Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

Hessed, Bondade

Este último Sábado estive com um grupo de cerca 25 estudantes estrangeiros da Yeshivat HaKotel em Bnei Brak, um subúrbio de Tel Aviv conhecido por ter a maior população haredi (ultra-ortodoxa) do Mundo.

A cidade, entalada entre auto-estradas que servem de fronteira entre as várias cidades-subúrbio, é recente. Não tem mais de 70 anos. A falta de espaço e a impossibilidade de expansão reflecte-se nas novas construções do sul da cidade. Ali, antigos edifícios foram deitados ao chão e construíram em seu lugar torres de mais de 20 andares para alojar uma população em crescimento rápido. No centro da cidade ainda se mantêm a regra dos prédios de 2 ou 3 andares, mas não creio que por muito tempo. A procura vai exigir que o camartelo avance também por lá nos próximos anos.

Os haredim são muito reservados no seu modo de vida e não é habitual encontrá-los em lugares onde se misturem muito com os pouco observantes. Bnei Brak e alguns bairros de Jerusalém acabam assim por versões modernas dos antigos shtetls, aldeias maioritariamente judaicas da Polónia e Rússia. Modernas, mas onde o modo de vida se mantém em muitos aspectos imutável ao longo das gerações.

Dois dos valores principais do Judaísmo, muito cultivados em Bnei Brak, apesar de ser a mais pobre de Israel, são tzedaka e hessed (leia-se o "H" como o "J" espanhol, aspirado, "jessed"). Tzedaka pode ser num sentido comum manifestada através da esmola. No entanto, é bem mais do que colocar algumas moedas numa qualquer caixinha de caridade - as quais abundam por toda a cidade, nos balcões das lojas, nas paragens de autocarro, nos sinais de trânsito, junto aos locais muito frequentados.

Hessed traduz-se por bondade ou rectidão. Receber os visitantes - ainda mais os que visitam a cidade para aí passar o Shabbat - é uma forma muito elevada de hessed. Eu e o resto do grupo tivemos a oportunidade de a experimentar em primeira-mão. Em primeiro lugar, ficámos alojados na casa de uma família que nos recebeu sabendo apenas que vínhamos da Yeshivat HaKotel de Jerusalém.

A casa era modesta e pequena, a família numerosa - eram pelo menos 10 filhos. Mas mesmo com as suas grandes limitações, receberam na sua casa 9 rapazes. Esperavam 12. Os dois quartos habitualmente ocupados pelos filhos mais pequenos foram-nos cedidos. À chegada, bolos e refrescos numa mesinha num dos quartos. Apesar de muito humilde, toda a família se esforçou por nos proporcionar o maior conforto e alegria.

Alguns vizinhos, já avisados da nossa visita, chegaram entretanto para convidar alguns do grupo para passarem as refeições com as suas famílias. Eu e Marcelo, um colega brasileiro, fomos com o primeiro dos vizinhos a chegar. Depois de uma breve visita à família fomos para a sinagoga.

Ali, fomos imediatamente detectados como sendo "de fora". Depois das orações de Kabbalat Shabbat (a Recepção do Shabbat) vários homens se acercaram de nós com a saudação "Bem-vindos" e querendo saber quem éramos. Chegámos até a ser convidados para passar o Shabbat com outra família além daquela a que estávamos destinados.

O facto do nascimento recente de mais um filho, não foi impedimento para a família em querer receber alguns dos visitantes. Mesmo muito pequenas, todas as crianças estavam já bem conscientes da importância de receber bem as visitas.

Um dos outros membros do grupo passou o almoço de Shabbat com o dono da casa onde todo o grupo passou a noite. Contou-nos depois o quanto se sentiu "incomodado" pela enorme generosidade dos anfitriões. Enquanto cada um dos membros da família recebeu uma pequena peça de carne, ele recebeu quase meio frango.

Terminados os almoços nas várias casas onde haviam sido repartidos, aos poucos foram chegando os restantes 8 estudantes. Rapidamente, o dono da casa fazia caber na pequena sala de jantar, já de si apinhada pela sua grande família, mais uma cadeira para que quem chegasse se juntasse à mesa. E mais comida era trazida. E entre a comida, o dono da casa, na sua imensa sabedoria, partilhava com todos algumas palavras da Torá. Os seus filhos mostravam-se honrados com a nossa presença e insistiam em que lhes ensinássemos algo, mesmo num hebraico ainda limitado.

No fim do Shabbat, já de regresso à yeshiva, discutimos sobre o enorme encargo que devemos ter sido para aquela modesta família. Imagino que passarão algumas dificuldades durante a semana, mas o Shabbat merece ser celebrado com a dignidade dos reis. E foi como reis, mais do que no mais sumptuoso dos palácios, que nos fizeram sentir.

Raramente vi tanta alegria autêntica no meio de tanta humildade. Dos casos que tenho próximos apenas posso compará-la à hospitalidade dos meus avós na sua modesta casa.

publicado por Boaz às 12:39
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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2007

Centelha judaica

O escritor americano Mark Twain terá dito uma vez que «não há nada tão eterno como o Judeu». Referia-se à forma como os Judeus, apesar de terem sido dominados e perseguidos por inúmeros impérios, acabaram sempre por lhes resistir e sobreviver, enquanto esses mesmos impérios se extinguiram no remoinho da História.

Mark Twain não se referia aos Marranos, mas bem podia tê-los incluído na sua ideia. "Marranos" é o nome dado aos descendentes dos Judeus obrigados à conversão ao Catolicismo e que se mantiveram secretamente Judeus após o decreto de Expulsão de 1496. São também chamados Bnei Anussim, "Filhos dos Forçados".

Poderíamos pensar que os Marranos são curiosidades históricas, realidades (quase míticas) do passado. Mas não, ainda hoje, já no século XXI, mais de 500 anos depois da ordem que os obrigou ao silêncio e a uma vida dupla "Cristãos por fora, Judeus por dentro" ainda existem pessoas que perpetuam essa memória e essas tradições abafadas durante tantos séculos.


Alma judia

Como foi possível a subsistência de rituais como acender as velas antes do Shabbat, jejuar no Dia do Perdão ou não comer comidas fermentadas na Páscoa? Tudo num ambiente de secretismo absoluto, envolvido com o medo de se ser, a qualquer momento, descoberto pela temível e cruel Inquisição. E mais, porque se mantiveram secretos mesmo após a extinção da Inquisição (em Portugal deu-se em 1822), da abertura da sociedade a outras religiões, da instauração da democracia e da instituição da liberdade religiosa?

Durante os anos 20 do século passado, houve um esforço notável por parte do capitão Artur Barros Basto para resgatar os milhares de Marranos ainda existentes no Norte de Portugal. A sua missão levou à construção da Sinagoga do Porto e ao estabelecimento de várias comunidades judaicas em várias cidades e vilas do Norte. No entanto, a sua missão foi bruscamente terminada e as comunidades por ele fundadas acabaram por se desagregar. A emigração nos anos 50 e 60 levou muitos para França.

Também em Espanha, especialmente nas ilhas Baleares, existem descendentes de Marranos, como os Chuetas, judeus maiorquinos perseguidos após um grande massacre no século XIV, ainda antes da Expulsão dos Judeus de Espanha, em 1492. Nos séculos seguintes, os seus descendentes foram sistematicamente excluídos da vida social das ilhas e "Chueta" passou a ser uma expressão de insulto entre os habitantes locais. Aliás, "Chueta", tal como "Marrano" têm o significado de "porco".

As Diásporas portuguesa e espanhola levaram milhares de Judeus e seus descendentes para todo o Mundo, em especial a América Latina. Calcula-se que, actualmente, o Brasil seja o país com maior número de Marranos em todo o Mundo. Serão cerca de 100 mil, especialmente concentrados no sertão do Nordeste. No Peru, várias comunidades subsistiram também e hoje revelam a sua intenção de ingressar no Judaísmo moderno.

Na Índia é a ainda mais incrível história dos Bnei Menashe que desponta. Várias tribos indianas reclamam ser os descendentes de uma das tribos de Judeus exilados na Babilónia há quase 3000 anos e que numa vaga de migrações se estabeleceram nas montanhas do Nordeste da Índia. Aí mantiveram um certo número de tradições judaicas que se foram perpetuando apesar do isolamento extremo. Desde o século XIX, com a chegada repentina de missionários cristãos, a maioria converteu-se ao cristianismo. Alguns milhares, no entanto, insistem no seu Judaísmo e resistiram às investidas dos missionários e hoje aproximam-se do Judaísmo moderno.

Na Polónia, após a II Guerra Mundial, alguns milhares de sobreviventes dos campos de concentração que regressaram às suas terras para reclamar as suas casas e bens, foram mortos pelos polacos que entretanto haviam ocupado as antigas propriedades judaicas. Já depois da retirada das tropas nazis. Assim, a maioria dos judeus polacos sobreviventes, decidiram emigrar para Israel ou Estados Unidos, ou optaram pela ocultação da sua identidade judaica.

Durante várias gerações, cônjuges esconderam um do outro e pais esconderam dos filhos, a sua origem. Como a história dramática de um casal de jovens neo-nazis. Casarem-se e tiveram um filho. Entretanto descobrem que os dois são judeus. Numa sexta-feira à noite resolveram convidar os pais para a refeição de Shabbat. A família não aceitou bem a mudança. Aos poucos deixaram para trás o neo-nazismo e juntaram-se à comunidade judaica ortodoxa de Varsóvia. Hoje, os dois são membros activos dessa comunidade. Porém, alguns dos irmãos do rapaz continuam a ser neo-nazis.

Voltando ao caso português. Na última semana, quinze pessoas - a maioria descendentes de Marranos - terminaram o processo de conversão/retorno ao Judaísmo no Tribunal Rabínico de Jerusalém. Vinham tomando aulas de conversão junto da comunidade judaica do Porto. Entre eles, vários casais que, após a conclusão do processo de conversão, se casaram segundo o rito judaico, na Grande Sinagoga de Jerusalém.

É impossível ter consciência plena do esforço e da motivação destas pessoas. Mas são todas, para lá de curiosidades antropológicas, exemplos vivos e actuais da eternidade da "centelha judaica".

publicado por Boaz às 12:40
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006

Luz eterna

Durante os anos de domínio grego, o estudo da Torá foi proibido, para que, esquecendo a Torá, os Judeus deixassem de ser Judeus e aceitassem o domínio helénico, não só a nível político mas acima de tudo cultural e religioso. Após uma guerra em que um pequeno exército de judeus, comandados pelos famosos Macabeus, venceu o poderoso exército grego, o governo judaico foi restabelecido na Terra de Israel. Hannukiot, os candelabros de Hannukah. Yeshivat Hakotel, Cidade Velha de Jerusalém

Ao entrarem no templo profanado pelos Gregos, os Macabeus encontraram intacto apenas um pequeno jarro de azeite para acender o candelabro. Suficiente para um único dia de luz. Porém o azeite durou milagrosamente oito dias.


 

Hannukah significa inauguração. Os oito dias do "Festival das Luzes" que os Judeus celebram nesta altura lembram o milagre ocorrido no tempo dos Macabeus e a reinauguração do Templo de Jerusalém que havia sido profanado pelos invasores gregos, há mais de 2200 anos.

Os Gregos foram expulsos da Terra de Israel e o curso imparável da História reduziu o seu império a pó. Vieram os Romanos e a ruína acabou por tomar também conta de todo o seu fausto e poder. Como já haviam sido reduzidos os Egípcios, os Babilónicos e os Persas. Todos impérios poderosos. E depois deles, os impérios fundados pelos Cruzados, os Espanhóis, os Portugueses, os czares russos e os Nazis.

Apesar do seu poder e de todos terem lutado em enorme superioridade numérica contra os Judeus, a todos o Povo de Israel resistiu e sobreviveu.

Porque a luz sempre consegue vencer as trevas. Hannuka é a afirmação da certeza dessa vitória.

publicado por Boaz às 11:43
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Quarta-feira, 28 de Junho de 2006

A vida de branco e negro

Na semana passada comecei a trabalhar em part-time em Kiryat Zanz, um bairro de Jerusalém habitado quase exclusivamente por judeus haredim, os chamados "ultra-ortodoxos".

Confesso que senti uma certa suspeita quando a pessoa que me arranjou o trabalho me levou ao local. Um "ortodoxo moderno" como eu é um deslocado num bairro como Kiryat Zanz. Fechadas por natureza, as comunidades haredim - ao menos em Israel - têm pouco contacto com os "de fora".

Normalmente, esse contacto é do tipo daquele que tenho com eles. Trabalho. Neste caso, eu trabalho para eles. Limpo as escadas de três prédios do bairro. Já sabia à partida que a tarefa não iria ser fácil. O facto de terem muitos filhos - uma média superior a 7 filhos por família - faz com que as casas e os edifícios onde vivem sejam difíceis de manter em ordem. Com habitantes preocupados com coisas menos mundanas, os bairros dos "ultras" são frequentemente muito mais sujos que os demais. Ao menos em Jerusalém.

Todavia, e até agora, apesar da sua normal distância, não me posso queixar de falta de hospitalidade. Em vários casos, pessoas que haviam passado por mim nas escadas, voltaram pouco depois de copo na mão e ofereceram-me algo para beber. Noutro caso, um jovem chegou até a perguntar-me se eu era militar do exército de Israel para assim dizer uma bênção por mim. Achei particularmente estranha esta situação.

Os haredim - com as suas dezenas de sub-grupos: Chabad, Zanz, Satmar, Belzer, Breslov, e muitas outras mais pequenas, cujos nomes dependem na maioria dos casos das terras de origem do grupo, são maioritariamente afastados do Estado de Israel e das suas instituições. Assim, uma bênção de um deles por um eventual soldado de Israel pareceu-me quase oposto à crença que normalmente apresentam muitos haredim.

Um destes grupos, Satmar, é mesmo radicalmente anti-sionista. Mais ainda, membros do pequeno grupo Neturei Karta participam frequentemente nas manifestações organizadas a favor dos Palestinianos, na Europa e Estados Unidos. No entanto, não o fazem tanto por um humanismo em relação aos Palestinianos, mas antes para demonstrarem a sua oposição à existência do Estado de Israel. Para eles, um país governado por judeus só sob a liderança do Mashiach (Messias). Muito mediáticos na sua propaganda, são no entanto mal vistos pelos outros haredim, quer pelo seu discurso extremista, quer pelas suas acções.

O seu ódio ao Estado de Israel é tão grande que fazem tudo o que podem para desacreditá-lo. Por isso, nos últimos anos, o líder do Neturei Karta foi inclusive "Ministro dos Assuntos Judaicos" do governo palestiniano e era visita frequente no quartel-general de Arafat. Mais recentemente, apesar das barbaridades ditas pelo presidente iraniano contra Israel e os Judeus (das quais a negação do Holocausto foi apenas uma delas), uma delegação do movimento foi recebida por Ahmadinedjad em Teerão.

Os "corvos"

Pela forma como se vestem, os hassidim ou haredim são alcunhados de "corvos" ou "pinguins". Seguindo o vestuário dos séculos XVIII e XIX da Europa Oriental, usam o invariável traje negro com camisa branca, sem gravata, chapéu negro ou o famoso shtreimel (chapéu de pêlo), as longas barbas e as longas payot encaracoladas. À excepção dos Chabadniks que as usam curtas e atrás das orelhas. As mulheres vestem-se de acordo com as mais rígidas leis de modéstia. Procurando ser o "menos atractivas possível", usam vestidos largos que não permitem fazer notar as formas do corpo e de cores pouco vistosas. Na cabeça lenços ou toucas-estilo-saco ou em alguns casos, perucas, a fim de esconderem completamente o seu cabelo.

Super-protegidas no seu ambiente, e por terem poucos contactos com "os de fora", as crianças haredim são normalmente muito tímidas mas evidentemente curiosas. Durante as minhas horas de trabalho, é com frequência que noto crianças que me observam, escondidas atrás das portas entreabertas, ou no andar de cima, espreitando-me. Se olho na sua direcção, rapidamente se ocultam.

Apesar da desconfiança inicial, tenho de admitir que sinto um certo apreço pelo seu modo de vida. A sua teimosia, chamemos-lhe assim. O desafio em viver de uma forma tão austera - austera para mim e para a maioria de nós. Mas todavia alegre, já que a alegria é um ponto muito importante na religiosidade e quotidiano haredi. O facto de manterem com tanto afinco valores tão distantes daqueles enraizados no modo de vida maioritário no "mundo exterior", como a obsessão pelo culto do corpo ou a busca de prazeres.

Por isso até acho natural que me olhem de lado, com uma certa desconfiança. Já que é óbvio que não sou - nem desejo ser - um deles. Apesar das payot que começam a despontar.

publicado por Boaz às 20:40
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Sábado, 30 de Abril de 2005

Páscoa, sentido de liberdade

Este ano aqui, para o ano em Jerusalém!

Este ano tive a primeira experiência da Pessah (Páscoa Judaica) vivida em comunidade. Nos outros anos costumava lembrar-me do dia, com a ajuda de um calendário, e pensava, no meu cantinho, naquilo que inúmeras famílias e comunidades do mundo inteiro poderiam estar a fazer naqueles dias.

Na semana anterior desenrolei-me em tarefas comuns em cada casa judaica nesta época do ano. A principal das quais é a eliminação de todo o género de comidas feitas a partir de cereais fermentados, antes do início da Páscoa. Fermento (hametz) é coisa proibida nesta época do ano, pelo que bolachas, cereais e massas foram desaparecendo ao ritmo das refeições e o stock não foi renovado. Estando eu habituado a petiscar umas bolachinhas a qualquer hora - sou viciado em bolachas de aveia! - e a comer uma tigela de cereais antes de dormir, ter de me livrar de todas estas coisas durante uma semana, levantou-me o problema de não saber o que comer...

A Páscoa propriamente dita começou no Sábado à noite. Cheguei a pensar que ia passar o jantar pascal sozinho, apenas com a visita do Profeta Elias*, mas acabei por ser convidado para o jantar da sinagoga. (Obrigado Ana). Depois do serviço religioso - nunca tinha visto a sinagoga tão cheia, mas gente mais conhecedora disse-me que nunca ali vira tantos lugares vagos durante a Páscoa - fui ajudar a ultimar a preparação do jantar, ou seder.

A Páscoa é, por excelência, a festa judaica em que o espírito familiar é mais forte. A refeição da primeira e segunda noite da Páscoa - a festa dura oito dias - requer participação de toda a família, com especial destaque para as crianças. Durante o jantar é lida a Hagadah, onde se relata a história de Moisés que tenta convencer o faraó a libertar os escravos, os episódios das pragas que se abateram no Egipto e finalmente o Êxodo.

Eu não estava em família - com a minha família - mas o ambiente era visivelmente familiar, o que ajudou a superar a estranheza perante muitas coisas que ainda desconheço. Entre as canções e orações, comem-se diversas comidas com um significado específico. Ervas amargas lembram a dor da escravatura; um doce de maçãs, amêndoas e nozes recorda a argamassa com que os escravos hebreus construíram as cidades faraónicas; o pão ázimo, a pressa na preparação da saída do cativeiro...

Uma das mensagens da Páscoa é que devemos recordar a libertação do Egipto como se nós próprios tivéssemos sido libertados e que, ainda hoje devemos libertar-nos dos "Egiptos" que nos escravizam. É esta transposição para o presente que faz com que a tradição se mantenha e torne a Pessah tão actual.

* A tradição judaica diz que o Profeta Elias visita cada casa durante a noite da Pessah. Por isso é costume, após o jantar, deixar na mesa um copo de vinho, que o profeta tomará quando passar.

publicado por Boaz às 23:14
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Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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