Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Nada é sagrado

Na noite de ontem, quinta-feira, houve um ataque terrorista numa yeshiva de Jerusalém. Há quase dois anos que o terror não chegava à capital. Dois homens armados de metralhadoras AK-47 entraram no recinto de Mercaz Harav, uma das maiores yeshivot de Israel. Na biblioteca, dispararam durante vários minutos sobre os alunos que estudavam. Segundo a polícia, terão sido disparados entre 500 e 600 tiros. Até serem abatidos por um soldado que, da rua, ouvira as rajadas de tiros.

No chão ficaram mortos oito alunos da yeshiva. Morreram enquanto estudavam Torá. Testemunhas descreveram o cenário como "um matadouro", com os livros sagrados jazendo no chão, junto dos alunos assassinados.

Depois da operação militar em Gaza, destinada a destruir a infra-estrutura terrorista do Hamas, os terroristas palestinianos prometeram vingança. A escolha de Mercaz Harav com alvo, é perfeitamente calculada. Tal como o World Trade Center representava a essência da sociedade americana, a yeshiva Mercaz Harav é um dos baluartes espirituais da sociedade israelita. É o principal centro de estudos judaicos da linha do Sionismo Religioso. Fundada pelo grande Rabino Avraham Hacohen Kook ainda antes da Independência de Israel, estabeleceu-se como uma das mais exigentes yeshivot do Mundo. Dos seus bancos saíram muitos dos maiores sábios do Judaísmo do século XX.

Na Yeshivat HaKotel, onde estudo, do outro lado da cidade, o ambiente era naturalmente muito carregado. Ainda mais, porque um dos alunos mortos, Yohai Livshitz, de 18 anos, era filho de um dos directores da Yeshivat Hakotel.

Nas noites de quinta para sexta-feira é costume fazer mishmar, ou seja, um grupo de alunos fica acordado toda a noite, a estudar no Beit Midrash, a sala de estudos principal. Na noite do ataque, o mishmar não se realizou. O grande tacho de chulent, um cozido de batatas e grão, também costumeiro da quinta-feira à noite, não foi preparado. Habitualmente ruidosa nas noites de quinta, imperava desta vez um silêncio pesado. No dia seguinte, a reza matinal foi um momento difícil. Coincidindo com o primeiro dia do mês judaico de Adar, por excelência o mês da alegria, foi impossível conter as lágrimas, mesmo durante a reza especial de Halel, entoada só nos dias mais alegres.

Uma yeshiva é, por excelência, o local mais respeitado no Judaísmo. A estima dada ao estudo da Torá, centrado exactamente na instituição da yeshiva, torna-a lugar de referência na sociedade judaica. Aí, os jovens aprendem desde cedo os princípios judaicos. Daí emanam os conhecimentos dos grandes Sábios. Em cada yeshiva se perpetua a milenar cadeia tradição judaica.

Qual é o limite do campo de batalha? Ao longo das décadas de terrorismo palestiniano, ao contrário de uma guerra tradicional, os alvos civis têm sido a preferência do terror. Autocarros, estações de transportes, hotéis, cafés, restaurantes, centros comerciais. Em poucas ocasiões foram escolhidos alvos militares para os ataques.

Como reconhecer legitimidade numa causa onde não há limites para os seus alvos? Como se pode ser brando, querer manter o diálogo? Em Gaza saíram à rua para festejar o massacre. Em Nova Iorque, a Líbia impediu uma nota de condenação do atentado pelo Conselho de Segurança da ONU.

publicado por Boaz às 10:26
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1 comentário:
De J.Wollvsttaven a 7 de Março de 2008 às 17:34
Caro Boaz, Shalom.

Muito me intrigaria o fato (se não soubesse a causa) de os grandes defensores dos "pobres palestinos", estarem ausentes hoje, já que sempre estão a vociferar palavras sem entendimento algum daquilo que é viver o que a sociedade Israelense vive e sente hoje. Impotência, tristeza e um grande sentimento de que nada vai mudar (é o meu dia hoje), os miseráveis terroristas continuarão a ser os "pobres e oprimidos" aos olhos daqueles que nada entendem, nada sabem e ainda assim não calam sobre os ditos fatos. Também sei que eles (os defensores dos terroristas) logo sairão de suas cavernas e como se nada houvesse acontecido voltarão a gritar: pobres e oprimidos palestinos, Israel deveria deixá-los em paz.

Hoje vivo no Brasil mas sei o que é viver o dia de hoje em Israel. Também sou do pensamento (mesmo sabedor que isso não acontecerá), deveria sim haver uma ampla e eficiente reação "desproporcional" contra tais coitadinhos. Quanto aos advogados dos terroristas de plantão, devem ainda estar a comemorar pelas ruas de Gaza, nova York, São Paulo, Lisboa e mundo afora, mas sei que voltarão a ser vistos, logo.
Shabat Shalom

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