Terça-feira, 10 de Julho de 2012

Morto e envenenado (por esta ordem)

Quase oito anos depois da sua morte, Yasser Arafat é ressuscitado. Apenas nas notícias (Alá seja louvado).

Uma investigação divulgada pela rede de televisão Al-Jazeera revelou que altos níveis do elemento radioativo polónio-210 foram encontrados em alguns objetos pessoais de Arafat. Os objetos estavam na posse de Suha Arafat, a viúva do histórico líder palestiniano e foram analisados pelo Instituto de Física Radiactiva de Lausanne, na Suíça. A morte de Arafat, num hospital de Paris a 11 de Novembro de 2004, continua a ser fonte de muita especulação, aumentada pela não realização de uma autópsia. A divulgação do relatório médico integral foi sempre recusada tanto pela viúva como pela Autoridade Palestiniana. As teorias acumulam-se.


Guarda de honra no túmulo de Yasser Arafat, na Muqata, o complexo governamental
da Autoridade Palestiniana, em Ramallah (Tristam Sparks, Wikipedia)

O médico pessoal de Arafat durante 18 anos, Ashraf al-Kurdi, que o assistia permanentemente, mesmo em caso de um simples resfriado, não teve qualquer acesso ao líder palestiniano quando o seu estado de saúde se deteriorou gravemente em Novembro de 2004. A viúva Arafat proibiu-o até de visitar Arafat no hospital francês onde estava a ser tratado e, posteriormente, de inspeccionar o cadáver. Apesar das opiniões dos médicos franceses que foram divulgadas não terem sido conclusivas para apurar a causa de morte de Arafat, Suha também recusou a realização de uma autópsia. Haveria algo a esconder? Decerto, se fosse algo que facilmente incriminasse Israel, uma autópsia teria sido feita sem demora...

Resultados divulgados em 2005 indicaram que Arafat morrera de um acidente vascular cerebral desencadeado por uma doença desconhecida. Análises desses resultados sugeriram como causa de morte uma infecção, envenenamento ou até Sida. Apesar dos seus numerosos rivais entre o aparelho político palestiniano, suspeitas de um envenenamento recairiam sempre sobre Israel. (Quem mais?)

A suspeita de morte devido a Sida foi uma das mais difundidas em várias investigações dos relatórios médicos parciais. De acordo com fontes do governo americano, a CIA tinha conhecimento da doença de Arafat, e recomendou a Israel não assassinar o líder palestiniano. Ao falecer com a doença, Arafat ficaria irremediavelmente desacreditado pelos rumores relacionando a Sida à homossexualidade. Aliás, a alegada homossexualidade de Arafat foi documentada em 1987, no livro Red Horizons: Chronicles of a Communist Spy Chief, ("Horizontes Vermelhos: Crónicas de um chefe espião comunista") de Ian Mihai Pacepa, um antigo general da Securitate, o serviço secreto da Roménia comunista. O livro, que descreve entre outros assuntos a relação próxima entre o KGB, a Securitate e a OPL, relata que durante as suas visitas a Bucareste (Arafat era um protegido do regime de Ceausescu e fora treinado pelo KGB nos anos de 1970-80) o quarto do líder da OLP estava sob escuta. As orgias entre Arafat e os seus guarda-costas alemães-orientais eram gravadas e foram relatadas detalhadamente por Constantin Munteaunu, o general romeno destacado para a OLP.

Mas voltando ao polónio descoberto nos bens pessoais de Arafat. Esse elemento radioativo tem uma "meia-vida" de 138 dias, o que significa que metade da substância se degrada a cada quatro meses e meio. Porém, oito anos após a morte de Arafat, o relatório dos cientistas suíços refere níveis altos da substância. Ely Karmon, especialista em terrorismo nuclear, biológico e químico do Instituto de Contra-terrorismo de Herzlyia, explicou que "Se tivesse sido usado para envenenamento, níveis mínimos seriam encontrados nesta altura. Todavia, níveis muito mais altos foram encontrados. Alguém colocou o polónio muito mais tarde." O mesmo investigador questionou-se sobre alguns dados da investigação da Al-Jazeera. "Se Suha Arafat guardou estes objetos contaminados, porque sete anos depois ela não foi também envenenada? Ela tocou estes pertences de Arafat no hospital". A profundidade da investigação da televisão Al-Jazeera foi também questionada, entre outros pontos, por não ter sido verificada a existência de polónio nas casas de Suha em Paris e Malta. Além disso, as informações divulgadas pelos médicos franceses que trataram Arafat não coincidem com um envenenamento com polónio.

O governo de Israel negou qualquer envolvimento nos novos rumores sobre a morte do líder palestiniano. Paul Hirschon, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, mostrou-se céptico em relação às novas suspeitas, gracejando: "De repente, Suha estava a verificar o seu cesto de roupa suja e descobriu coisas que não foram lavadas há oito anos. Subitamente, umas peças de roupa aparecem; são testadas e pronto! Têm polónio!"

Como se nada de mais grave acontecesse no Médio Oriente, a Liga Árabe convocou uma reunião para debater as novas alegações sobre a misteriosa morte de Arafat. Os milhares de mortos na guerra civil da Síria; a insegurança no Iraque, Iémen e Bahrain; o fanatismo islâmico e o terrorismo que daí provém; o Irão em trajetória nuclear; as mulheres tratadas como objectos; os cristãos, bahaí’is e opositores políticos perseguidos; os jovens desempregados e sem futuro; a corrupção dos regimes e milhões de cidadãos sem direitos, todos podem esperar pelas decisões dos xeques e ditadores árabes.

Agora, como há mais de 50 anos, os árabes esperam pela resolução dos seus problemas. E, agora como há mais de 50 anos, os seus líderes adiam a discussão desses mesmos problemas, até que a Palestina e os seus mitos sejam resolvidos. Onde quer que esteja, Yasser Arafat estará exultante, com mais uma das suas bem montadas encenações.

publicado por Boaz às 22:57
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Domingo, 29 de Novembro de 2009

Oinc oinc, eles andam aí

É oficial: a gripe A chegou a estes lados. Nada de alarmes. A pequena aguentou-se, apesar dos 40 graus de febre, a tosse, a fraqueza. Durante uma semana, a mãe e o pai revezaram-se para ficar com ela em casa. Na vizinhança soubemos de outros casos. Mais tarde ou mais cedo, chega a todos.

Tenho visto que as notícias são de alarme em Portugal. Escolas fechadas, campanhas de vacinação (e as grávidas que não aderem com receio que com elas se repitam os episódios da morte de fetos de outras grávidas que foram vacinadas). Até a equipa do Estrela da Amadora está "de baixa", com quase toda a equipa infetada.

Em Israel, depois da polémica inicial sobre como chamar à doença: “gripe A” não diz nada, “gripe mexicana” dava má publicidade ao país onde tudo começou e gripe suína tem uma conotação não-casher, decidiram-se mesmo pela "gripe dos porcos". Afinal, o vírus não precisa de ter certificado de cashrut... Hoje, mal se fala do assunto. Ainda assim, contam-se mais de 4000 casos e algumas dezenas de mortes. Nada de alarme. Aliás, para quê? Todos os anos, morre meio milhão de pessoas no mundo só com a gripe comum e ninguém puxa os cabelos por isso.

É preciso de ter medo de alguma coisa. Isso vende muitas notícias. Faz mover governos. E sustenta muitos negócios (quantos milhões de vacinas contra a gripe foram encomendadas à Roche, a empresa que tem a patente do Oseltamivir, o princípio ativo do famoso Tamiflu?). Eu não digo que andem interesses obscuros à solta. Há que confiar nos médicos, ainda que saibamos dos "prémios das farmacêuticas".

Acreditar que tudo não passa de uma grande conspiração é mais perigosos ainda. Um bom exemplo aconteceu com a vacinação contra a poliomielite. Em 2003, durante a campanha de vacinação para erradicação da poliomielite, surgiram rumores no norte da Nigéria que a vacina causava esterilidade nas raparigas. Os chefes tradicionais muçulmanos proibiram a campanha de vacinação, causando um aumento dramático dos casos de polio no país. Nos dez meses de suspensão da vacinação, a epidemia alastrou a toda a Nigéria e a 12 países vizinhos onde já havia sido declarada extinta. Hoje, as guerras no Sudão e a instabilidade na Costa do Marfim são os obstáculos contra a erradicação completa desta grave doença. Só este ano, foram detetados novos casos em 21 países. Tudo por causa de uma mentira sem fundamento.

No caso da gripe A, já andam por aí e-mails a circular, insinuando que é tudo um plano dos Estados Unidos (quem mais, se não o "Grande Satã"?) para reduzir a população mundial em 2/3. É maquiavélico mesmo. Vídeos no YouTube mostram uma respeitosa senhora finlandesa (obviamente, já que a Finlândia é um país tão credível). A senhora é apresentada nos ameaçadores e-mails como ex-ministra da saúde do tal país nórdico.

Na verdade, a fulana não passa de uma louca que apenas foi secretária da saúde de uma província finlandesa. Essas são mesmo as únicas credenciais positivas da criatura. Agora, se soubermos que ela se diz manter contatos com extra-terrestres – reclama já ter sido sequestrada para o espaço algumas vezes e a sua vida já foi salva em três ocasiões pelos sujeitos verdes de olhos grandes – perde toda a credibilidade. Tirando para os crentes das teorias de Ovnis. Ainda reclama que uma boa parte da humanidade tem implantes cranianos para controlo da mente, implantados à nascença. Sinceramente, prefiro a teoria do filme "Matrix".

Não se assustem meus amigos, duas doses ou três diárias de um qualquer anti-inflamatório (iboprufeno ou paracetamol, por exemplo) durante alguns dias são suficientes para aliviar os sintomas. Fiquem em casa durante uma semana. Evitem espaços com muita gente (não só pela gripe, mas também pelos carteiristas, os mendigos e os mercadores de "promoções imbatíveis").

Enquanto isso, ponham a leitura em dia. Bebam muita água e descansem. Depois voltem à rotina e não se ralem, que até o Inverno acabar ainda muito pingo vai cair dos vossos narizes. E para o ano há mais.

publicado por Boaz às 18:05
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Domingo, 30 de Agosto de 2009

Duas medidas

Em Israel, há poucos anos, um programa da televisão israelita foi considerado ofensivo para a comunidade cristã. Estoirou na altura uma polémica com o Vaticano. O então Primeiro-Ministro Ehud Olmert criticou o programa, sem prejuízo para a liberdade de expressão.

Alguém comentou assim o último artigo: "É que, na Suécia, a liberdade de expressão e publicação é direito sagrado. Não cabe a nenhuma autoridade criticar a publicação de um artigo de jornal. Da mesma forma que o Primeiro-Ministro da Dinamarca se recusou a pedir perdão pela publicação das caricaturas de Maomé, também as autoridades suecas têm o dever constitucional de se abster de condenar o que os jornais publicam. Simples assim!"

Na verdade, não é tão "simples assim". No episódio das caricaturas de Maomé na Dinamarca, depois de um boicote islâmico, das ameaças de morte e de bombardeio de negócios e embaixadas dinamarquesas, de centenas de manifestações que fizeram dezenas de mortes por esse mundo (islâmico) fora, o governo do país tentou limpar a cara pela afronta à dignidade muçulmana, anunciando que iria patrocinar a construção de uma enorme mesquita em Copenhaga, a capital do país.

Na Suécia, as autoridades do país, que reclamam que a liberdade de imprensa tem de ser absoluta, exatamente na altura do caso dos cartoons de Maomé, o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros da Suécia enviou uma carta especial a um líder religioso do Iémen (um país islâmico), pedindo desculpas pela publicação das ofensivas caricaturas ao profeta. Talvez tenha havido alguma brecha no "dever constitucional de se abster de condenar o que os jornais publicam"?

Ou seja, existe do lado sueco uma clara dualidade de critérios. Sejamos francos, porquê esta dualidade de critérios? Os suecos – representados pelos seus media e a sua classe política – sabem que não precisam de ter medo dos Judeus (apesar do eterno mito de que os Judeus controlam todo o planeta, desde os media ao comércio). Não precisam de temer que os Judeus bombardeiem as suas embaixadas. Que estoirem os seus hotéis, restaurantes e sistemas de transporte. Que os seus aviões sejam desviados e sejam derrubados os seus arranha-céus. Que os seus turistas e jornalistas em Israel sejam raptados e assassinados. Tudo como represália de algum caso de anti-semitismo que aconteça no seu país. O medo, esse, eles têm-no dos muçulmanos. E o medo é uma força muito poderosa.

Como disse um comediante norueguês, depois de queimar ao vivo algumas páginas do Antigo Testamento: "Eu só não queimei o Corão porque quero sobreviver mais do que uma semana". É de mau gosto, mas talvez valesse a pena pensar nas palavras do artista...

PS – Alguns dias depois da publicação da notícia, o próprio editor do jornal disse que a peça não apresentava qualquer fonte credível. Ainda assim, disse haveria razão para Israel investigar as "suspeitas". Benny Dagan, o embaixador israelita em Estocolmo, respondeu: "Tenho uma sugestão para si. Porque você não investiga porque a Mossad e os Judeus estiveram por detrás do atentado às Torres Gémeas? Porque não investigamos porque os Judeus estão a espalhar SIDA nos países árabes? Porque não investigamos porque os Judeus mataram crianças cristãs para fazer matzot (pão ázimo) na Páscoa?".

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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Libelos de sangue e conspirações

Na Idade Média, durante a epidemia da Peste Negra na Europa, em muitos lugares do continente, os Judeus foram acusados de envenenar os poços. Na altura pensava-se que a doença era transmitida pela água, quando na verdade era através das pulgas dos ratos. A cada acusação, em cada local, as autoridades civis e religiosas cristãs prendiam um certo número de Judeus que eram mortos. Nos episódios mais “misericordiosos”, perante a ameaça da morte, os detidos tinham a opção da conversão à fé cristã.


Pintura que retrata o martírio de Simão de Trento, 1475 |
Capa de uma edição em espanhol de Os Protocolos dos Sábios de Sião
(a capa retrata que os Judeus controlam o dinheiro, a Igreja, a Maçonaria, o Comunismo e... o Nazismo) |
Embate do 2º avião no World Trade Center em 11 de Setembro de 2001, outra "obra da Mossad".

Também na época medieval surgiram acusações de assassínios rituais judaicos. Neles, inocentes criancinhas cristãs eram degoladas e o seu sangue aproveitado para fazer a matzá, o pão ázimo de Pessach, a Páscoa Judaica. Um dos casos mais famosos foi o de Simão de Trento, que seria depois canonizado. Acusações deste teor propagaram-se por toda a Europa ao longo dos séculos, incluindo no século XX, com o famoso caso Beilis, em 1911, na Rússia Czarista. A acusação dos assassínios rituais está tão enraizada na sociedade russa que ainda há poucos anos, o próprio patriarca da Igreja Ortodoxa Russa fez referências e esses libelos de sangue, acreditando fielmente na veracidade das acusações.

Ainda hoje, é possível encontrar abundante literatura que defende histórias deste teor em muitos países árabes, além de numerosos filmes e séries de televisão onde os mitos são encenados. Além destas, a fantasia do plano judaico para dominar o Mundo – que atingiu o seu apogeu na obra Os Protocolos dos Sábios de Sião – continuam a ter aceitação em muitas sociedades, da populaça árabe a alguns intelectuais europeus. A Internet, obviamente possibilitou a dispersão global deste tipo de delírio, havendo milhares de sites e blogs sobre o assunto, ligados desde a canalha neo-nazi europeia e americana, até aos islamo-fascistas. Lojas online vendem CDs e livros sobre o assunto.

Em 2001, após os ataques do 11 de Setembro, depressa apareceram teorias da conspiração que ligavam a Mossad (os Serviços Secretos israelitas) ao planeamento e realização do ataque terrorista. De nada valeram os vídeos divulgados por Osama bin Laden e seus compadres a vangloriar-se pela sua estrondosa “vitória contra o Satã americano”. Ainda hoje, qualquer sondagem num país árabe sobre a autoria dos ataques dará como resposta vencedora a Mossad ou uma aliança desta com a sua congénere americana, a CIA. Bin Laden, esse é o herói mais popular dos mesmos questionados.

Esta semana, na Suécia, o jornal sensacionalista Aftonbladet, um dos mais vendidos do país, publicou um artigo onde acusava Israel de raptar palestinianos e os matar a fim de traficar os seus órgãos. Alegadas testemunhas contaram histórias de familiares que após alguns dias desaparecidos, reapareceram mortos e com marcas de lhes terem sido retirados órgãos. Oportunamente, a história era relacionada com a recente prisão de um judeu americano acusado de traficar órgãos a partir de Israel (pagava 10 mil dólares a um dador em Israel e vendia-os por um valor muito mais alto nos EUA).

Escandalizado por este novo libelo de sangue, o governo de Israel exigiu uma tomada de posição do governo sueco, "uma condenação formal e não um pedido de desculpas" pelas alegações publicadas pelo jornal. A resposta sueca foi peremptória: "não interferimos na liberdade de expressão". Ou seja, não interessa aquilo que o tal jornaleco escreveu, já que a liberdade de expressão e da imprensa é algo absoluto e ilimitado.

Face à posição sueca, começaram a ser tomadas algumas medidas. O ministro do Interior israelita, Eli Yishai, disse que atuaria no sentido de evitar que jornalistas do diário sueco recebessem permissões de trabalhar em Israel. Nem a propósito, logo no Domingo, dois jornalistas do mesmo Aftonbladet dirigiram-se ao Gabinete de Imprensa do Governo (GIG) em Jerusalém requerendo acreditação de imprensa. O diretor do GIG instruiu os seus empregados para atrasar o maior tempo possível previsto na lei – até 3 meses – para rever o pedido dos jornalistas suecos.

De acordo com o diretor do GIG, Danny Seaman, os tais jornalistas reagiram mal quando foram informados de que coisa iria demorar mais do que é costume. Os jornalistas receberem uma explicação da demora: há uma série de verificações a serem feitas, incluindo – disse em tom de piada – testes de sangue, para verificar os tipos de sangue dos repórteres e a sua elegibilidade para transplante de órgãos. Outros apelaram a um boicote a companhias suecas como a IKEA (que tem apenas uma mas bem sucedida loja em Israel) ou a Volvo. Esqueceram-se dos eletrodomésticos Electrolux, dos carros Saab, dos telemóveis Ericson, da farmacêutica AstraZeneca ou das roupas H&M.

Podem alegar que a reação israelita terá sido exagerada. Afinal, quantas barbaridades e mentiras são escritas diariamente nos jornais do mundo inteiro? Até admito que nós, Judeus, somos um pouco histéricos quando falam mal de nós. Porém, há que lembrar que as feridas causadas ao longo dos séculos por acusações como estas são muitas e bem profundas.

PS – Mais uma vez, depois do infeliz episódio do jogo de ténis da Taça Davis há poucos meses em Malmö, a Suécia escreve uma triste página na sua história recente. Sintomático de um futuro promissor...

publicado por Boaz às 20:35
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Domingo, 2 de Janeiro de 2005

Piadas que vêm em letras pequenas

Ainda há pouco estive à procura de um certo ficheiro no meu computador com umas certas informações sobre o anti-vírus que eu uso. Não encontrei o que queria - o que quer dizer que a porcaria do programa vai deixar de funcionar porque não consigo fazer o registo on-line - mas encontrei uma coisa bem interessante. Não compensa, mas já deu para me rir.

Nunca pensei que aqueles textos dos programas informáticos aos quais temos de clicar sempre no "Aceito" para fazer a instalação, fossem tão divertidos. Aconselho-vos a lerem esses textos. Podem ser ainda mais cómicos que alguma literatura médica ou instruções de uso de electrodomésticos. Ora vejam.

«Alguns produtos XPTO estão sujeitos a controlo de exportação pelo U.S. Department of Commerce (DOC), de acordo com as Export Administration Regulations (EAR).

A violação das leis dos EUA é estritamente proibida. O usuário concorda em cumprir as regras da EAR em todas as leis aplicáveis, sejam internacionais, nacionais, estatais, regionais e locais, e regulações, incluindo quaisquer restrições de importação e uso.
(As dos outros países podem ser violadas, certo? Desde que isso vos seja favorável. Yeah, yeah, concordo com tudo... Toca a andar!)

Os produtos XPTO estão actualmente proibidos para exportação ou reexportação para Cuba, Coreia do Norte, Irão, Iraque, Líbia, Síria e Sudão ou para qualquer país sujeito a sanções comerciais.
(Para os que não sabem: todos estes países fazem / já fizeram parte do ‘Eixo do Mal’; nem todos declarados como tal, mas é assim que o senhor presidente W. olha para eles.)

O usuário concorda em não exportar, ou reexportar, directa ou indirectamente, nenhum produto para qualquer país mencionado nas EAR, ou para qualquer pessoa ou entidade na lista de “Pessoas, entidades e listas não verificadas”, recusadas pelo Departamento de Comércio, a Lista dos Excluídos do Departamento de Estado (o MNE) dos EUA, ou nas listas do Departamento do Tesouro de nacionais, traficantes de narcóticos, ou terroristas especificamente designados.
(Eu hein? Eu quero é estar longe dessa corja toda! Que vão todos dentro!)

Além disso, concorda em não exportar, ou reexportar, os produtos XPTO para qualquer entidade militar não aprovada de acordo com as Regulações da Autoridade de Exportações, ou qualquer outra entidade com fins militares; nem vender qualquer produto XPTO para uso em conjunto com armas químicas, biológicas, ou nucleares ou mísseis capazes de transportar essas armas.»
(Eu sou pacifista. Quer dizer, já fui mais, mas está bem, concordo.)

Isto tem mesmo muita piada. Muito melhor que o “Levanta-te e Ri” e os “Batanetes” e quase tão bom como as Televendas! Confesso que gostava de conhecer algumas das pessoas que escrevem estes textos. Devem ser gente interessante, com imensas histórias para contar, especialmente sobre aqueles que lhes mandaram escrever isto…

Ah, e já agora declaro que o Departamento de Comércio, a Autoridade das Exportações e os outros podem ficar descansados, porque eu não vou emprestar a minha cópia de antivírus XPTO a terroristas, traficantes de drogas e outros proscritos.

publicado por Boaz às 11:58
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2004

Israel, o bicho-papão dos Árabes

Há uns dias, nas minhas pesquisas de notícias sobre o Médio Oriente na Internet, deparei-me com um artigo de opinião no diário saudita em língua inglesa Arab News. É verdade que, sendo um jornal saudita, não se pode esperar grande coisa, jornalisticamente falando, mas na verdade já lá tenho lido algumas notícias num tom que deixa o "liberalismo" da Al-Jazeera a milhas.

Da autoria de Hassan Tahsin e intitulado «Perigo da presença israelita no Iraque», o artigo espelha bem a ideia da "conspiração sionista" que anda por aí a fazer tremer o Mundo e que, para a generalidade dos Árabes - sem excepção das suas elites letradas, antes pelo contrário - é a base de todo o mal que acontece naquelas bandas. Aliás, tal ideia nem é de admirar, com a quantidade de exemplares dos «Protocolos dos Sábios de Sião» que por lá se vendem e com os currículos das escolas...

Segue-se a tradução do dito artigo, publicado em 6 de Setembro.

«Na década de 1940, as forças britânicas na Palestina permitiram aos gangues sionistas ocupar a Palestina. Isto resultou no estabelecimento do estado racista israelita que expulsou milhares de Palestinianos da sua terra e os transformou em refugiados.

A História, devemos temer, está a repetir-se. O Iraque está em perigo de lhe acontecer o mesmo.

Perguntamo-nos se as forças da coligação que invadiram o Iraque sem razão abriram a porta à imigração judaica no Iraque. Estarão eles a tentar criar um Estado judeu no norte do Iraque que é uma área rica em recursos naturais? Será esta a realização do sonho sionista de criar um Estado judaico do Nilo ao Eufrates? Tudo isto surge nos calcanhares da decisão israelita de forçar os Palestinianos que ainda restam para fora da sua terra, para nunca se estabelecer um Estado palestiniano e desafiar todas as iniciativas de paz.

Aqueles que seguem o que acontece no Iraque verão que Israel tem uma mão no país. A Mossad, os seus serviços secretos, tem muitos centros de operações em Bagdade e nas maiores cidades do Iraque; o seu trabalho é organizar actividades terroristas para garantir que o Iraque permaneça instável. Oficiais da Mossad também supervisionaram a tortura de prisioneiros iraquianos, uma vez que têm ganho tanta experiência na tortura dos seus prisioneiros palestinianos.

Esta informação deriva não de fontes árabes, mas americanas apoiadas em documentos. Uma presença israelita no Iraque é injustificada. Israel tem trabalhado a fundo para escalar os problemas entre o Iraque e a América. O alvo principal não é livrar-se de Saddam. As forças da coligação poderiam ter acabado com Saddam se assim o quisessem, após a guerra para libertar o Kuwait. Contudo, não o fizeram, escolhendo manter Saddam no poder e usá-lo como desculpa para permanecer na região. A principal razão para a recente invasão do Iraque foi destruir o exército e dividir o país em vários pequenos estados. Esta situação trágica é um verdadeiro convite para Israel entrar e usá-lo para alcançar os seus sonhos.

Porque invadindo o Iraque era primeiro que tudo benéfico para Israel, o Estado judaico jogou um importante papel mantendo a presença nas instituições decisórias do Ocidente, particularmente nos Estados Unidos, até à invasão. Seymour Hersh num artigo no The New York Times em 21 Junho escreveu: Existe uma forte presença israelita no Curdistão que pretende construir um forte exército regional curdo, capaz de equilibrar a crescente influência iraniana no Iraque e também equilibrar a milícia sunita do Baath no país. Os Curdos também serão usados para realizar operações na Síria e no Irão, de forma a destabilizar ainda mais a situação. Isto faz parte da preparação do estabelecimento de um Estado curdo independente que inclua todos os Curdos do Iraque, Irão, Síria e Turquia.

Uma vez sucedido, o caminho para o controle israelita do Iraque estará aberto; os Israelitas estarão prontos para fazer a guerra e chamar-lhe a "Segunda Guerra de Libertação" - com a primeira a ter sido a guerra que eles travaram para tomar a terra palestiniana. A penetração israelita no Iraque devia levantar o aviso de que a tragédia da Palestina se repita; isto seria inaceitável para todos. É uma ameaça à paz internacional e eleva o nível de perigo consideravelmente. O próprio Israel é a ameaça real à paz internacional.»

Só para acabar: desconfio que este tal de Hassan Tahsin também é daqueles que acredita que os Judeus foram avisados dos ataques de 11 de Setembro e que, por isso, ficaram em casa nesse dia... Ah, e que tudo aquilo foi obra da Mossad.

publicado por Boaz às 16:05
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