Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Jogo da paciência

Depois de cinco meses a morar em Alon Shevut, estamos a pensar em mudar-nos para Jerusalém. Até há um mês e meio, tinha garantido diariamente, uma boleia directa para a Cidade Velha, através de um rabino brasileiro, meu vizinho, que ensina na Yeshivat Hakotel. Com o começo do novo ano de estudos, ele conseguiu uma vaga no edifício do kollel, mesmo ao lado da yeshiva. E eu perdi a minha óptima boleia.

O facto de não termos carro e, tanto eu como a minha esposa termos as nossas ocupações diárias na capital (eu na yeshiva, ela num centro de crianças deficientes), torna-nos dependentes da incerteza do tremping, a boleia. Isto porque, apesar da curta distância que nos separa da Cidade Santa – cerca de 20 quilómetros – a ligação por transporte público não é nada cómoda. O autocarro entra nos vários colonatos até chegar a Jerusalém. A viagem de 20 quilómetros requer quase uma hora. Assim, os autocarros não são opção para a viagem matinal.


Autocarro na Avenida King George, Jerusalém.

É comum a prática dos moradores dos yishuvim (colonatos) oferecerem boleia, tanto para Jerusalém, como entre os vários povoados da região do Gush Etzion. Porém, Alon Shevut não é particularmente famoso pela disponibilidade dos seus moradores em oferecerem um lugar vago no carro. Assim, todas as manhãs, sujeitamo-nos a esperar bastante tempo por uma oferta.

Na maioria dos casos, os poucos motoristas que param nas duas paragens de autocarro – que servem de ponto de aglomeração dos trampistas (os que esperam a boleia) – não vão para a Cidade Velha, ou as proximidades. Shopping Malcha, os vários hospitais da cidade e a zona industrial de Har Hotzvim são a maioria das ofertas. Com as obras do metro de superfície a esburacarem metade de Jerusalém, na chegada à cidade, ainda é preciso tomar um autocarro para a Cidade Velha. As obras atrasam o, já de si penoso, trânsito da capital.

Na melhor das hipóteses, a zona comercial de Talpiot, no Sul da cidade, à a opção. Apeando-me da boleia algures na Estrada de Hebron, a principal via de ligação entre o sul e o centro da cidade, aí apanho um autocarro até ao centro da cidade (não há nenhum para a Cidade Velha). Daí, ainda me resta uma caminhada de 15 minutos até à yeshivá. Um bom exercício matinal, para ajudar a desanuviar o stress para conseguir – todos os dias – chegar ao meu destino.

publicado por Boaz às 22:10
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Bem ocupado

Os leitores frequentes desta casa já devem ter reparado que a coisa tem andado parada nestes últimos dias. A razão é só uma: o meu casamento.

E como se diz em Portugal: quem casa, quer casa. Saí da yeshiva para morar no meu próprio apartamento. A maior parte das coisas estão já arranjadas - a última semana antes do casamento foi um corrupio de mudança de caixas, móveis e toda a espécie de tralha que um apartamento pode ter, para a casa nova. Depois as arrumações e limpezas para deixar o novo lar minimamente habitável.

Depois da festa, voltou de novo a azáfama para arrumar as muitas prendas que recebemos - graças a Deus!

Com isto tudo, ainda mais porque uma das coisas que falta instalar em casa é o telefone para aceder à internet: o blog acabou por ficar para trás. No entanto, não desesperem meus caros fãs, dentro em breve eu voltarei.

publicado por Boaz às 19:54
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Mister Fotogenia

Na maioria das vezes uso a Internet de algum ponto de wireless que encontro nas imediações da yeshivat Hakotel, durante a hora de almoço ou à noite. Em várias ocasiões, turistas me pediram autorização para tirarem uma foto minha.

A razão: o contraste moderno e antigo. Eu, com um laptop no colo, sentado nalgum degrau de uma casa da histórica Cidade Velha de Jerusalém.

Hoje também um cameraman me filmou alguns segundos enquanto navegava na Internet. Devia começar a cobrar por direitos de imagem!

publicado por Boaz às 12:14
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Mudanças

Uma das maiores mudanças na vida de um ser humano – a maioria das pessoas concordará – é o casamento. No dia anterior, é-se solteiro. No dia seguinte, casado. Não é apenas uma alteração de estado civil, um "sim" dito entre tantos outros durante a vida. É toda uma nova forma de ser que começa.

Mesmo para os casais que vivem juntos durante um certo período sem se casarem, após dizerem o "sim" e assinarem os papeis, a sua realidade passa a ser diferente. O compromisso anterior era um comum acordo mais ou menos informal. Sem qualquer obrigação além daquelas que existem numa relação entre duas pessoas comuns. Agora é a lei que prescreve uma parte das obrigações e direitos de cada um.

Estou a menos de uma semana dessa enorme mudança. Desde 15 de Agosto do ano passado – ou 1 de Elul no calendário hebraico – data do nosso compromisso formal, foram meses intensos de preparações. Primeiro a decisão da data. Em Israel é normal os casais noivarem durante pouco tempo, umas semanas, um ou dois meses no máximo. Todavia, para nós não podia ser muito cedo, ainda durante o ano passado, para permitir que as nossas famílias, em Portugal e no Brasil, pudessem marcar férias com antecedência e virem ao casamento.

Por outro lado, não queríamos adiar demasiado até ao Verão seguinte, para evitar o intenso calor estival de Israel. Ainda, teria de ser antes da Páscoa Judaica, que este ano acontece em meados de Abril, pois a lei judaica proíbe os casamentos nos 40 dias depois da Páscoa. Depois desses 40 dias já estaríamos no Verão. Oito de Abril pareceu-nos a data ideal.

Marcámos o local da festa para a Yeshivat HaKotel, onde eu estudo, pois sabíamos que fariam um preço especial pelo facto de eu ser aluno da yeshiva. Com vários meses de antecedência, fizemos a reserva do salão da yeshiva. Um dos maiores salões do Bairro Judeu da Cidade Velha, com vista para o Muro Ocidental e o Monte do Templo, é um local cobiçado para festas.

Decidir o menu. Ressalvar que não queremos a comida picante, a pensar nas nossas famílias, pouco habituadas aos quentes temperos do Médio Oriente. A decoração. O salão não providencia tudo, por isso há que conseguir quem fornecerá as flores para as mesas.

Seguiu-se a decisão do número de convidados e a divisão deste número entre os convidados do noivo e os da noiva. Quem chamar, quem deixar "pendente", quem excluir? Não se pode chamar toda a gente. Quem ficará ressentido connosco se não o chamarmos? O fotógrafo. De boca em boca passam informações. Foi fácil de encontrar. A banda de música. Escutámos CDs de bandas que tocam em casamentos, prestámos atenção nos casamentos onde estivemos, fomos até a uma audição especial de um grupo num estúdio de Jerusalém.

Começar a pensar onde iremos morar. Decidimo-nos por um colonato alguns quilómetros a sul de Jerusalém, Alon Shevut, na região de Gush Etzion. É o local de residência de várias famílias brasileiras que ambos conhecemos. Além de ter sido a morada da noiva até há poucos meses, o que significa que ela conhece muita gente no local. O que significa que a integração será, assim, mais fácil para ambos. A burocracia israelita foi o próximo obstáculo a transpor. As autoridades religiosas exigem uma série de documentos. Fizemos várias visitas ao Tribunal Rabínico de Jerusalém para tratar de alguma papelada.

A roupa. Um vestido de noiva é algo que só se veste – em princípio – uma vez na vida. Comprar seria um desperdício de dinheiro. Em Israel, não faltam organizações que dão vestidos de noiva ou alugam a preços bem acessíveis. A minha roupa foi bem mais fácil de decidir. Um fato, ao mesmo tempo de noivo, mas que eu pudesse usar depois para o Shabbat. Uma camisa branca, uma gravata. Os meus sapatos de Shabbat. Sem dores de cabeça.

Outra ponderação foi: quem escolher para as duas testemunhas na cerimónia de casamento? É um cargo de honra na boda, convém que seja alguém de quem estejamos especialmente próximos. A quem chamar para dizer as sete bênçãos no pálio nupcial? Com a quantidade de rabinos que conhecemos não é difícil escolher. O problema é quem ficará de fora.

Estudar. A lei judaica é bastante minuciosa com as relações entre as pessoas. Ainda mais entre os membros do casal. Pelo facto de a lei judaica proibir o contacto entre marido e esposa durante o período menstrual, a relação está muito dependente do ciclo da mulher. Durante vários meses estudei com um rabino as leis de nidá, nome dado ao estado da mulher durante a menstruação, e Shalom bait, a paz em casa. É óbvio que o relacionamento entre o casal não pode ter como fundamento único a relação sexual. Nos dias em que o contacto físico entre os cônjuges é proibido, é essencial encontrar outros meios de manter a relação entre ambos forte e harmoniosa.

Esta última semana tem sido uma correria para tratar das coisas para a casa. Ainda mais, por coincidência, esta é a última semana do semestre da yeshiva. Desta forma, tenho de tirar todas as minhas coisas do meu quarto. A solução foi transferir tudo para o apartamento onde a minha noiva ainda mora em Jerusalém. Desta forma, a carrinha das mudanças poderá levar, de uma vez só, todas as nossas coisas para a casa nova.

Recebemos a maior parte da mobília e dos electrodomésticos. Mas tivemos de andar à procura em casas de móveis e em sítios de Internet que vendem artigos usados, para encontrar as coisas que nos faltavam. Visitar casas aqui e ali para apreciar as mobílias. Com todas estas coisas, não me posso queixar. Tivemos muitas ajudas. A mão estendeu-se muitas vezes para nos ajudar. Mesmo sem pedirmos.

A mitzva (preceito judaico) do casamento, a base da ordem divina "crescei e multiplicai-vos", é uma das mais apreciadas. É enorme e incansável o esforço e a generosidade das pessoas para ajudarem os futuros casais. Há organizações que doam de tudo, desde móveis e roupa de casa, até arranjos de flores para decorar o salão da festa. A sociedade judaica sustenta-se, acima de tudo, na família. Por isso tanto é investido para ajudar cada nova família que nasce.

publicado por Boaz às 12:08
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Apontamentos de uma viagem de autocarro

Depois de uma semana confinado – à força – à Cidade Velha, por causa dos três dias de nevão e consequente paralisação da cidade, consegui sair para lá das muralhas. Em Motzei Shabbat (após o final do Shabbat), fui até ao principal centro comercial de Jerusalém para encontrar-me com a minha noiva que não havia visto toda a semana.

Enquanto esperava pelo 6, o único autocarro que liga a Cidade Velha ao Shopping Malcha, em frente à Câmara Municipal, algo me chamou a atenção. Uma estrela no chão. Uma estrela em papel, recortada de alguma revista. Amarela, como aquelas que os Judeus eram obrigados a usar durante o Holocausto. Com a palavra “Jude” no meio. Apanhei-a, surpreso por encontrar tal coisa cuidadosamente recortada de uma revista, caída no chão. “O que fazer com isto?”, pensei. Por momentos coloquei a estrelinha em cima de um muro junto à paragem do autocarro. “Não, com o vento, irá parar de novo ao chão”, reflecti. Decidi guarda-la na carteira.

O 6 chego poucos minutos depois. Apinhado. Um autocarro, em qualquer lugar de Israel, é um mundo. A mistura de gentes e raças é assombrosa. Religiosos de fato e chapéu negro, ainda com as suas melhores roupas de Shabbat, junto com os seculares. Lado a lado com jovens cheios de rebeldia vindos de algum dos bairros ou colonatos menos religiosos da cidade, a caminho da borga nocturna semanal. No shopping ou na Rua Ben Yehuda, as “Docas” de Jerusalém.

À minha frente, três raparigas sul-americanas. Pelo sotaque deveriam ser argentinas. Ao meu lado, do outro lado do estreito corredor, duas mulheres asiáticas: uma filipina e outra que, pela fisionomia seria provavelmente cingalesa (do Sri Lanka). A filipina faz parte da numerosa comunidade filipina residente em Israel. Na sua grande maioria, a comunidade compõe-se de mulheres jovens. Enfermeiras recém-formadas nas universidades das Filipinas que buscam uma vida melhor em Israel. Trabalham nos turnos nocturnos dos hospitais ou, o que é mais normal, como assistentes domésticas.

É comum ver idosos israelitas caminhando na rua, em cadeira de rodas ou apoiados na bengala ou no andarilho, acompanhados das suas enfermeiras particulares filipinas. Devido ao seu papel social, o termo filipinit (mulher filipina, em hebraico) passou a significar assistente doméstica. Assim que termina o Shabbat, às centenas confluem para as Centrais de Autocarros ou os centros comerciais onde se encontram com outras colegas de profissão. A central de autocarros de Tel Aviv, por exemplo, transforma-se numa Pequena Manila, com algumas das suas lojas já destinadas à clientela oriental.

À chegada ao centro comercial, o autocarro, até então cheio, esvazia-se de uma só vez. Uma torrente de clientes encaminha-se para as portas do shopping, tendo de esperar na fila da segurança, para passar pelos detectores de metais. Ninguém reclama a demora, é o hábito diário de muitos anos, em qualquer local de Israel. Não uma realidade surgida pela Intifada.

Numa cidade com poucos divertimentos, o que é estranho se considerarmos que Jerusalém tem cerca de 600,000 habitantes, há poucos lugares para sair à noite. O principal é o Shopping Malcha. Multidões de jovens da cidade e arredores confluem às salas de cinema do centro comercial. Famílias levam os filhos aos restaurantes de comida rápida. Fãs de futebol juntam-se no local depois de cada jogo no Estádio Teddy, situado mesmo ao lado. Ao subir as escadas rolantes tem-se a visão de um imenso formigueiro, difícil de suportar para quem não é grande fã de multidões.

Uma volta pelo shopping com a minha futura esposa, à procura de alguma promoção que nos interessasse, olhando as lojas de decoração para tirarmos ideias para a nossa futura casa. O tempo passa rápido e, antes que ficasse tarde para apanhar o transporte de volta, saímos do turbilhão.

No regresso, entre um grupo de jovens alegres e faladoras, reparei numa quieta menina. Não falava, apenas parecia olhar o vazio. Menina dos olhos tristes. Dava a impressão de soluçar. Soluçar por dentro. Dava pena olhar para ela. Uma jovem normal, quieta, ao lado das animadas amigas, depois de uma noite no shopping. Que contraste!

Com a aproximação do autocarro às muralhas da Cidade Velha era hora de fazer o resto do caminho a pé. Dez minutos passando pela Porta de Jaffa, o Bairro Arménio e as vielas do Bairro Judeu. Àquela hora, naquela parte da cidade já são poucas as pessoas na rua. Até ao amanhecer, quando as ruas da Cidade Velha se enchem de gente, no bulício do mercado árabe. Numa amálgama de residentes e turistas. Por enquanto, o formigueiro reside no outro limite da capital.

publicado por Boaz às 21:10
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Indecifrável

Os meus gostos de música sempre foram bem ecléticos. Desde o grunge dos Nirvana ou Pearl Jam, que vem desde a minha época de teenager nos anos 90, ao Pop/Rock dos U2 ou de Sheryl Crow. Do estilo alternativo de Tori Amos, à eterna música clássica. Da inclassificável sonoridade de Björk e à depressão crónica de Fiona Apple aos melódicos Coldplay.

Recentemente, fiquei rendido aos encantos da música étnica (também conhecida por World Music). Primeiro foi o folk escandinavo, descoberto por acaso numa visita a uma loja de discos, quando escolhi, na mais absoluta ignorância pelo género, um dos discos disponíveis para escuta. As bandas suecas Hedningarna e Garmarna estão à cabeça, com a sua original fusão de folclore nórdico e música electrónica. Agora ando interessado na música folclórica búlgara, as famosas "Vozes Búlgaras".

Os meus colegas da yeshiva espantam-se quando ponho a tocar músicas em japonês, sueco ou finlandês (ainda não lhes dei a experimentar o repertório búlgaro). Na verdade, até as portuguesas (Humanos, Mafalda Veiga, Rui Veloso, Resistência, Zeca Afonso – sim, em música portuguesa eu sou da «velha guarda») são coisas estranhas para eles, mesmo para os brasileiros.

O facto de não entender uma palavra do que dizem de sueco, finlandês ou búlgaro, não é uma barreira para apreciar a música. Assim, fixo-me na pureza das vozes, nos acordes dos instrumentos, nos arranjos do sintetizador. Nas horas vagas da Gemara.

publicado por Boaz às 12:11
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Domingo, 9 de Outubro de 2005

Primeiras impressões

É impossível definir com clareza - para menos para os de fora - a situação em que me encontro. Primeiro, pelo facto de estar a residir, mesmo que temporariamente, num colonato, poder levar a interpretações precipitadas. É claro que, em Efrat, o espírito na sua génese é o de um sionismo militante e o sonho da Grande Jerusalém.

Facilmente, de novo para quem assiste de fora e seguindo os estereótipos vigentes, podia pensar-se que os habitantes da cidade são gente fanática, armada até aos dentes e sedenta de sangue árabe.

A verdade é que, se fosse possível abstermo-nos, ao menos um pouco, da situação entre Israel e os Palestinianos, este bem podia ser o paraíso. As pessoas são hospitaleiras, como nunca imaginei que os israelitas pudessem ser, habitualmente hostis ao primeiro contacto.

Rapidamente nos convidam para as suas casas, nos servem comida e bebida e conversamos como se nos conhecêssemos há anos. Antes do Shabbat, dezenas de famílias, mesmo não nos conhecendo, convidam-nos para passar a ceia de Shabbat com elas. E depois, querem que voltemos.

publicado por Boaz às 14:45
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2005

Copos e "cotas"

Não sou um fiel seguidor do hábito de sair à noite. Nunca fui. Cada saída para beber um copo com os amigos é geralmente um espectáculo deprimente. Deprimente porque, na maioria dos sítios onde se vá, se encontram hordas de miúdos que ainda andavam na escola primária na altura em que eu entrei para a faculdade.

Eles, ainda com penugem em vez de barba, e elas a terem estreado há pouco o primeiro soutien.

E se, por acaso, se vislumbra alguém realmente adulto, normalmente ou é um pai à procura da filha adolescente que àquelas horas já deveria estar em casa ou - pior ainda -, é algum predador à caça de "carninha fresca."

publicado por Boaz às 17:37
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Terça-feira, 24 de Maio de 2005

O estado de graça e o regresso à vidinha

Acabou-se a magnífica viagem até Jerusalém. Nas primeiras conversas com a malta lusitana confirma-se a ideia de que entre nós se olha para aqueles lados como se da Tchetchénia se tratasse. "Então não está tudo destruído?" é uma pergunta frequente. Confirma-se que os nossos media têm um olhar muito míope da região e o povo, coitado, segue a mesma miopia.

Não estive lá como turista, nem como peregrino. Excusei-me ao stress de turista de querer conhecer tudo e tirar fotografias à japonesa. Fui lá para sentir a vida da cidade e do país. Sentir o espírito das pessoas e como lidam com a situação, especialmente agora que as coisas parecem estar a melhorar.

Ainda estou num estado de graça. Foram apenas 11 dias em Jerusalém - para o Pedro Paixão também e ele acabou por escrever um livro... - mas foram mais marcantes do que apenas um punhado de dias numa vida. (Que poético. Não parece nada meu, mas eu também não costumo regressar de Jerusalém todos os dias). Foram apenas 11 dias, mas ainda tenho de me habituar a falar e ouvir, e a ver os sinais das ruas e os nomes das lojas, em português. Em vez de hebraico, árabe e inglês. (re)Entrar na homogeneidade portuguesa, deixando a variedade alucinante que são as gentes de Jerusalém.

Depois do jet-lag - eu sei que são só duas horas a mais, mas experimentem passar quase 7 horas em dois aviões e ter de ir para o aeroporto com 3 horas de antecedência, sem antes terem dormido uma boa noite de sono -, vem o regresso à vidinha. Especialmente, a retoma na procura de emprego.

PS - Demorei 6 anos a voltar a Jerusalém. Não quero demorar o mesmo tempo até à próxima vez.

publicado por Boaz às 17:21
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2005

Uma folha solta

Decidi passar toda esta semana na cidade, a fim de me preparar para a Pessach (Páscoa Judaica, a original) que começa neste fim de semana. Assim aproveitei a oportunidade e na terça-feira, excepcionalmente, assisti à aula de Cabala - foi a minha primeira e será a única nos tempos mais próximos, por problemas logísticos. Adiante...

Depois de outras actividades que se realizaram na sinagoga e que duraram até quase depois das 23 horas, regressei a casa de metro e, ousadia das ousadias, fiz toda a viagem de kippá na cabeça, até a prendi com um gancho, não fosse ela cair. Pelo adiantado da hora achei que a confusão no metro não me traria problemas.

Achei que nessa altura tinha erguido uma barreira entre mim e o mundo exterior, era um ser à parte. Não gostei muito da sensação. Apesar de, normalmente, o metro não ser para mim um local para socializar. Não houve desacatos, tudo correu com a normalidade esperada de qualquer passageiro anónimo.

Você é dju?

A surpresa chegou numa estação onde tive de fazer uma mudança de linha. Pelo canto do olho vi aproximar-se um indivíduo. Era africano. Perguntou-me se falava português (de barretinho na cabeça, deve ser estrangeiro, terá pensado). E depois: "Você é dju?". Deve ser judeu em crioulo, pensei eu. Respondi que sim. "A sua família é de Israel? De que parte de Israel?". Disse-lhe que era português. Aí, apresentou-se: Fernando. E contou-me que o avô dele era judeu, descendente de judeus portugueses que tinham ido para Cabo Verde. Que ele mesmo, se fosse mais novo - estava nos trintas e tais - ia para Israel e alistar-se-ia como voluntário no Exército. Porque gosta muito de Israel, mesmo havendo guerra. E que Israel precisa de apoio.

Alertou-me do problema em usar a kippa na rua. É que "há por aí muito árabe". "Eu tenho um símbolo (presumi que fosse uma estrela de David) que cheguei a levar para o trabalho, na lapela. Só que no meu trabalho há 17 paquistaneses. Quando eles me viram com aquilo perguntaram-me com má cara: 'O que é isso? Porque é que usas isso?'. Eu fingia que não sabia. 'Então tira. Isso não é bom'. E eu deixei de o levar para não ter problemas. Mas um dia destes volto a usá-lo."

Achei aquele encontro extraordinário. Vi nele a típica atitude de um marrano*. Apesar de ter perdido muitas referências e tradições, várias coisas se mantiveram muito vivas. A identificação e o amor pela Terra de Israel e pelos símbolos judaicos, o receio em relação aos "de fora". Há amores que nunca se esquecem e dores que o tempo não cura.

Foi inspirador. Para mim e certamente também para Fernando. Para mim, porque encontrei mais uma folha solta no grande livro da história do povo judeu. Para ele porque talvez lhe tenha dado mais um pouco da coragem necessária. Para que um dia destes ele volte a usá-lo...

* Marrano: termo, com carga depreciativa - literalmente significa porco - que designa os cripto-judeus ou judeus secretos, e descendentes que durante a Inquisição e até recentemente - em alguns pontos ainda se mantém - continuaram a praticar o Judaísmo às escondidas.

publicado por Boaz às 11:31
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Quinta-feira, 24 de Março de 2005

Quase 30

Eu sou daqueles que acha que nada é mais divertido do que rirmos de nós próprios

Hoje passo para os 28. (Quem diria, vendo as figuras das fotos...) Não faço questão na festa com bolo e gente a cantar-me os "parabéns a você". (Bolas, que anti-social!).

Cada uma destas imagens tem uma história e um momento especial. Um abraço enorme para os fotógrafos de ocasião e todas as pessoas que também estavam nas fotos e que eu cortei (só na foto, não do coração) e também para as que passarem por aqui hoje, e amanhã e depois e depois...

PS - o título do post não é a expressão de um desejo de chegar depressa àquela idade - isso costumava acontecer nos anos anteriores aos 18, por razões óbvias. É que essa é a idade que a minha mãe me dá... desde os 25.

publicado por Boaz às 12:02
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Terça-feira, 8 de Março de 2005

A minha kippá, eu e a minha kippá

Kippá, yarmulke, solidéu: o barretinho que os homens judeus usam durante as orações (os religiosos usam-no a toda a hora). Existem de todas as cores e padrões, até mesmo com bonecos dos Power Rangers! (private joke). A minha é uma simples kippá de veludo preto, comprada numa loja do Bairro Arménio de Jerusalém. (Ficam já avisados: está tudo em "fixed prices", ali não há regateio).

Após a minha última aula de religião e língua hebraica, assim que saí da sinagoga não a tirei logo. Ainda no átrio, enquanto abria o portão, um colega perguntou-me com estranheza: "vais com ela posta?". Não é comum na rua verem-se homens de kippá, mesmo sabendo que os Judeus são escassos por cá. Assim que se deixa a sinagoga, toca a arrumar o barrete no bolso ou na pasta, não vá algum goy (gentio) ver... Medo ou vergonha de se mostrar... não sei.

Apesar de já ter pensado no assunto, nunca me aventurei a "ir com ela posta" lá fora, fazer todo o caminho até casa, mesmo no metro. Contudo, não gosto de correr a tirá-la assim que acaba a aula. Gosto de prolongar um pouco aquele estado... É como se levasse um pouco do oásis para o deserto.

Bem sei que isto não é Paris ou Bruxelas, onde homens de kippá têm sido alvo de ataques e insultos (alguns dos casos reportados aqui). Pois é, por cá diz-se que "somos de brandos costumes". O pior foi ter lido recentemente num jornal que um grupo português de cabeças-rapadas foi aceite num clube internacional dessa canalha, o qual obriga que, para merecerem tamanha "honra", tenham de mostrar "obra feita". Ou seja, espancando (ou mesmo matando) judeus, negros ou gays. Já se sabe, os untermenschen do costume.

Por agora, mais vale prevenir, mesmo que não me agrade nada ter de me esconder.

publicado por Boaz às 17:35
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Domingo, 13 de Fevereiro de 2005

Não estou p'ra isso

Como cidadão ecológico, nada me ofende mais do que ouvir gente que, no que toca a uma questão tão básica como separar o lixo em casa para posterior reciclagem, simplesmente diz "não estou p'ra isso". Nestas coisas de gente e das suas razões, há sempre vários padrões.

Os apressados admitem que sim, é importante separar, mas defendem-se com a sua vida agitada e que não têm tempo para essas coisas miudinhas. São os mesmos que para ir ao café que fica ao fundo da rua levam o carro para se despacharem, mas aguentam com cinco minutos de espera nos semáforos e um quarto de hora para achar um lugar de estacionamento.

Os imbecis queixam-se que é muito complicado lembrar-se onde é que se mete o papel, os plásticos ou os vidros. Realmente é uma confusão labiríntica. Só é estranho como, apesar da sua falta de memória, fixam à primeira as tramas da dúzia de novelas da nossa TV (e ainda se lembra das antigas!), conhecem os nomes dos jogadores, treinadores, presidentes e estádios das 18 equipas da Superliga de futebol, decoram as transferências da última época e chegam a saber com detalhe as histórias de todos os casamentos reais dos últimos 25 anos.

Os fatídicos até sabem como se faz, mas desculpam-se alegando que o que é posto nos ecopontos vai, no final, parar ao mesmo sítio que os outros lixos e é depois tudo lançado nos aterros ou nas incineradoras. Então, separar para quê? É verdade, para quê tomar banho se vai sujar-se a seguir...

Os contribuintes acham que, como pagam impostos, o dinheiro tem de servir para tudo, incluindo para pagar a alguém que faça a separação do lixo em sua vez. Não há mais nada que deseje que alguém faça por si, não?

Os descontraídos são o que pura e simplesmente não sabem, não querem saber, odeiam quem sabe e “se me falas mais alguma vez nessa cena, levas um murro nos dentes!”

No fim existem os porcos, que guardam o lixo todo em casa e de vez em quando os vizinhos têm de chamar alguém da Câmara para limpar o curral porque o bairro já não aguenta com o cheiro.

É graças a estas criaturas que – para lá das quotas de reciclagem a que a UE nos obriga e que o país está ainda longe de cumprir – os aterros, que deveriam ter apenas matéria não reciclável, estão a abarrotar de recursos esbanjados. E o cúmulo neste país de desperdícios, é que há empresas que se dedicam à reciclagem de lixo e que têm de o importar do resto da Europa porque as quantidades recolhidas em Portugal não chegam para as tornar eficientes.

publicado por Boaz às 20:57
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2005

1, 2, 3, Experiência

Na minha busca de emprego pelos jornais e sites da Internet, tenho visto que uma das regras mais enfatizadas nas ofertas de emprego é a exigência de vários anos de experiência. Ainda reforçam a ideia com "não responda a este anúncio se não cumpre todos estes requisitos".

Ninguém quer perder tempo com recém-licenciados, que apenas sabem o trabalho na teoria (às vezes) e na prática, pouco ou nada.

E este estado de coisas aplica-se noutras áreas, até agora exemplos de aquisição de experiência após os estudos, como os hospitais. A minha mãe, que é enfermeira, contou-me que, por exemplo, o Hospital de Leiria já nem aceita estagiários de enfermagem, mesmo os que andam no 4º ano. Os alunos de enfermagem da região que estejam a concluir o curso, têm de ir para outros locais (como Lisboa) para fazerem o estágio obrigatório.

Em nome dos números que é preciso apresentar no final do ano, nos relatórios de contas, deixa-se para trás a formação. Afinal, este como outros é um "hospital-empresa" e tem de mostrar eficiência, para provar a qualidade do modelo.

publicado por Boaz às 17:31
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Domingo, 2 de Janeiro de 2005

Piadas que vêm em letras pequenas

Ainda há pouco estive à procura de um certo ficheiro no meu computador com umas certas informações sobre o anti-vírus que eu uso. Não encontrei o que queria - o que quer dizer que a porcaria do programa vai deixar de funcionar porque não consigo fazer o registo on-line - mas encontrei uma coisa bem interessante. Não compensa, mas já deu para me rir.

Nunca pensei que aqueles textos dos programas informáticos aos quais temos de clicar sempre no "Aceito" para fazer a instalação, fossem tão divertidos. Aconselho-vos a lerem esses textos. Podem ser ainda mais cómicos que alguma literatura médica ou instruções de uso de electrodomésticos. Ora vejam.

«Alguns produtos XPTO estão sujeitos a controlo de exportação pelo U.S. Department of Commerce (DOC), de acordo com as Export Administration Regulations (EAR).

A violação das leis dos EUA é estritamente proibida. O usuário concorda em cumprir as regras da EAR em todas as leis aplicáveis, sejam internacionais, nacionais, estatais, regionais e locais, e regulações, incluindo quaisquer restrições de importação e uso.
(As dos outros países podem ser violadas, certo? Desde que isso vos seja favorável. Yeah, yeah, concordo com tudo... Toca a andar!)

Os produtos XPTO estão actualmente proibidos para exportação ou reexportação para Cuba, Coreia do Norte, Irão, Iraque, Líbia, Síria e Sudão ou para qualquer país sujeito a sanções comerciais.
(Para os que não sabem: todos estes países fazem / já fizeram parte do ‘Eixo do Mal’; nem todos declarados como tal, mas é assim que o senhor presidente W. olha para eles.)

O usuário concorda em não exportar, ou reexportar, directa ou indirectamente, nenhum produto para qualquer país mencionado nas EAR, ou para qualquer pessoa ou entidade na lista de “Pessoas, entidades e listas não verificadas”, recusadas pelo Departamento de Comércio, a Lista dos Excluídos do Departamento de Estado (o MNE) dos EUA, ou nas listas do Departamento do Tesouro de nacionais, traficantes de narcóticos, ou terroristas especificamente designados.
(Eu hein? Eu quero é estar longe dessa corja toda! Que vão todos dentro!)

Além disso, concorda em não exportar, ou reexportar, os produtos XPTO para qualquer entidade militar não aprovada de acordo com as Regulações da Autoridade de Exportações, ou qualquer outra entidade com fins militares; nem vender qualquer produto XPTO para uso em conjunto com armas químicas, biológicas, ou nucleares ou mísseis capazes de transportar essas armas.»
(Eu sou pacifista. Quer dizer, já fui mais, mas está bem, concordo.)

Isto tem mesmo muita piada. Muito melhor que o “Levanta-te e Ri” e os “Batanetes” e quase tão bom como as Televendas! Confesso que gostava de conhecer algumas das pessoas que escrevem estes textos. Devem ser gente interessante, com imensas histórias para contar, especialmente sobre aqueles que lhes mandaram escrever isto…

Ah, e já agora declaro que o Departamento de Comércio, a Autoridade das Exportações e os outros podem ficar descansados, porque eu não vou emprestar a minha cópia de antivírus XPTO a terroristas, traficantes de drogas e outros proscritos.

publicado por Boaz às 11:58
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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2004

Algumas razões para sorrir

Há poucos dias, em Lisboa, perdi o expresso para casa. Como o próximo era só daí a 4 horas – que serviço eficiente, hein?! – e uma vez que eu não sou pessoa de ficar sentada à espera durante tanto tempo, resolvi ir dar uma volta pela cidade. Sem destino, sem propósito. Nem sequer para ver as montras, que também é coisa que não aprecio, ainda mais quando já estão inundadas da fúria natalícia. Só andar por aí, com o rádio de bolso ligado e os auscultadores nos ouvidos.

Foi uma caminhada de alguns quilómetros, de Sete Rios ao Rossio, passando pela Praça de Espanha, Marquês de Pombal, Rato, Príncipe Real e Carmo, regressando depois pela Avenida da Liberdade, Marquês, Parque Eduardo VII e São Sebastião.

Já no dia anterior tinha notado que as pessoas raramente olham as outras na cara e mantêm sempre um ar sério, aborrecido. Assim, decidi logo à partida que ia tentar manter, enquanto caminhava calmamente, um sorriso nos lábios. E aproveitar as pequenas coisas que via para manter o sorriso. Ao mesmo tempo iria observar a reacção das pessoas quando passasse por elas com aquela disposição.

Durante as várias horas do passeio por Lisboa reparei que as pessoas, de um modo geral pareciam tristes. Andavam na rua de olhar baixo, quase sempre virado para o chão. Talvez à espera de aí encontrar a sua sorte. Raramente passava por alguém que em vez de olhar para baixo, olhava em frente, ao infinito. E ainda menos vezes alguém que me olhava nos olhos quando passava por mim. E quando isso acontecia, rapidamente desviavam o olhar. Invariavelmente, para o chão ou o infinito.

Talvez se, mesmo no meio das suas pressas tentassem observar as outras pessoas, as ruas com outros olhos, o dia até lhes poderia parecer melhor. A mim soube-me bem superar o tédio da espera pelo expresso com uma visão nova da cidade.

Encontrei inúmeras razões para ficar bem disposto. O céu azul e o Sol radioso apesar do tempo frio. O semáforo onde eu chegava e que estava verde. Passar pela porta de um edifício que conheço e pensar no que se estaria a passar lá nesse momento. Duas manilhas junto às obras do Marquês: uma metáfora ao túnel. Os telhados dos prédios e a cúpula da Estrela ao fundo da Rua do Monte Olivete: um postal turístico ou um quadro de Maluda. O panorama da Baixa no miradouro de São Pedro de Alcântara. Passar por ruas onde nunca tinha estado. Uma boa canção a tocar no rádio – o que por vezes até me fazia ter vontade de dançar no meio da rua e no mínimo me fazia caminhar ao ritmo da música. (Não, não ando a tomar drogas. Era mesmo autêntico, sem “pastilhas”.) Os vendedores de castanhas a fazer cartuxos com folhas das páginas amarelas. As bolachas de aveia e um gole de água, acompanhados da vista grandiosa do alto do Parque Eduardo VII. A escultura do Cutileiro logo ali ao lado. Um melro que a poucos metros de mim se demorou a beber água numa bica.

Ao chegar ao destino, só me arrependi de não ter andado ainda mais devagar para não ter de esperar ainda durante uma hora. Ao menos, ainda me sobravam bolachas e um pouquito de água.

Cada vez acho mais que devemos aproveitar cada bocadinho de tempo para tirar o máximo das mais pequenas coisas, em vez de nos queixarmos de tudo. Ainda mais, após uma senhora de 30 e poucos anos que conheci recentemente me ter dito que, apesar de estar sem trabalho e depois de dois tumores cranianos se considerar uma privilegiada. E ter sempre um sorriso nos lábios.

publicado por Boaz às 04:43
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