa.

publicado por Boaz às 22:00
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