Sábado, 17 de Novembro de 2012

Quando a sirene toca, de verdade

As velas de Shabbat estavam acesas há poucos minutos. Com a minha filha mais velha, de quase 4 anos, saí de casa para a sinagoga, a menos de 500 metros de distância. O céu azul do final da tarde, pontilhado de nuvens, tinha uns tons alaranjados no Ocidente. Senti uma gota de sorte por estarmos longe de Gaza. Pensei como iriam passar o Shabbat os habitantes da região costeira de Israel, entre a Faixa de Gaza e Tel Aviv.

Há dois dias, uma nova guerra começara na região de Gaza e do sul de Israel. Quer dizer, a guerra nunca tinha realmente terminado. Desde a retirada militar israelita da Faixa, no Verão de 2005, as cidades israelitas nas proximidades do território palestiniano eram atingidas com frequência por mísseis lançados por terroristas palestinianos. Primeiro os mísseis eram artesanais e com fraca precisão. Com o passar dos anos e o aumento do tráfico de armas iranianas, líbias e sudanesas para a Faixa, o arsenal do Hamas tornou-se mais sofisticado, atingindo cidades cada vez mais distantes.

Na sexta-feira, pela primeira vez em mais de 20 anos, as sirenes de alarme soaram em Tel Aviv, desde que Saddam Hussein retaliou a invasão americana com uma chuva de Scuds sobre Israel. Na tranquilidade de Gush Etzion, lugares como Tel Aviv, Ashdod ou Ashkelon – onde o soar das bombas e das sirenes eram agora realidades presentes –, esta nova guerra parecia, mais uma vez, remota. Um vizinho brasileiro tinha sido chamado para a base. Um dos 16 mil soldados reservistas convocados para uma possível operação militar em Gaza. A esposa, com os dois filhos ficou em casa sem saber a data de regresso do marido. Tanto podem ser alguns dias, como semanas.

Na sinagoga, como habitualmente era a hora de Kabalat Shabat, o serviço religioso que marca o início do Shabbat. Sem paciência para ficar sentada no banco da sinagoga, a minha filha pediu para voltar para casa. Deixei-a ir, avisando que não podia ir para outro lugar. A congregação levanta-se para entoar o cântico Lechá Dodi. A meio da segunda estrofe, o uivo da sirene de alarme soa por toda a aldeia. Não é um simulacro, como os que acontecem pelo menos uma vez por ano, mas uma sirene de alarme verdadeira. Alguns dos congregantes continuam a cantar, outros param sem saber o que fazer. O gabai, responsável pelo funcionamento da sinagoga, interrompe o serviço e pede para todos descermos para o andar inferior da sinagoga, conforme indicações do Serviço de Emergência Civil.


Habitantes de uma cidade do Sul de Israel observam os rastos dos mísseis lançados de Gaza.
Ao soar a sirene de alarme, os habitantes devem abrigar-se num lugar coberto.
Quem está demasiado longe deve deitar-se no chão.

“Onde está a minha filha? Agora mesmo a mandei para casa e ela está na rua sozinha!”, pensei alarmado. Olhei para o hall de entrada da sinagoga. Fiquei um pouco aliviado ao ver que ela ainda não tinha saído. Corri a pegá-la ao colo e abracei-a forte. O aperto do abraço foi mais para mim do que para ela, que felizmente não entendia o que se passava. Descemos as escadas para o andar de baixo, mais seguro e longe das janelas do hall.
– “Porque nós temos de descer as escadas”?, perguntou a menina.
– Este som forte significa que é perigoso, temos de ir para o abrigo. Tentei explicar-lhe a situação.
– O barulho da ambulância?
– Não, chama-se azaká (sirene, em hebraico). Parece o som de uma ambulância, mas não é.

Na escuridão, alguns homens continuavam a entoar Lechá Dodi. Tive vontade de chorar, uma ou duas lágrimas escorreram-me pelo rosto. A sensação de incerteza é avassaladora. Apertei ainda mais a minha filha. Alguns minutos depois, ainda um velhinho descia as escadas amparado por um braço caridoso, a maioria da congregação decidiu voltar para o santuário da sinagoga. “O Serviço de Emergência Civil diz que devemos esperar 10 minutos antes de voltarmos”, avisou um homem. Ninguém o ouviu. Como os israelitas gostam de desafiar as regras… O serviço religioso prosseguiu (quase) como se nada tivesse acontecido. No final, rezámos um salmo especial, em honra dos soldados israelitas e dos residentes das cidades sob a mira dos mísseis do Hamas.

Durante quase todo o Shabbat, despertava-me a cada vez que o vento soprava com mais força nas árvores das redondezas, pensando tratar-se do início do uivo de mais uma sirene de alarme. Em todas as casas, o assunto na mesa de Shabbat foi obviamente a inédita azaká que soara em Gush Etzion. Uma senhora, que deixara o rádio ligado para poder receber informações de segurança durante o Shabbat, informou que ouvira que o míssil tinha caído a Norte de Jerusalém.

Na manhã seguinte, outros informaram que o míssil caiu na região de Nokedim, apenas alguns quilómetros a Oriente, no deserto da Judeia. Vários vizinhos relataram terem visto o rasto de fumo do míssil a cruzar os céus nas redondezas. No final do Shabbat, busquei nas notícias informações mais precisas sobre o ocorrido. Confirmou-se a caída do míssil no deserto da Judeia. Achei inacreditável o ataque. Toda a região fica rodeada de cidades árabes! Hebron, com 150 mil habitantes fica 25 km a sul. Belém, com 50 mil, e Jerusalém, onde residem mais de 200 mil Árabes, ficam a menos de 10 km do local atingido.

Não sabemos o que se vai passar nos próximos dias. Entretanto, outros 75 mil soldados reservistas foram convocados. Uma operação terrestre em Gaza com infantaria ligeira e pesada é algo extremamente arriscado. O risco de baixas numerosas no Exército de Israel e o possível sequestro de soldados é algo que pesa nas decisões dos líderes israelitas. Na região costeira do país, num raio de até 40 km de Gaza, amanhã não haverá aulas. Aqui em Gush Etzion, tal como em Tel Aviv, ao contrário de outras guerras no passado, ninguém pensará desta vez que tudo acontece lá longe. Afinal, estamos todos no mesmo barco.

publicado por Boaz às 20:27
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Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Quando apenas resta a gestão dos estragos

Uma frota de barcos, carregada de ajuda humanitária para a desgraçada e bloqueada Gaza, a ser entregue por algumas centenas de ativistas dos direitos humanos. Esta seria a definição simples da "Frota da Liberdade". Porém, esta definição é também profundamente ingénua e distorcida. Em primeiro lugar, os organizadores da iniciativa pertencem a uma organização turca de direitos humanos, que a par de louváveis iniciativas de caráter humanitário no Terceiro Mundo, é suspeita de canalizar fundos para várias organizações envolvidas na Jihad, entre elas, o Hamas. Além disso, três dos turcos mortos na tomada de um dos barcos pelo exército de Israel haviam declarado querer morrer como mártires pela Palestina. Ou seja, esta era para eles nada menos que uma missão suicida.

Comprometido com um bloqueio naval e terrestre à Faixa de Gaza governada pelo Hamas, há mais de uma semana que Israel negociava com os organizadores da "Frota". O governo de Israel tentou convencer a organização da missão a canalizarem a ajuda para Gaza através da via terrestre, permitindo antecipadamente a verificação da carga para eliminar qualquer suspeita de tráfico de armas ou material que pudesse ser usado pelo Hamas contra Israel. Todas as vias de negociação foram recusadas pelos ativistas. Recusado foi também um pedido da família do soldado israelita Gilad Shalit, sequestrado em Gaza há quatro anos, para lhe ser entregue também um pacote de ajuda.

É óbvio que o resultado é trágico. Nove mortos (as fontes iniciais falavam em 15 ou mesmo 20). E várias dezenas de feridos. Israel reclama que agiu em legítima defesa, quando os soldados foram recebidos à bastonada e com facas pelos auto-intitulados tais defensores dos direitos humanos no navio "Mavi Marmara". Nos outros cinco barcos não houve violência. Os militares estavam equipados com espingardas de paintball e com pistolas a ser usadas apenas em última análise. Não esperavam tamanha resistência por parte dos integrantes da "Frota".

Qualquer que fosse o desfecho, ele nunca seria bom para Israel. E seria sempre muito conveniente para o Hamas. Na semana que antecedeu a tomada dos barcos, durante as discussões entre o governo de Israel e os organizadores da "Frota", o próprio Primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, declarou que o Hamas sairia vencedor deste episódio, fosse qual fosse o desfecho. Não é preciso ser profeta para fazer essa declaração. Se os barcos fossem deixados passar, isso significaria um furo no bloqueio israelita: uma vitória para o Hamas. Se os barcos fossem impedidos de chegar, em qualquer caso, Israel ficaria mal visto: uma vitória para o Hamas.

A "Frota" disfarçada de missão de ajuda humanitária foi uma perfeita e bem montada operação de Relações Públicas para o Hamas. É assim que se pode resumir, numa frase, toda esta história da "Frota da Liberdade". Os ativistas internacionais, embebedados por um ódio anti-Israel deixaram-se levar pelo engodo. Ou, sem qualquer vergonha, aderiram a ele deliberadamente. Israel não tinha como ganhar o confronto. Nesta, como noutras crises, resta fazer uma gestão dos estragos na imagem internacional de Israel. Mais difícil ainda com um temperamental Ministro dos Negócios Estrangeiros com fama de "falcão". Frente às embaixadas israelitas por essa Europa fora, multidões gritam contra Israel e a favor dos Palestinianos com os slogans do costume. Em Lisboa eram uns 50 gatos-pingados.

A causa ganhou mais alguns mártires. Alguns deles mártires por vontade própria. Todos com direito ao harém de 70 virgens prometido pelo profeta. Esta tarde, de regresso a casa, reparei que praticamente todas as lojas do mercado árabe da Cidade Velha de Jerusalém se encontravam fechadas. Um sinal de protesto pela tragédia ao largo de Gaza. De qualquer forma, algumas lojas estavam de porta entreaberta. Não fosse aparecer algum turista interessado na quinquilharia disponível. Imagino que haja festejos à porta fechada. Aos olhos do Mundo, Israel saiu (mais) mal visto. O Hamas cantará vitória.

PS – Atenções mundiais viradas para Israel e, a Turquia – pátria dos barcos e da maioria dos ativistas da "Frota da Liberdade" – teve um timing perfeito para bombardear posições dos seus opositores curdos no Curdistão Iraquiano. Não se esperam manifestações anti-turcas frente às respetivas embaixadas.

publicado por Boaz às 23:00
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Terra de (maravilhosos) contrastes

Atenção a estes dois factos do dia aqui neste cantinho do planeta:

Em Israel, uma mulher cientista, Ada Yohath, ganhou o Prémio Nobel da Química de 2009. (Foi a primeira mulher a ganhar o Nobel da Química em mais de 40 anos.)

Enquanto isso em Gaza, o Hamas baniu as mulheres de andarem de mota, a fim de conservar as "tradições árabes".

O cientista político Samuel Phillips Huntington chamou-lhe uma vez: "choque de civilizações". As feministas dos anos 60 chamavam-lhe "queima de sutiãs". No caso de Gaza, as donas dos sutiãs são queimadas com os respetivos.

publicado por Boaz às 23:50
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Enquanto há vídeo, há esperança

Na última sexta-feira, foi divulgado um vídeo do soldado israelita Gilad Shalit, raptado em Gaza há mais de 3 anos. Durante todo este tempo de cativeiro, esta foi a primeira vez que o Hamas – os raptores – deixou passar um claro sinal de vida de Gilad para Israel.


O vídeo recente de Gilad Shalit. E as várias faces da campanha a favor da sua libertação.

Foi um breve vídeo de dois minutos de duração, que mostra Shalit dirigindo-se aos seus pais Noam e Aviva e ao Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu. Disse que tem sido bem tratado pelo Hamas e está de boa saúde, mas que anseia pelo dia em que verá de novo a sua família.

Todavia, o vídeo não chega de forma gratuita. Vinte prisioneiras palestinianas condenadas por ações terroristas foram libertadas em troca de 2 minutos de prova de vida de Gilad Shalit. Esta tem sido uma estratégia dos sucessivos governos de Israel: libertar um grande número de condenados por terrorismo em troca de sinais de vida dos seus sequestrados ou, mais estranho ainda, em troca de cadáveres de soldados caídos em território inimigo.

Foi o que aconteceu o ano passado, com a libertação de quatro membros do Hezbollah e do famoso assassino Samir Kuntar em troca dos cadáveres dos soldados Ehud Goldwasser e Eldad Regev, cuja captura pelo Hezbollah desencadeou a Segunda Guerra do Líbano em 2006. Até poucas semanas antes da troca, o governo de Israel nem sequer sabia se os soldados ainda estavam vivos.

No passado, outros prisioneiros libertados de prisões israelitas regressaram a atividades terroristas. De acordo com algumas fontes, as ações de ex-prisioneiros libertados causaram a morte a mais de 100 israelitas. Ou seja, não é um bom prenúncio. O saldo não joga a favor de Israel nesta forma de negociação com o inimigo.

Ainda assim, a divulgação do vídeo de Gilad Shalit é uma ótima notícia. Os pais do soldado e milhares de apoiantes da causa da libertação de Gilad em todo o Mundo tentam manter a opinião pública alerta sobre o cativeiro forçado do jovem soldado. Em Jerusalém, em frente à residência do Primeiro-Ministro, há muitos meses que uma tenda de protesto é mantida em permanência. Muitas vezes passo em frente ao local e vejo que sempre alguém se mantém de vigília, às vezes uma pessoa apenas. Uma placa dentro da tenda indica a passagem dos dias em cativeiro. Já são mais de mil e duzentos.

Também em Alon Shevut, o colonato onde moro, na praça do bairro antigo, entre a mercearia e o centro médico, um pequeno cartaz mostra o número de dias da clausura de Gilad Shalit. Diariamente, alguém muda o fatídico número. Para que ninguém esqueça.

publicado por Boaz às 01:32
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Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

A aquecer

De novo, o Hamas lançou mísseis a partir de Gaza contra o território de Israel. E desta vez não foi apenas mais um dos Qassam fabricado na garagem do Mohammed. Foi um Grad Made in Iran e chegado à Faixa pelos túneis na fronteira com o Egipto.

E, imediatamente, diz que "está interessado num cessar-fogo de um ano". Alguém que não entenda a lógica do Hamas, vai a correr queimar uma bandeira de Israel, clamar por "crimes de guerra contra a população palestiniana indefesa" e apelar a boicotes aos assassinos fascisto-sionistas, assim que o governo israelita mandar a tropa de novo para Gaza. Se entender a manha do Hamas, vai dar razão à resposta de Israel. A estratégia do Hamas é só uma: destruir Israel. Aliás que saibam os miúpes, continua a mesma.

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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Não há fábricas em Gaza

Quando Israel retirou os colonatos judeus da Faixa de Gaza, em Agosto e Setembro de 2005, foram demolidas as residências particulares, mas não os edifícios públicos. As antigas sinagogas e yeshivot, vazias de objectos sagrados, foram vandalizadas pelos moradores de Gaza, assim que o último soldado deixou a região.

Nos últimos anos da existência dos colonatos de Gush Katif, o principal bloco judaico em Gaza, as estufas eram a principal actividade económica. Milhares de toneladas de verduras orgânicas e flores eram exportados anualmente para a Europa. (Ainda hoje, em Israel, "Gush Katif" é sinónimo de legumes orgânicos e livres de bichos.) As estufas, ao contrário das casas dos antigos residentes foram deixadas intactas. O objectivo era transformá-las num pólo de desenvolvimento económico de Gaza. Porém, desde 2005, as estufas que tinham sido umas das mais avançadas do mundo, não produziram nada. Poucos dias após a evacuação, a maioria das estufas tinham sido saqueadas pela própria população.

Nos extensos terrenos vazios da área dos antigos colonatos pretendia-se construir prédios residenciais, para suprir a falta de habitação de qualidade em Gaza, uma das regiões mais densamente povoadas do Planeta. Apesar dos milhões de euros, dólares, e petro-dólares injectados anualmente nas finanças da Autoridade Palestiniana (estatisticamente, os Palestinianos são mesmo o povo que recebeu mais ajuda internacional per capita, de todos os tempos) a situação económica em Gaza não progrediu. Antes pelo contrário.

Nas eleições legislativas de Janeiro de 2006, ganhas pelo Hamas, a situação piorou. A maioria dos financiadores internacionais da Autoridade Palestiniana suspendeu os pagamentos. Quando o Hamas tomou de assalto a Faixa de Gaza em Julho de 2007 e dominou o território após sangrentos confrontos com apoiantes da Fatah, o território perdeu a maior parte das fontes de ajuda internacional, incluindo as fontes árabes.

Os Palestinianos desperdiçaram a oportunidade criada com a retirada de Gaza de 2005. Alguns idealizaram mesmo criar na Faixa de Gaza numa espécie de Hong Kong do Médio Oriente. Passe o delírio romântico de tal empreitada, a verdade é que Gaza perdeu todas as oportunidades que se lhe apresentaram. Por exemplo, as praias da região, em especial a de Dugit, eram famosas por terem "as melhores ondas de surf de Israel". Com esse potencial, poderiam ter construído resorts que estariam cheios de turistas israelitas e internacionais. Nada foi aproveitado. É evidente que Israel não ajudou da melhor forma para a prosperidade de Gaza, mas com a transformação da região num imenso campo de treino terrorista sob as ordens do Hamas, o país não poderia manter nem sequer o mínimo de cooperação com as autoridades locais.

Israel acabou por impor um bloqueio económico parcial. Todavia, mesmo nas alturas mais "apertadas" Israel continuou a fornecer cerca de 70% da energia de Gaza. O Egipto, esse estado amigo de todas as causas do nacionalismo árabe, fornece 20%. O que resta é produzido por uma central de energia na Faixa. Doentes de Gaza continuaram a ser tratados em hospitais israelitas, mesmo quando as bombas caíram a poucos metros do hospital Barzilai de Ashkelon.

Após a tomada do poder pelo Hamas, o Egipto estancou a fronteira internacional de Rafah, que o separa de Gaza. (Aliás, alguém ouviu falar do "bloqueio egípcio"?) Durante os confrontos entre o Hamas e a Fatah, os blocos de cimento de uma secção da barreira fronteiriça foram derrubados. Os canhões de água e os tiros da polícia de choque egípcia não impediram a passagem de mais de 500 mil palestinianos para o Sinai. Em poucos dias, a população de Gaza recheou a dispensa, parca com o bloqueio económico, enquanto o Hamas aproveitou para se abastecer de armas, incluindo os mísseis Grad, de fabrico iraniano, que agora disparam sobre as cidades do sul de Israel.

Depois do encerramento da fronteira, a alternativa para o Hamas para o abastecimento de armamento e para os civis para obterem bens básicos, foi o recurso aos túneis de contrabando. Supõe-se que existam mais de 200 entre os dois lados da fronteira de Rafah, por onde passa de tudo. Comida, medicamentos, combustível, animais e talvez até um soldado sequestrado (existe a hipótese de o soldado israelita raptado Gilad Shalit ter sido retirado de Gaza através de um dos túneis). Tudo é traficado. O Hamas controla todas as mercadorias que são contrabandeadas através dos túneis, cobrando uma taxa "alfandegária" usada para financiar as suas operações.

Desde 2005 a única indústria que floresceu em Gaza foi o fabrico de mísseis Qassam, para serem disparados sobre Israel. Daí que faltem todos os produtos transformados, mesmo os mais básicos, como o pão e o sabão.

É óbvio que Israel não tem favorecido a prosperidade em Gaza. A opção dos habitantes de Gaza em apoiarem o Hamas também não. Que país não bloquearia o seu inimigo declarado, impedindo-o de receber ajuda do exterior? O desenvolvimento visível na cidade árabe de Belém, nos arredores de Jerusalém, é um sinal claro de que a calma com Israel é da maior conveniência para os Palestinianos.

Não haverá desenvolvimento nem paz quando todos os recursos dos palestinianos forem dirigidos para o conflito com Israel. Tal como um dia declarou a Primeira-Ministra Golda Meir: "Haverá paz quando os Árabes começarem a amar os seus filhos mais do que eles nos odeiam".

publicado por Boaz às 22:36
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Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

Ilusões

O governo de Israel rejeitou a proposta francesa de um cessar-fogo provisório com o Hamas. Os mais ingénuos poderiam descrever esta resposta israelita à iniciativa francesa como "um sinal evidente de que Israel não deseja a paz".

Não se iludam. Tal como a comentou um responsável israelita, "A proposta de cessar-fogo provisório unilateral do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, não foi considerada útil, porque é evidente que o Hamas não vai suspender o lançamento de foguetes contra Israel".

No Líbano, em 2006, Israel deixou o trabalho incompleto e o Hezbollah evidentemente aproveitou-se disso. O resultado: está hoje mais forte (quero dizer, armado) do que antes da guerra e não vai deixar de voltar a atacar Israel na próxima oportunidade. Israel não pode cometer o mesmo erro outra vez.

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Sábado, 27 de Dezembro de 2008

Foram avisados

Começo por dizer que: sim, é trágico o que se passa em Gaza. Porém, há que afirmar que o Hamas foi avisado. O governo de Israel anda, há semanas, a avisar que, caso não terminasse o lançamento de mísseis sobre as cidades de Sderot, Netivot e Ashkelon, situadas a poucos quilómetros da Faixa de Gaza, seria desencadeada uma operação em larga escala contra as instalações do Hamas na Faixa. Alegadamente, havia uma trégua entre o Hamas e Israel. Porém, há poucos dias o Hamas retomou o lançamento de mísseis. Chegaram a lançar 60 mísseis em 3 dias.

Estavam à espera de quê? Que Israel lhes mandasse bolos? Nenhum país permitiria impavidamente uma situação como a aquela que se tem mantido em Sderot nos últimos 7 anos. O lançamento quase diário de mísseis sobre a cidade, a partir de Gaza.

O Mundo condena. Também não se espera outra coisa. No entanto, só se condena a "gigantesca desproporção" da resposta de Israel e se lamenta o sofrimento em Gaza. Esperam-se para os próximos dias as marchas dos esquerdistas europeus frente às embaixadas de Israel, a queima de bandeiras israelitas da Indonésia à Noruega. Porém, os marchantes e os queimadores de bandeiras nada dizem nem dirão sobre o terror permanente por que passam os habitantes de Sderot. Para eles não há solidariedade internacional. Mesmo que, ao contrário do que fez o governo de Israel antes do início da operação, eles não sejam avisados pelo Hamas da chegada dos mísseis.

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Domingo, 3 de Agosto de 2008

Eles que são brancos…

...Que se entendam. É, numa perspectiva cínica, o que se pode dizer da situação em Gaza. Desde que o Hamas, vencedor destacado das últimas eleições legislativas palestinianas, tomou de assalto a Faixa de Gaza, tem imposto a lei do terror. Não só para Israel - qual é a novidade, aí? -, mas acima de tudo, para os próprios palestinianos.

Largas dezenas de apoiantes da Fatah – os principais rivais do Hamas – foram mortos em combates na semana que sucedeu à entrada em força da direcção do Hamas na Faixa. Violência de rua, explosões, tiroteios, torturas. Mas isso passou-se já há mais de um ano.

Agora, os confortos regressam. Para lá dos mísseis Qassam, disparados diariamente sobre as cidades israelitas próximas de Gaza, é na própria Faixa que o Hamas mais faz vítimas.

Apoiantes da Fatah, eles próprios longe de serem meninos de coro, procuraram refúgio em Israel - onde mais poderia ser? - fugindo da vingança do todo poderoso Hamas. Os feridos nos confrontos inter-palestinianos foram tratados num hospital de Ashkelon. Ironicamente, esse hospital foi quase atingido por um míssil Qassam disparado de Gaza, há alguns meses.

Israel devolveu-os à procedência porque afinal, o próprio presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, recusou-se a garantir asilo na Cisjordânia a dezenas de apoiantes do seu próprio partido – ele é um dos líderes da Fatah! - que haviam fugido da Faixa.

O resultado foi a prisão imediata dos "devolvidos", às mãos do Hamas, assim que pisaram de novo o território de Gaza. Espera-se um festim bárbaro na Faixa para os próximos dias.

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Terça-feira, 4 de Março de 2008

A pausa

Israel retirou de Gaza. O "Inverno Quente" terminou. O Hamas voltou à superfície, depois de uns dias de pânico nos bunkers. Rapidamente clamou vitória. A sua causa saiu vencedora. Mesmo à custa de sangue e vidas. Os heróicos mártires serão recompensados. A propaganda funcionou a favor. Os escombros e os gritos de Gaza abriram telejornais por todo o planeta. Apenas em Israel os Qassam são notícia.

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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Moralidade à distância

Israel invadiu Gaza. Sim, a operação "Inverno Quente" é a manchete da semana. Até agora já se contam mais de 100 mortos árabes. Os soldados israelitas mortos já são pelo menos três. Desproporção de números e de meios? Sim. Os mortos em Gaza são, na maioria, operacionais do Hamas prontos a entrar no Paraíso e a receber o seu carregamento de virgens.

Quem ouviu falar dos mísseis Qassam que caem em Sdetot, Netivot ou Ashkelon? As pobres e indefesas crianças e mães palestinianas gritam mais alto frente aos microfones dos média internacionais, ávidos de "imagens choque" para abertura de telejornal. As crianças, em Gaza e em Sderot são igualmente inocentes, mas não os seus pais. Os pais de Gaza elegeram – viva a democracia! – o Hamas. E ao Hamas sacrificam os filhos. Sacrifício em troca de virgens, ou pelo menos, da morte de mais algum israelita.


Mísseis Qassam lançados de Gaza para Israel, 22 Maio 2007. Foto: Emilio Morenatti.

Quantas das crianças árabes desgraçadas – sim, é uma desgraça que morram crianças – vítimas da aviação israelita, não morreram por serem usadas como "escudos humanos" pelos terroristas do Hamas? Em troca do paraíso prometido aos heróicos shahada, os mártires. Tal como lhes é injectado, desde cedo, pela TV oficial e pelo sistema de ensino palestiniano. Aliás, seja pela TV do Hamas ou da Autoridade Palestiniana, sem grandes diferenças. Ou simplesmente são obrigadas a ser "escudos humanos" frente ao convincente cano das kalashnikov dos terroristas. Por uma notícia trágica, por uma oportuna foto sangrenta, bons meios de propaganda, o terror não evita imolar os seus filhos. Perdão, os filhos dos outros.

O Hamas reina em Gaza. Pensou que reinaria sem oposição, instaurando o terror como política oficial a partir da Faixa e expandindo o pânico para o Sul de Israel. No pânico da morte pela mão da aviação israelita, a liderança do Hamas abriga-se nos bunkers. Os líderes fogem, não se imolam. Afinal a história do paraíso virginal oferecido aos mártires é apenas engodo para os pobres de espírito.

Não se exija de Israel que se contenha face às ameaças a que estão sujeitos os cidadãos das regiões próximas de Gaza. Os Europeus, há muito que se esqueceram do terror da guerra à sua porta. Distantes, no conforto dos seus sofás, ou das poltronas dos parlamentos. Ignorantes, de visão toldada pela miopia jornalística, estão completamente alheios à realidade em Israel. Em Lisboa ou Bruxelas não se escutam as ameaças diárias do Hamas, do Hezbollah ou do Irão.

Israel é o culpado, o cruel, o matador de crianças, o tanque imponente contra a pedra na mão de um menino. Slogans gastos pelo uso, mas que continuam a servir. A ser servidos às massas. A Europa, na sua bendita serenidade, e a caduca ONU, seguem implorando "piedade!" em direcção a Israel. De longe.

publicado por Boaz às 21:55
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

O pão e os mísseis

Crise humanitária em Gaza. É um dos assuntos do momento. O Hamas acusa Israel de querer matar os habitantes da Faixa de Gaza à fome. Abastecido quase na totalidade a partir de Israel, a Faixa está, desde há semanas, sob um bloqueio parcial. O fluxo de combustíveis foi reduzido. Há horas de apagão na Faixa, já que a central de energia fica sem abastecimento de combustível. Entre os seus 1,5 milhões de habitantes – num território pouco maior que a ilha da Madeira – cerca de 80% estão dependentes da ajuda humanitária. O Hamas diz que até a farinha começa a faltar nas padarias.

A situação de carência dura há meses. E não é coincidência que a crise foi agravada quando o Hamas tomou pela força o controlo na Faixa, instaurando um poder separado da Autoridade Palestiniana, que dirige a Margem Ocidental a partir de Ramallah. O terror já anteriormente derivado de Gaza agravou-se com a instituição do Hamastão.

Com o bloqueio mais ou menos apertado, ou operações militares mais ou menos intensas, destinadas a destruir a infra-estrutura terrorista do Hamas, recorrentemente, as Nações Unidas falam de “punição colectiva”. Os habitantes de Gaza pagam, em conjunto, pelas acções do Hamas. A União Europeia pede contenção na resposta de Israel.

Passemos então a cerca de Gaza e observemos o lado israelita. Há meses – ainda mesmo antes do assalto do Hamas à Faixa – que Sderot e outras cidades israelitas situadas perto da fronteira estão sob uma chuva de mísseis. Lançados a partir de Gaza. Da Gaza do Hamas. Do Hamas eleito quase por unanimidade pelos habitantes de Gaza. Da Gaza bloqueada. Da Gaza esfomeada. Da Gaza que continua a apoiar o Hamas. Do Hamas que manda os mísseis. Fecha-se o círculo.

Após o desmantelamento dos colonatos judaicos de Gush Katif e da expulsão dos seus habitantes para cidades de refugiados em Israel, os Palestinianos tiveram a oportunidade de provar o que eram capazes de fazer com um território sob seu controle. A desgraça que era a vida em Gaza durante a existência dos colonatos implantados no meio da Faixa não diminuiu. Depois da selvagem destruição dos edifícios de uso público dos antigos colonatos, deixados intactos por Israel para futuro uso pelos Palestinianos, não houve ordem no território. Houve caos. Depois houve eleições. A escolha avassaladora em Gaza: o Hamas.

O contrabando de armas a partir da fronteira de Rafah, que une a Faixa de Gaza ao Egipto, alimenta a indústria dos mísseis lançados contra as cidades israelitas. Para parar esta ameaça diária Israel responde com um bloqueio e algumas esporádicas operações militares. A ONU e a União Europeia pedem contenção.

Imagine-se que a situação na cidade de Sderot era num qualquer país da Europa. Bragança a ser bombardeada todos os dias, a partir de Espanha? Se os habitantes de Antuérpia não pudessem sair à rua, devido às bombas lançadas a partir da Holanda? Se, durante meses a fio, chovessem mísseis italianos em Nice ou alemães em Estrasburgo? Alguém pediria contenção a Portugal, à Bélgica ou à França?

De Israel espera-se que não faça nada. Que deixe as bombas cair sobre escolas e famílias de Sderot. Não digam que os habitantes de Gaza não têm nada a ver com os mísseis. As sondagens mostram que o Hamas e a sua estratégia terrorista continuam populares na Faixa. Os pais de Gaza estão dispostos a sacrificar, de qualquer forma, os seus filhos. O ódio que sentem por Israel é maior que o amor que sentem pelos seus filhos.

Negar o direito de resposta face à agressão vinda de Gaza, seja sob a forma militar ou de bloqueio económico, por parte de Israel, é negar a legitimidade israelita de proteger os seus habitantes. É negar o direito de Israel de viver em paz, um direito reconhecido a qualquer Estado. Não é mais nada do que negar a Israel o direito a existir.

PS – Apesar das bombas que caem nas cidades israelitas, o país continua a permitir a passagem de doentes graves provenientes de Gaza para tratamento em Israel. Portugal aceitaria tratar doentes espanhóis, se chovessem mísseis em Bragança?

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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Política, mentiras e vídeo

Há menos de duas semanas, o Jerusalem Post publicou no seu sítio na Internet, o vídeo do assassínio de uma jovem de 16 anos, que teve lugar em Julho, em Gaza. Mais um caso de “crime de honra”. A notícia foi apresentada como um exclusivo do jornal. O vídeo tinha sido obtido pelo jornalista Khaled Abu Toameh, o correspondente do jornal para os assuntos palestinianos.

Porém, em poucas horas, o “furo jornalístico” revelou-se uma mentira. O vídeo era real, mas não havia sido gravado em Gaza, antes no Iraque, em Abril. Uma cilada na qual se via envolvido o mais prestigiado dos jornais israelitas.

Quem entregou o vídeo ao jornalista? A Fatah, o movimento do presidente palestiniano, que controla a Cisjordânia. O jornalista havia sido chamado ao Quartel-general de Informações da Fatah em Ramallah, onde um oficial da Fatah lhe entregou o vídeo e os telefones de duas alegadas testemunhas do assassinato, que iriam corroborar a história.

Descobriu-se depois que as “testemunhas” eram na verdade milicianos da Fatah em Gaza. A história era uma total fabricação. Com que objectivo? Mostrar a Fatah e o governo de Mahmud Abbas como credíveis, parceiros para a paz e lutadores contra as forças do mal representadas pelo Hamas, que há meses controla a Faixa de Gaza, instituindo um estado de terror e não de ordem. A história do assassinato da jovem acabou por ser retirada do site do Jerusalem Post e não foi publicada no jornal no dia seguinte. O ardil montado pela propaganda da Fatah, esse sim, foi revelado.

Na semana passada, o governo de Israel libertou da prisão 87 palestinianos condenados por participação em actos terroristas. Um pormenor que não é circunstancial: todos eram afiliados da Fatah. A acção destinou-se a fortalecer a Fatah e o governo de Abbas na Cisjordãnia, contra o governo do Hamas que controla Gaza.

Esta acção de libertação dos prisioneiros vem sem contrapartidas. A Fatah não tem de dar nada em troca da liberdade dos 87 terroristas. Afinal, nem sequer a televisão palestiniana deixa de passar programas “educativos” anti-Israel. As escolas continuam a ensinar o ódio. Os políticos da Fatah continuam a insistir no retorno dos 4 milhões de refugiados palestinianos, uma ideia que evidentemente resultaria na destruição de Israel.

O governo de Israel sabe de isto tudo. E mesmo assim libertou os 87 terroristas. Apenas para fortalecer a Fatah contra o Hamas. No passado, várias acções de libertação de prisioneiros, por vários governos de Israel tiveram o efeito contrário ao pretendido.

Descobriu-se que mais de 100 israelitas morreram em ataques realizados ou planeados por terroristas que tinham sido libertados da prisão por ordem do governo. O caso mais conhecido foi a libertação do xeque Ahmed Yassin, o paralítico líder espiritual do Hamas. Na altura, a libertação de Yassin destinava-se a enfraquecer e desacreditar Yasser Arafat. Mesmo limitado a uma cadeira de rodas, o diabólico Yassin continuou a instruir milhares de terroristas do Hamas que mataram centenas de israelitas.

Na mesma semana da mentira do vídeo, a Fatah realizou outra acção de propaganda: entregou às tropas de Israel uma série de tubos de metal descobertos próximos de Belém e que, alegadamente seriam usados na construção de mísseis. O caso parece ter causado algum sobressalto em Jerusalém, perante a perspectiva de ataques diários de mísseis à cidade, a partir de Belém, como os que acontecem em Sderot e outras localidades, vítimas dos ataques diários a partir de Gaza. A entrega dos tubos pretendia mostrar o governo de Abbas como um lutador contra o terrorismo. Soube-se depois que afinal os tubos de metal eram exactamente isso: tubos de metal. E que eram usados como brinquedo por algumas crianças.

Se é importante destruir o terrorismo do Hamas, não é menos importante deixar de fortalecer o terrorismo da Fatah. Uns, aberta, os outros, disfarçadamente, desejam o mesmo: apagar Israel do mapa.

Ps – O Hamas e a Fatah têm-se envolvido numa guerra de propaganda que atingiu níveis sórdidos. Ambos reclamam ter vídeos dos outros envolvendo escândalos sexuais. Desde relações homossexuais envolvendo altas figuras do regime, abusos pedófilos numa mesquita do Hamas em Gaza, adultério de líderes da Fatah. Tudo vale para ganhar a confiança da plebe e mostrar que o outro lado é o mau da fita.

publicado por Boaz às 15:05
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2006

Ventos do Norte

Depois do choque causado pelo rapto do soldado Gilad Shalit na Faixa de Gaza, hoje, a atenção da sociedade israelita vira-se para a fronteira norte, com o Líbano. Numa aparente manobra de engodo, guerrilheiros do Hezbollah dispararam a partir de território libanês para uma posição israelita. Os soldados terão decidido passar a fronteira para responder ao fogo. Nessa altura dois soldados israelitas foram raptados pela guerrilha pró-iraniana e mortos outros três.

Na operação que se seguiu para resgatá-los, foram mortos outros quatro soldados na explosão de um carro armadilhado. A liderança do movimento libanês declarou que os soldados sequestrados só serão entregues numa troca por prisioneiros árabes nas prisões israelitas. Fala-se já de guerra. Espero que sejam apenas declarações "a quente"...

O problema é que guerra é exactamente aquilo que o Hezbollah quer. Os terroristas alimentam-se e fortalecem-se quando os seus alvos decidem virar-se contra si. Veja-se o que se passou no Iraque com a Al-Qaeda. A cada manobra militar americana, mais os terroristas ganham adeptos, mais aumenta por todo o mundo árabe e muçulmano a oposição à presença militar americana no Iraque e no Afeganistão.

Uma nova guerra no Líbano para além de fazer ganhar popularidade ao Hezbollah nas massas árabes, ainda iria fazer agravar as ameaças nucleares iranianas contra o Estado de Israel.

Por outro lado, a opinião pública israelita exige ao governo de Ehud Olmert uma acção enérgica para resolver tanto a situação do soldado sequestrado em Gaza, como aos soldados raptados entretanto. Exige-se uma justificação de políticas. Após a saída de Gaza, com o argumento que essa manobra iria aumentar a segurança em Israel, verificou-se, pelo contrário, um aumento da actividade terrorista palestiniana naquela região. Foguetes Qassam do Hamas caem diariamente sobre Sderot e outras cidades israelitas próximas de Gaza.

Os planos de construção de casas de palestinianos nos terrenos dos antigos colonatos não foram levados adiante, apesar da situação grave da falta de habitações na sobrepovoada Faixa de Gaza - um dos locais com maior densidade populacional do planeta - não se concretizaram. Infra-estruturas construídas por Israel para os seus colonos e deixadas intactas aquando da retirada, tais como escolas, centros médicos e outras instalações civis foram entretanto vandalizadas pelos habitantes que delas deveriam usufruir após a retirada israelita.

Outro dado que também fala por si: 70% da população de Gaza defende o sequestro do soldado israelita e é contra a sua entrega, apesar das consequências severas que essa acção tem causado para os habitantes da Faixa de Gaza, como a quebra no abastecimento de água e luz.

Inegável é todavia, a legitimidade do governo de Israel para tomar medidas para resolver a situação. Que medidas e se realmente resultam, essas são as grandes questões que se impõem nesta altura.

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publicado por Boaz às 17:27
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Terça-feira, 27 de Junho de 2006

Tudo por Gilad

Procura-se Gilad Shalit

É a história do momento em Israel: o rapto do soldado Gilad Shalit, em Gaza.

"Precisamos de nos concentrar em trazer para casa [o soldado das FDI raptado] Gilad Shalit. Estamos prontos para uma operação longa e afirmativa. Lutaremos contra o terror e não negociaremos com os raptores," declarou esta tarde o Primeiro Ministro Ehud Olmert na Knesset.

Ao menos aqui na yeshiva - onde se vive um ambiente nacionalista - a opinião dominante é que se deve tomar uma posição de força. A sensação é como se o sequestro de 'um simples' soldado, fosse o sequestro de todo o Tzahal (exército israelita) e de todo o país junto com ele. Uma situação inaceitável.

Espera-se uma operação em larga escala. Soldados destacados em várias regiões do país estarão para ser mobilizados para os arredores da Faixa de Gaza, até receberem ordens para avançar.

Vivos ou mortos, o exército de Israel nunca deixa os seus soldados em mãos do inimigo. Basta lembrar o que se passou há cerca de 2 anos, quando o governo de Israel aceitou libertar 200 prisioneiros palestinianos em troca dos cadáveres de 4 soldados israelitas mortos no Líbano.

Se um país é capaz de libertar 200 indivíduos perigosos para reaver os corpos de soldados mortos, até onde irá para reaver o soldado que - ainda - se supõe vivo?

NOTA: Num aparente regresso às suas tácticas antigas (antes de adoptar os ataques com terroristas suicidas), o Hamas sequestrou mais dois soldados israelitas. Acções de menor impacto mediático, mas igualmente de um enorme impacto emocional para o país.

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Terça-feira, 13 de Setembro de 2005

Uma questão de perspectiva

Bandeiras do Hamas hasteadas no telhado da antiga sinagoga de Neveh Dekalim, em Gaza

Após a retirada dos últimos soldados israelitas da Faixa de Gaza, militantes palestinianos invadiram os antigos colonatos e começaram a vandalizar o que restou das sinagogas e outros edifícios que não haviam sido demolidos.

Propunha um exercício de perspectiva. E se, em vez de serem indivíduos muçulmanos a destruírem locais que outrora foram sagrados para judeus, fossem judeus a profanar mesquitas? Dava que falar, não dava?

É que o que aconteceu parece não ter merecido críticas de parte alguma - a não ser, obviamente, de Israel.

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Sexta-feira, 12 de Agosto de 2005

Adeus Gaza, 'Orange County'

Dentro de três dias, se as coisas correrem como o previsto, começará a retirada dos 21 colonatos israelitas de Gaza e de mais quatro no norte da Cisjordânia. Os ânimos estão há muito exaltados em Israel. E têm crescido sempre, desde o anúncio do plano de retirada, há vários meses. Centenas de colonos e seus apoiantes têm tentado entrar nas colónias a ser desmanteladas, para impedir a operação.

A semana passada, um soldado extremista disparou sobre os passageiros de um autocarro numa cidade árabe do norte de Israel, a fim de desencadear confrontos que desviariam os soldados que devem assegurar a prossecução do plano. Morreram 4 passageiros e mais de 20 ficaram feridos. O soldado foi depois linchado até à morte, pela população em fúria.

Laranja, o símbolo da oposição ao 'disengagement'.

Quando estive em Jerusalém em Maio passado, eram bem visíveis as divisões causadas pelo "disengagement". Por todo o lado, se viam as fitas cor de laranja, a cor dos opositores da retirada. À porta da estação central de autocarros da capital, raparigas judias religiosas, cumpriam a sua parte no esforço por angariar gente e fundos para a sua causa. Tinham montado uma banca no passeio, onde vendiam pulseiras de borracha, fitas, crachás e bandeiras. Tudo no mesmo tom invariavelmente laranja fluorescente. Os carros andavam engalanados com bandeiras nacionais e os apoiantes dos colonos acrescentavam à bandeira a tal fita. Alunos das escolas usavam-nas atadas na pega das mochilas. Alguém se tinha esforçado muito para mostrar a sua oposição ao plano, pendurando a dita cuja nos fios eléctricos, bem no meio das ruas e avenidas.

Eu, que sou a favor da retirada - peca por tardia, mas mais vale tarde que nunca -, também consegui arranjar uma dessas fitas, sem ter contribuído para a causa. Encontrei-a perdida, à beira da estrada que liga Belém a Jerusalém. Curioso sítio para encontrar tal símbolo, já que a estrada corre em "território ocupado" não longe do checkpoint e do "muro" à entrada de Belém e serve de acesso a vários dos colonatos mais militantes.

É óbvio que o "disengagement" não é o fim da retirada. Outros planos de retirada se seguirão. Não pode ser de outro modo. Ninguém no governo de Israel, por mais militante sionista que seja, acredita que os Palestinianos irão dar pulos de alegria por terem 300 quilómetros quadrados de dunas e esgotos a céu aberto (é isso que é Gaza, nada mais) para fazer o seu Estado.

As divisões na sociedade israelita são profundas, apesar de a maioria se manifestar a favor da decisão de Ariel Sharon. Mas abandonar a porcaria de Gaza e de 4 pequenas comunidades da Margem Ocidental, com o realojamento de pouco mais de 7000 colonos até parece fácil, face ao desafio que será abandonar a Margem Ocidental em peso, onde vivem mais de 100 mil israelitas.

Há poucas semanas ouvi a posição oficial do governo israelita em relação ao plano, pela voz do embaixador em Portugal. Na altura, das pessoas presentes, só uma se manifestou declaradamente a favor da retirada. Com a sua experiência e autoridade de antigo militar de elite que passou os 3 anos de tropa numa unidade de tanques exactamente em Gaza, revelou que Israel deveria abandonar todos os territórios ocupados em 1967: Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Isso traria, de acordo com as suas palavras, a paz para Israel.

Infelizmente, não tenho soluções que ache que sejam milagrosas, ou mais ou menos definitivas. Não consigo conceber nenhuma ideia que seja capaz de, definitivamente, parar com a violência e resolver o conflito com justiça e equilíbrio. Tenho esperança que, mais cedo ou mais tarde a paz chegue.

publicado por Boaz às 03:19
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