Domingo, 30 de Janeiro de 2011

A revolta dos arredores

Enquanto no Cairo e algumas outras cidades egípcias, o povo se revolta para tombar o regime, em Jerusalém o governo olha, atento ao que se passa com o grande vizinho do sul. Até agora, a palavra de ordem em Jerusalém sobre a crise egípcia é, simplesmente manter o silêncio. Isso e realçar o interesse de Israel em manter os acordos de paz com o Egito, assinados há precisamente 30 anos. Do resto do Mundo, também é evidente a cautela em decretar a morte do regime. Esperar para ver.

Uma das coisas que mais surpreende sobre o que se tem passado na Tunísia, Egito e noutros pontos do Mundo Árabe, para quem assiste a partir de Israel é a ausência de referências ao conflito com os Palestinianos. Entre os gritos dos manifestantes em Tunis e no Cairo não se escutam apelos a "morte a Israel" ou à "Palestina Livre".


Polícia de choque frente a manifestantes anti-Mubarak, Janeiro 2011.

Para aqueles que consideram a questão israelo-palestiniana como o cerne de todos os problemas no Médio Oriente, as revoltas nas capitais árabes provam o contrário. Nos últimos anos, políticos e diplomatas nos EUA, na Europa e nas Nações Unidas repetem o mesmo mantra: "a resolução do problema dos Palestinianos conduzirá à resolução de todos os demais problemas do Médio Oriente". Para apaziguar os ditatoriais governos árabes hostis às mudanças, a diplomacia internacional – interessada em manter boas relações com o poder instituído – raramente refere a necessidade de reformas políticas e económicas a fim de melhorar as condições sociais no Mundo Árabe. Pelo contrário, Israel e a situação dos Palestinianos sempre estão na agenda das visitas oficiais a um qualquer estado árabe.

Ao longo das décadas, em todo o Mundo Árabe o apoio à causa palestiniana é recorrente nos discursos políticos. Na década de 1960, no Egito de Nasser, face à pressão popular pela reforma política (já nessa altura os egípcios queriam mudar de regime), o ditador acenava com a causa palestiniana como o maior objetivo nacional. A resolução dos gravíssimos problemas do Egito: falta de liberdade política e religiosa, analfabetismo, corrupção do governo e desemprego, foi repetidamente adiada sob a demagógica bandeira da "libertação dos irmãos árabes da Palestina".

Porém, os manifestantes da "Revolução de Jasmim" tunisina, tal como aqueles que há uma semana marcham no Egito, e também esporadicamente na Jordânia, Iémen, Marrocos, Argélia, Líbano, Sudão e os que já apelam à mobilização popular na Síria, anseiam pela sua própria liberdade. A questão palestiniana e o ódio contra Israel são distrações recorrentes para a sua própria desgraça. Mais do que sobre israelitas e palestinianos, a instabilidade social e política do Mundo Árabe é sobre os próprios árabes. Sobre o seu desemprego e pobreza (que leva milhões a imigrar para a Europa). Sobre o desespero de quem não vislumbra um bom futuro.

A Palestina está diariamente nas primeiras páginas dos jornais, nas reuniões das Nações Unidas, nos discursos das chancelarias. Israel é repetidamente incriminado na arena internacional. Porém, perante os abusos que se prolongam há décadas e que originaram a explosão popular que se espalha pelo Médio Oriente, a resposta da diplomacia internacional tem sido nula.

A história ensina que em muitas revoluções populares que desejavam a democracia, o resultado foi a tragédia e a brutalidade. Da "mãe das revoluções", a Revolução Francesa, saiu um breve período democrático do qual nasceu a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Pouco tempo depois, o ímpeto democrático foi varrido pelo "Reino do Terror" liderado por Robespierre. Em 1979, com a queda do regime do Xá do Irão também surgiram breves ventos democráticos pela mão de Shapour Bakhtiar, mas o fanatismo islâmico do ayatollah Khomeini acabou com as esperanças de democracia. Até aos nossos dias.

Por enquanto, parece um movimento de espontânea revolta popular. Ao contrário das manifestações em Teerão depois das últimas eleições presidenciais fraudulentas, na revolta egípcia não há uma liderança clara dos que pretendem a reforma do regime de Hosni Mubarak. Porém, à espreita nas sombras, os extremistas islâmicos da Irmandade Muçulmana estarão a preparar-se para um assalto ao poder. Israel olha com cautela para as ruas do Cairo.

publicado por Boaz às 19:25
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Quinta-feira, 11 de Março de 2010

O legado dos Patriarcas nas mãos dos políticos

No dia 21 de Janeiro, o governo de Israel apresentou um plano de restauro do património nacional. Num país marcado pela história religiosa de Judeus, Cristãos e Muçulmanos, é óbvio que locais sagrados seriam incluídos no documento. Todavia, a lista não teria chegado às primeiras páginas dos jornais e levantado polémica – inclusive a nível internacional –, se não constassem locais nos chamados Territórios Palestinianos.

Kever Rachel, o túmulo da matriarca Raquel na entrada da cidade de Belém, e Maarat HaMachpelá, a Gruta dos Patriarcas em Hebron, são os pontos da polémica. Depois da divulgação da lista, ocorreram confrontos entre residentes árabes e o exército israelita que controla uma parte da cidade de Hebron.


Maarat HaMachpela
, a Gruta dos Patriarcas, em Hebron.
O local é partilhado por Judeus e Muçulmanos.
Uma multidão de peregrinos judeus espera para entrar na sala do túmulo de Isaac,
onde o acesso de Judeus é permitido apenas duas vezes por ano.

De acordo com a declaração do governo, uma das intenções ao formular esta lista é promover a preservação dos locais e permitir o acesso a pessoas de todas as religiões. "A nossa existência aqui, no nosso país, depende não apenas da força do Tzahal (Forças de Defesa de Israel) e do nosso poderio económico e tecnológico. Está ancorada, mais do que tudo, no nosso legado nacional e emocional, o qual nós inspiramos na nossa juventude e nas próximas gerações".

É evidente que a lista tem uma intenção política, mostrando o plano político de afirmar o controle israelita desses locais. Porém, existe também seriedade na decisão do governo de Israel em querer preservar património judaico em locais reclamados por Muçulmanos. A história deu a Israel, e aos Judeus em geral, provas evidentes do destino dos locais sagrados judaicos quando caem sob a tutela dos não-judeus, em especial dos poderes árabes.

Em 1994, quando foi instituída a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Israel entregou à nova entidade o controlo da cidade de Jericó e da maioria da Faixa de Gaza. Em Jericó, logo após a transmissão de poderes para a ANP, polícias palestinianos subiram ao telhado da antiga sinagoga “Shalom al Israel” e ostentaram a bandeira palestiniana, num sinal de evidente desprezo pelo lugar. No ano 2000, com o estalar da segunda Intifada, livros sagrados e relíquias da sinagoga foram queimados, o antigo chão de mosaico destruído e o local foi transformado numa mesquita.

Em Shechem (Nablus), no mesmo dia da entrega da cidade à Autoridade Palestiniana, em 17 de Outubro de 2000, uma multidão de palestinianos saqueou o antigo túmulo de José, um dos filhos do patriarca Jacob, esmagando a cúpula com picaretas e ateando fogo ao santuário. Após o ataque, o exército de Israel proibiu o acesso ao local aos peregrinos judeus, por motivos de segurança. Alguns dias depois, iniciaram-se obras de reconstrução e as autoridades palestinianas proibiram os peregrinos judeus de rezarem no local, até que uma comissão internacional independente determinasse se o local era santo para Muçulmanos ou para Judeus. (Mas nunca para ambos?) Ainda assim, de forma clandestina alguns peregrinos atreviam-se, de tempos a tempos, a visitar o local.

Com o tempo o santuário foi sujeito a vários atos de vandalismo, tornando-se depósito de lixo e de queima de pneus. Em 2007, jovens palestinianos de novo encheram o local de pneus e atearam-lhes fogo. Em resposta, o líder palestiniano Mahmud Abbas declarou o túmulo local santo islâmico. (A santidade da terra queimada...) Esse novo estatuto não salvou o lugar da selvajaria e da profanação. Em Abril de 2009, a pedra tumular foi esmagada e suásticas pintadas nas paredes.

A ONU e a UNESCO protestaram imediatamente a inclusão do Túmulo de Raquel e da Gruta dos Patriarcas na recente lista israelita do património a preservar. Porém, nunca protestaram a sucessiva depredação do Túmulo de José nem o vandalismo em Jericó ou em dezenas de outros locais judaicos – antigas sinagogas e túmulos de personagens bíblicos – situados em áreas controladas pela Autoridade Palestiniana.

No entanto, não foi apenas às mãos dos palestinianos que o património judaico foi vandalizado e desprezado. No Iraque, outrora pátria de uma significativa comunidade judaica, o túmulo do profeta Yechezkel (Ezequiel) era local de peregrinação de Judeus, Cristãos e Muçulmanos. Durante séculos, o santuário esteve ao cuidado da numerosa comunidade judaica. Após a independência de Israel, em 1948, os judeus iraquianos foram alvo de campanhas de intimidação e a maioria abandonou o Iraque. O venerado túmulo do profeta foi caindo em ruína.

Recentemente, as autoridades iraquianas iniciaram obras no local com vista à sua preservação. Porém, inscrições em hebraico e outros sinais judaicos foram apagados. A intenção é transformar o túmulo numa mesquita. Outros milenares túmulos judaicos no Iraque, como os do profeta Jonas, de Ezra o Escriba e do Rei Tzidkiahu (Zedequias) poderão num futuro próximo ser alvo da islamização forçada.

A lista do património a defender pelo Estado de Israel levantou críticas entre alguns políticos muçulmanos. Uma das mais ofensivas foi a do PM turco, Recep Tayyip Erdogan. Um jornal saudita citou-o, dizendo que o Túmulo de Raquel e a Gruta dos Patriarcas "não foram e nunca serão locais judaicos, mas islâmicos".

Na verdade, o acesso à Gruta dos Patriarcas tem sido partilhado entre Judeus e Muçulmanos, já que estes reconhecem o local como a Mesquita de Al-Ibrahim. No caso de Kever Rachel, após mais de 1700 anos de reconhecimento como o túmulo da matriarca Raquel, no ano 2000, muçulmanos começaram a chamar o local como mesquita Bilal ibn Rabah. Desde então, a novíssima denominação muçulmana passou a integrar o discurso politico palestiniano.

A cínica ignorância histórica de Erdogan, um político considerado moderado, é apenas mais um episódio de uma sistemática campanha para tentar romper qualquer ligação dos Judeus à Terra de Israel e a Jerusalém. Para além de argumentos religiosos, históricos e políticos sobre o direito de controlo e preservação, ou no mínimo de acesso de peregrinos judeus aos locais sagrados judaicos na Judeia e Samaria, a situação no terreno desde os Acordos de Oslo tem mostrado que os Palestinianos não têm respeitado o seu compromisso de preservação e liberdade de acesso a estes locais de culto.

O Túmulo de Raquel, reconhecido como um santuário judaico por mais de 2000 anos, e como tal mencionado inclusive em abundante literatura islâmica, tornou-se um local disputado por reclamações recentes. Tal como fizeram em outras ocasiões, os Palestinianos usam reais ou imaginárias reclamações religiosas para conseguir capital político para a sua campanha nacional. Nos sermões dos políticos árabes e dos imãs muçulmanos, uma das novidades é insistir que até o antigo Templo de Salomão não foi construído em Jerusalém. Para estes arqueólogos e historiadores de quintal, o Templo afinal foi construído... no Iémen.

publicado por Boaz às 23:46
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Nobel freudiano

Freud ficou famoso pelas suas teorias sobre a interpretação de sonhos. Suspeita-se que o Comité Nobel tenha lido a literatura freudiana nessa matéria de cabo a rabo e assim premiou o maior fabricante mundial de sonhos. Já foram Brad Pitt e Tom Cruise, mas hoje Barack Obama é o homem de quem se fala, com quem toda a gente sonha.

Jovem, bem vestido, bem falante, sorriso Colgate de estrela de cinema. Ele próprio cheio de sonhos e o mundo anda encantado por todos eles. É um prémio às boas intenções do príncipe encantado - ahhhh! (suspiro), mas vazio de substância. É que provas dadas das suas numerosas intenções ainda não há nenhumas.

Como disse Saramago - e eu não me consigo desculpar a mim próprio por citar tal personagem, outro sonhador desbocado: "É possível que comece a dizer-se que o Prémio Nobel da Paz [a Obama] foi prematuro, mas não o é se o tomarmos como um investimento".

PS – Se a escolha do Comité Nobel tivesse recaído sobre a Miss Universo, ninguém notaria a menor diferença. Afinal, tal como as misses – que também fazem sonhar meio-mundo – o presidente americano é uma bela combinação de sorriso fotogénico, acenos estudados à multidão de fãs e algumas palavras vagas sobre a paz mundial. Torço para que no próximo ano, o Nobel seja entregue a alguma fulana venezuelana em bikini.

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publicado por Boaz às 15:30
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Enquanto há vídeo, há esperança

Na última sexta-feira, foi divulgado um vídeo do soldado israelita Gilad Shalit, raptado em Gaza há mais de 3 anos. Durante todo este tempo de cativeiro, esta foi a primeira vez que o Hamas – os raptores – deixou passar um claro sinal de vida de Gilad para Israel.


O vídeo recente de Gilad Shalit. E as várias faces da campanha a favor da sua libertação.

Foi um breve vídeo de dois minutos de duração, que mostra Shalit dirigindo-se aos seus pais Noam e Aviva e ao Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu. Disse que tem sido bem tratado pelo Hamas e está de boa saúde, mas que anseia pelo dia em que verá de novo a sua família.

Todavia, o vídeo não chega de forma gratuita. Vinte prisioneiras palestinianas condenadas por ações terroristas foram libertadas em troca de 2 minutos de prova de vida de Gilad Shalit. Esta tem sido uma estratégia dos sucessivos governos de Israel: libertar um grande número de condenados por terrorismo em troca de sinais de vida dos seus sequestrados ou, mais estranho ainda, em troca de cadáveres de soldados caídos em território inimigo.

Foi o que aconteceu o ano passado, com a libertação de quatro membros do Hezbollah e do famoso assassino Samir Kuntar em troca dos cadáveres dos soldados Ehud Goldwasser e Eldad Regev, cuja captura pelo Hezbollah desencadeou a Segunda Guerra do Líbano em 2006. Até poucas semanas antes da troca, o governo de Israel nem sequer sabia se os soldados ainda estavam vivos.

No passado, outros prisioneiros libertados de prisões israelitas regressaram a atividades terroristas. De acordo com algumas fontes, as ações de ex-prisioneiros libertados causaram a morte a mais de 100 israelitas. Ou seja, não é um bom prenúncio. O saldo não joga a favor de Israel nesta forma de negociação com o inimigo.

Ainda assim, a divulgação do vídeo de Gilad Shalit é uma ótima notícia. Os pais do soldado e milhares de apoiantes da causa da libertação de Gilad em todo o Mundo tentam manter a opinião pública alerta sobre o cativeiro forçado do jovem soldado. Em Jerusalém, em frente à residência do Primeiro-Ministro, há muitos meses que uma tenda de protesto é mantida em permanência. Muitas vezes passo em frente ao local e vejo que sempre alguém se mantém de vigília, às vezes uma pessoa apenas. Uma placa dentro da tenda indica a passagem dos dias em cativeiro. Já são mais de mil e duzentos.

Também em Alon Shevut, o colonato onde moro, na praça do bairro antigo, entre a mercearia e o centro médico, um pequeno cartaz mostra o número de dias da clausura de Gilad Shalit. Diariamente, alguém muda o fatídico número. Para que ninguém esqueça.

publicado por Boaz às 01:32
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Domingo, 29 de Março de 2009

O último acorde

Há poucos dias, uma orquestra composta por crianças do campo de refugiados palestinianos de Jenin realizou uma pequena actuação em Israel. A audiência: um grupo de sobreviventes do Holocausto. As crianças eram membros da orquestra palestiniana "Cordas da Liberdade" baseada naquele campo de refugiados. O concerto foi realizado no Centro de Sobreviventes do Holocausto de Holon, uma cidade próxima de Tel Aviv.

A princípio, as crianças não sabiam que iriam tocar para tal plateia. Os espectadores também não sabiam da proveniência das crianças. As crianças pensavam que era apenas um grupo de idosos israelitas. Os sobreviventes pensavam que as crianças provinham de uma aldeia árabe vizinha.

A surpresa mútua despertou curiosidade pela história de ambos os grupos. A vida dos refugiados palestinianos não é assunto de quotidiano em Israel. As crianças nunca tinham ouvido falar do Holocausto - não é assunto ensinado nas escolas palestinianas, e se, por acaso for mencionado, é mostrado apenas como "propaganda sionista".

Hoje, em reacção à participação das crianças no concerto, a orquestra foi desmantelada por autoridades palestinianas. O apartamento onde funciona a escola de música foi confiscado. O caso foi visto como "perigoso, porque foi dirigido contra a identidade cultural e nacional dos Palestinianos".

Mais importante do que cultivar a música ou o entendimento, é manter a luta. Manter as crianças treinadas na propaganda da causa, está acima de tudo.

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publicado por Boaz às 22:33
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Uma luz na selva

Ingrid Betancourt, libertada das garras dos guerrilheiros-traficantes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). A senadora e antiga candidata presidencial franco-colombiana estava sequestrada na selva há 6 anos. Uma boa notícia para a Colômbia.

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Sábado, 20 de Janeiro de 2007

O cerne da questão

Um excelente artigo publicado recentemente no Jerusalem Post acerca de um assunto e uma posição já várias vezes exposta neste blog.

A cultura da violência

De Evelyn Gordon

Virtualmente nem um dia passou recentemente sem que alguma pessoa famosa declarasse que a resolução do conflito Israelo-Árabe é a chave para resolver todos os problemas do mundo Islâmico - de Kofi Annan ("Enquanto os Palestinianos viverem sob ocupação também as paixões um pouco por todo o lado serão inflamadas"), a Henry Kissinger ("um processo de paz palestiniano retomado deveria jogar um papel significativo na resolução da crise nuclear iraniana") e a Tony Blair ("um acordo israelo-palestiniano é o cerne de qualquer esforço para resolver os outros problemas do Médio Oriente e derrotar o extremismo global").

É surpreendente que tantas pessoas inteligentes possam seriamente expor uma tão óbvia falsidade. Eles realmente acreditam que Muçulmanos Sunitas e Muçulmanos Xiitas - cujas visões de Israel são idênticas - se massacram uns aos outros no Iraque por causa do conflito israelo-palestiniano? Ou que os políticos anti-Síria no Líbano - que não são menos anti-Israel que os do tipo pró-Síria - estão a ser assassinados pela Síria e ameaçados com um golpe de estado pelo Hizbullah, devido ao conflito israelo-palestiniano?

Que Árabes Muçulmanos estão a cometer um genocídio contra Negros Muçulmanos no Sudão devido ao conflito israelo-palestiniano?

Que Muçulmanos Talibãs assassinam Muçulmanos não-Talibãs no Afeganistão por causa do conflito israelo-palestiniano?

Que Muçulmanos Chechenos tomaram crianças russas como reféns numa escola de Beslan devido ao conflito israelo-palestiniano?

Que Muçulmanos e Hindus se matam mutuamente em Caxemira por causa do conflito israelo-palestiniano?

Que Muçulmanos em todo o Mundo se revoltaram por caricaturas dinamarquesas devido ao conflito israelo-palestiniano? A lista poderia continuar por várias páginas.

Mas a teoria da centralidade israelo-palestiniana não é apenas falsa, é perigosa - porque evita que o Mundo olhe a causa real e todos estes conflitos, incluindo o israelo-palestiniano: uma cultura generalizada no Mundo Muçulmano que vê a violência e trata a violência com um meio legítimo para resolver disputas.

A crise das caricaturas é particularmente um bom exemplo, porque não é encoberta por alguma relação com qualquer conflito regional. Após um jornal dinamarquês haver publicado caricaturas satíricas do Profeta Maomé no ano passado, Muçulmanos em todo o Mundo causaram motins durante várias semanas, resultando em várias mortes.

Compare-se isto com a reacção dos Católicos a investidas satíricas contra o papa e a Igreja em Itália. Em meados de Novembro, por exemplo, um programa de televisão italiano satirizou o Papa Bento XVI como sendo ciumento em relação ao seu antecessor e assim fez vários actos degradantes - sapateado, malabarismo com laranjas - enquanto perguntava "O Papa Wojtyla [João Paulo II] conseguia fazer isto?"

Num outro programa recente, um comediante brincou com a Santíssima Trindade debatendo onde ir em viagem: Deus Pai propõe África, Jesus propõe a Palestina e o Espírito Santo propõe o Vaticano. Questionado porquê, o Espírito Santo responde: "Porque nunca lá estive."

Claramente, estas piadas não são menos ofensivas para os Católicos devotos que as caricaturas de Maomé para os Muçulmanos religiosos. Mas não houve motins por causa destas sátiras, nem nenhum clero católico apelou a tais motins, como muitos membros do clero islâmico fizeram com as caricaturas dinamarquesas. Os Católicos limitaram-se a protestos orais e escritos - porque na moderna cultura Ocidental a violência não é considerada uma resposta aceitável à ofensa.

Têm as reacções à sátira religiosa realmente alguma influência de conflitos políticos como o israelo-palestiniano? Absolutamente não - por duas razões.

Primeiro, enquanto o mundo muçulmano considerar a violência como resposta apropriada à oposição, nem o conflito israelo-palestiniano nem qualquer outro das dúzias de conflitos envolvendo muçulmanos a nível mundial será resolvido. De facto, o conflito israelo-palestiniano amplamente demonstra este ponto.

Os Palestinianos poderiam ter obtido um estado em Julho de 2000, se Yasser Arafat tivesse exposto a sua insatisfação à proposta israelita em Camp David à moda "Ocidental" - apresentando uma contraproposta. O governo de Ehud Barak estava claramente disposto a fazer mais concessões; fê-lo nas subsequentes cimeiras de Washington e Taba. Mas em vez disso, os Palestinianos optaram por expressar o seu descontentamento violentamente, lançando uma guerra terrorista que matou mais de 1000 israelitas (e cerca de 4000 palestinianos) nos seis anos seguintes. Como resultado, os israelitas afastaram Barak e começaram uma contra-ofensiva, e as negociações pararam.

O mesmo aconteceu no ano passado após Israel sair de Gaza. Os israelitas posteriormente elegeram Ehud Olmert numa plataforma para fazer o mesmo na maioria da Margem Ocidental. Mas os Palestinianos, em vez de aproveitarem esta abertura para declarar um cessar-fogo e negociar futuras concessões, optaram pela violência: usaram a recém-evacuada Gaza como plataforma de lançamento para bombardear o sul de Israel com mísseis, em depois, por larga escala, elegeram o Hamas, que abertamente advoga a destruição de Israel. Como resultado, não só as negociações estão congeladas, como está também a proposta retirada da Margem Ocidental.

A segunda razão porque enfrentar a cultura de violência é crucial é que mesmo que o conflito israelo-palestiniano pudesse ser de alguma maneira resolvido sem ser dessa forma, isso não faria nada para resolver os outros problemas dentro do mundo islâmico ou entre o mundo islâmico e o Ocidente - porque o número de potenciais oposições é infinito. Estas incluem as diferenças culturais (as caricaturas de Maomé), questões económicas (os motins do ano passado em França), questões de polícia externa (Iraque, Afeganistão) e mais.

A ideia Blair-Annan-Kissinger parece ser que se os Muçulmanos fossem serenados sobre Israel eles talvez poderiam abdicar da violência em outros casos. De facto, a História ensina o contrário:

Tal como Hitler, longe de ser apaziguado pela entrega da Checoslováquia pelo Ocidente, em vez disso concluiu que poderia também tomar a Polónia com impunidade, iniciando assim a Segunda Guerra Mundial, assim também qualquer concessão ao terror islâmico simplesmente encorajou os Muçulmanos a pensar que a violência compensa.

A retirada israelita de Gaza, que 84% dos Palestinianos atribuíram ao terrorismo, foi um factor crucial tanto na sua eleição do Hamas, a principal organização terrorista palestiniana, como na continuação do apoio da maioria da sua população ao terrorismo. A retirada espanhola do Iraque a seguir aos atentados de Madrid encorajou a Al-Qaeda a planear ataques similares em outros países. E os Muçulmanos a nível mundial atribuem ao terror iraquiano a esperada retirada americana do Iraque.

Se o Ocidente realmente quer resolver o seu problema muçulmano, tem de adoptar a estratégia oposta - tornar claro que a violência, longe de ser recompensada, será penalizada. Pelo contrário, querendo apaziguar o mundo islâmico com a moeda israelita, apenas provará que a violência compensa.

E então colherá mais do mesmo.

Só resta saber qual é o político ocidental (fora de Israel, está visto) que tem a coragem de enfrentar a fera e assim dar o exemplo.

publicado por Boaz às 17:42
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

O presente armadilhado

Há poucas semanas houve uma reunião entre o PM israelita Ehud Olmert e o presidente da Autoridade Palestiniana Mahmud Abbas, para discutir algumas questões entre os dois lados, entre as quais o descongelamento de verbas de impostos aduaneiros palestinianos congelados por Israel. O Hamas, que controla o governo palestiniano, foi contra o encontro.

Na altura, Salah Bardaweel, um legislador (eufemismo para terrorista-de-gravata) do Hamas, reiterou a "oferta" do seu generoso movimento a Israel. Em troca de uma hudna (palavra árabe que significa trégua) de longo prazo, Israel deveria permitir o estabelecimento de um Estado Palestiniano em todos os territórios capturados por Israel em 1967, incluindo Jerusalém, e a libertação de todos os prisioneiros Palestinianos das prisões israelitas. Só. Tão simples.

No entanto, tão generoso embrulho vinha, naturalmente armadilhado. Conhecendo-se o currículo do emissário, não é de estranhar.

O senhor Bardaweel prontificou-se a clarificar o que significa para o Hamas uma trégua. A sua proposta não significaria de forma alguma que o Hamas iria reconhecer o direito de Israel a existir. "Estamos a falar de uma solução faseada". Pois "nunca desistiremos dos nosso direito a toda a terra da Palestina".

Ou seja, aquela "trégua de longo prazo" seria apenas pelo tempo necessário para encontrar refúgio algures no Mundo (ou até mesmo em Júpiter), para cada judeu que vive entre o Mediterrânico e o Jordão.

É com esta base ideológica do outro lado que Israel tem de lidar para conseguir a paz e a estabilidade. E os Europeus, com toda a sua hipocrisia de remorso mal sarado misturado com apetite petrolífero e temor que a jihad chegue em força à Europa, não conseguem ver o que realmente está em causa...

publicado por Boaz às 17:38
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Terça-feira, 5 de Setembro de 2006

Bem aventurados os crentes

Recebi o comentário de uma amiga portuguesa acerca da frase que encabeça este blog: "Se os árabes baixarem as armas, acaba-se a guerra. Se Israel baixar as armas, acaba-se Israel."

Perguntava-se ela: "Não deveríamos ser todos pela Paz?". Claro que sim, mas a verdade é que, quando se vive aqui, tem-se uma outra perspectiva das coisas que em Portugal ou qualquer outro país passa ao lado. A paz e a bondade são fundamentos essenciais do Judaísmo. Como diz o Talmude: a Torá (Pentateuco) começa com a bondade de Deus cobrindo a nudez de Adão e termina com Deus sepultando Moisés.

No entanto, Paz não pode ser apenas um ideal separado da realidade. Há que ter a consciência do que significa realmente e o que se pode fazer para atingir uma "paz autêntica". Não aquilo que é na verdade um estado passageiro de ausência de guerra.

Em Israel, chama-se muitas vezes aos bonzinhos de coração ashrei ha'maamim, ou seja "bem aventurados os crentes". Num sentido em que muitos dos que acreditam na bondade a todo o custo, não passam de ingénuos. A realidade em Israel não é, para o bem e para o mal, igual à do resto do Mundo.

Obviamente, eu também sou pela paz. Mas, não tenhamos ilusões, Israel vive na corda-bamba e se não se defender com todas as suas armas, depressa será esmagado. Sejamos honestos. Quantos passos deram os Árabes em direcção à paz com Israel, nos quase 60 anos de existência deste país? A negação árabe à ideia e ao projecto do Estado de Israel começou ainda o país não passava de um esboço num papel. Logo no primeiro dia de vida da Israel independente, em 14 de Maio de 1949, ainda o povo dançava nas ruas de Tel Aviv pela Declaração de Independência, já os exércitos de cinco países árabes se alinhavam nas fronteiras do novo estado a fim de o matar à nascença.

Se esperar pela ajuda e compreensão estrangeira em relação à sua defesa, Israel arrisca-se a desaparecer. O diálogo, a negociação são importantes e sem eles não se atingirá a ansiada paz. No entanto, Israel já experimentou por várias e trágicas ocasiões o que significa e onde tem levado o diálogo com o lado árabe do conflito. Casos não faltam.

Veja-se o Egipto, o primeiro país árabe a fazer as pazes com Israel, nos tempos de Anwar al-Sadat. Apesar do acordo de paz, da completa ausência de conflito bélico entre os dois Estados e da activa cooperação egípcia na resolução do conflito com os Palestinianos, basta ver os manuais escolares egípcios e ler o que têm sobre Israel. O hoje habitual ódio árabe contra Israel continua a ser propagado às novas gerações, mesmo num país onde ao menos ao nível político parece haver concórdia.

Desta forma, até quando durará a actual situação de não agressão entre o Egipto e Israel? Quando o poder actual for substituído por algum "inculturado" nesse ódio, como ficará esta relação? Nos recentes atentados contra estâncias turísticas egípcias no Sinai - Taba, Dahab e Sharm el-Sheikh - alguns ditos "analistas" egípcios depressa apontaram israelitas como os culpados pelos ataques. A paranóia anti-israelita vai ao nível de, num recente julgamento de homens homossexuais, uma das acusações apresentadas (verdadeiras ou falsas, não sei) foi que eles haviam ido aos "antros sodomitas de Tel Aviv". Como se o Cairo não tivesse suficientes "antros". Mas Israel é o tradicional bode expiatório de todos os problemas de qualquer país e cidadão árabe, porque não também a fonte da homossexualidade de alguns?

Até a ajuda e cooperação aparentemente incondicional dos EUA não é certo que dure eternamente. No Partido Democrata americano muitas vozes dominantes já opinam que o apoio americano a Israel tem sido prejudicial aos interesses americanos. No Partido Republicano, tradicionalmente o mais pró-Israel, dominado por evangélicos e outros cristãos tradicionalistas que por alguma razão são sionistas ou ao menos "amigos de Israel", também há vozes completamente contra o Estado de Israel. Então, podemos questionar-nos até onde e até quando durará esse apoio? E não tenhamos ilusões, o apoio americano que tanto irrita os árabes e os europeus não é incondicional como se pensa. Exige contrapartidas.

Portanto, Israel na verdade depende acima de tudo de si mesmo e tem de usar de todo o seu poder para se manter. Disso depende o seu presente e o seu futuro. Não da boa-vontade ou seriedade árabe ou do auxílio americano.

publicado por Boaz às 21:51
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Sábado, 15 de Julho de 2006

Elevarei os meus olhos às montanhas

Shir Ha'maalot (Canto de ascensão). De David.

Elevarei os meus olhos às montanhas, de onde virá a minha ajuda?
A minha ajuda provém do Eterno, criador do céu e da terra.
Não deixará resvalar o teu pé, nem se adormecerá o que te guarda.
É aqui que não adormecerá e não dormirá o guardiâo de Israel.
O Eterno é o teu guardião.
O Eterno é a tua sombra sobre a tua direita.
De dia o sol não te ferirá nem a lua de noite.
O Eterno cuidar-te-á de todo o mal; cuidará da tua alma.
O Eterno cuidará a tua saída e a tua entrada desde agora até à eternidade.

Pelos habitantes de Haifa e das outras cidades da Galileia. Pelas gentes de Beirute e do Líbano. Pelos soldados israelitas raptados. Pelos soldados que estão neste momento mobilizados. Pelas suas famílias angustiadas.

publicado por Boaz às 21:38
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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2005

Como é difícil abdicar de velhos ódios

Vamos lá acabar com eles!Logo após a notícia do encontro em Istambul, dos ministros dos Negócios Estrangeiros de Israel e do Paquistão, Silvan Shalom e Khursheed Kasuri, milhares de pessoas manifestaram-se em Carachi e outras cidades paquistanesas, contra a possibilidade de aquele país islâmico poder, no futuro, reconhecer a existência da tão odiada "entidade sionista".

No ano passado, episódios idênticos verificaram-se na Indonésia. Na altura, milhares de pessoas marcharam em Jacarta contra qualquer diálogo com o "pequeno Satã". (A denominação é iraniana, mas, a par do petróleo, é uma das principais exportações do país dos ayatollas.)

O mundo islâmico parece suspenso pela situação entre Israel e os Palestinianos. As campanhas políticas, os discursos, para conseguirem a adesão (e histeria) popular, têm de se afirmar como defensores da causa palestiniana. Porque a causa palestiniana é "A Causa". Quando se quer fugir da discussão dos problemas do país ou da região, invoca-se como o entrave a todos os avanços. Mesmo no Paquistão.

Nada se resolve, em nada se avança no mundo árabe, enquanto os Palestinianos não tiverem o seu problema resolvido. Nem a questão dos direitos das mulheres, a liberdade religiosa e política, a corrupção, o desenvolvimento sócio-económico, o analfabetismo, a democracia. Nada. A Causa está à frente de tudo.

Por isso é importante continuar com a luta. Seja pela queima de bandeiras sionistas, seja pelo embargo às empresas que têm negócios em Israel (uma das máximas actuais de alguns grupos anti-globalização, em especial europeus), ou ao impedimento da entrada no país a todos os que tenham um infame carimbo israelita no passaporte.

publicado por Boaz às 01:25
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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2005

Será desta?

Aperto de mão

Pode até parecer um gesto feito em esforço: Mahmud Abbas até tem de se apoiar na mesa para chegar à mão de Ariel Sharon, mas talvez seja o princípio de uma nova fase de entendimento entre o governo de Israel e a Autoridade Palestiniana.

E que - tal como nos tempos de negociações entre Barak e Arafat - o Hamas e a Jihad Islâmica não puxem o tapete aos que têm a vontade de fazer a paz.

NOTA: O Hamas depressa deu o seu a entender que não faz parte do acordo de cessar-fogo. Já hoje (5ª feira) o efectuou um ataque com mísseis Kassam sobre um colonato da Faixa de Gaza.

publicado por Boaz às 18:08
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Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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