Quarta-feira, 1 de Junho de 2011

Seis dias em Junho

Passaram mais de 40 anos, mas os acontecimentos de 5 a 10 de Junho de 1967 têm consequências até à atualidade. Conhecida por "Guerra dos Seis Dias", é um dos mais dramáticos episódios da história de Israel. Desde o dia da sua fundação, em 14 de Maio de 1948, o moderno Estado de Israel foi ameaçado pelos seus vizinhos árabes. Com o cessar-fogo da Guerra da Independência, em 1949, não foi instaurada a segurança e a estabilidade nas fronteiras do jovem Estado Judaico.

A partir do Sinai e da Faixa de Gaza – ocupada pelo Egito em 1949 –, as violações da fronteira de Israel eram constantes. A cada ataque seguiam-se retaliações da parte de Israel. O clima de guerra era permanente e, com a nacionalização do Canal de Suez, o Egito esperava represálias também da França e do Reino Unido, que pretendiam defender os seus interesses no Canal.

Sabendo dos interesses anglo-franceses, Israel decidiu ser o primeiro a atacar. A intenção israelita não ocupar o Sinai permanentemente. O objetivo era impor uma derrota ao beligerante regime de Nasser, que levasse o exército egípcio a terminar com as ameaças às fronteiras de Israel. A “Operação Kadesh” de 1956 causou uma derrota egípcia, mas o ambiente de guerra não abandonou a região. Com a colocação de milhares de soldados da ONU no Sinai para vigiar o cessar-fogo, as incursões árabes em território israelita terminaram durante alguns anos. A confiança israelita nas suas tropas cresceu consideravelmente.

A tranquilidade relativa da fronteira egípcia contrastava com os repetidos ataques na fronteira síria. Povoações no norte da Galileia e nas margens do Kinneret (Mar da Galileia) eram bombardeadas a partir de posições sírias no estratégico planalto de Golan. Em Jerusalém e na fronteira oriental, a ameaça do exército jordano também era crescente. Ainda que o Rei Hussein fosse o mais moderado dos vizinhos de Israel, era pressionado pelos milhares de residentes palestinianos no seu país e pelos restantes líderes árabes.

A situação agravou-se com a ordem do presidente egípcio Abdel Nasser de expulsão das tropas da ONU estacionadas no Sinai e a retoma do controlo militar da península pelo poderoso exército egípcio. No estreito de Tiran, no fundo do Sinai, foi imposto um bloqueio aos navios de Israel, impedindo o seu acesso ao Mar Vermelho. A guerra era de novo eminente.

Os dois blocos da “Guerra Fria” armavam cada um dos lados. Os soviéticos equipavam as forças árabes, enquanto Israel usava armas de fabrico americano, francês e britânico. Em evidente desvantagem numérica e estratégica, a única hipótese de Israel conseguir uma vitória no conflito que estava eminente, seria desencadear um ataque surpresa, rápido e massivo.

Na manhã de 5 de Junho, a aviação israelita atacou as bases aéreas egípcias a partir do Mediterrâneo. Voando a baixa altitude evitaram ser detetados pelos radares. Em algumas horas, a Força Aérea de Israel reduziu a cinzas toda a frota de aviões de Nasser. Simultaneamente, foram atacadas bases na Síria, Jordânia e Iraque. Este ataque fulminante permitiu a Israel o controlo absoluto do espaço aéreo, podendo depois concentrar-se na ofensiva terrestre.

Perante o ataque israelita, as populações árabes reagiram com entusiasmo. Afinal, não haviam sido informadas da pesada derrota aérea pela comunicação social controlada pelos seus regimes. Num esforço propagandístico evidente, a Rádio Damasco difundia a mensagem: “Destruiremos Israel em quatro dias”.

Os combates foram rápidos no Sinai. Em apenas três dias, a maior parte das forças egípcias – o mais poderoso exército árabe – foram derrotadas em batalhas de blindados. O exército de Israel avançou até à margem oriental do canal de Suez. Com a frente egípcia totalmente dominada, Israel concentrou-se na frente oriental. O exército jordano atacava a Cidade Nova de Jerusalém, pretendendo avançar pela cidade rumo ao Mar Mediterrâneo, cortando Israel ao meio.

As tropas israelitas atravessaram a "terra de ninguém"; que se estendia ao longo da fronteira que dividia a cidade desde 1949 e cercaram a Cidade Velha. Após dois dias de combates, o exército jordano foi repelido da Cidade Santa e a cidade foi finalmente reunificada. Pela manhã do dia 7 de Junho, já os fiéis judeus rezavam no Kotel, o Muro das Lamentações, pela primeira vez em 19 anos. O local mais sagrado do Judaísmo havia estado inacessível aos Judeus desde 1948, quando Jerusalém Oriental, incluindo a Cidade Velha, fora capturada pela Jordânia.


Fiéis judeus no Kotel, uma realidade impossível até 1967.

Israel avançou para Oriente, conquistando o território da Judeia e Samaria, que desde 1949 estava sob controlo jordano. Em 1950, esses territórios haviam sido mesmo anexados pelo Reino da Jordânia. Nessa altura, ainda ninguém reclamava a região para fundar um "Estado Palestiniano". Com as vitórias no sul e no leste asseguradas, restava suster a ameaça da Síria. Antes que as Nações Unidas decretassem um cessar-fogo, os blindados israelitas venceram o exército sírio nos Montes Golan. A 10 de Junho foi instaurado o cessar-fogo. A essa altura, as tropas israelitas já haviam avançado até próximo da capital síria, Damasco.

Em menos de uma semana, Israel aumentou mais de três vezes o tamanho do seu território. (A península do Sinai seria devolvida ao Egito em 1981, instaurando o primeiro tratado de paz israelo-árabe, o qual se mantém até hoje, apesar de alguns momentos problemáticos nas relações entre os dois países.) A partir de 20 de Junho foi autorizado a todos os Muçulmanos o acesso à mesquita de Al-Aqsa, no Monte do Templo (ou Esplanada das Mesquitas). Anteriormente, os fieis muçulmanos que viviam do lado israelita da “Linha Verde” também não podiam rezar nos seus santuários da Cidade Velha.

A espetacular vitória israelita causou um fortalecimento sem precedentes da identidade judaica. No espaço dos últimos 2000 anos, nunca as profecias de Redenção pareceram tão reais. Em todo o mundo, milhares de judeus seculares que até então desprezavam a sua origem judaica, passaram a afirmar com orgulho o seu Judaísmo. Milhares de Judeus fora de Israel passaram a usar com orgulho as suas kippot, publicamente. Na União Soviética, onde os Judeus sofriam uma forte perseguição religiosa, mesmo debaixo da opressão do regime despertara um movimento que reclamava o direito de imigrar para Israel.

Desde que Israel unificou Jerusalém, a cidade experimentou uma fase de desenvolvimento sem precedentes. Nunca a cidade se tornara verdadeiramente num local santo para as três religiões monoteístas. Apenas sob o domínio israelita foi instaurada a liberdade religiosa para todos os seus habitantes.

Hoje, o calendário judaico marca o Yom Yerushalaim, o Dia de Jerusalém, que celebra a reunificação da Cidade Santa, ocorrida durante a Guerra dos Seis Dias. Ele simboliza a restauração do domínio do Povo de Israel sobre a sua capital ancestral. O retorno a Sião, base do Sionismo, a ideologia fundadora do Estado de Israel, que é a ânsia dos Judeus de regressarem à sua pátria histórica depois de quase dois mil anos de exílio. A coroa regressou ao seu legítimo soberano.

publicado por Boaz às 15:00
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Se eu te esquecer, Jerusalém

Hoje é o Dia de Jerusalém. Há 41 anos, durante a Guerra dos Seis Dias (1967), o exército de Israel reunificou a cidade, dividida desde 1948. Com a derrota israelita na frente de Jerusalém na Guerra da Independência, em 1949, todo o Bairro Judeu da Cidade Velha, habitado permanentemente por judeus durante séculos, foi sistematicamente arrasado pelas tropas jordanas. Sinagogas seculares, casas, escolas, hospitais, monumentos históricos, foram deixados em escombros. Todos os habitantes judeus foram expulsos. Os escombros das sinagogas foram transformados em currais de animais domésticos. O cemitério judaico do Monte das Oliveiras foi profanado pelos jordanos, com centenas de lajes tumulares usadas para pavimentar estradas.

Os lugares santos judaicos, como o Muro Ocidental – única parte remanescente do antigo Templo de Jerusalém – foram interditos aos fiéis judeus. Tal como haviam feito os Romanos e seus herdeiros bizantinos após a destruição da cidade no ano 70 da Era Comum, os jordanos proibiram os judeus de rezar nos seus locais sagrados. Por 19 anos, a única opção foi vislumbrar o Monte do Templo ao longe, a partir da Cidade Nova.

Durante quase duas décadas a cidade esteve dividida. Junto à muralha ocidental da Cidade Velha, estendia-se uma extensão de terra altamente vigiada. Uma "terra de ninguém" entre duas linhas de arame farpado. Até Junho de 1967.

Em apenas seis dias, numa impressionante campanha militar desenrolada em três frentes – no norte contra a Síria, no sul contra o Egipto e no Leste contra a Jordânia – Israel multiplicou por três o seu território. Após dois dias de combates na Cidade Velha, Jerusalém foi reunificada. Pela primeira vez, em quase 20 anos, os judeus puderam voltar a rezar no Kotel, o Muro Ocidental.

E, ao contrário do que haviam feito as autoridades jordanas durante o seu controle da cidade, a liberdade de acesso aos locais santos foi garantida a fiéis de todas as religiões. Apenas duas semanas depois do fim dos combates, foi permitido a todos os muçulmanos o acesso à mesquita de Al-Aqsa.

Hoje, Jerusalém é uma cidade diferente. Após a estagnação da divisão Israel-Jordânia, a capital floresceu. As obras de modernização estão por toda a parte. Uma das obras a ser inaugurada hoje é a magnífica ponte do futuro metro ligeiro, projectada por Santiago Calatrava. Por agora, só a circulação de peões será possível. Dentro de três anos (se não houver mais atrasos na obra) também o metro ligeiro deslizará pela delicada ponte branca, na entrada da cidade.

Depois de anos com numerosos ataques terroristas nos mais diversos pontos da capital, a atmosfera é descontraída. Multidões de turistas – com as novidades dos chineses e dos nigerianos – voltam a pisar as calçadas milenares de Jerusalém. A actividade cultural é vibrante. Novos bairros residenciais, hotéis e centros tecnológicos estão em construção.

No entanto, falam em dividir a cidade. Os mal-esclarecidos planos do governo, de entregar alguns bairros habitados maioritariamente por árabes, à Autoridade Palestiniana, fazem temer uma nova divisão na cidade. Sobre a Jerusalém unificada, até agora aberta a todos, paira a intenção de cortá-la ao meio. Um regresso aos terríveis dias antes de Junho de 1967. Não creio que haja algum dos seus habitantes que realmente deseje um regresso a esses tempos. Nem sequer os árabes que, apesar de boicotarem sistematicamente as eleições municipais, usufruem, como qualquer jerusalemita, dos transportes, hospitais e demais serviços públicos.

A cidade permanece solene. Maravilhosa, apesar de todas as convulsões e tragédias por que passou em mais de 3000 anos de história. Cada uma delas lhe deu um carácter novo. Talvez seja essa permanente mudança que lhe garante a essência de eternidade.

"Se eu te esquecer, Jerusalém, que a minha mão direita esqueça a sua destreza. Que a minha língua se pegue ao meu palato se eu não te recordo, se eu não elevo Jerusalém acima da minha maior alegria." (Salmo 137:5)

publicado por Boaz às 00:00
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Shabbat fora, cá dentro

Este foi de novo um Shabbat de yeshiva fechada. Não tendo conseguido encontrar um local alternativo para passar o Shabbat, acabei por ter de ficar sozinho na yeshiva. Comprei chalá, uma garrafa de sumo de uva natural, uma caixa de houmous e um bolo. A chalá é o pão tradicional comido no Shabbat. O sumo de uva natural é a alternativa não alcoólica para fazer o kiddush, a bênção especial do Shabbat. O houmous, uma pasta feita de grão e creme de sésamo, é o acompanhamento ideal para o pão. O bolo, apenas uma guloseima. Em honra do Shabbat.


Kotel, no início do século XX.

Com o frio que tem fustigado Jerusalém nas últimas semanas, ficar na yeshiva, que é como quem diz, ficar em casa, até soube bem. Com o Kotel, o Muro Ocidental ou das Lamentações, ao pé da porta, foi o meu local de escolha para rezar. Em Kabbalat Shabbat – a oração que antecede a oração da noite de Shabbat e durante a qual recebemos a santidade do dia – encontrei alguns amigos da yeshiva que tinham conseguido lugar num hotel, onde iam animar um grupo de jovens chegados do Brasil num programa religioso.

Decidi ir jantar a casa do Rabino Machlis, que recebe toda a pessoa que queira um lugar para comer ao Sábado, o que implicava uma caminhada de mais de meia hora. Para me proteger do frio que teria de aguentar durante a caminhada, regressei à yeshiva para vestir umas ceroulas por baixo das calças – desculpem-me a indiscrição e a violação grosseira da moda, mas este frio não está mesmo para brincadeiras.

Em boa hora regressei à yeshivá. Acabei por encontrar Abraão, um brasileiro de Manaus sozinho em Israel e recém-chegado a Jerusalém para trabalhar na yeshiva, que também não tinha onde comer. E ele, ao contrário de mim, não tinha comprado nada para comer no Shabbat. Haviam-lhe falado da alternativa do Rabino Machlis, mas não sabia como chegar ao local.

Cruzando o Bairro Arménio, saímos da Cidade Velha pela Porta de Jaffa, passámos pelo fundo do bairro de Mea Shearim até Maalot Dafna, um bairro de judeus ortodoxos separado de um bairro árabe apenas por uma avenida. Por ser Shabbat, espantou a Abraão ver tantos carros na rua, ainda mais em Jerusalém. Nem todos os Jerusalemitas são judeus religiosos, além de aquela avenida ser o acesso principal aos bairros árabes do leste da cidade.

Frente à casa do Rabino, tivemos de esperar cerca de meia hora até que abrissem a porta. Depois de duas horas de muita comida, cantigas e palavras de Torá do Rabino Machlis e de alguns convidados, regressámos pelo mesmo caminho para a yeshiva. Eu avisei, depois da longa caminhada de volta, o farto jantar pareceria nem sequer ter existido. Abraão procurou alguma comida na cozinha da yeshiva para "matar o rato".

Na tarde seguinte, depois do almoço que fiz sozinho no meu quarto, com o que havia comprado, não havia tempo para dormir. É normal dormir algumas horas nas tardes de Shabbat. Os dias curtos de Inverno não o permitem. Após o almoço desci de novo ao Kotel para rezar Minchá, a oração da tarde e estudar um pouco.

O Sábado é o dia mais animado no Muro Ocidental. Gosto de ficar sentado na praça a olhar as pessoas que passam. Judeus de todas as correntes, vestidos com as suas melhores roupas concentram-se no Kotel para rezar. Uns de streimel (chapéu de pelo), outros de chapéu negro, outros ainda de kippá tricotada. Os turistas e os judeus não religiosos usam as horrendas kippot de papel disponíveis à entrada da área de orações. Solução de emergência para os desprevenidos e "os afastados".

É um privilégio poder estar aqui todos os dias. Ainda mais no Shabbat. Na yeshiva é costume descermos as escadas todos juntos, mais de uma centena de estudantes, quase em pelotão, a cantar, até ao Muro Ocidental. Muitas pessoas aplaudem à nossa passagem, emocionadas pela expressão de fé e alegria. Já quase se tornou motivo de atracção turística, o grupo de estudantes de yeshiva que cantam pela Praça do Muro antes de kabbalat Shabbat.

Para a semana, se Deus quiser, volta o Shabbat dentro da yeshiva. A descida ao Kotel e o Kabbalat Shabbat, todos juntos. E com menos frio, espero.

publicado por Boaz às 12:26
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