Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

A queda do império, ou apenas um abanão

O Irão revolta-se. O povo cansado de ayatollas e de ditadura sai à rua. A descarada fraude nas últimas eleições presidenciais é apenas uma excelente desculpa para desencadear a gigantesca onda de protestos. Uma juventude - que compõe 60% da população do país - que nunca conheceu outro regime a não ser o fanatismo herdado da Revolução Islâmica, expressa com raiva e sangue a vontade de mudança.

O regime sabe que, caso a onda não seja controlada, mesmo com a mais brutal repressão, este pode ser o início da queda. Tiananmen em Teerão. Tal como em Junho de 1989, na grande praça de Pequim os jovens chineses se revoltaram contra a opressão comunista, hoje em Teerão, a juventude e as mulheres iranianas gritam contra os ayatollas e a sua abusiva ordem. Hoje no Irão, como em 1989 na China, talvez a revolução acabe com um banho de sangue. É o que as notícias (muito filtradas) parecem mostrar.

Os chineses pagaram caro a afronta e poucos se atrevem, ao vivo, a desafiar o poderoso aparelho comunista. Os iranianos porém, munidos do ideal xiita do martírio, estarão dispostos a imolar-se por uma brecha no regime, através da qual possam respirar um pouco de liberdade. Dentro do clube dos ayatollas também aparecem vozes dissidentes. Ao contrário da maioria dos estados islâmicos, a juventude iraniana é letrada e exigente. Nas ruas, atrevem-se a gritar a verdade à muito evidente: "Khamenei [o líder supremo]ditador! Morte ao ditador!". Até as mulheres jovens desafiam as regras de vestuário, descaradamente mostrando, centímetro a centímetro, mais um pouco do seu cabelo obrigatoriamente escondido.

Israel olha para o antigo império persa com apreensão. Uma mudança de regime - neste caso para o declarado derrotado nas eleições Mir Hussein Mousavi - pode não significar um recuo no temido programa nuclear iraniano. É que, nos anos 80, Mousavi foi um dos precursores desse mesmo programa nuclear que o actual presidente tanto deseja ver concretizado.

Seja como for, as coisas podem estar a mudar para melhor no Irão. Ainda que as mudanças possam não ser imediatas. Um regime apoiado num poderoso clero resistente a cedências, com uma gigantesca máquina militar e de propaganda ao seu dispor, não se deixará dominar por manifestações de jovens. Ainda assim, o povo cansado que exige liberdades, a juventude com poucas perspectivas de emprego e uma inflação de 30% ao ano, mesmo com gigantes reservas de petróleo e gás, podem significar uma mudança nas prioridades nacionais, incluindo o abandono, ou ao menos recuo nas ambições atómicas iranianas. Ninguém deseja mais a paz com o Irão do que Israel.

publicado por Boaz às 00:30
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1 comentário:
De joao moreira a 22 de Junho de 2009 às 15:54
Sim, concordo com a visão descrita. O Irão possui a juventude mais instruída e mais empreendedora da zona (em várias áreas desde a medicina às novas tecnologias). A juventude está a sentir um desemprego galopante e uma redução de oportunidades. Os judeus fazem parte do Parlamento iraniano (1 elemento). O Irão é (sempre o foi), a par do Egipto, as maiores potências regionais. A Paz ( e o sucesso da mesma) passa por aí.

Para quem estiver interessado copie a ligação..

http://www.boston.com/ bigpicture...d_election.html

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Perfil do autor. História do Médio Oriente.
Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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