Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Bush e 'bushá'

O presidente americano George W. Bush esteve esta semana em Israel. A sua visita de três dias, na sua visão, destinou-se a desencalhar o processo de paz entre Israel e os Palestinianos. Na agenda de Bush estava exercer pressão sobre Israel.

Essa parece ser a regra da comunidade internacional: pressionar Israel. Nesta luta dual, Israel tem de dar, os Palestinianos têm de receber. E seguir pedindo, pela sua já conhecida táctica terrorista. Frente ao medo das bombas, a resposta é ceder. Pensando que, uma vez saciada a fera, terminarão as suas ameaças e ataques. Ingenuidade absoluta.

Israel é o parente pobre da política internacional. Mais nenhum país do planeta sofre a ingerência estrangeira na sua política, como Israel. Todos os outros países são vistos como absolutamente soberanos, por isso não há que interferir. A não ser que o sangue jorre e os tímpanos se rompam com os gritos que bradam da Birmânia ou do Sudão. Aí, convenhamos, não dá mesmo para virar a cara. Umas manifestações aqui, uns apontares de dedo acolá. Até a coisa amansar ou outro assunto mais mediático abafar os gritos. Israel, pelo contrário, é a todo o momento, o irmão mais novo a quem todos acham que podem dar conselhos, impor práticas.

As Nações Unidas têm na forja uma nova conferência internacional sobre o racismo, Durban II. Israel e vários outros países ocidentais já reclamaram que não permitirão uma repetição do que se passou na primeira conferência de Durban, marcada por um vergonhoso e ataque árabe e da extrema-esquerda contra Israel. Na altura, numa cimeira sobre racismo, Israel, os judeus e o sionismo foram atacados da forma mais implacável desde a Segunda Guerra Mundial. Ainda mais, de um modo "limpo" e "legítimo", com a autoridade emanada do alto do palanque.

Um cinismo manifesto. Uma evidente falta de vergonha na cara. Em hebraico, "bushá".

PS – Durante a visita de W. Bush a Jerusalém, a cidade andou caótica. Um dos maiores e mais caros hotéis da capital israelita, o histórico King David, foi reservado exclusivamente para a comitiva presidencial. As ruas do centro da cidade estiveram encerradas ao tráfego particular, numa distância de cinco ruas de cada lado da rua por onde passasse o presidente. Não passou de um grande e caro espectáculo de dois orgulhosos e desavergonhados animadores de marionetas, Bush e Olmert, que tentam desesperadamente mostrar que fazem alguma coisa que agrade aos seus votantes, antes de deixarem o controle do teatro.

publicado por Boaz às 12:13
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2 comentários:
De MCA a 11 de Janeiro de 2008 às 17:24
«Mais nenhum país do planeta sofre a ingerência estrangeira na sua política, como Israel.»

Que exagero!!! As invasões do Iraque e do Afganistão foram o quê? Auxílio humanitário?!?... E as intromissões na América Latina?
Os Estados Unidos põem e dispõe de governos de outros países como quem joga xadrez. Que eu saiba, Israel não tem governos fantoches, manipulados pelos E.U.
De josé a 27 de Janeiro de 2008 às 00:04
Isto é um verdadeiro exagero...
Pode-se aderir a uma causa, evidentemente, mas convirá ter alguma adesão à realidade...
Israel é SEMPRE protegido pelos Estados Unidos e pela Europa Ocidental.
Mesmo quando condenam com uma mão, protegem com a outra.
Mas mesmo um pró-israelita assumido como eu tem que ver que Israel tem cometido muitos erros, e alguns bem grosseiros, nos últimos anos, os quais não o faria se não soubesse que se encontra protegido pelo Ocidente e, dentro deste, pelos EUA.
Embora possa perceber que estar em Israel e numa yeshiva possa deslocar a perspectiva, convirá manter alguma lucidez crítica.

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Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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