Domingo, 13 de Fevereiro de 2005

Não estou p'ra isso

Como cidadão ecológico, nada me ofende mais do que ouvir gente que, no que toca a uma questão tão básica como separar o lixo em casa para posterior reciclagem, simplesmente diz "não estou p'ra isso". Nestas coisas de gente e das suas razões, há sempre vários padrões.

Os apressados admitem que sim, é importante separar, mas defendem-se com a sua vida agitada e que não têm tempo para essas coisas miudinhas. São os mesmos que para ir ao café que fica ao fundo da rua levam o carro para se despacharem, mas aguentam com cinco minutos de espera nos semáforos e um quarto de hora para achar um lugar de estacionamento.

Os imbecis queixam-se que é muito complicado lembrar-se onde é que se mete o papel, os plásticos ou os vidros. Realmente é uma confusão labiríntica. Só é estranho como, apesar da sua falta de memória, fixam à primeira as tramas da dúzia de novelas da nossa TV (e ainda se lembra das antigas!), conhecem os nomes dos jogadores, treinadores, presidentes e estádios das 18 equipas da Superliga de futebol, decoram as transferências da última época e chegam a saber com detalhe as histórias de todos os casamentos reais dos últimos 25 anos.

Os fatídicos até sabem como se faz, mas desculpam-se alegando que o que é posto nos ecopontos vai, no final, parar ao mesmo sítio que os outros lixos e é depois tudo lançado nos aterros ou nas incineradoras. Então, separar para quê? É verdade, para quê tomar banho se vai sujar-se a seguir...

Os contribuintes acham que, como pagam impostos, o dinheiro tem de servir para tudo, incluindo para pagar a alguém que faça a separação do lixo em sua vez. Não há mais nada que deseje que alguém faça por si, não?

Os descontraídos são o que pura e simplesmente não sabem, não querem saber, odeiam quem sabe e “se me falas mais alguma vez nessa cena, levas um murro nos dentes!”

No fim existem os porcos, que guardam o lixo todo em casa e de vez em quando os vizinhos têm de chamar alguém da Câmara para limpar o curral porque o bairro já não aguenta com o cheiro.

É graças a estas criaturas que – para lá das quotas de reciclagem a que a UE nos obriga e que o país está ainda longe de cumprir – os aterros, que deveriam ter apenas matéria não reciclável, estão a abarrotar de recursos esbanjados. E o cúmulo neste país de desperdícios, é que há empresas que se dedicam à reciclagem de lixo e que têm de o importar do resto da Europa porque as quantidades recolhidas em Portugal não chegam para as tornar eficientes.

publicado por Boaz às 20:57
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4 comentários:
De Boi da Prsia a 23 de Fevereiro de 2005 às 18:35
Ora aqui está um blog que vale a pena visitar, pela pertinência das ideias que traz a quem por aqui passa!
Já o meu... :)...prima pelo diparate...
Continue a agitar mentes! Reciclar não é uma moda fútil, é um dever!
De annie hall a 15 de Fevereiro de 2005 às 19:03
Tb separo.hábitos antigos,cada coisa num saco de uma côr diferente,mas olhe que pela estrada vejo cada abelhudo deitar fora e descaregar lixo:((((e passear em portugal não é bonito,de um modo geral existem lixeiras rodeando as casas ...e nas varandas....já reparou?
De rogrio a 14 de Fevereiro de 2005 às 16:56
Existem mentalidades que nem que a "pontapé" lá vão...eu faço a separação :P
De Funny a 14 de Fevereiro de 2005 às 13:21
Tb seria interessante se os patrões dessas pessoas no final do mês dissessem o mesmo em relação a pagar o ordenado: Não estou p'ra isso!

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Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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