Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

O elefante e a loja de porcelanas

Hoje houve um ataque terrorista bizarro em Jerusalém. Um homem árabe roubou uma enorme retro-escavadora e decidiu atropelar vários automóveis e autocarros na principal avenida da capital. Morreram quatro pessoas e mais de 30 ficaram feridas, até o terrorista ter sido abatido após alguns minutos, por um soldado. Suspeita-se que o terrorista tivesse a intenção de prosseguir até ao principal mercado de rua de Jerusalém, situado a poucas centenas de metros.

Roubar uma retro-escavadora, de uma obra que estava a decorrer no meio da cidade, e sair desvairado esmagando os carros que passam, abalroando dois autocarros cheios de passageiros, é uma cena digna do Exterminador. Este ataque ultrapassará, não pelo número de mortos, mas pelo modo como foi feito, os limites da demência e do bizarro.

Após cada atentado escutam-se as vozes (poderíamos dizer) mais radicais. Questionam-se o que se deve fazer com os terroristas, as suas famílias, os Palestinianos, e os Árabes de Israel em especial. Os críticos de Israel atacam a construção do muro na Cisjordânia. Chama-lhe muro da vergonha. A verdade é que tão "vergonhosa e monstruosa obra" tem impedido a passagem de centenas de potenciais terroristas.

Actualmente, a questão e a principal fonte de suspeita e medo, não é como evitar que os terroristas árabes da Cisjordânia entrem em Israel. O muro resolve quase totalmente este problema. Agora a questão é: como evitar que os terroristas árabes israelitas, detentores de cidadania, cometam atentados nas nossas cidades?

De fora, os analistas falam de descriminação, estatuto de segunda classe, apartheid em relação aos Árabes, fazendo a comparação com o funesto regime racista que existia na África do Sul. As diferenças, se mais não bastassem, é que os Negros eram excluídos pelos Brancos e o que pretendiam era apenas instaurar um Estado igualitário. No caso dos Árabes em Israel, a maioria auto-exclui-se, sistematicamente boicotando as eleições (sim, os Árabes têm direito de voto, ao contrário dos Negros durante o apartheid da África do Sul) e muitos pretendem mesmo destruir o Estado.

Há 4 meses, após o ataque à yeshiva Mercaz Harav, no qual foram assassinados oito estudantes, surgiram vozes a defender a demolição da casa do terrorista e a retirada da cidadania israelita à sua família. Pais dos alunos assassinados foram até à Knesset, o Parlamento Israelita, defendendo esta medida punitiva. A família, enlutada mas cheia de orgulho, montou uma provocadora tenda de condolências, em memória do seu filho, o terrorista. Penduraram cartazes com o seu retrato sobreposto à imagem da Cúpula do Rochedo. Mais um ícone para a causa. Residentes em bairros de população árabe de Jerusalém Oriental, ambos os terroristas tinham acesso, como qualquer cidadão, a qualquer ponto da capital e do país.

A liderança política dos árabes em Israel segue uma retórica contra o próprio Estado onde vivem. É tal o atrevimento dos políticos árabes locais na sua oposição a Israel que, Azmi Bishara, um dos principais deputados árabes da Knesset, viajou até Beirute durante a Segunda Guerra do Líbano (2006) para se encontrar com Nazrallah, o líder do Hezbollah. Enquanto isso, o Norte de Israel era bombardeado pelos mísseis do Hezbollah. Ironia: a maioria das baixas civis israelitas foram habitantes árabes da Galileia, a população que elegeu Bishara.

Muito poucos dos Árabes de Israel e dos Árabes de Jerusalém Oriental desejam realmente ser cidadãos de um eventual estado palestiniano. Porém, nenhum deles declara os seus desejos publicamente. Nenhum deles quererá perder os privilégios de ser cidadão israelita, ou deixar de usufruir da muito superior qualidade de vida em Israel em relação à Autoridade Palestiniana.

A delicada situação actual de fidelidade ao inimigo e confrontação com o Estado, acompanhada do usufruto do próprio Estado tem de ser definida e resolvida. Os Árabes residentes em Israel terão de decidir em que lado estão. Nenhum país pode aceitar dentro das suas fronteiras, oculto entre os seus cidadãos, um Estado dentro de um Estado. Ainda menos um Estado inimigo que o corrói por dentro. Os israelitas exigem respostas, soluções. Nenhuma delas se afigura branda.

publicado por Boaz às 22:33
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Perfil do autor. História do Médio Oriente.
Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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