Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Os bons ares de Jerusalém

A Cimeira de Copenhaga terminou em nada. A tentativa de chegar a um acordo que dê mais esperança a um futuro mais limpo para o planeta e seus habitantes (humanos, animais e vegetais) chocou com os inconciliáveis interesses dos políticos e do capital num mundo em plena crise económica.

Israel obviamente tem algum trabalho a fazer na área ambiental. É verdade que, em termos globais, Israel é um país muito pequeno e com um impacto mínimo no quadro da degradação ambiental do planeta. Não posso dizer que o país seja muito "limpo". À beira das estradas, é comum ver montes de entulho de obras. As ruas das cidades, em especial Jerusalém, são sujas. A reciclagem de embalagens é coisa nova por estas paragens e a poupança de água ainda tem muito por onde evoluir. Ainda assim, Israel tem dado alguns passos para melhorar o seu próprio registo.

Há cerca de 100 anos, o território de Israel era desértico ou semi-desértico na sua totalidade. Os pioneiros judeus sionistas, ansiosos de erguer nas décadas seguintes um país moderno e desenvolvido, começaram essa tarefa com a plantação de árvores. Milhões de árvores foram plantadas por quase todo o país – incluindo mesmo algumas áreas do inclemente deserto do Neguev. Daí que, Israel seja o único país do mundo que hoje tem uma área florestal superior à que tinha há 100 anos. O desbaste florestal – pela moto-serra ou os incêndios – não atingiu Israel como atingiu a Amazónia, a Indonésia, a Escandinávia ou Portugal.

Para isso contribuíram as campanhas de florestação que persistem até hoje. Todos os anos, no dia 15 do mês hebraico de Shevat – por volta de Janeiro ou Fevereiro – o país festeja o Ano Novo das Árvores. Milhares de crianças de todas as escolas plantam uma árvore. Um dos românticos ideais de vida da sociedade ocidental a par de "ter um filho e escrever um livro". À custa disso, o país conseguiu mudar drasticamente a sua paisagem. O norte e o centro de Israel são hoje verdejantes e Jerusalém, outrora no meio do deserto, é rodeada de florestas.

Na década de 1970, o impulso para aumentar as exportações e o orgulho nacional na produção frutícola, levaram a um abuso dos pesticidas e fertilizantes químicos. O resultado foi óbvio: contaminação das fontes de água. Hoje, a produção de frutas, verduras e flores continuam prósperas, mas o país aderiu em força à agricultura orgânica.

A água foi e continua a ser o caso bicudo da ecologia nacional: é escassa e de má qualidade. Dos rios israelitas, apenas o Jordão corre o ano inteiro. Todos os outros são temporários, fluindo apenas alguns meses durante o Inverno e a Primavera. E isto somente se houver chuvas suficientes. Em redor de Tel Aviv e Haifa, as principais cidades industriais, a poluição transformou ribeiros em valas contaminadas, poluindo as praias. A recente despoluição do Rio Yarkon em Tel Aviv originou uma nova área de lazer nas margens do rio, com novos parques.

A crónica falta de água levou à adopção de métodos inovadores na gestão da água. O primeiro e mais famoso foi a invenção da "rega gota-a-gota". Outro, a reutilização de água: Israel é o país com maior percentagem de água de esgoto purificada e reciclada, para ser usada na agricultura: 70%. O segundo país da lista, a Espanha, está a uns longínquos 12%. É também um dos líderes nas tecnologias de dessalinização de água do mar.

Uma das grandes potencialidades ecológicas de Israel é o uso da energia solar. O país é pioneiro e líder mundial na tecnologia de aquecimento de água com recurso a painéis solares. Nos telhados israelitas é comum avistar painéis fotovoltaicos com o respectivo tanque de água. Sem petróleo nem barragens hidroelétricas, a energia grátis do sol foi a solução para aquecer a água do banho. A decisão do governo de construir uma nova central eléctrica abastecida a carvão originou protestos de uma sociedade cada vez mais informada e que reclama um ambiente mais saudável.

Os próximos desafios são o uso da energia solar e eólica para produção elétrica em larga escala. No caso das energia solar, o problema principal é a falta de espaço para instalar os parques solares. A principal "área vazia" do país é o Neguev, a região mais ensolarada de Israel. Porém, a maior parte do território é composto por parques naturais e áreas de bases militares de acesso restrito.

O problema com a energia eólica – para lá de o país não ser especialmente ventoso – é o facto de Israel ser um dos principais pontos de passagem de aves migratórias entre a Europa e África. É sabido que pássaros e torres eólicas não são uma combinação de sucesso.

No seu memorável discurso perante a Assembleia-Geral da ONU, há alguns meses, o PM de Israel Binyamin Netanyahu insistiu a vontade de "limpar o planeta". Israel, com todos os seus avanços tecnológicos e desejos de se livrar da dependência do petróleo, tem grandes potencialidades e tem servido como tubo de ensaio para projectos ambientais inovadores. Para lá dos sonhos traçados (e furados) da arena internacional.

publicado por Boaz às 00:10
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Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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