Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007

O engano do apartheid

Há não muito tempo estalou uma polémica em Israel acerca do conteúdo de um livro escrito pelo ex-presidente americano Jimmy Carter. Na obra “Palestine: Peace not Apartheid”, Carter comparou a sociedade israelita a um regime de apartheid. A ideia nem sequer é original. Há anos que virou bandeira da esquerda radical europeia, grafitada em paredes por todo o continente. A surpresa foi a adesão de alguém com o gabarito e as responsabilidades de Jimmy Carter a tal pensamento.

Contrapondo à assunção apartheidista de Carter, estão os dados de um estudo realizado pelo conceituado Peace Index da Universidade de Tel Aviv, pouco tempo depois da Segunda Guerra do Líbano, ocorrida há um ano. Os resultados revelaram que – contra todas as apostas, em especial as dos Cartistas – 73% dos Árabes de Israel preferem ser cidadãos de Israel do que de qualquer outro país do Mundo.

Estes resultados conjugam-se com os de outra investigação, efectuada pelo Joint Israeli-Palestinian Public Opinion Poll, que indicam que 52% dos Árabes de Israel concordam que "muitos dos cidadãos árabes de Israel se identificam com Israel em privado, mas evitam expressá-lo em público por pressões sociais".


Bandeiras de Israel e do Waqf, a autoridade muçulmana de Jerusalém,
hasteadas sobre o Monte do Templo

Não quero dizer que não exista descriminação ou preconceito em relação aos Árabes em Israel. As piadas que se contam deles são disso apenas um sinal. Todavia, vejamos que os Árabes israelitas, tal como muitas minorias em quase todos os países, enfrentam obstáculos no seu caminho para a igualdade. Sejam os Ciganos na Roménia ou em Portugal, os Negros nos EUA ou os Russos nos Estados Bálticos.

A situação dos Árabes em Israel está muito dependente da situação política e na delicada questão da segurança quotidiana. A cada ataque terrorista suicida cometido por um palestiniano, muitos israelitas sentiam-se cada vez mais desconfiados em relação à generalidade dos Árabes. E o facto de vários árabes israelitas terem participado activamente em operações terroristas ou ajudado os seus pares palestinianos, não ajudou a seu favor.

Os Árabes em Israel estão representados no parlamento. Aliás, os cidadãos árabes de Israel participam no processo democrático israelita mais livremente que os cidadãos de qualquer país árabe. Têm inclusive os seus próprios partidos políticos, apesar de haver também cidadãos árabes em vários partidos de maioria judaica. Salim Jubran, um juiz cristão árabe (sim, nem todos os árabes são muçulmanos – outra falácia muito difundida) tem um assento permanente no Supremo Tribunal de Israel. A liberdade de culto e a associação religiosa são direitos absolutos. Apenas as actividades de proselitismo são proibidas para qualquer confissão.

Apesar de estarem sub-representados, os cidadãos árabes são oficiais da polícia ou professores em todos os níveis de ensino e, no caso dos beduínos e dos druzos, participam como qualquer israelita nas Forças Armadas.

Então, em que ficamos? Existe apartheid ou orgulho nacional (mesmo que silencioso)?

publicado por Boaz às 11:04
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1 comentário:
De António a 28 de Agosto de 2007 às 01:37
Bom dia, espero. É 1 tal da madrugada aqui em Portugal, aqui mesmo ao lado da Golpilheira.
Por cá vamos andando, o dia esteve solarengo, a contrariar a tendência do tempo que tem feito por estas paragens.
A questão que coloca no post é uma questão interessante e não será propriamente uma novidade para quem estiver minimamente atento ao evoluir dos acontecimentos e das mentalidades.
Temos todos que ser muito mais abertos ao convívio pacífico de forma a tornarmos a vida digna de ser vivida. Todos temos o direito a uma vida feliz e para isso há que fazer cedências sempre que necessário e útil para o bem geral.
Um grande abraço
António

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Perfil do autor. História do Médio Oriente.
Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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