Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

Mazal tov!

Ainda que, como instituição o casamento esteja em grave crise, o dia da boda é – depois do nascimento – quase universalmente considerado a mais importante data da vida de alguém. Em todas as culturas, a formação de uma nova família é um evento rodeado de inúmeros rituais, tradições, formalidades e superstições.

As festas de casamento judaicas, apesar de serem ocasiões obviamente intensas e emocionantes, duram apenas algumas horas. Em Israel, pelo menos. Não um dia inteiro, como é normal nas bodas cristãs. Em Israel, o único dia de descanso semanal é o Shabbat, o Sábado. O Domingo, pelo contrário, é um dia de trabalho normal. Porém, de acordo com a Halachá, a Lei Judaica, não se realizam casamentos no Shabbat. Restarão os dias úteis para a realização do matrimónio. Depois do horário de trabalho, ao final da tarde, ou já de noite. Em Israel, a maior parte dos casamentos não se realizam em sinagogas. Toda a boda, incluindo a cerimónia religiosa, realiza-se normalmente num salão de festas. Ou num hotel.


Casamento judaico em Marrocos, de Delacroix. Museu do Louvre.

Tirando os membros mais chegados da família, é normal os convidados chegarem à boda diretamente do trabalho. A informalidade israelita não impõe o uso de gravata ou fato de cerimónia. Nem sequer ao noivo. Entre o público dati leumi, ou ortodoxo moderno israelita, é comum muitos dos homens, em especial os mais jovens, usarem sandálias que noutras paragens seriam consideradas adequadas a uma ida à praia. Se esse é o calçado que eles usam até no Shabbat, porque seriam impróprias para usar num casamento?

Entre os Judeus religiosos, muitos dos casais são unidos por intermédio de um shiduch. Algum intermediário combina o encontro entre o rapaz e uma potencial pretendente. Apesar de o shiduch ter a aparência de "casamento arranjado", a decisão de casar-se é feita exclusivamente pelos noivos e nem sequer pelos seus pais. A Lei Judaica proíbe absolutamente a coerção de uma das partes a casar-se com quem não deseja. Apenas o "empurrão inicial" e alguns conselhos intermédios são feitos pelo shadchan, o tal intermediário.

Após a oficialização do noivado – é comum haver uma pequena cerimónia – são poucos meses, ou mesmo só algumas semanas, até à realização do casamento. Não há tempo a perder, se o casal já deseja a união! Além dos inúmeros detalhes de uma qualquer cerimónia de casamento: a escolha do salão, do fotógrafo, da decoração, da banda ou do vestido de noiva, o casamento judaico implica outros trabalhos extras.

Em Israel não existem casamentos civis. Apenas religiosos. Sejam eles judaicos, muçulmanos, cristãos ou drusos. Para os Judeus, toda a burocracia do casamento tem de passar pelo rabinato local. Uma das dificuldades acrescidas nos últimos tempos é a exigência de uma "prova de Judaísmo". Com a imigração de gente de todo o mundo, com muitas pessoas nascidas de uniões não realizadas de acordo com a Halachá, ou que não possuem documentos que provam os casamentos familiares, torna-se mais difícil provar a cadeia familiar judaica. Sem a certeza de que se trata de duas pessoas judias (nascidas de mãe judia ou que passaram uma conversão ortodoxa), o casamento não pode ser realizado de acordo com a "Lei de Moisés e Israel".

Um dos fenómenos causados por estas exigências de prova de identidade – que por vezes revelam que afinal um dos noivos não é judeu – é a decisão de casar fora de Israel. Isto, no caso de o membro não-judeu do casal não desejar passar um processo de conversão. Desta forma, os noivos viajam para a Grécia ou Chipre e aí realizam um casamento civil. Esta união é reconhecida em Israel.

Depois de ultrapassada a burocracia do rabinato, existe a exigência de estudo das leis familiares judaicas. A separação do casal durante o período menstrual, rodeada de complicadas leis, é uma das mais respeitadas tradições do Judaísmo. Mesmo que não sejam cumpridas – em todo ou em parte –, pela maioria das famílias não-observantes, as futuras noivas judias passam pelo menos por uma classe sobre "as leis de pureza familiar". Entre os judeus religiosos, também os homens passam um período de estudo destas leis antes do casamento. Ao mesmo tempo, são estudados assuntos como a harmonia familiar e formas de a conservar, evitando a discórdia.

Nas vésperas do grande dia, noiva deve passar por uma imersão numa mikve, um tanque de águas usado para a purificação ritual. Também existe o costume de o noivo fazer uma imersão na mikve. Em algumas comunidades ultra-ortodoxas existe o costume de o futuro casal não se encontrar, e muitas vezes nem sequer falaram um com o outro pelo telefone, uma semana antes do casamento. Com isto pretende-se aumentar a saudade entre os dois e a ânsia de realizarem a sua união. No próprio dia do casamento cada um dos noivos costuma ser acompanhado por um "guardião". Alguém que os vigia e se assegura que tudo corre tranquilamente e não se deixam vencer pela ansiedade.

Como nos casamentos ocidentais, também o noivo judeu chega primeiro ao local da cerimónia. Há que tratar da assinatura da ketubá, o contrato matrimonial. Perante o rabino oficiante da cerimónia e duas testemunhas – e normalmente também o pai da noiva –, o noivo assina a ketubá, um documento que atesta os direitos da futura esposa e as obrigações do futuro marido. Nesta altura, enquanto o noivo trata das últimas formalidades legais, noutra parte do salão de festas a noiva encontra-se rodeada das amigas, sentada numa cadeira decorada.

Após a assinatura da ketubá, dá-se início à festa. A banda de música que anima a ocasião e os homens convidados rodeiam o noivo, que inicia um cortejo até ao lugar onde a sua noiva está sentada. Para os que cumprem o costume, esta é a primeira vez que os noivos se vêem numa semana. Aí, cobre-lhe a cabeça com o véu. Daí, o noivo, ladeado pelo pai e o sogro, é seguido pelo mesmo cortejo até à chupá, o pálio nupcial sob o qual será realizada a cerimónia religiosa. A noiva chega pouco depois acompanhada pela mãe e, às vezes, também a sogra.

A cerimónia é bastante simples e rápida. Sete bênçãos são recitadas sobre um copo de vinho. Às vezes, cada uma é recitada por um homem diferente, desde rabinos convidados até amigos e familiares dos noivos. Depois da segunda bênção, o noivo entrega a aliança à noiva, declarando que "Estás consagrada para mim através deste anel, como dita a lei de Moisés e Israel". "Consagrada, consagrada, consagrada!", os convidados declaram em voz alta. A ketubá é lida. Normalmente, este é um "momento morto" da cerimónia, uma vez que o contrato matrimonial está escrito em aramaico, uma língua que muito poucos entendem. Ao final das sete bênçãos, recorda-se Jerusalém: "Se eu te esquecer Jerusalém, que a minha mão direita perca a sua força; que a minha língua se cole ao meu palato se eu não te lembrar; se eu não te elevar ao topo da minha alegria".

O momento mais famoso da festa de casamento judaico é o quebrar do copo de vidro. Apesar de se seguir de um "Mazal tov!" (Boa sorte!) em uníssono, o ato simbólico de partir o copo representa a lembrança da destruição do Templo de Jerusalém e de como a alegria desta festa não pode ser completa, ao sabermos que o Templo continua ausente e o Povo de Israel ainda está distante da sua glória de outrora.

Os convidados invadem a chupá para saudar os noivos. Depois, novamente a barafunda do cortejo de convidados acompanha o casal desde a chupá até a um lugar onde os dois, pela primeira vez, se encontram a sós. É a hora de os convidados poderem sentar-se à mesa e comer. Porém, dentro de alguns minutos, quando os noivos voltarem, a euforia da festa será explosiva.

Nas festas de casamento judaicas ortodoxas, existe uma separação entre homens e mulheres. Ao menos na parte das danças. Homens e mulheres dançam em espaços distintos. E com uma barreira, mais ou menos alta, a separá-los. No caso das comunidades ultra-ortodoxas (e também alguns sionistas religiosos) até as mesas da refeição se encontram separadas por géneros.

O baile do casamento é uma ocasião frenética. É quase milagroso como não acontecem desastres durante a festa, dado o nível do frenesi. De mãos dadas em cadeia, os homens dançam em redor do noivo, cada vez mais rapidamente. O mesmo fazem as mulheres em volta da noiva. Os dançarinos mais enérgicos vão passando das rodas exteriores cada vez mais para o interior do furacão dançante. Um convidado mais entroncado levanta o noivo nos ombros. Outros levantarão o pai do noivo e o sogro. Rodando-os e balançando-os sob os aplausos delirantes dos convidados.

De tempos a tempos, o noivo é deixado sentar numa cadeira no centro da multidão de bailantes para descansar por alguns instantes. Suado e exausto, alguém lhe traz uma bebida. Perante o noivo sentado, alguns dos amigos fazem palhaçadas, acrobacias, exibições de dança ou até números de circo com fogo e malabarismos. Tomados pelo entusiasmo e assumindo a missão de alegrar os noivos, até respeitáveis rabinos se transformam em bobos da festa.

É preciso não esquecer que tudo isto acontece num dia de semana. E amanhã também se trabalha. Pelo que a festa acaba relativamente cedo. No final da refeição, restarão apenas os familiares e os amigos mais chegados. As mesmas bênçãos que foram recitadas sob o copo de vinho na chupá são repetidas após a bênção final da refeição. Ainda que a festa não dure sete dias como as bodas ciganas, as refeições festivas em honra do novo casal repetem-se durante uma semana. O primeiro Shabbat após o casamento é especialmente celebrado. Depois de passada a primeira semana, com o seu ambiente de festa quase diário, os noivos entrarão a sério na vida de casados. Para a maioria das jovens famílias, os filhos chegarão menos de um ano depois do “sim” nupcial.

Nesta altura do ano, o calendário judaico aproxima-se dos chamados yimei bein hametzarim, os "dias entre os sofrimentos". São as três semanas que separam 17 [do mês hebraico] de Tamuz e 9 [do mês] de Av, duas datas marcadas por tragédias na história judaica. Nesta época de luto parcial, não se realizam casamentos. Por isso, até à entrada nas três semanas fatídicas em que não se trocam os votos de casamento, acumulam-se as bodas em Israel.

publicado por Boaz às 00:05
link do artigo | Comente | ver comentários (3) | favorito
Quarta-feira, 1 de Junho de 2011

Seis dias em Junho

Passaram mais de 40 anos, mas os acontecimentos de 5 a 10 de Junho de 1967 têm consequências até à atualidade. Conhecida por "Guerra dos Seis Dias", é um dos mais dramáticos episódios da história de Israel. Desde o dia da sua fundação, em 14 de Maio de 1948, o moderno Estado de Israel foi ameaçado pelos seus vizinhos árabes. Com o cessar-fogo da Guerra da Independência, em 1949, não foi instaurada a segurança e a estabilidade nas fronteiras do jovem Estado Judaico.

A partir do Sinai e da Faixa de Gaza – ocupada pelo Egito em 1949 –, as violações da fronteira de Israel eram constantes. A cada ataque seguiam-se retaliações da parte de Israel. O clima de guerra era permanente e, com a nacionalização do Canal de Suez, o Egito esperava represálias também da França e do Reino Unido, que pretendiam defender os seus interesses no Canal.

Sabendo dos interesses anglo-franceses, Israel decidiu ser o primeiro a atacar. A intenção israelita não ocupar o Sinai permanentemente. O objetivo era impor uma derrota ao beligerante regime de Nasser, que levasse o exército egípcio a terminar com as ameaças às fronteiras de Israel. A “Operação Kadesh” de 1956 causou uma derrota egípcia, mas o ambiente de guerra não abandonou a região. Com a colocação de milhares de soldados da ONU no Sinai para vigiar o cessar-fogo, as incursões árabes em território israelita terminaram durante alguns anos. A confiança israelita nas suas tropas cresceu consideravelmente.

A tranquilidade relativa da fronteira egípcia contrastava com os repetidos ataques na fronteira síria. Povoações no norte da Galileia e nas margens do Kinneret (Mar da Galileia) eram bombardeadas a partir de posições sírias no estratégico planalto de Golan. Em Jerusalém e na fronteira oriental, a ameaça do exército jordano também era crescente. Ainda que o Rei Hussein fosse o mais moderado dos vizinhos de Israel, era pressionado pelos milhares de residentes palestinianos no seu país e pelos restantes líderes árabes.

A situação agravou-se com a ordem do presidente egípcio Abdel Nasser de expulsão das tropas da ONU estacionadas no Sinai e a retoma do controlo militar da península pelo poderoso exército egípcio. No estreito de Tiran, no fundo do Sinai, foi imposto um bloqueio aos navios de Israel, impedindo o seu acesso ao Mar Vermelho. A guerra era de novo eminente.

Os dois blocos da “Guerra Fria” armavam cada um dos lados. Os soviéticos equipavam as forças árabes, enquanto Israel usava armas de fabrico americano, francês e britânico. Em evidente desvantagem numérica e estratégica, a única hipótese de Israel conseguir uma vitória no conflito que estava eminente, seria desencadear um ataque surpresa, rápido e massivo.

Na manhã de 5 de Junho, a aviação israelita atacou as bases aéreas egípcias a partir do Mediterrâneo. Voando a baixa altitude evitaram ser detetados pelos radares. Em algumas horas, a Força Aérea de Israel reduziu a cinzas toda a frota de aviões de Nasser. Simultaneamente, foram atacadas bases na Síria, Jordânia e Iraque. Este ataque fulminante permitiu a Israel o controlo absoluto do espaço aéreo, podendo depois concentrar-se na ofensiva terrestre.

Perante o ataque israelita, as populações árabes reagiram com entusiasmo. Afinal, não haviam sido informadas da pesada derrota aérea pela comunicação social controlada pelos seus regimes. Num esforço propagandístico evidente, a Rádio Damasco difundia a mensagem: “Destruiremos Israel em quatro dias”.

Os combates foram rápidos no Sinai. Em apenas três dias, a maior parte das forças egípcias – o mais poderoso exército árabe – foram derrotadas em batalhas de blindados. O exército de Israel avançou até à margem oriental do canal de Suez. Com a frente egípcia totalmente dominada, Israel concentrou-se na frente oriental. O exército jordano atacava a Cidade Nova de Jerusalém, pretendendo avançar pela cidade rumo ao Mar Mediterrâneo, cortando Israel ao meio.

As tropas israelitas atravessaram a "terra de ninguém"; que se estendia ao longo da fronteira que dividia a cidade desde 1949 e cercaram a Cidade Velha. Após dois dias de combates, o exército jordano foi repelido da Cidade Santa e a cidade foi finalmente reunificada. Pela manhã do dia 7 de Junho, já os fiéis judeus rezavam no Kotel, o Muro das Lamentações, pela primeira vez em 19 anos. O local mais sagrado do Judaísmo havia estado inacessível aos Judeus desde 1948, quando Jerusalém Oriental, incluindo a Cidade Velha, fora capturada pela Jordânia.


Fiéis judeus no Kotel, uma realidade impossível até 1967.

Israel avançou para Oriente, conquistando o território da Judeia e Samaria, que desde 1949 estava sob controlo jordano. Em 1950, esses territórios haviam sido mesmo anexados pelo Reino da Jordânia. Nessa altura, ainda ninguém reclamava a região para fundar um "Estado Palestiniano". Com as vitórias no sul e no leste asseguradas, restava suster a ameaça da Síria. Antes que as Nações Unidas decretassem um cessar-fogo, os blindados israelitas venceram o exército sírio nos Montes Golan. A 10 de Junho foi instaurado o cessar-fogo. A essa altura, as tropas israelitas já haviam avançado até próximo da capital síria, Damasco.

Em menos de uma semana, Israel aumentou mais de três vezes o tamanho do seu território. (A península do Sinai seria devolvida ao Egito em 1981, instaurando o primeiro tratado de paz israelo-árabe, o qual se mantém até hoje, apesar de alguns momentos problemáticos nas relações entre os dois países.) A partir de 20 de Junho foi autorizado a todos os Muçulmanos o acesso à mesquita de Al-Aqsa, no Monte do Templo (ou Esplanada das Mesquitas). Anteriormente, os fieis muçulmanos que viviam do lado israelita da “Linha Verde” também não podiam rezar nos seus santuários da Cidade Velha.

A espetacular vitória israelita causou um fortalecimento sem precedentes da identidade judaica. No espaço dos últimos 2000 anos, nunca as profecias de Redenção pareceram tão reais. Em todo o mundo, milhares de judeus seculares que até então desprezavam a sua origem judaica, passaram a afirmar com orgulho o seu Judaísmo. Milhares de Judeus fora de Israel passaram a usar com orgulho as suas kippot, publicamente. Na União Soviética, onde os Judeus sofriam uma forte perseguição religiosa, mesmo debaixo da opressão do regime despertara um movimento que reclamava o direito de imigrar para Israel.

Desde que Israel unificou Jerusalém, a cidade experimentou uma fase de desenvolvimento sem precedentes. Nunca a cidade se tornara verdadeiramente num local santo para as três religiões monoteístas. Apenas sob o domínio israelita foi instaurada a liberdade religiosa para todos os seus habitantes.

Hoje, o calendário judaico marca o Yom Yerushalaim, o Dia de Jerusalém, que celebra a reunificação da Cidade Santa, ocorrida durante a Guerra dos Seis Dias. Ele simboliza a restauração do domínio do Povo de Israel sobre a sua capital ancestral. O retorno a Sião, base do Sionismo, a ideologia fundadora do Estado de Israel, que é a ânsia dos Judeus de regressarem à sua pátria histórica depois de quase dois mil anos de exílio. A coroa regressou ao seu legítimo soberano.

publicado por Boaz às 15:00
link do artigo | Comente | ver comentários (3) | favorito

.Sobre o autor


Página Pessoal
Perfil do autor. História do Médio Oriente.
Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


Envie comentários, sugestões e críticas para:
Correio do Clara Mente

.Pesquisar no blog

Este blog está registado
IBSN: Internet Blog Serial Number 1-613-12-5771

É proibido o uso de conteúdos sem autorização

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.Ligações

.Visitantes

Jewish Bloggers
Powered By Ringsurf

.Arquivos

. Maio 2014

. Março 2013

. Novembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

.subscrever feeds

Partilhar