Segunda-feira, 25 de Junho de 2012

A onda africana

Durante os dois últimos anos que estudei na yeshivá, um dos empregados da limpeza era um africano, não judeu. Um dia, a caminho de casa ao final da tarde, encontrei-o no autocarro. Sentei-me ao seu lado. Devido ao seu limitado hebraico, tentei comunicar com ele em inglês. Ao saber que era da Eritreia, mencionei o primeiro nome do presidente do seu país: "Isaias" [Afwerki]. Fez uma cara de desaprovação e comentou "Mau, muito mau". Pouco mais falámos, ele desceu pouco depois do autocarro.

Nas últimas semanas, a atualidade israelita foi marcada pela questão dos africanos ilegais no país e o que fazer com eles. Esta semana, o governo decidiu levar a cabo uma acção de prisão de centenas de residentes ilegais e posterior deportação para o Sudão do Sul. Pagando a viagem de regresso ao seu país, que obteve a independência há cerca de um ano, e entregando 1000 euros por adulto e 500 por cada criança, o governo pretende resolver, ou pelo menos minorar, o problema dos residentes ilegais em Israel.


Israelitas manifestam-se contra os imigrantes ilegais africanos num bairro de Tel Aviv. No cartaz:
"E regressarão os sudaneses ao Sudão", um jogo de palavras baseado no versículo "E regressarão os filhos às suas fronteiras".

Infiltrados, refugiados, sudaneses, africanos, são várias as denominações destes imigrantes ilegais. É um fenómeno que começou há alguns anos. Fugindo da guerra, da perseguição étnica e da miséria, dezenas de milhar de africanos têm entrado em Israel pela fronteira egípcia. A maioria provêm da Eritreia, do Sudão e do recém-independente Sudão do Sul. Todos chegaram a Israel depois de uma longa e perigosa saga pelo deserto do Egito. Incontáveis imigrantes são baleados pelo exército egípcio para evitar que cruzem a fronteira com Israel.

Ao atravessarem o Sinai, última etapa antes da chegada à fronteira israelita, muitos são capturados por gangues de Beduínos. Às mãos destes traficantes de gente, e encerrados semanas ou meses em campos de prisioneiros montados a poucos quilómetros da fronteira, são sujeitos a violências de vária ordem, incluindo tortura e violação. Para serem libertados, são obrigados a contactar familiares ou amigos já residentes em Israel, para tentar angariar dinheiro para o seu resgate. Os que falham na colecta do dinheiro, que ascende a vários milhares de dólares, são mortos. Em alguns casos, os seus órgãos são extraídos e vendidos para redes internacionais de tráfico de órgãos. O caos político e social no Egipto; o vazio de poder na península do Sinai, transformada numa “Terra Sem Lei” dominada por traficantes de armas, gente e drogas; o pouco interesse que o assunto merece nas esferas do poder no Cairo e menos ainda entre os diplomatas internacionais, perpetua este negócio de tortura e escravidão de milhares de africanos.

A libertação às mãos dos traficantes Beduínos do Sinai não garante a entrada em Israel. Ainda resta atravessar a fronteira. Até há pouco mais de um ano, a fronteira com o Sinai era pouco mais de uma cerca ferrogenta, coberta pelas dunas em vários pontos. Atravessada livremente por camelos selvagens, traficantes de droga e imigrantes ilegais. Porém, com a crescente atividade terrorista na península do Sinai desde a queda do governo de Mubarak e o imparável fluxo de imigrantes africanos, o governo israelita decidiu reforçar a segurança na extensa fronteira com o Sinai. Uma moderna e bem vigiada cerca está em contrução nos mais de 200 quilómetros entre Eilat e Gaza. Até ao final deste ano estará completa.

Sabendo desta porta que se fecha no acesso a Israel, recentemente alguns migrantes africanos têm atravessado de barco o estreito Golfo de Aqaba, entre o Sinai e a Jordânia, entrando em território israelita pela fronteira oriental. Aí, além da cerca fronteiriça terão de evitar alguns campos minados. O desespero da fuga à miséria e violência diária nos seus países de origem leva os imigrantes a uma empreitada quase suicida.

Na pequena cidade turística de Eilat, no extremo sul de Israel, os africanos são já cerca de 5000, mais de 10% da população da cidade, trabalhando na indústria hoteleira e na construção civil. Porém, a maioria ruma a Tel Aviv, estebelecendo-se no sul da cidade. Há apenas 5 anos, os “sudaneses” em Tel Aviv eram cerca de 1000. Os bairros pobres de Shapira e Hatikva, na zona mais degradada da cidade em redor da Estação Central de Autocarros, têm experimentado uma verdadeira invasão africana. Ao longo dos últimos anos, têm chegado à cidade entre 1000 e 2000 africanos por mês. De acordo com algumas fontes, habitam atualmente estes bairros cerca de 40 mil infiltrados africanos, e 25 mil israelitas.

Até encontrarem um lugar para morar, durante os primeiros meses após a chegada a Tel Aviv, a maioria dos africanos dorme na rua, na entrada dos prédios ou parques da cidade. Outros dormem em casotas miseráveis. Sem casa de banho ou chuveiro, fazem as suas necessidades na rua e tomam banho com as mangueiras anti-incêndio. Ainda que apenas uma minoria esteja envolvida em atos criminosos, o número de queixas contra imigrantes ilegais africanos apresentadas na polícia aumentou mais de 50% no último ano. O clima de insegurança nos bairros do sul de Tel Aviv tem crescido, alimentado pelos casos relatados pelas notícias. Devido à atenção mediática que o tema tem alcançado em Israel, quase diariamente são noticiados casos de violência envolvendo os imigrantes: roubo, vandalismo, violação ou o abandono de dois recém-nascidos no hospital, no próprio dia em que nasceram, na semana passada.

A "invasão" de infiltrados africanos levou a vida dos residentes dos bairros a uma situação insuportável. É impossível sairem sozinhos à noite e a sensação de medo – real ou imaginário – é permanente. Em várias zonas da cidade, o parques infantis, os jardins públicos e até os pátios das escolas foram transformados em lugar de pernoita, ou mesmo residência fixa dos africanos. Todas as noites, grupos de jovens e adultos israelitas jogam nos parques públicos, numa atitude desafiadora – para marcar território – a fim de reconquistarem o espaço onde os seus filhos já não podem brincar em segurança. Os atos de violência contra os imigrantes também têm aumentado. Alguns locais onde se reunem foram incendiados por populares.

Neste triste panorama, o governo israelita decidiu começar a prender os imigrantes ilegais e repatriá-los para os seus países de origem. Esta operação apresenta uma série de problemas. Em primeiro lugar, por agora, apenas os naturais do Sudão do Sul serão repatriados. Depois de proclamar a independência no ano passado, o Sudão do Sul tem estreitado relações diplomáticas com Israel (que foi um dos primeiros países a reconhecer o novo país africano). Tendo terminado a guerra civil vivida na região durante mais de 30 anos, os sudaneses do sul poderão voltar para casa. O país é um dos mais miseráveis do planeta, apesar da enorme riqueza natural, incluindo grandes reservas de petróleo. Várias famílias de imigrantes sul-sudanesas voltaram para casa, com os filhos, alguns já nascidos em Israel e cuja língua materna é o hebraico. Aos jornalistas israelitas que acompanharam o repatriamento, as crianças desabafavam que queriam poder ir à escola, como em Israel.

Porém, os imigrantes naturais do Sudão do Sul, que começaram a ser repatriados a semana passada, são apenas uma pequena parte dos mais de 60 mil africanos ilegais em Israel. Mais de 30 mil provêm da Eritreia, uma das mais brutais ditaduras do Mundo, onde os emigrantes são considerados traidores ao regime e poderão ser perseguidos. Outros 15 mil chegaram do Sudão, incluindo a região de Darfur, onde há anos se desenrola um genocídio que, de acordo com algumas fontes internacionais, já causou a morte a quase meio milhão de pessoas. Nestes dois casos, a difícil situação dos países de origem dos imigrantes ilegais, torna impossível o seu repatriamento. Apesar de Israel ter relações diplomáticas com a Eritreia, o Sudão é considerado um “país inimigo”.

Membros da oposição ao governo e ativistas de direitos-humanos (que por vezes são uma e a mesma coisa) têm-se manifestado contra a decisão do governo de expulsar os ilegais. Ou pelo menos pela forma como está a ser feita. Porém, não parecem manifestar a mesma preocupação pelos residentes israelitas dos bairros onde os africanos ilegais são já a maioria. Alguns protestos de residentes contra os imigrantes tiveram a participação de políticos, em especial de direita. Em discursos inflamados alguns apelidaram os imigrantes como "um cancro na sociedade israelita", "um virus", e outras expressões marcadamente racistas.

A intervenção dos poucos políticos que estiveram nas manifestações não resolveu nenhum problema dos residentes dos bairros, e causou grande prejuízo tanto à defesa dos direitos dos moradores israelitas como dos imigrantes ilegais. As infelizes manifestações racistas deram novo alento aos comentadores de tudo o que se passa em Israel, que como é hábito, se apressaram a gritar slogans como "Estado racista", "Estado apartheid" e outros apodos do género. Incluindo alguns judeus americanos associados à causa palestiniana que não dispensam qualquer oportunidade para caluniar Israel. As expressões clichés de comparação com o Holocausto, a "falta de compaixão dos que foram perseguidos" e outros termos de auto-flagelação da consciência judaica foram abundantemente usadas pelos "ativistas". Dos humanistas estrangeiros ou dos nacionais, não se ouviram manifestações de apoio aos moradores dos bairros.

Para ter êxito nesta missão, a luta terá de ser feita de forma pacífica, sem violência e manifestações racistas. Não se pode legitimar ódio ou quaisquer ações violentas contra os estrangeiros. Esta não é uma campanha contra os africanos, mas contra a falta de acção das autoridades que pela sua inação, deixaram chegar a situação a um nível gravíssimo. A preocupação primordial terá de ser pelos próprios cidadãos israelitas e isso não é racismo. Não há nada de sábio ou razoável em querer ser "humanista" e generoso com os estrangeiros, se dessa forma se causa prejuízo aos cidadãos do próprio país. Afinal, como ensina a sabedoria judaica "os pobres da tua cidade estão primeiro".

Ao mesmo tempo que as autoridades israelitas procedem à repatriação dos ilegais africanos – até agora foram repatriados menos de 300 sudaneses do sul – desde o início do mês entraram em Israel pelo menos 800 imigrantes ilegais, que se encontram atualmente detidos.

publicado por Boaz às 10:15
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012

Vêm aí os Persas?

Tal como em Israel, também no resto do Mundo Ocidental os diplomatas têm andado agitados com a questão nuclear iraniana. O assunto aparece nas notícias todos os dias. Desde as crescentes sanções contra o regime iraniano, às declarações dos políticos. Mais do que factos, transmitem-se especulações sobre o estado do programa nuclear iraniano e o vai-não-vai de um ataque israelita contra os centros atómicos dos ayatollahs. O anúncio de sanções pela comunidade internacional, em especial a União Europeia que declarou um embargo à compra de petróleo iraniano para o próximo Verão, levou a mais uma subida do preço do petróleo. Mais um fator a fazer piorar a crise económica internacional.

De um lado, o presidente iraniano Ahmadinejad continua a aparecer em propagandísticos eventos que promovem os avanços imparáveis das suas forças armadas e do seu programa nuclear – que alega ser apenas para produção elétrica, algo estranho para um país cujo solo é ensopado de petróleo e gás natural. Do outro, o Primeiro-Ministro israelita Benyamin Netanyahu e o Ministro dos Negócios Estrangeiros Avigdor Lieberman desenrolam-se em encontros com Obama e outros líderes ocidentais para alertar sobre os perigos de um Irão dotado de armas nucleares.

Para lá das fronteiras de Israel, entre as restantes nações do Médio Oriente, também há preocupação com a perspectiva de um Irão atómico. Esse é um dos pontos mais destacados pela diplomacia israelita: um Irão dotado de armas nucleares não é somente uma ameaça para Israel, mas para toda a região e o resto do Mundo. Numa região em constante conflito, uma nova potência militar desequilibraria as frágeis relações entre os vários países e complicaria a influência americana na região.

A questão nuclear iraniana entrou na ordem do dia com a subida de Mahmud Ahmadinejad ao poder. A retórica populista, o fanatismo militante, o declarado anti-israelismo que declara a vontade de “apagar Israel do mapa”, tornaram-no um espalha-brasas na arena internacional. Ainda que seja admirado por alguns elementos da extrema-esquerda europeia e sul-americana. Sem a menor vergonha, organizou conferências destinadas a negar o Holocausto, convidando a Teerão pseudo-especialistas, adeptos do mais danado revisionismo histórico. Ninguém sabe muito bem o que poderá fazer o maníaco de Teerão, com o militarismo lunático de quem se considera o mensageiro que trará o Mahdi (o messias islâmico) após uma guerra apocalíptica contra os Infiéis, nem que para isso arruine o seu próprio país. Ahmadinejad parece seguir à letra a ideologia destruidora do falecido ayatollah Khomeini, o ideólogo da República Islâmica: “Deixem esta terra [o Irão] ser queimada, desde que o Islão desponte triunfante no resto do Mundo”. Pelo menos, entre o aparelho político iraniano, o parlamento parece mais moderado do que o atual presidente, limitando em parte os seus delírios.


Imagens com esta mensagem (sem o sarcasmo final) têm sido publicadas na Internet,
provenientes de Israel. Do Irão a resposta tem sido idêntica.

Além da ameaça declarada contra Israel, Ahmadinejad é uma ameaça também para os seus vizinhos árabes. Apesar das proximidades culturais, o Irão não é um país árabe, mas persa. As inimizades entre persas e árabes são antigas. A minoria árabe no Irão é altamente descriminada. A tradição islâmica iraniana é maioritariamente xiita, ao contrário da maioria dos muçulmanos árabes que seguem a tradição sunita. Os xiitas, seguidores da tradição de Ali, o sobrinho de Maomé e seu herdeiro espiritual de acordo com o Islamismo Xiita, são vistos como hereges pela maioritária corrente sunita. A secular descriminação dos xiitas pela maioria sunita deixou cicatrizes por sarar entre as duas maiores correntes do Islão.

Com o seu poder militar, as receitas do petróleo e a influência política, o Irão tem apoiado ativamente os movimentos xiitas nos países árabes. Do Iraque – onde os xiitas são a maioria, dominados e massacrados pela minoria sunita durante a ditadura de Saddam Hussein –, ao Líbano, onde o Hizbollah é um verdadeiro posto avançado dos ayatollas na fronteira norte de Israel. Na pequena ilha-estado do Bahrain, no Golfo Pérsico, a maioria xiita tem reclamado maiores direitos, face ao domínio sunita da dinastia reinante.

O temor dos países do Golfo face ao expansionismo atómico dos ayatollahs tem-se manifestado em rumores de um possível apoio de alguns países a um ataque de Israel às centrais nucleares iranianas. Rumores publicados nos jornais indicaram que a Arábia Saudita permitiria aos aviões de combate israelitas sobrevoarem o seu território a caminho de um ataque ao Irão. Obviamente que este apoio não é, nem pode ser declarado publicamente. Isso seria considerado uma traição dos muçulmanos árabes face aos seus irmãos iranianos, mesmo que sejam vistos como hereges. Ainda mais cooperando com o odiado inimigo sionista. Aos olhos do mundo ocidental e muçulmano, a unidade da Umma, a Comunidade dos Crentes Muçulmanos, continua a ser um mito propagado. Um apoio declarado dos países árabes a um ataque ocidental contra o Irão, seria prontamente explorado pela propaganda iraniana para incendiar ainda mais o mundo islâmico contra os EUA e Israel, chamados na terminologia iraniana de “Grande e Pequeno Satã”.

Israel tem aumentado as relações com o Azerbeijão, uma ex-república soviética, de maioria muçulmana mas secular, que faz fronteira a norte do Irão. Um artigo recente da revista “Foreign Policy” afirmou que o governo azeri teria autorizado o exército de Israel a usar as suas bases militares próximas da fronteira iraniana, num eventual ataque israelita ao Irão. O Azerbeijão tem um diferendo com o vizinho Irão no controle do Mar Cáspio, rico em petróleo.

Apesar do nervosismo dos diplomatas, dos repetidos simulacros de ataques, dos testes de novos mísseis para o exército, das recorrentes notícias alarmantes sobre um possível ataque nuclear contra o país e de uma possível operação militar israelita contra o Irão, em Israel o povo parece estar alheio a toda esta agitação pré-apocalíptica. As preocupações diárias do comum israelita prendem-se com a falta de casas ou o preço proibitivo das rendas nas principais cidades, o custo de vida em ascensão, o aumento dos combustíveis (ninguém poderá negar a relação entre a subida do preço do petróleo com a corrente vaga de sanções contra o Irão, um dos maiores exportadores mundiais de petróleo). As manifestações gigantescas ocorridas durante meses no Verão passado não tiveram a ver com a ameaça iraniana, mas com as dificuldades internas.

O preço elevado do queijo cottage – uma das paixões nacionais – tornou-se uma desculpa para protestos contra as dificuldades económicas. Depois da campanha para reduzir o preço do queijo, vieram os outros laticínios. Motivados pela sensação de poder nas mãos, a campanha popular virou-se para o preço das casas. Armaram-se tendas em todas as cidades de Israel, que permaneceram ativas todo o Verão e uma boa parte do Inverno. Depois, a revolta popular virou-se para o elevado custo da educação. E o governo instituiu a educação gratuita desde os três anos de idade. “O povo exige justiça social!”, o slogan gritado nas ruas e que fez estremecer o governo de Netanyahu no último Verão – e promete regressar nos próximos meses – nada tinha a ver com a ameaça iraniana (ou a eterna questão palestiniana).

Em evidente contra-mão às preocupações do quotidiano nacional, os militares e políticos israelitas insistem em manter a questão nuclear iraniana na sua agenda diária. Face à incerteza do que poderá resultar da Guerra Civil na Síria, até à perspetiva de um crescente armamento do Hezbollah no Líbano – o Irão não quererá perder os seus únicos aliados no Médio Oriente – o aparelho militar israelita tem insistido em aumentar o orçamento da Defesa, que já consome algumas dezenas de biliões de shekels do orçamento de Estado. Em geral, o orçamento militar em Israel é algo sagrado que nenhum governo se atreve a controlar, mas o governador do Banco de Israel e o próprio Ministro das Finanças têm tentado controlar as ânsias gastadoras dos generais.

Na verdade, ninguém saberá quando e se o ataque acontecerá. Mais incertas são as consequências de um bombardeamento israelita: desde a real eficácia de uma acção militar para travar o programa nuclear iraniano, à dispersão de materiais radioativos no território iraniano e até aos países vizinhos. E claro, a resposta dos ayatollahs a um ataque. Certo é que, não ficaria sem resposta. E o Irão tem um poderoso exército, dotado de mísseis de longo alcance. Com ou sem armas nucleares, um contra-ataque iraniano contra Israel seria catastrófico.

A mensagem da ameaça iraniana (real ou exagerada) não está a passar como os líderes israelitas desejariam. Ou talvez os israelitas, com o seu pragmatismo natural, considerem que não faz sentido preocupar-se com cenários hipotéticos de guerra – ainda que alguns incluam a perspetiva do extermínio – se não podem garantir confortos básicos imediatos como casa própria e queijo barato. Numa recente campanha na Internet, que se tornou viral, israelitas publicaram fotos suas em forma de cartaz, declarando que amam os Iranianos e que Israel não bombardeará o seu país. Do outro lado, houve uma reação no mesmo sentido, mas mais comedida, dadas as limitações à liberdade de expressão com que vivem os iranianos.

Antes de tentar convencer o mundo da importância de um ataque militar para deter o programa nuclear iraniano, parece que o governo israelita precisa de convencer a própria população israelita que essa é uma prioridade nacional. Para lá da habitação acessível, a educação grátis e as guerras do queijo cottage.

publicado por Boaz às 22:25
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Quinta-feira, 11 de Março de 2010

O legado dos Patriarcas nas mãos dos políticos

No dia 21 de Janeiro, o governo de Israel apresentou um plano de restauro do património nacional. Num país marcado pela história religiosa de Judeus, Cristãos e Muçulmanos, é óbvio que locais sagrados seriam incluídos no documento. Todavia, a lista não teria chegado às primeiras páginas dos jornais e levantado polémica – inclusive a nível internacional –, se não constassem locais nos chamados Territórios Palestinianos.

Kever Rachel, o túmulo da matriarca Raquel na entrada da cidade de Belém, e Maarat HaMachpelá, a Gruta dos Patriarcas em Hebron, são os pontos da polémica. Depois da divulgação da lista, ocorreram confrontos entre residentes árabes e o exército israelita que controla uma parte da cidade de Hebron.


Maarat HaMachpela
, a Gruta dos Patriarcas, em Hebron.
O local é partilhado por Judeus e Muçulmanos.
Uma multidão de peregrinos judeus espera para entrar na sala do túmulo de Isaac,
onde o acesso de Judeus é permitido apenas duas vezes por ano.

De acordo com a declaração do governo, uma das intenções ao formular esta lista é promover a preservação dos locais e permitir o acesso a pessoas de todas as religiões. "A nossa existência aqui, no nosso país, depende não apenas da força do Tzahal (Forças de Defesa de Israel) e do nosso poderio económico e tecnológico. Está ancorada, mais do que tudo, no nosso legado nacional e emocional, o qual nós inspiramos na nossa juventude e nas próximas gerações".

É evidente que a lista tem uma intenção política, mostrando o plano político de afirmar o controle israelita desses locais. Porém, existe também seriedade na decisão do governo de Israel em querer preservar património judaico em locais reclamados por Muçulmanos. A história deu a Israel, e aos Judeus em geral, provas evidentes do destino dos locais sagrados judaicos quando caem sob a tutela dos não-judeus, em especial dos poderes árabes.

Em 1994, quando foi instituída a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Israel entregou à nova entidade o controlo da cidade de Jericó e da maioria da Faixa de Gaza. Em Jericó, logo após a transmissão de poderes para a ANP, polícias palestinianos subiram ao telhado da antiga sinagoga “Shalom al Israel” e ostentaram a bandeira palestiniana, num sinal de evidente desprezo pelo lugar. No ano 2000, com o estalar da segunda Intifada, livros sagrados e relíquias da sinagoga foram queimados, o antigo chão de mosaico destruído e o local foi transformado numa mesquita.

Em Shechem (Nablus), no mesmo dia da entrega da cidade à Autoridade Palestiniana, em 17 de Outubro de 2000, uma multidão de palestinianos saqueou o antigo túmulo de José, um dos filhos do patriarca Jacob, esmagando a cúpula com picaretas e ateando fogo ao santuário. Após o ataque, o exército de Israel proibiu o acesso ao local aos peregrinos judeus, por motivos de segurança. Alguns dias depois, iniciaram-se obras de reconstrução e as autoridades palestinianas proibiram os peregrinos judeus de rezarem no local, até que uma comissão internacional independente determinasse se o local era santo para Muçulmanos ou para Judeus. (Mas nunca para ambos?) Ainda assim, de forma clandestina alguns peregrinos atreviam-se, de tempos a tempos, a visitar o local.

Com o tempo o santuário foi sujeito a vários atos de vandalismo, tornando-se depósito de lixo e de queima de pneus. Em 2007, jovens palestinianos de novo encheram o local de pneus e atearam-lhes fogo. Em resposta, o líder palestiniano Mahmud Abbas declarou o túmulo local santo islâmico. (A santidade da terra queimada...) Esse novo estatuto não salvou o lugar da selvajaria e da profanação. Em Abril de 2009, a pedra tumular foi esmagada e suásticas pintadas nas paredes.

A ONU e a UNESCO protestaram imediatamente a inclusão do Túmulo de Raquel e da Gruta dos Patriarcas na recente lista israelita do património a preservar. Porém, nunca protestaram a sucessiva depredação do Túmulo de José nem o vandalismo em Jericó ou em dezenas de outros locais judaicos – antigas sinagogas e túmulos de personagens bíblicos – situados em áreas controladas pela Autoridade Palestiniana.

No entanto, não foi apenas às mãos dos palestinianos que o património judaico foi vandalizado e desprezado. No Iraque, outrora pátria de uma significativa comunidade judaica, o túmulo do profeta Yechezkel (Ezequiel) era local de peregrinação de Judeus, Cristãos e Muçulmanos. Durante séculos, o santuário esteve ao cuidado da numerosa comunidade judaica. Após a independência de Israel, em 1948, os judeus iraquianos foram alvo de campanhas de intimidação e a maioria abandonou o Iraque. O venerado túmulo do profeta foi caindo em ruína.

Recentemente, as autoridades iraquianas iniciaram obras no local com vista à sua preservação. Porém, inscrições em hebraico e outros sinais judaicos foram apagados. A intenção é transformar o túmulo numa mesquita. Outros milenares túmulos judaicos no Iraque, como os do profeta Jonas, de Ezra o Escriba e do Rei Tzidkiahu (Zedequias) poderão num futuro próximo ser alvo da islamização forçada.

A lista do património a defender pelo Estado de Israel levantou críticas entre alguns políticos muçulmanos. Uma das mais ofensivas foi a do PM turco, Recep Tayyip Erdogan. Um jornal saudita citou-o, dizendo que o Túmulo de Raquel e a Gruta dos Patriarcas "não foram e nunca serão locais judaicos, mas islâmicos".

Na verdade, o acesso à Gruta dos Patriarcas tem sido partilhado entre Judeus e Muçulmanos, já que estes reconhecem o local como a Mesquita de Al-Ibrahim. No caso de Kever Rachel, após mais de 1700 anos de reconhecimento como o túmulo da matriarca Raquel, no ano 2000, muçulmanos começaram a chamar o local como mesquita Bilal ibn Rabah. Desde então, a novíssima denominação muçulmana passou a integrar o discurso politico palestiniano.

A cínica ignorância histórica de Erdogan, um político considerado moderado, é apenas mais um episódio de uma sistemática campanha para tentar romper qualquer ligação dos Judeus à Terra de Israel e a Jerusalém. Para além de argumentos religiosos, históricos e políticos sobre o direito de controlo e preservação, ou no mínimo de acesso de peregrinos judeus aos locais sagrados judaicos na Judeia e Samaria, a situação no terreno desde os Acordos de Oslo tem mostrado que os Palestinianos não têm respeitado o seu compromisso de preservação e liberdade de acesso a estes locais de culto.

O Túmulo de Raquel, reconhecido como um santuário judaico por mais de 2000 anos, e como tal mencionado inclusive em abundante literatura islâmica, tornou-se um local disputado por reclamações recentes. Tal como fizeram em outras ocasiões, os Palestinianos usam reais ou imaginárias reclamações religiosas para conseguir capital político para a sua campanha nacional. Nos sermões dos políticos árabes e dos imãs muçulmanos, uma das novidades é insistir que até o antigo Templo de Salomão não foi construído em Jerusalém. Para estes arqueólogos e historiadores de quintal, o Templo afinal foi construído... no Iémen.

publicado por Boaz às 23:46
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Viram? ou Toda a gente estava à espera desta, mas ninguém o disse porque pensavam que o gajo se contentava

Aviso que vou despejar uma bela dose de cinismo nas próximas linhas. Apeteceu-me. Acho que também tenho direito a um pouco de mangação.*

Há poucos dias, o Primeiro-Ministro de Israel, Benyamin Netanyahu revelou uma decisão do governo em congelar durante 10 meses todas as novas construções nos colonatos judaicos na Judeia e Samaria (chamadas pela comunidade internacional Cisjordânia ou Margem Ocidental ou Territórios Palestinianos). Em Israel, essa decisão causou um escândalo. Até mesmos os partidos da oposição de esquerda, mas propensos a cedências ao outro lado, atacaram a decisão de "Bibi" por colocar no mesmo saco os colonatos estratégicos como Gush Etzion e Maale Adumim e os pequenos colonatos clandestinos, compostos de caravanas em locais isolados.

Ninguém sabe bem a intenção do chefe do governo. Uns dizem que, com esta cedência ele quer "colocar a pressão do lado dos Palestinianos" para retomarem as negociações. Outros dizem que quer dar um pequeno empurrãozinho aos "moderados" da Fatah, adversários dos "radicais" do Hamas nas próximas eleições para a Autoridade palestiniana. Uma terceira versão diz que tudo não passa de uma manobra bem calibrada para que Obama e a Senhora Clinton – aflitos para melhorarem a imagem dos States no mundo árabe já que a decisão de mandar mais 10 mil soldados para o Afeganistão e os carros-bomba diários em Bagdad não ajudam nas Relações Públicas e uns puxões de orelhas aos Judeus parecem servir a causa – deixem de enfadar o governo de Israel para retomar o "processo de paz".

Mas, se alguém achava que um congelamento da construção nos colonatos ajudava em alguma coisa – ao pressionado "Bibi" ou à pressionada Fatah – a resposta do outro lado foi simplesmente inventar mais uma desculpa para continuar no mesmo cinismo desde 1991 quando começaram a falar com Israel para ver se lhe arranjarmos um cantinho para montarem mais um curral com pretensões de país para sobreviver às custas da comunidade internacional.

Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana, mandou de volta o presentinho de "Bibi" e ainda fez uma exigência para o próximo presente: "não há negociações até que o Mundo – não apenas Israel, estão a ouvir? – reconheça as fronteiras de 1967 para o futuro estado palestiniano."

Sinceramente, até agradeço a sinceridade ao Sr. Abbas. Ao menos um que ponha as cartas em cima da mesa. Assim, ninguém se engana a pensar que ele tem alguma boa vontade nesta coisa do "processo". Os "maus da fita" do Hamas já o fizeram há muito tempo, como em 2005, quando Israel saiu de Gaza. Declararam logo: "hoje Gaza, amanhã Tel Aviv". O Sr. Abbas quis dizer exatamente o mesmo, mas apenas o fez com uma raiva jihadista menos evidente.

Então, pensavam mesmo que conseguiam alguma coisa com a gracinha do congelamento? Eu até imagino que não, mas há que fazer alguma coisa quando se está no poleiro e a coisa ferve. Em Portugal, a silly-season da política é mais para o Verão. Em Israel, parece funcionar em imprevistas intermitências, de Janeiro a Dezembro.

* Foi o melhor sinónimo de "troça" que encontrei no dicionário.

publicado por Boaz às 23:49
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Enquanto há vídeo, há esperança

Na última sexta-feira, foi divulgado um vídeo do soldado israelita Gilad Shalit, raptado em Gaza há mais de 3 anos. Durante todo este tempo de cativeiro, esta foi a primeira vez que o Hamas – os raptores – deixou passar um claro sinal de vida de Gilad para Israel.


O vídeo recente de Gilad Shalit. E as várias faces da campanha a favor da sua libertação.

Foi um breve vídeo de dois minutos de duração, que mostra Shalit dirigindo-se aos seus pais Noam e Aviva e ao Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu. Disse que tem sido bem tratado pelo Hamas e está de boa saúde, mas que anseia pelo dia em que verá de novo a sua família.

Todavia, o vídeo não chega de forma gratuita. Vinte prisioneiras palestinianas condenadas por ações terroristas foram libertadas em troca de 2 minutos de prova de vida de Gilad Shalit. Esta tem sido uma estratégia dos sucessivos governos de Israel: libertar um grande número de condenados por terrorismo em troca de sinais de vida dos seus sequestrados ou, mais estranho ainda, em troca de cadáveres de soldados caídos em território inimigo.

Foi o que aconteceu o ano passado, com a libertação de quatro membros do Hezbollah e do famoso assassino Samir Kuntar em troca dos cadáveres dos soldados Ehud Goldwasser e Eldad Regev, cuja captura pelo Hezbollah desencadeou a Segunda Guerra do Líbano em 2006. Até poucas semanas antes da troca, o governo de Israel nem sequer sabia se os soldados ainda estavam vivos.

No passado, outros prisioneiros libertados de prisões israelitas regressaram a atividades terroristas. De acordo com algumas fontes, as ações de ex-prisioneiros libertados causaram a morte a mais de 100 israelitas. Ou seja, não é um bom prenúncio. O saldo não joga a favor de Israel nesta forma de negociação com o inimigo.

Ainda assim, a divulgação do vídeo de Gilad Shalit é uma ótima notícia. Os pais do soldado e milhares de apoiantes da causa da libertação de Gilad em todo o Mundo tentam manter a opinião pública alerta sobre o cativeiro forçado do jovem soldado. Em Jerusalém, em frente à residência do Primeiro-Ministro, há muitos meses que uma tenda de protesto é mantida em permanência. Muitas vezes passo em frente ao local e vejo que sempre alguém se mantém de vigília, às vezes uma pessoa apenas. Uma placa dentro da tenda indica a passagem dos dias em cativeiro. Já são mais de mil e duzentos.

Também em Alon Shevut, o colonato onde moro, na praça do bairro antigo, entre a mercearia e o centro médico, um pequeno cartaz mostra o número de dias da clausura de Gilad Shalit. Diariamente, alguém muda o fatídico número. Para que ninguém esqueça.

publicado por Boaz às 01:32
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Pegar o touro pelos cornos

Com frequência, falo com amigos em Israel sobre os erros da política externa de Israel. Em regra, a atitude tem sido a de lamentar a incompreensão da ONU e do resto do Mundo, e ainda mais a oposição sistemática face às acções militares de Israel, em especial a última operação em Gaza. Isto, sem nunca confrontar as acusações com a perspectiva israelita sobre os factos. E sem apontar a dualidade de critérios na permanente condenação de Israel e o injusto silêncio dos diplomatas face à situação em outros pontos do globo. Ou o silêncio quando as vítimas são israelitas.

A ONU realizou na semana passada a sua Assembleia-Geral. Dezenas de chefes de Estado e de governo discursaram no palanque da ONU. O presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad fez um discurso pejado de ataques a Israel. Dias antes, ainda em Teerão declarou-se orgulhoso de negar o Holocausto, como tem feito desde que foi eleito presidente pela primeira vez. No dia seguinte ao vergonhoso discurso de Ahmadinejad, foi a vez do Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu discursar. E que discurso!

No seu brilhante discurso, Benjamin Netanyahu fez exactamente isso. Como mencionou o PM israelita, a ONU foi fundada após a II Guerra Mundial precisamente para prevenir a ocorrência de tais eventos. "Nada minou mais essa missão, nada a impediu mais, que o assalto sistemático à verdade. Ontem o presidente do Irão esteve neste pódio vomitando o seu mais recente discurso anti-semita. Há uns dias, ele reivindicou que o Holocausto é uma mentira.", disse.

Apontou o dedo a Ahmadinejad, por repetir as habituais diatribes anti-semitas, ainda mais no palco da ONU. Elogiou os países que não compareceram na sala para escutar o ditador iraniano e os que abandonaram a sala quando ele começou a exibir o seu ódio. Foram apenas 12 países. Só doze. (A ONU tem quase 200 estados membros.)

"Não têm vergonha? Não têm decência?", Netanyahu interpelou os representantes dos países que testemunharam o discurso do presidente do Irão. Mostrando uma cópia da acta da Conferência de Wannsee, ocorrida em 20 de Janeiro de 1942, e a planta original da construção do campo de concentração de Auschwitz, perguntou "Isto são mentiras?". Mencionou os números tatuados nos braços dos sobreviventes: "São também mentira?".

A presença dos diplomatas e o seu silêncio durante o discurso de Ahmadinejad legitimaram as eleições fraudulentas que o reelegeram, deram a razão ao violento regime que matou dezenas de manifestantes que apelavam à democracia e à transparência após as eleições.

Netanyahu e Israel não são, nem podem pretender ser, embaixadores dos que anseiam pela democracia nos países muçulmanos. Não são uma voz aceite para falar em seu nome. Dos opositores encarcerados nas prisões dos Irão, do Egipto ou da Síria. Das mulheres brutalizadas, excisadas e segregadas como cidadãos de segunda classe ou, pior que isso, como animais. Das minorias religiosas perseguidas, como os xiitas e os cristãos na Arábia Saudita, os cristãos em Gaza ou os bahá'ís no Irão.

Porém, todas estas vítimas olham para as democracias ocidentais com esperança. Que os diplomatas e políticos das nações livres se indignem quando os inocentes são atacados, que defendam as suas causas na arena internacional. O "silêncio dos bons" perante um ditador descarado ladrão de eleições, assassino e mentiroso é uma desgraça no panorama da democracia mundial.

Durante mais de 20 anos, Portugal foi a única voz que falou em nome do povo de Timor-Leste, que defendeu os seus interesses e direitos na ONU. Contra todas as diplomacias do Mundo – incluindo a poderosa América – interessadas nas riquezas petrolíferas da Indonésia e na sua influência no mundo árabe.

Uma democracia reconhecida, com um assinalável registo de direitos humanos a nível internacional, Portugal não foi um dos países que se recusaram a dar o aval à ditadura iraniana e à sua doutrina. Dos 27 estados da União Europeia, apenas seis viraram as costas a Ahmadinejad. Da América, além dos EUA e Canadá, apenas a pequena Costa Rica teve a ousadia de ser corajosa.

O Brasil teve uma das mais desprezíveis demonstrações de falta de moral. O presidente brasileiro Lula da Silva, hoje considerado como um dos mais influentes líderes dos países em desenvolvimento, apertou a mão do ditador iraniano. Em Nova Iorque fez-se história. A ONU assistiu apática ao espezinhar dos valores da sua carta fundadora. Valeu Netanyahu, que teve a coragem de enfrentar o touro pelos cornos.

Apesar de não ter votado nele nas últimas eleições em Israel, senti um grande orgulho na sua frontalidade. Ainda que saiba que, de qualquer forma, não se esperará grande compreensão do resto do Mundo às suas palavras - a maior parte delas são demasiados inconvenientes. Ao menos que a estratégia diplomática israelita mude daqui em diante.

PS - Quem quiser assistir ao discurso de Netanyahu (em inglês, sem legendas), clique aqui.

publicado por Boaz às 14:00
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

O primeiro dia... das próximas semanas

Israel foi ontem a votos. Uma nação dividida, como muitos órgãos de comunicação social apresentaram a situação pré-eleitoral. Deveria escolher um governo e um parlamento. Porém, na verdade, Israel foi apenas escolher a próxima coligação a dirigir o país.

Há quase duas décadas que nenhum governo consegue governar com uma maioria estável na Knesset, o Parlamento israelita, nunca conseguindo terminar o mandato de 4 anos. Ganhe a esquerda ou a direita, as opções de coligação residem numa miríade de pequenos partidos. Dos partidos judaicos religiosos aos da minoria árabe, da extrema-esquerda aos nacionalistas, do efémero partido dos reformados aos novos ecologistas.

Os resultados (quase) definitivos mostram que o partido Kadima – uma amálgama de gente saída tanto de partidos da esquerda como da direita, formada “à pressão” antes da retirada dos militares e dos colonatos israelitas da Faixa de Gaza em 2005 – obteve o maior número de deputados, 28. Porém, apenas mais um do que o Partido Likud, de direita. Tzipi Livni, antiga ministra dos Negócios Estrangeiros e indigitada chefe do governo após a auto-demissão do PM Ehud Olmert, e Binyamin Netanyahu, líder do Likud e que já foi ele próprio Primeiro-Ministro, cantam vitória.

É uma vitória cheia de riscos para cada um. Apesar da enorme divisão de votos entre muitos partidos, a maioria do eleitorado votou à direita. Daí que será especialmente difícil para Livni formar uma aliança de partidos. ‘Bibi’ Netanyahu, por esta via, tem o caminho facilitado, podendo aliar-se aos vários partidos religiosos.

Em qualquer dos casos, não sairá nenhum governo sem a participação do partido Israel Beiteinu (Israel Nossa Casa), liderado por Avigdor Lieberman, um nacionalista de origem russa com posições radicais. De um partido de, e para, imigrantes russos, o Israel Nossa Casa transformou-se ontem na terceira força política israelita. Com um discurso frontalmente anti-árabe, é a favor de transferência de populações e de territórios entre Israel e um eventual estado palestiniano. Defende a anexação dos principais blocos de colonatos judaicos, e da entrega das cidades israelitas de maioria árabe situadas junto à "Linha Verde", a fronteira reconhecida internacionalmente entre Israel e o futuro estado palestiniano.

O sucesso de Avigdor Lieberman e das suas ideias radicais é o eco político da última campanha militar em Gaza. Israel não conseguiu acabar com o Hamas. O Hamas não parou de lançar mísseis sobre o Sul de Israel. O eleitorado decide-se por quem promete tomar posições de força contra o terror. É uma equação simples, mas os resultados são complicados.

Outra das novidades das eleições é a degradação do voto nos partidos religiosos. O antigo bloco sionista-religioso dividiu-se em dois partidos, cada um a entrar à tangente na assembleia nacional. O Shas, tradicional partido dos judeus sefarditas (judeus de origem ibérica e árabe) perdeu votos entre os seus eleitores menos religiosos, a favor do secular Israel Nossa Casa. Até entre os haredim ou judeus ultra-ortodoxos, houve quem se atrevesse ao "voto livre", em vez de seguir a posição (quase)vinculativa dos rebbes (os grandes rabinos).

Pouco ficou definido nestas eleições. A única coisa garantida no final das eleições é a assunção que o eleitorado israelita está muito dividido e, além do mais, pouco convencido pela retórica dos partidos tradicionais. Na mão de pequenos partidos com agendas muito particulares, é apenas uma questão de tempo, talvez apenas algumas semanas, até que haja novas eleições. No panorama actual, um qualquer governo de coligação não se conseguirá manter, com tantos interesses a ser satisfeitos de tantos lados opostos. A corda é demasiado frágil para poder ser puxada de tantos lados.

Sem quaisquer dotes de profecia, atrevo-me a antever uma nova votação para os tempos mais próximos.

publicado por Boaz às 20:04
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Viver na lista negra

Maale Mikhmash, o colonato a 10 quilómetros a noroeste de Jerusalém onde passei o último Shabbat, é um lugar aparentemente tranquilo. A pequena comunidade, situa-se num desvio a algumas centenas de metros da Estrada 60, a via que atravessa as montanhas da Samaria e liga Jerusalém a cidades como Nablus ou Jenin e continua até Nazaré (a original). Numa área semi-desértica, Mikhmash é tórrido no Verão e frio e no Inverno. No alto de uma montanha, o vento é presença todo o ano.

Isolada, tem como vizinhos mais próximos a vila árabe de Mukhmas – a semelhança dos nomes não é coincidência. Para sudeste, vêem-se dois núcleos suburbanos de Jerusalém: Pisgat Zeev e Neve Yaakov. A ocidente, na crista das montanhas da Judeia, estende-se a cidade de Ramallah, sede da Autoridade Palestiniana. Ao longe, mais para norte, o colonato de Rimonim, ainda mais isolado. Não muito longe, a oriente, estende-se o vale do Jordão.

Aqui habitam poucas centenas de famílias. As ruas são quase desertas durante qualquer dia da semana e, no Shabbat nenhum carro cruza o local. Com uma excepção apenas: o carro da segurança. Segurança é uma palavra muito discutida e uma preocupação quotidiana na vida de Mikhmash.

Até há poucos anos, Maale Mikhmash era uma alternativa aos altos preços das casas e do bulício de Jerusalém. Havia planos para estender o povoamento. Novos bairros, montados de início apenas com caravanas, deveriam ser organizados com vivendas simpáticas rodeadas de pequenos jardins.

A retirada de Gaza, em Agosto de 2005, e os posteriores planos do governo de Ehud Olmert de entregar mais terras aos Palestinianos, instalaram a incerteza em Mikhmash, assim como na maioria dos outros colonatos. Maale Mikhmash, Rimonim e muitas outras comunidades isoladas foram incluídas na "lista negra" de possíveis áreas a entregar aos Palestinianos.

Como consequência da mudança de política, a maioria das obras foi cancelada. A já longa paragem na construção de uma nova sinagoga e centro comunitário, só com as paredes exteriores, é um sinal da situação de paralisação que se vive na comunidade. Não se permite a construção de novos bairros, apenas a construção de casas particulares. E casas novas, dada a situação de incerteza em relação ao futuro, são poucas as que se vêm em construção. Poucas são as novas famílias que, por agora, apostam no futuro em Mikhmash. Por enquanto, um dos poucos sinais de construção é a renovação de uma pequena sinagoga.

Mesmo noutros colonatos mais desenvolvidos, a paragem das obras também é a regra. Na região de Gush Etzion, a sul de Jerusalém, mesmo sendo uma área considerada dentro da cintura urbana da capital e que se pretende incluir no seu território municipal, os planos também foram alterados. A expansão para norte do grande colonato de Efrat está parada. O projecto de unir Elazar e Alon Shevut, numa extensão de menos de dois quilómetros, no vale que separa as duas localidades, regressou ao fundo da gaveta. Planos para aumentar a selecta colónia de Alon Shevut, onde a maioria dos habitantes são famílias americanas que vivem em belas vivendas com jardins bem cuidados, e onde a procura de casa é grande, também estão em stand-by.

Ninguém sabe bem qual será o futuro. A situação em Gaza não transmite muita confiança nas negociações entre as partes. Entregar mais territórios, ainda mais na cercania de Jerusalém, é arriscar-se a transferir para a capital a desesperada situação de Sderot, bombardeada diariamente há mais de 7 anos pelos mísseis Qassam lançados de Gaza.

publicado por Boaz às 21:55
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Bush e 'bushá'

O presidente americano George W. Bush esteve esta semana em Israel. A sua visita de três dias, na sua visão, destinou-se a desencalhar o processo de paz entre Israel e os Palestinianos. Na agenda de Bush estava exercer pressão sobre Israel.

Essa parece ser a regra da comunidade internacional: pressionar Israel. Nesta luta dual, Israel tem de dar, os Palestinianos têm de receber. E seguir pedindo, pela sua já conhecida táctica terrorista. Frente ao medo das bombas, a resposta é ceder. Pensando que, uma vez saciada a fera, terminarão as suas ameaças e ataques. Ingenuidade absoluta.

Israel é o parente pobre da política internacional. Mais nenhum país do planeta sofre a ingerência estrangeira na sua política, como Israel. Todos os outros países são vistos como absolutamente soberanos, por isso não há que interferir. A não ser que o sangue jorre e os tímpanos se rompam com os gritos que bradam da Birmânia ou do Sudão. Aí, convenhamos, não dá mesmo para virar a cara. Umas manifestações aqui, uns apontares de dedo acolá. Até a coisa amansar ou outro assunto mais mediático abafar os gritos. Israel, pelo contrário, é a todo o momento, o irmão mais novo a quem todos acham que podem dar conselhos, impor práticas.

As Nações Unidas têm na forja uma nova conferência internacional sobre o racismo, Durban II. Israel e vários outros países ocidentais já reclamaram que não permitirão uma repetição do que se passou na primeira conferência de Durban, marcada por um vergonhoso e ataque árabe e da extrema-esquerda contra Israel. Na altura, numa cimeira sobre racismo, Israel, os judeus e o sionismo foram atacados da forma mais implacável desde a Segunda Guerra Mundial. Ainda mais, de um modo "limpo" e "legítimo", com a autoridade emanada do alto do palanque.

Um cinismo manifesto. Uma evidente falta de vergonha na cara. Em hebraico, "bushá".

PS – Durante a visita de W. Bush a Jerusalém, a cidade andou caótica. Um dos maiores e mais caros hotéis da capital israelita, o histórico King David, foi reservado exclusivamente para a comitiva presidencial. As ruas do centro da cidade estiveram encerradas ao tráfego particular, numa distância de cinco ruas de cada lado da rua por onde passasse o presidente. Não passou de um grande e caro espectáculo de dois orgulhosos e desavergonhados animadores de marionetas, Bush e Olmert, que tentam desesperadamente mostrar que fazem alguma coisa que agrade aos seus votantes, antes de deixarem o controle do teatro.

publicado por Boaz às 12:13
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Política, mentiras e vídeo

Há menos de duas semanas, o Jerusalem Post publicou no seu sítio na Internet, o vídeo do assassínio de uma jovem de 16 anos, que teve lugar em Julho, em Gaza. Mais um caso de “crime de honra”. A notícia foi apresentada como um exclusivo do jornal. O vídeo tinha sido obtido pelo jornalista Khaled Abu Toameh, o correspondente do jornal para os assuntos palestinianos.

Porém, em poucas horas, o “furo jornalístico” revelou-se uma mentira. O vídeo era real, mas não havia sido gravado em Gaza, antes no Iraque, em Abril. Uma cilada na qual se via envolvido o mais prestigiado dos jornais israelitas.

Quem entregou o vídeo ao jornalista? A Fatah, o movimento do presidente palestiniano, que controla a Cisjordânia. O jornalista havia sido chamado ao Quartel-general de Informações da Fatah em Ramallah, onde um oficial da Fatah lhe entregou o vídeo e os telefones de duas alegadas testemunhas do assassinato, que iriam corroborar a história.

Descobriu-se depois que as “testemunhas” eram na verdade milicianos da Fatah em Gaza. A história era uma total fabricação. Com que objectivo? Mostrar a Fatah e o governo de Mahmud Abbas como credíveis, parceiros para a paz e lutadores contra as forças do mal representadas pelo Hamas, que há meses controla a Faixa de Gaza, instituindo um estado de terror e não de ordem. A história do assassinato da jovem acabou por ser retirada do site do Jerusalem Post e não foi publicada no jornal no dia seguinte. O ardil montado pela propaganda da Fatah, esse sim, foi revelado.

Na semana passada, o governo de Israel libertou da prisão 87 palestinianos condenados por participação em actos terroristas. Um pormenor que não é circunstancial: todos eram afiliados da Fatah. A acção destinou-se a fortalecer a Fatah e o governo de Abbas na Cisjordãnia, contra o governo do Hamas que controla Gaza.

Esta acção de libertação dos prisioneiros vem sem contrapartidas. A Fatah não tem de dar nada em troca da liberdade dos 87 terroristas. Afinal, nem sequer a televisão palestiniana deixa de passar programas “educativos” anti-Israel. As escolas continuam a ensinar o ódio. Os políticos da Fatah continuam a insistir no retorno dos 4 milhões de refugiados palestinianos, uma ideia que evidentemente resultaria na destruição de Israel.

O governo de Israel sabe de isto tudo. E mesmo assim libertou os 87 terroristas. Apenas para fortalecer a Fatah contra o Hamas. No passado, várias acções de libertação de prisioneiros, por vários governos de Israel tiveram o efeito contrário ao pretendido.

Descobriu-se que mais de 100 israelitas morreram em ataques realizados ou planeados por terroristas que tinham sido libertados da prisão por ordem do governo. O caso mais conhecido foi a libertação do xeque Ahmed Yassin, o paralítico líder espiritual do Hamas. Na altura, a libertação de Yassin destinava-se a enfraquecer e desacreditar Yasser Arafat. Mesmo limitado a uma cadeira de rodas, o diabólico Yassin continuou a instruir milhares de terroristas do Hamas que mataram centenas de israelitas.

Na mesma semana da mentira do vídeo, a Fatah realizou outra acção de propaganda: entregou às tropas de Israel uma série de tubos de metal descobertos próximos de Belém e que, alegadamente seriam usados na construção de mísseis. O caso parece ter causado algum sobressalto em Jerusalém, perante a perspectiva de ataques diários de mísseis à cidade, a partir de Belém, como os que acontecem em Sderot e outras localidades, vítimas dos ataques diários a partir de Gaza. A entrega dos tubos pretendia mostrar o governo de Abbas como um lutador contra o terrorismo. Soube-se depois que afinal os tubos de metal eram exactamente isso: tubos de metal. E que eram usados como brinquedo por algumas crianças.

Se é importante destruir o terrorismo do Hamas, não é menos importante deixar de fortalecer o terrorismo da Fatah. Uns, aberta, os outros, disfarçadamente, desejam o mesmo: apagar Israel do mapa.

Ps – O Hamas e a Fatah têm-se envolvido numa guerra de propaganda que atingiu níveis sórdidos. Ambos reclamam ter vídeos dos outros envolvendo escândalos sexuais. Desde relações homossexuais envolvendo altas figuras do regime, abusos pedófilos numa mesquita do Hamas em Gaza, adultério de líderes da Fatah. Tudo vale para ganhar a confiança da plebe e mostrar que o outro lado é o mau da fita.

publicado por Boaz às 15:05
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Sexta-feira, 12 de Agosto de 2005

Adeus Gaza, 'Orange County'

Dentro de três dias, se as coisas correrem como o previsto, começará a retirada dos 21 colonatos israelitas de Gaza e de mais quatro no norte da Cisjordânia. Os ânimos estão há muito exaltados em Israel. E têm crescido sempre, desde o anúncio do plano de retirada, há vários meses. Centenas de colonos e seus apoiantes têm tentado entrar nas colónias a ser desmanteladas, para impedir a operação.

A semana passada, um soldado extremista disparou sobre os passageiros de um autocarro numa cidade árabe do norte de Israel, a fim de desencadear confrontos que desviariam os soldados que devem assegurar a prossecução do plano. Morreram 4 passageiros e mais de 20 ficaram feridos. O soldado foi depois linchado até à morte, pela população em fúria.

Laranja, o símbolo da oposição ao 'disengagement'.

Quando estive em Jerusalém em Maio passado, eram bem visíveis as divisões causadas pelo "disengagement". Por todo o lado, se viam as fitas cor de laranja, a cor dos opositores da retirada. À porta da estação central de autocarros da capital, raparigas judias religiosas, cumpriam a sua parte no esforço por angariar gente e fundos para a sua causa. Tinham montado uma banca no passeio, onde vendiam pulseiras de borracha, fitas, crachás e bandeiras. Tudo no mesmo tom invariavelmente laranja fluorescente. Os carros andavam engalanados com bandeiras nacionais e os apoiantes dos colonos acrescentavam à bandeira a tal fita. Alunos das escolas usavam-nas atadas na pega das mochilas. Alguém se tinha esforçado muito para mostrar a sua oposição ao plano, pendurando a dita cuja nos fios eléctricos, bem no meio das ruas e avenidas.

Eu, que sou a favor da retirada - peca por tardia, mas mais vale tarde que nunca -, também consegui arranjar uma dessas fitas, sem ter contribuído para a causa. Encontrei-a perdida, à beira da estrada que liga Belém a Jerusalém. Curioso sítio para encontrar tal símbolo, já que a estrada corre em "território ocupado" não longe do checkpoint e do "muro" à entrada de Belém e serve de acesso a vários dos colonatos mais militantes.

É óbvio que o "disengagement" não é o fim da retirada. Outros planos de retirada se seguirão. Não pode ser de outro modo. Ninguém no governo de Israel, por mais militante sionista que seja, acredita que os Palestinianos irão dar pulos de alegria por terem 300 quilómetros quadrados de dunas e esgotos a céu aberto (é isso que é Gaza, nada mais) para fazer o seu Estado.

As divisões na sociedade israelita são profundas, apesar de a maioria se manifestar a favor da decisão de Ariel Sharon. Mas abandonar a porcaria de Gaza e de 4 pequenas comunidades da Margem Ocidental, com o realojamento de pouco mais de 7000 colonos até parece fácil, face ao desafio que será abandonar a Margem Ocidental em peso, onde vivem mais de 100 mil israelitas.

Há poucas semanas ouvi a posição oficial do governo israelita em relação ao plano, pela voz do embaixador em Portugal. Na altura, das pessoas presentes, só uma se manifestou declaradamente a favor da retirada. Com a sua experiência e autoridade de antigo militar de elite que passou os 3 anos de tropa numa unidade de tanques exactamente em Gaza, revelou que Israel deveria abandonar todos os territórios ocupados em 1967: Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Isso traria, de acordo com as suas palavras, a paz para Israel.

Infelizmente, não tenho soluções que ache que sejam milagrosas, ou mais ou menos definitivas. Não consigo conceber nenhuma ideia que seja capaz de, definitivamente, parar com a violência e resolver o conflito com justiça e equilíbrio. Tenho esperança que, mais cedo ou mais tarde a paz chegue.

publicado por Boaz às 03:19
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