Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Crónicas da crise I: Colonização embargada

Os colonatos judaicos ainda são uma opção mais económica em relação ao crescente preço das casas nas principais cidades de Israel. Na região de Jerusalém, as opções são Gush Etzion, Maale Adumim ou Beitar e outras dezenas de colonatos mais pequenos. Porém, até aí os preços das casas têm aumentado. Por exemplo Beitar Illit, um gigantesco colonato de população ultra-ortodoxa, tradicionalmente bem mais barato que Jerusalém, já começa a ser demasiado caro para as novas famílias. Muitos casais jovens apenas conseguem arrendar uma cave apertada, com a perspetiva de terem de viver aí com as suas famílias que crescem rapidamente.


Nuvens ao pôr-do-sol sobre o colonato de Efrat, 2006.

Numa época de recessão generalizada nos preços imobiliários, o aumento dos valores das casas nos arredores de Jerusalém deve-se em grande parte às crescentes pressões americanas de congelamento da construção nos colonatos. Os colonatos dos arredores, assim como o recente bairro de Har Homa no sudeste de Jerusalém, eram as opções ideais para quem procurava casas espaçosas e baratas.

Todavia, a gravidade da crise nos EUA que fez aumentar em 15% a imigração de judeus americanos para Israel e a chegada em massa de imigrantes franceses – por via da vaga de anti-semitismo que tem assolado a França na última década –, ambos com maior poder de compra que o israelita médio, fizeram agravar os preços. As leis de mercado são claras: com pouca oferta e muita procura, o resultado foi o disparo do preço das casas em toda a região de Jerusalém.

O ritmo da construção nos colonatos abrandou após a eleição de Obama para a presidência americana, o qual não tem parado de pressionar Israel para congelar toda e qualquer colonização dos territórios disputados com os Palestinianos, incluindo o "crescimento natural da população". Ou seja, os filhos de colonos que se casem, não poderão viver junto aos pais, porque qualquer nova construção – na mente de Obama e da nova administração americana – é ilegal. No fundo, o que se pretende é abolir o mandamento "crescei e multiplicai-vos".

Ainda assim, desafiando as pressões, algumas ordens de novas construções foram emitidas pelo governo para os colonatos de Maale Adumim, Adam e Modi'in. A população local exige do governo que se preocupe mais com os seus cidadãos do que com as pressões oportunistas do "amigo americano".

publicado por Boaz às 14:55
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4 comentários:
De Levy a 24 de Julho de 2009 às 18:35
Não sei se o que ele pretende é abolir os mandamentos, mas uma coisa é clara, a expansão de alguns desses colonatos são a maior ameaça à existência do estado de Israel. Para além de causarem tensões internas, causam também tensões externas e apenas têm servido de pretexto para os palestinianos se continuarem a fazer de vitimas.
A mim parece-me sensato que a melhor coisa que Israel deveria fazer era livrar-se dos palestinianos, concedendo-lhes um estado. Para isso deve anexar as zonas em volta de Jerusalém, e do grande bloco de colonatos de Ariel . O resto do território da Judeia e da Samaria que ficasse para os palestinianos.
As ideias messiânicas de colonização da terra e do direito divino, são muito bonitas, mas estão a levar a situação para um beco sem saída: o que fazer aos palestinianos? é correcta a situação em que se encontram?
De Boaz a 25 de Julho de 2009 às 22:03
Também não acho que a intenção de Obama seja realmente abolir os mandamentos. Na verdade, acho que nem ele próprio tem uma ideia clara das suas intenções.
O que é claro é que as pressões dele e da Sra. Clinton são manifestação de uma mudança repentina da política externa americana: a todo o custo, os americanos querem ser amigos do mundo árabe e muçulmano. Talvez se chame a isso "síndrome da dor de cabeça das invasões americanas do Iraque e Afeganistão".
Perguntou: "É correta a situação em que se encontram (os Palestinianos)?" Não. Mas tenho a certeza que a situação deles não melhorará com um estado. Veja-se só o caso de sucesso de Gaza. Transformar no mesmo paraíso a Judeia e a Samaria?
É evidente que Israel não tem um parceiro com quem possa dialogar. Basta ver que, ainda esta semana, a Fatah declarou que não reconhece o direito de Israel de existir. Note-se que a Fatah é o partido do presidente da Aut. Palestiniana, e são vistos como os mais moderados...
Ceder terras sem obter nenhuma garantia de segurança, não é a melhor opção. Ainda mais quando a Aut. Palestiniana nem sequer educa os seus jovens a aceitar Israel (vejam-se os seus currículos escolares e os programas infantis da TV).
Pergunte ao índio o que ele acha da política de "terra por paz".
De Levy a 26 de Julho de 2009 às 18:27
Sim, concordo com o que escreveu.
O Estado Palestiniano não pode ser criado do dia para a noite. Terá de ser sempre um estado condicionado e por fases. Isto se os palestinianos se virarem nesse sentido, porque aquilo que se tem visto desde 1948 não tem sido a preocupação em criar um estado palestiniano, mas em destruir o país vizinho, substituindo-o. Eu considero que os palestinianos são os maiores responsáveis pela sua situação, e percebo que sem garantias de segurança e de reconhecimento, Israel não ceda na questão da formação de um Estado.
Não julgo por isso, que os colonatos sejam o maior obstáculo à paz, porque antes de eles existirem já não havia paz.
Israel deverá no entanto estar preparada para todas as eventualidades, inclusive para um liderança palestiniana favorável à solução de 2 estados. Se os palestinianos mudarem de atitude, o ónus ficará com Israel, que entretanto colonizou todo o território necessário para esse eventual estado...
De Misgeret a 4 de Agosto de 2009 às 16:42
Entendo o vosso ponto de vista, nem tudo é preto ou branco, mas para mim só existe uma pergunta: Querem que daqui a 50 anos, ou mais, Israel tenha mais muçulmanos que judeus? Porque não podemos continuar com esta história. Ou colonizamos tudo ou damos independência.

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Perfil do autor. História do Médio Oriente.
Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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