Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

BOMBA-im

É irónico o nome da cidade. É trágico o que está a acontecer – até ser libertado o último refém. Porém, que ninguém sonhe que algo irá mudar depois deste dia. É só mais um dia de manchetes de jornais, de palavras nervosas nas chancelarias internacionais, de vazios votos de condolências e de inconsequentes declarações de apoio aos atacados... Nada mudará. Como praticamente nada de essencial mudou depois do 11 de Setembro de Nova Iorque, do 11 de Março de Madrid, dos ataques no metro de Londres, de Istambul, de Bali ou das centenas de outros atentados. Afinal, voltámos ao mesmo de antes. Ou pelo menos, habituámo-nos a viver neste "mundo novo", em que o terror é apenas mais uma das normalidades. O mundo não sabe – ou simplesmente não quer – distinguir entre o bem e o mal.

Não são só as centenas de hóspedes dos hotéis, ou o rabino Gavriel Holtzberg e a esposa no Centro Chabad Lubavitch que estão reféns (hoje houve rezas especiais por eles na yeshiva). O Mundo todo está refém do terrorismo. A Europa, os Estados Unidos, a Índia, todas as democracias do planeta têm um medo de morte do terrorismo islâmico. Daí o silêncio e o "voltar ao normal" a que assistiremos já daqui a uns dias. Engolir as bombas e seguir em frente. Nada mais.

A fera, cada vez se fortalece mais, porque ninguém tem coragem de lhe fazer frente. E quem ousar dizer alguma coisa, terá uma fatwa apelando à sua morte e centenas de voluntários candidatos para a fazer cumprir. Se os Estados Unidos lançam uma guerra no Afeganistão ou no Iraque, se bombardeiam lugares suspeitos na Somália, no Sudão ou na Líbia; se Israel dá caça aos terroristas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, ou se destrói uma central nuclear em construção na Síria, os europeus (ditos) defensores da liberdade e dos povos oprimidos, arrancam os cabelos e fazem manifestações contra os EUA e Israel. Boicotes e marchas.

As respostas americanas e israelitas foram brutais e injustificadas, ou na melhor das hipóteses "desproporcionais". O terrorismo, essa "arma dos pobres" tornada aos poucos legítima e compreensível, é simplesmente a resposta desses "pobres sem outra alternativa" face ao domínio brutal do capitalismo e outros fantasmagóricos ismos usados pelos defensores dos pobrezinhos...

O Irão continua a desenvolver o seu programa nuclear, o Hezbollah continua a aumentar o seu arsenal militar, o Hamas encheu a fronteira que separa Gaza do Egipto com centenas de túneis por onde passa armamento cada vez mais sofisticado, mísseis caem diariamente no Sul de Israel, junto à Faixa de Gaza. Ninguém faz nada. Ninguém permite que alguma coisa seja feita. A menos do que inapta Agência Internacional de Energia Atómica ignora a ameaça iraniana. A velha e caduca ONU – não sem o apoio de muitas democracias europeias, que se alinham com os exemplares regimes árabes e africanos – aprova resolução atrás de resolução contra Israel. Só esta semana foram 20, para celebrar como deve de ser o "Dia de Solidariedade com a Palestina", exemplarmente celebrado pela ONU. Contra o Líbano, por deixar à solta o Hezbollah; contra o Egipto, por não controlar o tráfico de armas para Gaza; contra a Síria, por manter o apoio ao Hezbollah e desestabilizar o Líbano; contra o Irão, governado por um lunático de tendências genocidas e atómicas; contra a Autoridade Palestiniana, por nunca ter cumprido um único ponto dos acordos de paz assinados com Israel... nada, nem sequer uma palavra contra.

A máxima, normalmente atribuída ao filósofo Edmund Burke: "A única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens de bem não façam nada", não poderia ser mais adequada ao tempo em que vivemos.

publicado por Boaz às 01:10
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