Domingo, 25 de Dezembro de 2011

A Cruz nas terras do Crescente

O turismo cristão é uma das maiores fontes de receitas para a Autoridade Palestiniana. As quadras do Natal e Páscoa, as maiores festividades do Cristianismo, trazem à Terra Santa dezenas de milhares de turistas de quase todo o Mundo. (Digo "quase", porque os nacionais de países sem relações diplomáticas com Israel, dificilmente passarão a fronteira).

Belém é o ponto principal da romagem cristã. A “Missa do Galo” à meia-noite de 25 de Dezembro, na mais que milenar Igreja da Natividade, é concorrida pelos turistas e pelos Cristãos locais. Numa manifestação de ecumenismo, os líderes da Autoridade Palestiniana assistem também à missa, mesmo sendo muçulmanos. Porém, este é um ecumenismo-para-consumo-estrangeiro. Ainda que em teoria a Autoridade Palestiniana se comprometa a garantir a igualdade dos Cristãos, na prática, atos de violência são cometidos pelas facções radicais palestinianas e as próprias forças de segurança palestinianas. Em Gaza, a única livraria cristã da Faixa foi destruída à bomba, pouco depois da chegada ao poder do Hamas. Pelo menos um dos líderes da pequena comunidade cristã de Gaza foi assassinado por terroristas.


Igreja russa de Maria Madalena, no Jardim de Getsemani,
Monte das Oliveiras, Jerusalém.

Os Cristãos de Belém são uma minoria em rápido declínio. Em 1948, ano da Independência de Israel, compunham 85% da população da cidade. Em 1998, eram 40%. Desde então, pelo menos 10% dos Cristãos abandonaram a cidade. A diminuição do turismo cristão durante a Segunda Intifada levou muitas famílias cristãs à ruína económica. Eles são os principais proprietários das lojas e hotéis que servem os turistas. O panorama de diminuição demográfica cristã é geral em todos os Territórios Palestinianos, não apenas em Belém. Dos 173.000 Cristãos que viviam na Cisjordânia e Gaza nos anos de 1990, hoje restarão entre 40 mil a 50 mil. As baixas taxas de natalidade, comparadas com os seus vizinhos muçulmanos, as dificuldades da insegurança militar durante a Segunda Intifada, e o maior nível educacional da comunidade levaram muitos à imigração.

Ironicamente, nos últimos 60 anos, o único país do Médio Oriente e Norte de África onde a população cristã tem aumentado é Israel. Para lá dos Cristãos Árabes israelitas, aparentados com os seus correligionários da Cisjordânia e Gaza, a população cristã aumentou com o fluxo de Cristãos russos, ucranianos ou romenos, chegados a Israel com os seus parentes judeus após o colapso da União Soviética. E mais recentemente, milhares de imigrantes das Filipinas, Gana e Eritreia em busca de trabalho. Pelo contrário, no resto do Médio Oriente, o panorama das comunidades cristãs tem piorado nas últimas décadas.

Na Síria, a braços com uma revolução sangrenta que dura quase há quase um ano, os Cristãos são uma minoria importante. Membros da Igreja Ortodoxa Síria e Grega e do ramo maronita do Catolicismo oriental, na altura do census do 1960, os Cristãos eram pouco menos de 15% da população do país, com 1.2 milhões de pessoas. Hoje, sem um census mais recente que confirme os dados, apesar de o seu número ter crescido para perto de 2 milhões, a percentagem terá descido para cerca de 10% da população da Síria. O decréscimo nas estatísticas é explicado pelas menores taxas de natalidade (associadas a um mais elevado nível económico), e também pela maior taxa de emigração dos Cristãos, em relação à maioria muçulmana.

Entre os países Árabes, o Líbano é o que detém a maior proporção de Cristãos. Porém, tal como na generalidade dos estados da região, esttes têm escapado em grande número à instabilidade política, a falta de liberdade política e em alguns casos a perseguição religiosa. Até à longa Guerra Civil Libanesa (1975-1990) os Cristãos compunham mais de 2/3 da população. Travada entre a Falange cristã e a OLP apoiada pela Síria, os 15 anos de guerra destruíram um país promissor e moderno – conhecido até então por "Suíça do Médio Oriente" – e deixou feridas praticamente impossíveis de sarar na população da nação. No pós-guerra, grande parte da liderança política cristã foi forçada ao exílio, presa ou assassinada pela nova ordem instaurada no Líbano.

Hoje porém, de acordo com alguns cálculos, os Cristãos serão cerca de metade da população do País dos Cedros. E isto, apenas excluindo os refugiados palestinianos (que serão mais de meio milhão no país) e os imigrantes muçulmanos. Nenhum censo da população é realizado no Líbano desde os anos de 1930. A fragilidade do status quo do sistema político libanês, com os Cristãos a obterem por determinação constitucional o cargo de presidente da República e metade dos ministérios (com a outra metade dividida pelos Muçulmanos Xiitas e Sunitas) preferirá ignorar a crescente diminuição da população cristã no país. Hoje, existirão mais Cristãos libaneses na Diáspora do no próprio Líbano, espalhados em países como Brasil, França, Austrália, Canadá ou Reino Unido.

No início do século XX, os Cristãos compunham 20% da população da Jordânia. O afluxo de Muçulmanos de origem saudita após a Primeira Guerra Mundial, a onda de refugiados palestinianos (quase 90% muçulmanos) depois da Independência de Israel em 1948 e a Guerra dos Seis Dias (1967) fizeram reduzir a sua população para apenas 7% dos habitantes do Reino Hachemita. Porém, os Cristãos jordanos, que integram os níveis mais altos da sociedade, detêm absoluta liberdade de culto, estão representados (inclusive acima da sua quota demográfica) no parlamento e nas forças armadas.

A Arábia Saudita é, oficialmente, 100% muçulmana. Porém, a visão oficial do regime de Riade não deixa esconder a realidade: existem vários milhões de cristãos no país. Em princípio, todos estrangeiros. Além dos diplomatas, existe uma grande população de trabalhadores domésticos das Filipinas, Índia e outros países asiáticos. Sem igrejas onde praticar a sua religião, os cristãos reúnem-se clandestinamente em casas particulares. A prática religiosa não-muçulmana é severamente punida. Mesmo a prática muçulmana é estritamente controlada pelo regime, que apenas permite o Wahabbismo, a fanática corrente islâmica praticada pelos Saud, a tribo da família real saudita. Nos últimos anos, vários cristãos foram condenados à morte e decapitados em execuções públicas, por se atreverem a praticar a sua religião, mesmo clandestinamente, na Terra Santa do Islão.

O Iraque contava mais de um milhão de cristãos em 1980. A antiga comunidade cristã esteve bem integrada nos negócios, na cultura e na política nacional. O cristão assírio Tarik Aziz foi ministro dos Negócios Estrangeiros durante o regime de Saddam Hussein. Nas últimas décadas, quase metade dos cristãos abandonaram o Iraque, em especial após a invasão americana, em 2003. As numerosas comunidades cristãs de Bagdad e Mossul têm buscado refúgio no norte do país, onde alguns distritos do Curdistão Iraquiano são povoados por uma maioria de Cristãos Assírios. O fanatismo religioso xiita e as ações terroristas da Al-Qaeda que têm agitado o país desde 2003, têm atingido fortemente os cristãos. Vários atentados contra igrejas, em datas significativas do calendário cristão, têm assolado as principais cidades do centro e sul do país causando dezenas de mortos. Tal como noutros países da região, o futuro dos cristãos iraquiano passa pela imigração.

Tal como no Iraque, também no Egipto os cristãos (conhecidos como Coptas) estiveram bem integrados na sociedade local durante séculos. De acordo com fontes cristãs, a comunidade copta conta com 12 a 16 milhões de membros, a maior comunidade cristã do Mundo Árabe. Porém, uma vez que não existem estatísticas oficiais da população do Egito, o seu número é apenas especulativo. O governo egípcio reclama que a população cristã é bastante inferior aos números apresentados pela própria comunidade, entre os 6 e os 11 milhões.

A Primavera Árabe e as suas consequências na população cristã do Egito, bem podem dar razão às reclamações das autoridades: os cristãos são muito menos do que os números normalmente apresentados. E atualmente, eles abandonam o país a um ritmo cada vez mais acelerado. O caos instaurado com a queda do regime secular de Mubarak – onde os cristãos gozavam de uma certa proteção –, ataques a igrejas em várias regiões do Egito e a inoperância da polícia perante tais crimes, aliados à perspetiva da ascensão dos islamitas ao poder, assustam os cristãos egípcios. A vitória da Irmandade Muçulmana e dos Salafistas – os dois maiores componentes no novo parlamento egípcio saído das recentes eleições legislativas –, antevêem tempos sombrios para as minorias religiosas e os seculares do país das pirâmides.

O jornalista italiano Guilio Meotti, autor de várias obras os Cristãos no Mundo Árabe, recentemente declarou: “Depois da limpeza étnica dos Judeus dos países árabes em 1948, o fundamentalismo islâmico tenta agora empurrar os Cristãos para fora da região. Eles querem estabelecer um espaço islâmico puro e o êxodo em massa já começou debaixo dos nossos narizes. Na Síria, os Cristãos serão perseguidos depois da eventual queda de Assad, uma vez que eles foram os mais leais aliados do regime. Os Cristãos serão massacrados ou empurrados. Do Cairo a Damasco, a era do Cristianismo Árabe está próxima do seu fim.”

Com este cenário, hoje, provavelmente, o Menino não nasceria em Belém.

publicado por Boaz às 12:03
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

Os moicanos de hoje

23 de Março de 2006, por volta das 11 da manhã. Tinha acabado de passar o Bet Din (tribunal rabínico) que tinha julgado a minha conversão ao Judaísmo. O rabino que me aceitara na Comunidade Judaica de Lisboa e com quem tinha começado a estudar, dois anos antes, tinha-me acompanhado naquele momento crucial no processo de conversão. Foi em sua homenagem que escolhi o meu nome hebraico, Boaz.

À saída do edifício, o rabino disse-me, apontando as minhas têmporas: "Agora vais ter de deixar crescer as payot". "Naaa, acho que não", respondi, desinteressado em aceitar aquele costume. Porém, dois ou três meses depois, quando voltei a cortar o cabelo – a primeira vez que cortei o meu próprio cabelo – deixei sem cortar uma área acima das orelhas.


Enrolar as payot. É quase um vício daqueles que seguem este costume judaico.

A Torá proíbe aos homens judeus cortar completamente os cantos da cara – payot, em hebraico, baseada no versículo: "Não cortarás o cabelo dos cantos da vossa cabeça, e não rasparás [com navalha] a tua barba" (Levitico/Vaikrá 19:27). Umas das explicações para esta lei – se é possível explicar completamente os mandamentos da Torá – é distinguir os Judeus dos Gentios. Os judeus iemenitas tinham (e alguns ainda mantém) o costume de usar payot especialmente longas, às quais chamam "simanim" (sinais), exatamente por servirem de sinal de distinção com os não-judeus. Uma consequência desta proibição foi a difusão do costume de deixar crescer o cabelo nos cantos da cara entre alguns sectores judaicos mais ortodoxos. Ainda que esse não fosse o fundamento desta lei. A proibição é o corte completo do cabelo nos cantos da cabeça, sem haver qualquer obrigação de deixar crescer as payot.

Antes que os meus caracóis crescessem até poder prendê-los atrás das orelhas, habituei-me às piadas dos colegas da yeshivá. Diziam que as minhas pequenas payot pareciam orelhas de urso. Porém, nos meses seguintes, os tufos de cabelo junto às orelhas foram crescendo e foi possível "adestrá-los" atrás das orelhas. Acabaram-se aquelas piadas. Começariam outras.

Em algumas ocasiões, usava os "canudos" bem enroladinhos e presos atrás das orelhas, quase impercetíveis. Assim os usei em 2007, da segunda vez que voltei a Portugal depois da minha mudança para Israel. Por alturas do meu casamento, as minhas payot já quase alcançavam a altura dos ombros. Para as fotos na boda, usei-as enroladas e metidas atrás das orelhas. O balanço das danças depressa as fizeram saltar para fora do esconderijo. Alguns meses depois de casar, passei a usar os caracóis sem estarem colocados atrás das orelhas. Isso, junto com a minha barba ruiva, podia dar-me um ar marcadamente ultra-ortodoxo, ainda que essa não seja a corrente judaica que eu sigo.

No meu quarto regresso a Portugal, em 2009, em nenhum momento escondi as payot atrás das orelhas ou debaixo da kippá. Fosse no encontro com os amigos ou nas idas ao supermercado em Leiria ou na Batalha, a vila onde cresci, ou nos passeios em Lisboa. Se havia olhares de estranheza pelo meu aspecto tão incomum nas ruas portuguesas, nunca os percebi como hostis. Noutras paragens na Europa, por razões de segurança – inclusive por perigo de vida – teria sido recomendável ocultar aquele sinal judaico tão evidente.

Nos princípios de 2011, as minhas payot levaram o primeiro grande corte. Antes de uma entrevista importante sobre uma proposta para trabalhar como líder comunitário e professor de escola judaica numa cidade da Argentina, fui aconselhado a realizar uma séria tosquia. Entendo que o tal aspeto “demasiado ortodoxo” poderia causar uma certa rejeição inicial, em especial numa comunidade pouco religiosa. Por esse valor mais alto, aceitei sacrificar as minhas payot que começara a deixar crescer há quase cinco anos.

Na semana passada, desferi o último golpe no que ainda restava. Fui a uma barbearia de Jerusalém, que frequentara várias vezes, situada no bairro ultra-ortodoxo de Mea Shearim. Mera provocação: ir justamente ali cometer tamanho sacrilégio! No sofá da barbearia estava sentado um judeu ultra-ortodoxo, amigo do barbeiro. Naquela hora da tarde, sem clientes a quem servir, o barbeiro estava a estudar Torá com o amigo até à minha entrada no estabelecimento.

Ao sentar-me na cadeira do barbeiro pedi: "máquina número 3 de lado e tesoura em cima". Assim que pedi ao barbeiro que cortasse o meu cabelo com a máquina, o seu gesto imediato foi segurar uma das payot e passar a máquina à volta dela. Disse-lhe que poderia cortar também as payot. Parou subitamente, espantado com a minha ordem. "O que se passou?", perguntou ele. Respondi, "Nada, apenas desejo cortar as payot. Já as tive durante muito tempo. Chegou a altura de as cortar."

Nesse momento, iniciou-se uma discussão filosófica entre o barbeiro e o amigo. O barbeiro parecia decepcionado pela minha mudança de aspeto. Conversámos um pouco. Ao saber que eu já tinha saído da yeshivá e entrado no mundo do trabalho, o tal amigo sentado no sofá comentou “o trabalho é que guarda o juízo ao homem!”. Algo surpreendente vindo de alguém que pertence a um público onde muitos dos seus membros olham o trabalho como algo quase desprezível, defendendo que um homem deve apenas estudar Torá.

Curiosamente, o homem do sofá tinha umas payot longas, e uma barba a condizer. Numa declaração que parecia falar contra ele próprio, comentou que o aspeto dos ultra-ortodoxos os torna “os moicanos de hoje”. Com as suas longas (e muitas vezes desgrenhadas) barbas e as payot, são tão extravagantes como as coloridas cristas eriçadas que foram moda entre a juventude rebelde há algumas décadas.

Depois de terminado o trabalho do barbeiro, observou "Olha como ficou bonito! Tem barba, tem as payot que a Torá prescreve, que não precisam de ser longas, kipá e tzitzit à mostra. Abençoado sejas". Desejou-me boa sorte para o trabalho. E que sendo um judeu religioso no mundo do trabalho, que santifique o nome de Deus.

Este é um desafio dos judeus religiosos: manterem a prática religiosa no seu contacto com o mundo não-religioso. Muitos aspetos da “vida moderna” são contrários a certas determinações da Lei Judaica. Se do lado secular, existe uma certa aversão às manifestações exteriores de religiosidade, do lado religioso existe também a insistência em afirmar essa identidade religiosa. Ambos os lados se sentem ofendidos pela atitude do lado contrário.

Um judeu religioso, no seu trabalho, tem a dupla responsabilidade de ser um bom profissional e um bom cumpridor da Halachá. O seu aspeto exterior pode criar a aversão dos não-religiosos não só à sua pessoa, mas a todos os judeus religiosos. No caso em que ele seja o único judeu observante entre os colegas, ele será um embaixador de todo o público religioso. Um representante da tradição milenar judaica e um testemunho de que a Torá tem lugar e relevância em todas as eras, sem nunca cair em desuso, e muito menos parecer ultrapassada.

publicado por Boaz às 21:50
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Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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