Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

De olhos na Diáspora

Depois de dois anos, terminámos o curso de preparação para shelichut, para irmos trabalhar em alguma kehilá (comunidade judaica) da Diáspora. No início do curso, as limitações do meu hebraico (que ainda persistem, embora cada vez menos) fizeram-me perder algum do conteúdo de algumas classes.

Nas primeiras semanas, muitas das aulas pretendiam dar-nos uma perspetiva da situação do Povo Judeu no Mundo. Perante a maior experiência e muito maiores conhecimentos de quase todos os meus companheiros de classe, apercebi-me do quanto ainda tinha de desenvolver as minhas aptidões. Porém, também percebi que, apesar das minhas limitações em alguns níveis, a minha capacidade de relacionamento com outras pessoas e diferentes culturas – a tal “cabeça aberta” que falta a muitos judeus religiosos israelitas – ajudavam a ultrapassar alguns desses obstáculos.


Emissário Chabad conversa com um jovem não-religioso.
O movimento Chabad é pioneiro nas iniciativas de aproximação dos 'afastados' às suas raízes judaicas.

Relatos dos diretores do curso, que viajam regularmente para acompanhar o trabalho nas várias congregações, assim como dos próprios emissários de visita a Israel, revelaram uma imagem quase catastrófica do Judaísmo da Diáspora. As altíssimas taxas de casamentos mistos em todos os países (exceto em dois ou três casos muito específicos), níveis de prática religiosa e conhecimentos de Judaísmo muito baixos, crise na identidade judaica entre os jovens e ocorrência de anti-semitismo. A cada semana, a carga de tragédias aumentava e com ela a sensação de total impotência para enfrentar a situação.

Aos poucos, porém, a frustração foi substituída pela consciência de que, apesar das enormes dificuldades no trabalho com as comunidades judaicas, existe muito por onde melhorar e qualquer pequeno progresso faz uma grande diferença. Apesar do desinteresse (ou pura ignorância) pelas tradições dos antepassados, das crescentes taxas de assimilação e abandono da vida judaica, os processos inversos também se verificam.

O renascimento da espiritualidade, o regresso às origens perante a perceção de que o "Mundo Ocidental" não dá todas as respostas nem preenche todos os vazios. Ainda que, por vezes, essa nova espiritualidade não se enquadre propriamente dentro das normas da ortodoxia. Como alguém muito pragmático descreveu o fenómeno: parece não existir nenhuma contradição em “estudar Cabalá numa Sexta à noite, em redor de um prato de camarão”.

Ao longo do curso fomos recebendo algumas propostas de destino de trabalho. Ansiosos por preencher as vagas e enviar o maior número de emissários da própria organização, antes que o lugar seja ocupado “pela concorrência”, recebemos também algumas propostas quase absurdas. A primeira foi para Lisboa, poucos meses após o início do curso. Tendo eu passado por Lisboa na minha caminhada em direção ao Judaísmo, e conhecendo ainda um pouco da kehilá, depressa entendi a proposta como irrealista. Enfrentar uma comunidade pequena mas complicada como Lisboa, com a minha inexperiência, seria um perfeito suicídio. Alguém me avisou: “vão comer-te vivo!”.

O "caso Lisboa" não avançou – na verdade não tinha sequer como avançar logo à partida – e, numa questão de poucos meses, o lugar foi preenchido por alguém muito melhor preparado. Definitivamente, aquela oferta não era para alguém que procura ainda o seu primeiro posto de shelichut.

Alguns meses depois, fomos despertados com a possibilidade de irmos para Madrid. Alguém na comunidade madrilena pretendia abrir um beit midrash – um centro de estudos judaico – e precisavam de um professor. Ao mesmo tempo trabalharia com os jovens no colégio judaico local. Algumas conversas com um intermediário deram-nos detalhes interessantes sobre o trabalho. Porém, algumas semanas depois, de repente, os planos para o beit midrash madrileno esfumaram-se.

Ainda durante o primeiro ano do curso, mais de metade dos colegas de classe encontraram um lugar em comunidades no estrangeiro. A maioria na América do Norte. Outros, por alguma razão, desistiram de sair. Ao longo do segundo ano, o entusiasmo inicial de trabalhar para ajudar o Povo de Israel esmoreceu parcialmente. O panorama de sair de Israel para, daqui a alguns anos, voltar ao país sem ter casa nem trabalho, fizeram-nos distanciar um pouco daquele sonho.

Entretanto recebemos uma proposta para Cancún, no México. O tipo de comunidade pareceu-me bem interessante: pequena mas ativa, sem escoa judaica onde tivesse de ensinar todos os dias “das 9 às 5”. Falei pela Internet com os líderes da comunidade e cheguei mesmo a viajar para o México durante uma semana, a fim de conhecer in loco a comunidade. Apesar da experiência positiva da viagem e do contacto com os judeus de Cancún, acabaram por decidir que eu ainda não tinha a experiência necessária para resolver os graves problemas da comunidade. Não posso dizer que não tenham razão, apesar de lamentar de ter – de certa forma – perdido uma boa oportunidade. Mas, se não é, é porque não tem de ser.

Havíamos decidido, à partida, irmos para algum lugar de língua portuguesa ou espanhola, também por questões de proximidade cultural. Enfrentar a possibilidade de não entendermos as pessoas com quem iríamos trabalhar e ainda forçar as nossas crianças a aprender um idioma adicional, estava fora de questão. Porém, as ofertas para outras latitudes continuaram a chegar. Como o cargo de vice-rabino de Atenas, na Grécia, trabalhando como auxiliar do rabino local e em projetos de educação dos jovens da comunidade. Sem falar grego, a única possibilidade seria comunicar-me em inglês. Contudo, a minha esposa praticamente não fala o idioma de Shakespeare (e menos ainda o de Platão), pelo que isso significaria, nos primeiros meses, até aprender um pouco do idioma local, uma total impossibilidade de comunicação. Por outro lado, as crianças estariam numa escola onde aprenderiam um idioma – neste caso o grego – totalmente desconhecido por nós, e que não seria sequer usado em casa. Proposta idêntica tivemos para Wroclaw, na Polónia. Mas em vez do grego, o polaco. Que se seguirá: coreano?

Poucas semanas antes de terminar o curso soubemos do caso da comunidade de Melilla, um enclave espanhol em Marrocos. A comunidade pretendia um casal de professores para a escola judaica local. O homem ensinaria os rapazes, a esposa daria aulas às meninas. Pelos dados que recolhi sobre a kehilá – quase ultra-ortodoxa – entendi que não seria o lugar adequado para nós.

Mesmo depois de terminado o curso, as possibilidades de saída continuarão a surgir. Porém, quanto mais tempo passa depois da conclusão do curso, é verdade que diminuem as hipóteses de encontrarmos algum lugar. É algo que ainda queremos fazer, mas não podemos sair precipitadamente. A comunidade certa para os emissários certos. Como num casamento. De outra forma, arriscamo-nos ao fracasso.

publicado por Boaz às 20:00
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Crescei e multiplicai-vos

Logo após a criação de Adão por Deus, este foi ordenado a dar continuidade à sua própria espécie. "Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e conquistai-a". Esta foi a primeira ordem divina ao ser primeiro humano recém-criado. Nenhuma outra criatura: animal, peixe ou planta, foi instruído para se reproduzir. Podemos presumir dessa exclusiva ordem divina aos humanos que "reproduzir-se" é mais do que seguir a lei natural, comum a todas as criaturas vivas.

Em todas as culturas – dos "primitivos" caçadores-recoletores da Nova Guiné aos "moderníssimos" japoneses, a formação de uma família é rodeada de uma simbologia especial. A família é a génese de todas as civilizações. Numerosos povos têm na sua mitologia histórias de pais, filhos e irmãos. Desde Zeus/Júpiter e os seus numerosos filhos que constituem o topo do panteão de deuses greco-romanos até às humanas dinastias reais em que o filho sucede – na maioria dos casos – ao pai.

Também no Judaísmo, desde os tempos do patriarca Abraham, que a família é a base da transmissão das tradições. Logo ao oitavo dia, os rapazes judeus são circuncidados. Em hebraico brit milá, o ritual é um dos mais respeitados no Judaísmo. Marca a entrada no pacto entre Deus e Abraham, daí que seja chamado o "pacto do nosso patriarca Abraham".


Cohanim, os membros da casta sacerdotal, abençoam um menino de oito dias,
após a circuncisão, Jerusalém, 2006.

Em geral, nas festas judaicas, a família tem um papel ativo nas celebrações. Em Pessach (a Páscoa Judaica), é em volta da mesa familiar que se realiza o Seder, a refeição acompanhada do relato do Êxodo da escravidão egípcia para a Terra de Canaã. A participação das crianças no desenrolar do Seder é essencial. Em Succot, a Festa das Cabanas, toda a família come durante sete dias em cabanas construídas na varanda ou no pátio da casa. As crianças contribuem para a decoração da sucá, a cabana, e dormir aí, em vez da normalidade de dormirem no seu quarto, transforma-se numa experiência inesquecível.

Ao longo da longa corrente das gerações do Povo Judeu, o nascimento de uma criança é considerado uma grande bênção. Israel é, entre os países desenvolvidos do Mundo, aquele que apresenta a taxa de natalidade mais elevada, ainda bem acima de dois filhos por mulher. Pelo contrário, na Europa e Japão a natalidade tem caído para níveis muito abaixo daquele que é o valor mínimo necessário para a renovação das gerações.

Entre as comunidades ultra-ortodoxas a média é mesmo superior a 8 filhos por mulher, uma das taxas mais altas do Mundo. E a taxa tem crescido, em contraste com a tendência mundial. Ao contrário, entre as mulheres árabes israelitas (e também as palestinianas), a natalidade tem decrescido gradualmente, situando-se por volta dos 4 filhos por mulher. A crescente escolarização das mulheres árabes em Israel – o país conta com a mais alta alfabetização das mulheres árabes no Médio Oriente – e a sua maior participação no mercado de trabalho, tem feito adiar a idade do casamento e decrescer o número de filhos em relação às gerações anteriores. (Estes dados deitam por terra a tão apregoada e quase apocalíptica teoria da bomba demográfica árabe em Israel.)

Mesmo entre os judeus seculares, com o seu estilo de vida tipicamente ocidental, a média de filhos por mulher é superior aos seus congéneres europeus ou americanos. É comum encontrar casais não-religiosos passeando com três criancinhas. Enquanto isso, na Europa, é mais comum ver um casal a passear com dois cachorros do que com duas crianças. Em outras sociedades tradicionais, os filhos eram vistos como uma forma de garantir a velhice e o sustento dos pais. No Povo Judeu, perseguido durante séculos, os filhos são vistos como a garantia da sobrevivência, acima de tudo, das tradições.

Em Alon Shevut, o colonato judeu religioso onde eu moro, os habitantes têm o costume de ajudar a família onde nasceu uma nova criança. Durante uma semana, assim que a mãe regressa da maternidade, a família recebe comida pronta dos vizinhos que se juntam para colaborar. A cargo com um novo bebé, a mãe não precisa, pelo menos durante uma semana, de cozinhar.

Não é por acaso que os Judeus são conhecidos como Filhos de Abraham, ou Filhos de Israel. A vivência judaica assenta antes de mais na transmissão das tradições dentro da família, para a próxima geração. Com a chegada de uma nova criança à família, também nós somos agraciados com a bênção de adicionar mais um anel na longa e milenar corrente do Povo de Israel. É sem dúvida, o melhor "Mazal tov!" que se pode receber.

publicado por Boaz às 14:56
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Domingo, 22 de Novembro de 2009

Memória dos avós

Recentemente lembrei-me dos meus avós maternos. Por acaso – se realmente existir algo na vida como "um acaso". (Os tempos de viagem de casa para a yeshiva são férteis em pensamentos. Entre alguma atenção às 400 músicas que guardo no leitor de mp3 e umas olhadelas à paisagem tantas vezes passada e repassada, cogitações várias passam pela minha cabeça.)

Alguns anos após a morte dos meus avós maternos – primeiro o avô e poucos meses depois a avó – recordo a sua vida simples e melancólica. Eram um oásis da vida "à moda antiga" numa sociedade moderna e em rápida mudança. Uma amostra de um Portugal desaparecido ou em vias de extinção. Era uma vida marcada pelas estações do ano, dominada pelo cuidado da pequena fazenda, tratada apenas à força de braços. O avô não tinha tractor.


Os avós de alguém.
Casal de judeus camponeses pobres, região de Dubromil, hoje Ucrânia.
Feita por um fotógrafo ambulante, anos 1920.

A vinha – que ocupava metade da fazenda – era o local de reunião das filhas e netos uma vez por ano. A época das vindimas era a altura mais animada na casa dos avós. De balde e tesoura da poda na mão, todos se debruçavam junto às cepas, procurando pelos belos cachos de uvas. Tudo era levado para a velha adega, ao lado da casa. O avô fazia o próprio vinho. A avó aproveitava alguns cachos que secava no sótão da cozinha, para fazer passas.

Nos cantos da vinha havia algumas árvores de fruto que produziam pouco: macieiras, pessegueiros, uma pereira, um pero-sousa. A ameixieira ao lado da coelheira era a única que se carregava de fruta. Na parte de baixo da fazenda, separada da casa e da vinha pela estrada alcatroada, ficava a horta, irrigada com a água do poço cavado pelo próprio avô ou tirada do pequeno ribeiro que limitava o fundo da fazenda e que por vezes secava no auge do Verão. Ao lado do poço, a gigante figueira era o tesouro de toda a herdade. Os deliciosos figos pingo-de-mel eram muito cobiçados. Sem uma escada para alcançar o topo da árvore, os pardais ficavam com a maior parte.

No quintal ao lado da cozinha viviam algumas galinhas. Em volta, as coelheiras, dois quintais dos porcos e o curral das cabras onde quase todos os anos nascia mais um ou dois cabritos. Uma pequena gaiola abrigava uma pacífica família de rolas – pelas quais dei a alcunha da avó: "a avó cu-cu-ru". Era com desenvoltura que a avó matava uma galinha de vez em quando. Alimentadas a milho e couves da horta, as galinhas da avó acabavam numa canja sem igual. Com os anos, a prática "degoladora" da avó foi-se perdendo. Um dos sinais da decadência foi um galo jazendo degolado na bacia que, ao levar com a água a ferver para ser depenado, despertou e correu pelo quintal até chocar com a parede mais próxima.

Os rituais da vida no campo repetiam-se ao sabor das estações. Durante alguns anos, todos os anos, realizava-se a matança do porco. Nunca assisti a esse espetáculo macabro, mas lembro-me de ver depois o animal já estripado, pendurado num gancho no tecto da adega. A carne era guardada numa arca cheia de sal, lembrança das eras anteriores à invenção do congelador. Com uma parte do sangue, alguma carne e gordura, arroz e algumas especiarias, a avó fazia um panelão de morcelas, que eram depois defumadas na larga chaminé da lareira da cozinha.

Uma vez por semana, nas tardes de Sábado, a avó ocupava-se do ritual de fazer o pão. Enchia o tradicional forno da cozinha com ramos da videira aproveitados depois da poda da vinha. Batia à mão vários quilos de farinha na velha e brilhante bacia de barro, a "amassadeira". Apesar do enorme esforço, a avó era desconfiada da batedeira elétrica. Tinha razão, o pão dela não era cheio de buracos como o pão industrial. Uma pequena porção de massa era guardada para a fornada da semana seguinte. Numa taça, coberto com azeite e sal, o "crescente" era o fermento natural que dava o sabor especial ao pão da avó.

Ao Domingo, a caminho da missa, a avó passava por nossa casa, situada ao lado da igreja para deixar um pão cozido na véspera. Transportado no grande cesto de pano azul, onde a avó levava as compras da mercearia e às vezes trazia surpresas para mostrar aos netos. Como o pequeno ouriço-cacheiro encontrado na horta e que, depois de mostrado, foi levado de volta para a sua toca.

Não havia televisão em casa dos avós. Excepto uma semana, quando a avó partiu uma perna e a minha mãe decidiu levar um pequeno televisor a preto-e-branco que tínhamos em casa para lhe animar os dias em que tinha de estar imóvel na cama. Durante aquela semana, a avó deliciou-se com as tramas e paixões das novelas brasileiras – era a época do Roque Santeiro –, até o avô reclamar pelo barulho constante em casa. O rádio era o único contacto com as comunicações. Durante a semana ao final da tarde, com uma fidelidade absoluta, a avó sentava-se a escutar a reza do terço. Enquanto descascava uma tigela cheia de ervilhas ou favas para o jantar, ou costurava as meias do avô. O avô era menos dado a rezas e sempre criticava o padre da aldeia e o seu carro novo.

As suas companhias eram os gatos, ariscos para os de fora e todos com nomes estranhos escolhidos pelo sentido de humor peculiar do avô: as gatas Espilrina e Lina e o gato Zé foram alguns dos últimos bichanos a partilhar o seu colo e a lareira. Era tal a dedicação aos animais, à casa e à fazenda, que os avós eram incapazes de abandonar por mais de um dia a vida no campo. O avô era ainda mais "agarrado" à rotina do quotidiano que a avó. Por isso, quando os dois filhos emigrados no Canadá lhes ofereceram uma viagem ao seu país adotivo para conhecerem os netos, o avô decidiu ficar a cuidar dos animais e da horta. Pelo contrário, sem problemas de consciência, a avó largou a casinha e a vidinha sossegada e aproveitou a viagem – a única vez que saiu de Portugal.

Quase não tenho fotos dos meus avós. Talvez por isso, a minha foto de infância favorita seja aquela em que estou, com menos de três anos, ao colo do avô, tirada numa tarde de Verão durante um piquenique que fizemos na Praia das Paredes, perto da Batalha. A preciosa foto era também uma das favoritas da minha mãe. Levava-a sempre na carteira. Até ao dia em que foi assaltada, à saída da missa, em Fátima. Passados alguns meses, os despojos da carteira foram encontrados na beira de uma auto-estrada, largados pelos ladrões. Porém, a ação dos elementos não poupou a foto. Até que, anos mais tarde, em conversa com uma tia sobre o piquenique em que fora tirada, há mais de 20 anos, lembrou-se que ela própria tinha uma cópia. Hoje tenho uma reprodução grande da foto ao colo do avô, que há meses ando a prometer a mim mesmo pendurar no quarto da minha filha, assim que lhe arranjar uma moldura decente.

Da última vez que estive em Portugal visitei o seu túmulo, no cemitério da aldeia onde viviam e onde a minha mãe ainda vive. Comovi-me ao olhar as fotos que quase já esquecera, anos depois do seu desaparecimento, na pequena laje da cabeceira da sepultura. O avô morreu há oito anos, nesta semana. Talvez seja este o "acaso" que me fez, subitamente, lembrar-me dele. Talvez este seja uma espécie de kaddish.*

É curioso que hoje, graças às inúmeras experiências na vida campestre que partilhei com eles, entendo tantas expressões agrícolas descritas pelo Talmude. Ao contrário dos meus colegas de yeshiva, meninos da cidade, que não fazem ideia do que seja mondar, empar ou joeirar. A memória e as histórias dos avós passarão de geração em geração, como as fotos supostamente perdidas que são reencontradas.

* Kaddish é a oração judaica pelos falecidos, a qual curiosamente, não fala de morte.

publicado por Boaz às 08:00
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Três vidas novas

O nascimento de um filho, ainda mais o primeiro, é um dos mais emocionantes momentos da vida. Por mais que a ciência explique, por mais que se estude a química e a biologia da concepção e da gestação, ainda sobram os mistérios e a aura milagrosa que rodeia aquele momento. Como é possível que, naqueles instantes saia da barriga de uma mulher, uma nova vida? Ao mesmo tempo independente e única, mas também absolutamente dependente da ajuda dos pais, em especial da mãe...

A tradição judaica diz que, durante o tempo da gravidez um bebé aprende toda a Torá. Prestes a sair, um anjo coloca um dedo sobre a sua boca – daí vem a covinha entre o nariz e os lábios – e o bebé torna-se incapaz de relatar tudo o que estudou. Cabe-lhe ao longo da vida recuperar tudo o que estudou durante a sua estadia no útero materno. Talvez seja esse ambiente de santidade intra-uterina que torne tão milagroso o período da gravidez e tão sublime o acto do nascimento.

O nome de uma criança não é apenas uma marca de assinatura. Para uma criança judia, é um título para os seus preceitos. Considera-se que os pais têm, na altura da escolha do nome, uma certa capacidade profética e que o nome é uma projecção do futuro do seu novo filho.

Hoje, são três vidas novas que começam. A minha, a da minha esposa e a da minha filha. A partir de hoje, eu sou – também e, creio que acima de tudo o resto – pai.

publicado por Boaz às 20:20
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Bem ocupado

Os leitores frequentes desta casa já devem ter reparado que a coisa tem andado parada nestes últimos dias. A razão é só uma: o meu casamento.

E como se diz em Portugal: quem casa, quer casa. Saí da yeshiva para morar no meu próprio apartamento. A maior parte das coisas estão já arranjadas - a última semana antes do casamento foi um corrupio de mudança de caixas, móveis e toda a espécie de tralha que um apartamento pode ter, para a casa nova. Depois as arrumações e limpezas para deixar o novo lar minimamente habitável.

Depois da festa, voltou de novo a azáfama para arrumar as muitas prendas que recebemos - graças a Deus!

Com isto tudo, ainda mais porque uma das coisas que falta instalar em casa é o telefone para aceder à internet: o blog acabou por ficar para trás. No entanto, não desesperem meus caros fãs, dentro em breve eu voltarei.

publicado por Boaz às 19:54
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Mudanças

Uma das maiores mudanças na vida de um ser humano – a maioria das pessoas concordará – é o casamento. No dia anterior, é-se solteiro. No dia seguinte, casado. Não é apenas uma alteração de estado civil, um "sim" dito entre tantos outros durante a vida. É toda uma nova forma de ser que começa.

Mesmo para os casais que vivem juntos durante um certo período sem se casarem, após dizerem o "sim" e assinarem os papeis, a sua realidade passa a ser diferente. O compromisso anterior era um comum acordo mais ou menos informal. Sem qualquer obrigação além daquelas que existem numa relação entre duas pessoas comuns. Agora é a lei que prescreve uma parte das obrigações e direitos de cada um.

Estou a menos de uma semana dessa enorme mudança. Desde 15 de Agosto do ano passado – ou 1 de Elul no calendário hebraico – data do nosso compromisso formal, foram meses intensos de preparações. Primeiro a decisão da data. Em Israel é normal os casais noivarem durante pouco tempo, umas semanas, um ou dois meses no máximo. Todavia, para nós não podia ser muito cedo, ainda durante o ano passado, para permitir que as nossas famílias, em Portugal e no Brasil, pudessem marcar férias com antecedência e virem ao casamento.

Por outro lado, não queríamos adiar demasiado até ao Verão seguinte, para evitar o intenso calor estival de Israel. Ainda, teria de ser antes da Páscoa Judaica, que este ano acontece em meados de Abril, pois a lei judaica proíbe os casamentos nos 40 dias depois da Páscoa. Depois desses 40 dias já estaríamos no Verão. Oito de Abril pareceu-nos a data ideal.

Marcámos o local da festa para a Yeshivat HaKotel, onde eu estudo, pois sabíamos que fariam um preço especial pelo facto de eu ser aluno da yeshiva. Com vários meses de antecedência, fizemos a reserva do salão da yeshiva. Um dos maiores salões do Bairro Judeu da Cidade Velha, com vista para o Muro Ocidental e o Monte do Templo, é um local cobiçado para festas.

Decidir o menu. Ressalvar que não queremos a comida picante, a pensar nas nossas famílias, pouco habituadas aos quentes temperos do Médio Oriente. A decoração. O salão não providencia tudo, por isso há que conseguir quem fornecerá as flores para as mesas.

Seguiu-se a decisão do número de convidados e a divisão deste número entre os convidados do noivo e os da noiva. Quem chamar, quem deixar "pendente", quem excluir? Não se pode chamar toda a gente. Quem ficará ressentido connosco se não o chamarmos? O fotógrafo. De boca em boca passam informações. Foi fácil de encontrar. A banda de música. Escutámos CDs de bandas que tocam em casamentos, prestámos atenção nos casamentos onde estivemos, fomos até a uma audição especial de um grupo num estúdio de Jerusalém.

Começar a pensar onde iremos morar. Decidimo-nos por um colonato alguns quilómetros a sul de Jerusalém, Alon Shevut, na região de Gush Etzion. É o local de residência de várias famílias brasileiras que ambos conhecemos. Além de ter sido a morada da noiva até há poucos meses, o que significa que ela conhece muita gente no local. O que significa que a integração será, assim, mais fácil para ambos. A burocracia israelita foi o próximo obstáculo a transpor. As autoridades religiosas exigem uma série de documentos. Fizemos várias visitas ao Tribunal Rabínico de Jerusalém para tratar de alguma papelada.

A roupa. Um vestido de noiva é algo que só se veste – em princípio – uma vez na vida. Comprar seria um desperdício de dinheiro. Em Israel, não faltam organizações que dão vestidos de noiva ou alugam a preços bem acessíveis. A minha roupa foi bem mais fácil de decidir. Um fato, ao mesmo tempo de noivo, mas que eu pudesse usar depois para o Shabbat. Uma camisa branca, uma gravata. Os meus sapatos de Shabbat. Sem dores de cabeça.

Outra ponderação foi: quem escolher para as duas testemunhas na cerimónia de casamento? É um cargo de honra na boda, convém que seja alguém de quem estejamos especialmente próximos. A quem chamar para dizer as sete bênçãos no pálio nupcial? Com a quantidade de rabinos que conhecemos não é difícil escolher. O problema é quem ficará de fora.

Estudar. A lei judaica é bastante minuciosa com as relações entre as pessoas. Ainda mais entre os membros do casal. Pelo facto de a lei judaica proibir o contacto entre marido e esposa durante o período menstrual, a relação está muito dependente do ciclo da mulher. Durante vários meses estudei com um rabino as leis de nidá, nome dado ao estado da mulher durante a menstruação, e Shalom bait, a paz em casa. É óbvio que o relacionamento entre o casal não pode ter como fundamento único a relação sexual. Nos dias em que o contacto físico entre os cônjuges é proibido, é essencial encontrar outros meios de manter a relação entre ambos forte e harmoniosa.

Esta última semana tem sido uma correria para tratar das coisas para a casa. Ainda mais, por coincidência, esta é a última semana do semestre da yeshiva. Desta forma, tenho de tirar todas as minhas coisas do meu quarto. A solução foi transferir tudo para o apartamento onde a minha noiva ainda mora em Jerusalém. Desta forma, a carrinha das mudanças poderá levar, de uma vez só, todas as nossas coisas para a casa nova.

Recebemos a maior parte da mobília e dos electrodomésticos. Mas tivemos de andar à procura em casas de móveis e em sítios de Internet que vendem artigos usados, para encontrar as coisas que nos faltavam. Visitar casas aqui e ali para apreciar as mobílias. Com todas estas coisas, não me posso queixar. Tivemos muitas ajudas. A mão estendeu-se muitas vezes para nos ajudar. Mesmo sem pedirmos.

A mitzva (preceito judaico) do casamento, a base da ordem divina "crescei e multiplicai-vos", é uma das mais apreciadas. É enorme e incansável o esforço e a generosidade das pessoas para ajudarem os futuros casais. Há organizações que doam de tudo, desde móveis e roupa de casa, até arranjos de flores para decorar o salão da festa. A sociedade judaica sustenta-se, acima de tudo, na família. Por isso tanto é investido para ajudar cada nova família que nasce.

publicado por Boaz às 12:08
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Sábado, 1 de Setembro de 2007

Sob o pálio nupcial

De acordo com a tradição judaica, juntar duas almas num casal é tão difícil como a abertura do Mar dos Juncos (o Mar Vermelho na versão ocidental).

O casamento é um dos meus próximos desafios. Está marcado para o mês de Nissan (inícios de Abril).

Aqui na yeshiva, desde que eu fiz a cerimónia de yerusin, ou noivado, que os colegas do departamento sul-americano querem dizer a toda a gente que eu estou comprometido. Ao saber disso, é costume na yeshiva, fazer uma grande roda com os alunos da yeshiva e dançarem com o noivo, normalmente durante a hora de almoço, o tempo em que se junta mais gente.

Havia pedido aos companheiros da yeshiva a quem tinha contado para guardarem segredo e não fazerem ainda a tal rodinha, mas agora que a data está marcada, não deve tardar a que alguém se levante à hora de almoço, me pegue no braço e comece a cantar uma canção típica de casamento. Como um sinal de alvorada, nessa hora se levantarão dezenas de outros alunos da yeshiva e dançarão e cantarão comigo.

Longe da família – a minha em Portugal, a da minha noiva no Brasil – tudo parece mais complicado. Em Israel, felizmente, não faltam instituições que ajudam os futuros casais a concretizar uma das mais importantes mitzvot (preceitos) do Judaísmo.

Seja com os bancos de roupa para casamentos – existentes em vários locais do país, em especial nas comunidades religiosas – ou instituições que apoiam monetariamente para as despesas da festa, braços estendidos para ajudar, não faltam. Por exemplo, alguns alunos do curso de conversão que eu frequentei, tiveram a ajuda do próprio curso, para fazer a festa.

Todavia, além do próprio dia do casamento, há que pensar no local onde vou morar depois de casar. É que, uma vez casado, não dará para continuar a morar num quarto partilhado na yeshiva.

Uma casa-caravana num colonato próximo de Jerusalém é uma das opções mais baratas e, enquanto a família for pequena, uma solução suficiente. Mas por agora, nem essa opção está garantida, dada a longa lista de espera para esse tipo de alojamento.

publicado por Boaz às 21:31
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Terça-feira, 10 de Outubro de 2006

Em nome de quê?

Nunca é fácil viver longe da família e dos amigos. É verdade que amigos fazem-se ou arranjam-se outros novos, mas nunca se deixam os "antigos" para trás. E a própria noção de família pressupõe eternidade dos laços - divórcios à parte -, pelo menos entre pais e filhos.

Nunca tive grande facilidade em fazer amigos. Aliás, creio que é mesmo impossível ser fácil "fazer amigos". A amizade requer um conhecimento mútuo, uma cumplicidade e uma proximidade tal que não se conseguem senão com um contacto particular e profundo que não se estabelecem com qualquer pessoa.

Sempre tive um grupo muito exclusivo de eleitos como "os meus amigos". A minha denominação de alguém como "amigo" sempre foi mantida no mais alto nível. Nunca tive o hábito de chamar "amigo" a todo o bicho e careta com quem contactava diariamente na escola. Esses foram e são simplesmente "colegas".

Antes, era habitualmente reservado nos meus contactos com estranhos. Aqui em Israel, com a distância da família e dos amigos de Portugal - que são os amigos de sempre -, descobri uma faculdade que não julgava ter: a de socializar com pessoas novas e criar laços com relativa facilidade. A saída da yeshivá Machon Meir e a entrada na Yeshivat HaKotel obrigou-me a construir novos vínculos.

Alguns - muito poucos - dos companheiros de estudos da antiga yeshiva, acabaram por tornar-se amigos de quem sinto uma falta constante. Na minha nova casa, a integração fez-se muito por conta da facilidade de contacto entre portugueses e brasileiros. O meu habitual sentido de humor e a natural boa-disposição brasileira ajudaram no processo.

Hoje olho para as fotos que trouxe de Portugal com uma saudade impossível de conter. Pelo menos uma vez por semana recebo uma chamada da minha mãe. Menos frequentemente sou eu que ligo. Há dias em que penso por momentos que o pior pode acontecer com os que estão distantes e eu, a mais de 4000 quilómetros de distância, sem poder fazer nada. A ansiedade pela distância existe naturalmente nos dois sentidos.

Durante as semanas de guerra entre Israel e o Hezbollah subiu a frequência das chamadas da minha mãe. Preocupada com a minha situação. Não consigo conceber o nível da sua angústia ao ver as imagens da guerra e imaginar-me próximo daquilo tudo. Sempre me pedia para regressar a Portugal. Ofereceu-se até para me pagar o bilhete, para ao menos passar umas semanas longe do conflito. Sempre lhe dizia que em Jerusalém a situação estava praticamente inalterada e que ficava bem distante dos locais atingidos pelos mísseis no norte de Israel. Obviamente que isso não era suficiente para a sossegar.

Todas as vezes que falamos, me pergunta quando volto a Portugal e diz-me que tem saudades. Infelizmente, nunca lhe posso dar grandes certezas quanto ao meu regresso, mas digo-lhe que em princípio no próximo Março devo ir visitá-la. Gostava de poder ir a Portugal ao menos uma vez por ano. Foi essa a esperança que lhe deixei quando nos despedimos no dia da minha partida para Israel, em Maio último.

A condição quotidiana de Israel nunca é tão relaxada como na maioria dos outros países, por isso custa-me deixar as pessoas preocupadas com a minha situação. Em nome do quê o faço? Tenho pena que todo o meu projecto de vida possa causar alguma ansiedade na família e nos amigos. Estar hoje em Israel e desejar permanecer aqui, construindo cá a minha família e o meu futuro são consequências da minha conversão ao Judaísmo. Não passei por cima de ninguém para o consegui. Não creio que o processo tivesse alguma vez tido como consequência o sofrimento de alguém.

Todavia, não poderia deixar de fazer o que fiz. Pensar na eventual ansiedade da família e dos amigos como obstáculo ao meu futuro seria simplesmente boicotar a base da minha vida. Sobre isto me apoio nas palavras de Hillel, um dos sábios do Judaísmo contidas na obra "Pirkei Avot", a "Ética dos Pais":

«Se eu não sou por mim, quem será por mim? E se eu sou por mim, quem sou eu? E se não agora, quando?»

publicado por Boaz às 14:44
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Quinta-feira, 30 de Março de 2006

"Estás mudado"

O regresso a Portugal apresenta-se-me com uma série de desafios. O primeiro deles é manter o cumprimento das mitzvot (preceitos judaicos) num ambiente com muito pouco de Judaísmo. Ao mesmo tempo que tento seguir os meus princípios, procuro não ofender as pessoas que me estão próximas, desconhecedoras das regras judaicas e dos seus intrincados detalhes e significados.

A primeira grande luta foi com a comida. Alimentação casher e cozinhas onde essa regra é cumprida à risca são a norma em Israel. Cá, pelo contrário, só usar a louça comum levanta uma série de problemas. Ao chegar a casa, a minha mãe apresentou-me, orgulhosa, um bolo que havia preparado para festejar o meu regresso. Vi a desilusão nos seus olhos quando lhe disse que não o podia comer. Custou-me - não tanto pelo bolo, mas mais para não a ofender, - mas tive de manter a minha posição.

Já estava à espera de uma reacção assim, por isso a havia avisado de antemão para não fazer conta comigo para o jantar. Todavia, como me poderia lembrar que ela iria fazer um bolo, coisa rara lá em casa?! No dia seguinte, dediquei-me durante várias horas a "casherizar" tachos, pratos e talheres para usar durante a minha curta estadia.

Também o uso permanente da kippa levantou sobrolhos a princípio. "Agora estás em casa, não precisas de usar isso". Já os tsitsit, cujo aspecto visível é uma série de fiozinhos brancos pendurados nas calças, surpreendentemente, não causaram reacção.

Fiquei sem saber o que dizer quando a minha mãe me disse que eu "estava mudado". Especialmente tendo-o dito de uma forma não muito agradada, se bem que não exactamente hostil, mas quase como se já não me reconhecesse, ou não me conhecesse bem. Parece que tinha chegado um estranho a casa...

Estranheza é exactamente a forma como encaro quase tudo à minha volta. Já percebi que as pessoas - família e amigos - me vêm de forma diferente, porque eu, realmente, me comporto de forma diferente. Os que me conhecem tomam-me como alguém muito falador e extrovertido entre os amigos mas, ao contrário de antes, não estou particularmente conversador. É que, simplesmente, não sei o que hei de dizer aos outros para que me entendam de imediato.

Em termos temporais passaram apenas seis meses, mas foram seis meses de mudanças muito profundas. Ao chegar, parece que passaram anos. O meu mundo de hoje é radicalmente diferente daquele em que vivia antes de partir, o que dá a impressão que cheguei a outro planeta. O planeta Diáspora.

publicado por Boaz às 13:42
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Quinta-feira, 24 de Março de 2005

Quase 30

Eu sou daqueles que acha que nada é mais divertido do que rirmos de nós próprios

Hoje passo para os 28. (Quem diria, vendo as figuras das fotos...) Não faço questão na festa com bolo e gente a cantar-me os "parabéns a você". (Bolas, que anti-social!).

Cada uma destas imagens tem uma história e um momento especial. Um abraço enorme para os fotógrafos de ocasião e todas as pessoas que também estavam nas fotos e que eu cortei (só na foto, não do coração) e também para as que passarem por aqui hoje, e amanhã e depois e depois...

PS - o título do post não é a expressão de um desejo de chegar depressa àquela idade - isso costumava acontecer nos anos anteriores aos 18, por razões óbvias. É que essa é a idade que a minha mãe me dá... desde os 25.

publicado por Boaz às 12:02
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2005

A visita da cegonha

A primeira foto, logo a seguir ao primeiro banho

Às 23 horas e um minuto... chama-se Maria e é a minha segunda sobrinha.

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publicado por Boaz às 23:38
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