Domingo, 11 de Setembro de 2011

9/11 – A década

Lembro-me como se tivesse sido ontem, pensarão muitos, que terão ainda bem vivo na memória o abalo daquele dia. Para aqueles que presenciaram – mesmo pela televisão – o desenrolar do mais delirante ataque terrorista de sempre, o 11 de Setembro de 2001 é um dia inesquecível. Poderei dizer que será o dia mais negro deste ainda curto século XXI. O mais marcante, pelo menos.

Até hoje, sentimos as repercussões do embate dos dois aviões e a consequente queda das majestosas Torres Gémeas do World Trade Center. (Sem esquecer o ataque ao Pentágono e a queda do 4º avião num campo da Pensilvânia, heroicamente despenhado pelos próprios passageiros). A guerra ao terror, com todos os seus erros e más decisões, não tornou o mundo mais seguro depois do 9/11. Pelo contrário.

A invasão do Afeganistão e perseguição de Bin Laden – finalmente morto há poucos meses, depois de quase uma década de busca pelos americanos – não eliminou a ameaça dos Talibãs e do seu fanatismo. A sinistra al-Qaeda está ativa. Apesar de ferozmente acossada pelo exército americano, continua a espalhar o medo e a morte. Mesmo morto, Bin Laden continua a inspirar seguidores, dispostos a matar e morrer em nome da sua doutrina. Como uma sanguinária divindade pagã, a cujo culto devem ser sacrificados todos os que ousem recusar o seu tirânico domínio.


Segurança nos aeroportos | Prisão de Guantanamo, em Cuba | Abu Hamza al-Mazri, líder da mesquita de Finsbury Park, em Londres, um dos focos do radicalismo islâmico na Europa
Embate do segundo avião no World Trade Center, em NY | A queda da Torre Norte
Soldado americano ferido no Iraque | Jovens afegãs de burka numa cerimónia de graduação

O Afeganistão, para lá das principais cidades controladas pelo regime central apoiado e guardado pelo Ocidente, continua a ser um imenso campo de treino terrorista como era nos tempos em que a canalha de Bin Laden dominava o país. Espantados em parte do Afeganistão, os terroristas da al-Qaeda pululam hoje no Paquistão, na Somália, no Iraque e (suspeita-se) em Gaza. Ou onde quer que a confusão reine pelo mundo muçulmano.

A invasão do Iraque e a queda de Saddam Hussein provou-se um desaire militar e de relações públicas para os EUA. E um sorvedouro de dinheiro dos impostos americanos: de acordo com alguns cálculos, mais de 3 triliões (!) de dólares já foram gastos com a invasão e os quase oito anos de ocupação do Iraque. As armas de destruição maciça não passavam de uma boa desculpa para derrubar um ditador anti-americano e brutal, mas inocente em relação ao que se passou naquela manhã de Setembro. O Iraque é hoje um campo de treino e o maior palco de ação de organizações terroristas. Tirando o Curdistão Iraquiano, o resto do país é marcado pelos ataques às tropas ocupantes, as autoridades locais e a perseguição às minorias religiosas. Carnificinas diárias matam indiscriminadamente dezenas de pessoas, em atentados contra estações de polícia, mesquitas e mercados. O número de refugiados iraquianos nos países vizinhos e dentro do próprio país atinge os 4 milhões.

As invasões do Afeganistão e Iraque até poderiam ter sido "justas", ou no mínimo justificadas, se tivessem resultado numa pacificação desses países. Poderiam ter tornado o mundo num local mais seguro. Porém, o perpetuar da ocupação militar já custou alguns milhares de mortos entre as tropas americanas e britânicas. E entre os iraquianos, o número de mortos desde a invasão e bombardeamentos iniciais aos milhares de atentados que aconteceram desde então, varia entre algumas centenas de milhar e mais de um milhão, dependendo das fontes. Tudo isto fez rapidamente perder a simpatia pela "Guerra ao Terror", em especial na Europa, onde a imagem dos EUA é cada vez mais negativa. Nos EUA, o aparelho de segurança, apesar de consumir um orçamento astronómico de dezenas de biliões de dólares anualmente, continua a ser pouco eficiente. Nisto, Israel tem muito a ensinar aos Estados Unidos e a qualquer outro país.

Logo a seguir ao 11 de Setembro, as autoridades entenderam a necessidade de limitar os direitos individuais em nome da segurança coletiva. Hoje, essa concepção parece estar a perder apoio, tanto entre o povo, como entre os políticos. Por exemplo, enquanto radicais islâmicos propagam abertamente a sua doutrina nas ruas e mesquitas da Europa, as autoridades permanecem, em muitos cais, sem qualquer reação. Também, ou talvez sobretudo, por medo da retaliação violenta dos fanáticos.

Um ensinamento do Midrash (uma forma de explicar a narrativa bíblica) diz: "Aquele que é misericordioso com os cruéis, acabará sendo cruel com os misericordiosos" (Midrash Tanhuma, Parashat Mezorá, 1). Esta expressão poderia ser entendida e recebida, ainda que a contra-gosto, por muitos políticos e cidadãos comuns no seguimento dos ataques de Setembro de 2001. Hoje porém, a sua aceitação será menos unânime. Em nome da supremacia da "liberdade de expressão" e dos "direitos humanos".

O fanatismo islâmico, apesar de todos os apelos a uma auto-análise e reforma islâmica, também não diminuiu de força. Para lá das iniciais reações de júbilo pelos ataques de 11 de Setembro entre alguma populaça muçulmana, a opinião pública no mundo árabe e islâmico não se tornou mais pró-americana ou anti-fundamentalista. A verdade é que tampouco foram educados para tal pelos seus governantes e líderes religiosos. Tirando algumas cosméticas operações de caça a terroristas e seus apoiantes na Arábia Saudita, Iémen ou Paquistão, pouco foi feito para combater o radicalismo islâmico na sua origem. E mesmo estas operações destinaram-se mais a defender a permanência dos próprios regimes face à ameaça da oposição destes fundamentalistas, do que a combater os agentes armados do Islão radical.

Apesar de todas as discussões sobre os perigos do crescente radicalismo islâmico e a urgência de uma reforma social, política e religiosa no mundo islâmico, pouco mudou dentro do Islão desde 2001. Bin Laden e a sua ideologia fanática ainda alimentam paixões e fervoroso apoio populares. Os líderes políticos árabes continuam tão corruptos e fanáticos como antes. Até as revoltas populares que têm alastrado um pouco por todo a região, apesar das enormes esperanças da instauração da democracia, correm o risco de se transformarem em oportunidades de tomada do poder pela via democrática pelas forças radicais, como a Irmandade Muçulmana no Egito.

Na Líbia, até agora um dos mais liberais regimes árabes em termos de igualdade entre os sexos, já se nota o aumento do número de mulheres que usa o véu publicamente, um sinal da crescente influência do Islão tradicional, depois do derrube do regime secular de Kadhafi. Os líderes da oposição líbia que tomaram o poder em Tripoli já anunciaram que a Sharia (a Lei Islâmica) deve ser a base da futura constituição da Líbia pós-Kadhafi. A esperança da "Primavera Árabe" poderá transformar-se num tempestuoso Inverno islâmico no Médio Oriente e Norte de África.

Os líderes religiosos muçulmanos, em especial no mundo árabe, tirando algumas figuras fora do mainstream, seguem a retórica da jihad contra o Ocidente. O Wahhabismo, a doutrina mais fanática dentro do Islão atual – apesar de ser considerada uma heresia por algumas das escolas islâmicas mais influentes – continua em forte expansão. Os abundantes petrodólares sauditas que patrocinam a construção de centenas de mesquitas dos EUA ao Brasil e a toda a Europa e África, patrocinam também os respetivos imãs, doutrinados de acordo com a corrente islâmica wahhabi, a única permitida na Arábia Saudita.

A Europa, com a sua cada vez mais alienada juventude muçulmana, dividida entre a sociedade europeia onde reside e a sua origem cultural, tem sido um fértil campo de recrutamento para o terrorismo. Os próprios autores do 11 de Setembro tinham sido estudantes em universidades europeias. E alguns dos mais ousados ataques (ou tentativas de ataque) desde o 11 de Setembro foram cometidos por muçulmanos europeus, como o "terrorista do sapato", o inglês Richard Reid.

Em termos políticos, a União Europeia tem sido cronicamente incapaz de ter uma voz única em termos de diplomacia, seguindo perigosa e estupidamente impotente face ao avanço do Islão radical dentro das suas fronteiras. O anti-americanismo doentio de alguns setores da política europeia tem minado uma completa cooperação em termos de segurança entre os dois lados do Atlântico que é indispensável para os desafios que se nos apresentam. A expressão "guerra ao terror" tornou-se quase inócua 10 anos passados do mais mortal atentado terrorista da história. As mudanças ao nível da segurança já caíram na rotina de muitos cidadãos.

Como comentou Uri Bar Lev, um especialista israelita em terrorismo: "Precisamos de começar a preparar-nos para a próxima guerra, em vez de para as guerras que já travámos. Estamos numa nova era, inteiramente diferente e mais perigosa do que a era passada. Não podemos dar-nos ao luxo de vacilar em face desta nova realidade."

publicado por Boaz às 13:00
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Domingo, 30 de Novembro de 2008

Em memória


Rav Gabriel Holtzberg e a esposa Rivka, mortos por terroristas islâmicos no Centro Chabad de Bombaim.

"E abençoarei os que te abençoarem, e aqueles que amaldiçoarem, amaldiçoarei..." (Génesis 12:3)

publicado por Boaz às 22:23
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Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Órfão de filho

Na maioria – se não mesmo na totalidade das línguas do Ocidente, não existe um termo para denominar um progenitor que perde um filho. Alguém que perde o pai ou a mãe é órfão. Alguém cujo cônjuge morre é viúvo. No entanto, não existe termo para quem perde um filho. Talvez a incapacidade de definir tal situação extrema, tenha deixado essa lacuna no dicionário. Em hebraico, essa palavra existe: shakul, um termo que traduz a ideia de desamparo ou solidão.

Dias depois da tragédia na yeshiva Mercaz Harav, o ambiente na Yeshivat Hakotel, onde eu estudo, continua muito pesado. Mesmo entre os brasileiros, que pela sua natural maneira de ser, costumam mostrar-se mais descontraídos que a maioria dos outros povos. Podia ter sido aqui o ataque, creio ser o sentimento geral.

Acompanhado do choque adicional de um dos jovens mortos, Yohai Lifshitz, ser filho de um dos directores da minha yeshiva. No momento do enterro, o Rav Tuvia Lifshitz, pai de Yohai disse: "agradecemos a Deus pelo privilégio de termos vivido com Yohai durante 18 anos". Parecerá uma resposta fria para alguém que no dia anterior perdera um dos seus filhos. Parecerá um desprendimento absurdo em relação aos filhos, à vida. Parecerá, mas apenas para quem não acredita em Deus.

Ontem, terça-feira, o grupo dos alunos sul-americanos da yeshivat Hakotel – no qual eu estou incluído – foi prestar condolências ao Rav Lifshitz. Na incapacidade de receber tantos visitantes na sua pequena casa, foi montada uma tenda na varanda do telhado. Sentado numa cadeira baixa, o pai de Yohai recebeu durante vários dias milhares de pessoas, chegadas de todo o país. Assim que cheguei, não consegui deixar de reparar no que se passava no telhado de uma casa vizinha. Um muçulmano rezava, virado para sul, na direcção de Meca.

Sendo impossível de imaginar a dor da perda da família, era todavia incrível a calma emanada da face do pai enlutado, mesmo passados alguns dias da tragédia de Mercaz Harav. O Rav Tuvia falou do exemplo do filho, do amor que tinha pelo estudo e do alto valor que Yohai dava ao tempo. O tempo que lhe foi tão tragicamente cortado. A confiança inabalável no Criador mostrada pela família é profundamente inspiradora.

As respostas teológicas perante uma tragédia destas não são fáceis de aceitar. Todas as coisas e criaturas, seres humanos incluídos, têm um papel e uma missão no Mundo. Quando a sua missão termina, essa coisa, criatura, pessoa, cessam de existir. Yohai e os seus sete companheiros de estudo terminaram a sua missão. Reuniram-se a Deus, a causa inicial de tudo. O facto de terem morrido enquanto estudavam Torá, o mais valioso dos preceitos judaicos, encerra na sua partida terrena um significado especial.

No Judaísmo não existe o culto da morte. Em vez de manifestações violentas nas ruas, das yeshivot saíram apelos ao fortalecimento do estudo de Torá. Na Yeshivat Hakotel definiram-se períodos especiais diários para o estudo de ética judaica e do tratado talmúdico de Meguilá, ligado ao festival de Purim que se aproxima no calendário. É um tempo de introspecção e de melhoramento individual, dominado por todas as perguntas difíceis que podemos (e devemos) fazer nestes dias, mesmo apenas para nós próprios.

Enquanto isso, no bairro de Jabel Mukaber, na zona oriental de Jerusalém, a família do terrorista morto, um árabe de nacionalidade israelita, montou uma tenda para receber aqueles que lhe queiram prestar homenagem. E hasteou as bandeiras do Hamas e do Hezbollah. (A polícia israelita retirou finalmente as bandeiras, que vergonhosamente permaneceram hasteadas vários dias). Alaa Abu D'heim é mostrado como um herói. O "heroísmo" celebrado não é aquele que advém da salvação, da ajuda ao próximo, ou da vida, mas da destruição e da morte. Uma das formas mais seguras de medir o carácter das pessoas (e dos povos), é saber quem são os seus heróis. Eles exemplificam o seu sistema de valores.

Tal como os pais de Yohai, também os pais de Alaa são shakulim, desamparados. Porém, enquanto dos pais de Alaa enaltecem o seu "martírio" sangrento que causou oito mortes entre os inimigos; os pais de Yohai enaltecem a vida do filho e o seu último momento, estudando, debruçado sobre o tratado talmúdico de Menachot, o qual descreve um dos tipos de sacrifícios oferecidos no antigo Templo de Jerusalém. A diferença entre Alaa e Yohai é tão evidente como a que existe entre a escuridão absoluta e a luz.

publicado por Boaz às 22:20
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Nada é sagrado

Na noite de ontem, quinta-feira, houve um ataque terrorista numa yeshiva de Jerusalém. Há quase dois anos que o terror não chegava à capital. Dois homens armados de metralhadoras AK-47 entraram no recinto de Mercaz Harav, uma das maiores yeshivot de Israel. Na biblioteca, dispararam durante vários minutos sobre os alunos que estudavam. Segundo a polícia, terão sido disparados entre 500 e 600 tiros. Até serem abatidos por um soldado que, da rua, ouvira as rajadas de tiros.

No chão ficaram mortos oito alunos da yeshiva. Morreram enquanto estudavam Torá. Testemunhas descreveram o cenário como "um matadouro", com os livros sagrados jazendo no chão, junto dos alunos assassinados.

Depois da operação militar em Gaza, destinada a destruir a infra-estrutura terrorista do Hamas, os terroristas palestinianos prometeram vingança. A escolha de Mercaz Harav com alvo, é perfeitamente calculada. Tal como o World Trade Center representava a essência da sociedade americana, a yeshiva Mercaz Harav é um dos baluartes espirituais da sociedade israelita. É o principal centro de estudos judaicos da linha do Sionismo Religioso. Fundada pelo grande Rabino Avraham Hacohen Kook ainda antes da Independência de Israel, estabeleceu-se como uma das mais exigentes yeshivot do Mundo. Dos seus bancos saíram muitos dos maiores sábios do Judaísmo do século XX.

Na Yeshivat HaKotel, onde estudo, do outro lado da cidade, o ambiente era naturalmente muito carregado. Ainda mais, porque um dos alunos mortos, Yohai Livshitz, de 18 anos, era filho de um dos directores da Yeshivat Hakotel.

Nas noites de quinta para sexta-feira é costume fazer mishmar, ou seja, um grupo de alunos fica acordado toda a noite, a estudar no Beit Midrash, a sala de estudos principal. Na noite do ataque, o mishmar não se realizou. O grande tacho de chulent, um cozido de batatas e grão, também costumeiro da quinta-feira à noite, não foi preparado. Habitualmente ruidosa nas noites de quinta, imperava desta vez um silêncio pesado. No dia seguinte, a reza matinal foi um momento difícil. Coincidindo com o primeiro dia do mês judaico de Adar, por excelência o mês da alegria, foi impossível conter as lágrimas, mesmo durante a reza especial de Halel, entoada só nos dias mais alegres.

Uma yeshiva é, por excelência, o local mais respeitado no Judaísmo. A estima dada ao estudo da Torá, centrado exactamente na instituição da yeshiva, torna-a lugar de referência na sociedade judaica. Aí, os jovens aprendem desde cedo os princípios judaicos. Daí emanam os conhecimentos dos grandes Sábios. Em cada yeshiva se perpetua a milenar cadeia tradição judaica.

Qual é o limite do campo de batalha? Ao longo das décadas de terrorismo palestiniano, ao contrário de uma guerra tradicional, os alvos civis têm sido a preferência do terror. Autocarros, estações de transportes, hotéis, cafés, restaurantes, centros comerciais. Em poucas ocasiões foram escolhidos alvos militares para os ataques.

Como reconhecer legitimidade numa causa onde não há limites para os seus alvos? Como se pode ser brando, querer manter o diálogo? Em Gaza saíram à rua para festejar o massacre. Em Nova Iorque, a Líbia impediu uma nota de condenação do atentado pelo Conselho de Segurança da ONU.

publicado por Boaz às 10:26
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Provocartoon

A polémica começou em Setembro de 2005, quando o jornal dinamarquês Jyllands Posten teve a ousadia de publicar uma série de caricaturas com elementos islâmicos. Algumas fazendo a ligação directa entre o Islão e o terrorismo. Na altura a publicação passou despercebida a nível internacional. Em Janeiro do ano seguinte, estalou em vários países islâmicos uma onda de motins e protestos anti-dinamarqueses, que resultaram na morte de várias pessoas.

A caricatura mostrando o profeta Maomé com um turbante-bomba foi o que mais incendiou as massas islâmicas. A ousadia dinamarquesa manteve-se na atenção do público em inúmeros países muçulmanos. Vários apelos à vingança foram proferidos por diferentes autoridades religiosas, em especial iranianas. Os alvos principais: os próprios caricaturistas dinamarqueses.

Na semana passada, a polícia dinamarquesa descobriu um plano para matar um dos ousados cartoonistas, operado por três jovens de origem magrebina. Vários dos autores dos cartoons e respectivas famílias, viviam sob segurança policial especial, desde que estalara o escândalo, mudando de residência com frequência.


Dinamarca vs. Paquistão
(Imagem recebida através do boletim “Notícias da Rua Judaica - 17/02/2008”)

Em resposta ao plano de ataque do islamismo radical contra a liberdade de expressão dinamarquesa, um conjunto de 12 jornais dinamarqueses republicaram os cartoons da polémica. O governo dinamarquês naturalmente, nada pode fazer. A não ser esperar a repetição da onda anti-dinamarquesa. Criticar a publicação seria um inaceitável ataque à liberdade de expressão. Um aperto de mão aos terroristas.

Num caso em tudo idêntico, o governo holandês teve uma atitude diferente. A eminente emissão de uma curta-metragem do realizador holandês Geert Wilders, no qual o Alcorão, o livro sagrado do Islão, é comparado com Mein Kampf, o livro da autoria de Hitler que concentra a sua ideologia, as autoridades holandesas depressa se desmarcaram da infâmia. Tentam por todos os meios impedir a transmissão do filme.

Ainda antes da estreia da curta-metragem, líderes islâmicos iranianos e sírios, assustaram a Holanda com as “terríveis consequências” que poderão advir para o país, pela ousadia de um dos seus cidadãos.

Não digo que sejam legítimos, estes meios de crítica ao Islão radical e terrorista. Apoiam-se convenientemente no direito de liberdade de imprensa e de expressão que imperam – e ainda bem – nas democracias ocidentais. Mas a violenta resposta islâmica só prova que o lado mais certo da balança não está do lado dos seguidores de Maomé.

publicado por Boaz às 21:56
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

Silêncio em Beslan

Passaram três anos desde o massacre na escola de Beslan, Rússia. Quem ainda se lembra?


Peluche e flores no chão do ginásio calcinado da escola nº 1 de Beslan

No primeiro dia de aulas, 1 de Setembro de 2004, um grupo de terroristas chechenos ocupou a escola da pequena cidade de Beslan, República da Ossécia do Norte, vizinha da Chechénia.

Após dois dias de sequestro, a 3 de Setembro, um esquadrão da polícia russa tomou a escola de assalto, desencadeando um tiroteio caótico com os terroristas. Resultado: Um massacre. Foram mortos pelos terroristas e pelas tropas russas quase 400 pessoas, dos quais 186 crianças, e ainda pais e professores confinados ao ginásio da escola.

publicado por Boaz às 21:13
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Sábado, 20 de Janeiro de 2007

O cerne da questão

Um excelente artigo publicado recentemente no Jerusalem Post acerca de um assunto e uma posição já várias vezes exposta neste blog.

A cultura da violência

De Evelyn Gordon

Virtualmente nem um dia passou recentemente sem que alguma pessoa famosa declarasse que a resolução do conflito Israelo-Árabe é a chave para resolver todos os problemas do mundo Islâmico - de Kofi Annan ("Enquanto os Palestinianos viverem sob ocupação também as paixões um pouco por todo o lado serão inflamadas"), a Henry Kissinger ("um processo de paz palestiniano retomado deveria jogar um papel significativo na resolução da crise nuclear iraniana") e a Tony Blair ("um acordo israelo-palestiniano é o cerne de qualquer esforço para resolver os outros problemas do Médio Oriente e derrotar o extremismo global").

É surpreendente que tantas pessoas inteligentes possam seriamente expor uma tão óbvia falsidade. Eles realmente acreditam que Muçulmanos Sunitas e Muçulmanos Xiitas - cujas visões de Israel são idênticas - se massacram uns aos outros no Iraque por causa do conflito israelo-palestiniano? Ou que os políticos anti-Síria no Líbano - que não são menos anti-Israel que os do tipo pró-Síria - estão a ser assassinados pela Síria e ameaçados com um golpe de estado pelo Hizbullah, devido ao conflito israelo-palestiniano?

Que Árabes Muçulmanos estão a cometer um genocídio contra Negros Muçulmanos no Sudão devido ao conflito israelo-palestiniano?

Que Muçulmanos Talibãs assassinam Muçulmanos não-Talibãs no Afeganistão por causa do conflito israelo-palestiniano?

Que Muçulmanos Chechenos tomaram crianças russas como reféns numa escola de Beslan devido ao conflito israelo-palestiniano?

Que Muçulmanos e Hindus se matam mutuamente em Caxemira por causa do conflito israelo-palestiniano?

Que Muçulmanos em todo o Mundo se revoltaram por caricaturas dinamarquesas devido ao conflito israelo-palestiniano? A lista poderia continuar por várias páginas.

Mas a teoria da centralidade israelo-palestiniana não é apenas falsa, é perigosa - porque evita que o Mundo olhe a causa real e todos estes conflitos, incluindo o israelo-palestiniano: uma cultura generalizada no Mundo Muçulmano que vê a violência e trata a violência com um meio legítimo para resolver disputas.

A crise das caricaturas é particularmente um bom exemplo, porque não é encoberta por alguma relação com qualquer conflito regional. Após um jornal dinamarquês haver publicado caricaturas satíricas do Profeta Maomé no ano passado, Muçulmanos em todo o Mundo causaram motins durante várias semanas, resultando em várias mortes.

Compare-se isto com a reacção dos Católicos a investidas satíricas contra o papa e a Igreja em Itália. Em meados de Novembro, por exemplo, um programa de televisão italiano satirizou o Papa Bento XVI como sendo ciumento em relação ao seu antecessor e assim fez vários actos degradantes - sapateado, malabarismo com laranjas - enquanto perguntava "O Papa Wojtyla [João Paulo II] conseguia fazer isto?"

Num outro programa recente, um comediante brincou com a Santíssima Trindade debatendo onde ir em viagem: Deus Pai propõe África, Jesus propõe a Palestina e o Espírito Santo propõe o Vaticano. Questionado porquê, o Espírito Santo responde: "Porque nunca lá estive."

Claramente, estas piadas não são menos ofensivas para os Católicos devotos que as caricaturas de Maomé para os Muçulmanos religiosos. Mas não houve motins por causa destas sátiras, nem nenhum clero católico apelou a tais motins, como muitos membros do clero islâmico fizeram com as caricaturas dinamarquesas. Os Católicos limitaram-se a protestos orais e escritos - porque na moderna cultura Ocidental a violência não é considerada uma resposta aceitável à ofensa.

Têm as reacções à sátira religiosa realmente alguma influência de conflitos políticos como o israelo-palestiniano? Absolutamente não - por duas razões.

Primeiro, enquanto o mundo muçulmano considerar a violência como resposta apropriada à oposição, nem o conflito israelo-palestiniano nem qualquer outro das dúzias de conflitos envolvendo muçulmanos a nível mundial será resolvido. De facto, o conflito israelo-palestiniano amplamente demonstra este ponto.

Os Palestinianos poderiam ter obtido um estado em Julho de 2000, se Yasser Arafat tivesse exposto a sua insatisfação à proposta israelita em Camp David à moda "Ocidental" - apresentando uma contraproposta. O governo de Ehud Barak estava claramente disposto a fazer mais concessões; fê-lo nas subsequentes cimeiras de Washington e Taba. Mas em vez disso, os Palestinianos optaram por expressar o seu descontentamento violentamente, lançando uma guerra terrorista que matou mais de 1000 israelitas (e cerca de 4000 palestinianos) nos seis anos seguintes. Como resultado, os israelitas afastaram Barak e começaram uma contra-ofensiva, e as negociações pararam.

O mesmo aconteceu no ano passado após Israel sair de Gaza. Os israelitas posteriormente elegeram Ehud Olmert numa plataforma para fazer o mesmo na maioria da Margem Ocidental. Mas os Palestinianos, em vez de aproveitarem esta abertura para declarar um cessar-fogo e negociar futuras concessões, optaram pela violência: usaram a recém-evacuada Gaza como plataforma de lançamento para bombardear o sul de Israel com mísseis, em depois, por larga escala, elegeram o Hamas, que abertamente advoga a destruição de Israel. Como resultado, não só as negociações estão congeladas, como está também a proposta retirada da Margem Ocidental.

A segunda razão porque enfrentar a cultura de violência é crucial é que mesmo que o conflito israelo-palestiniano pudesse ser de alguma maneira resolvido sem ser dessa forma, isso não faria nada para resolver os outros problemas dentro do mundo islâmico ou entre o mundo islâmico e o Ocidente - porque o número de potenciais oposições é infinito. Estas incluem as diferenças culturais (as caricaturas de Maomé), questões económicas (os motins do ano passado em França), questões de polícia externa (Iraque, Afeganistão) e mais.

A ideia Blair-Annan-Kissinger parece ser que se os Muçulmanos fossem serenados sobre Israel eles talvez poderiam abdicar da violência em outros casos. De facto, a História ensina o contrário:

Tal como Hitler, longe de ser apaziguado pela entrega da Checoslováquia pelo Ocidente, em vez disso concluiu que poderia também tomar a Polónia com impunidade, iniciando assim a Segunda Guerra Mundial, assim também qualquer concessão ao terror islâmico simplesmente encorajou os Muçulmanos a pensar que a violência compensa.

A retirada israelita de Gaza, que 84% dos Palestinianos atribuíram ao terrorismo, foi um factor crucial tanto na sua eleição do Hamas, a principal organização terrorista palestiniana, como na continuação do apoio da maioria da sua população ao terrorismo. A retirada espanhola do Iraque a seguir aos atentados de Madrid encorajou a Al-Qaeda a planear ataques similares em outros países. E os Muçulmanos a nível mundial atribuem ao terror iraquiano a esperada retirada americana do Iraque.

Se o Ocidente realmente quer resolver o seu problema muçulmano, tem de adoptar a estratégia oposta - tornar claro que a violência, longe de ser recompensada, será penalizada. Pelo contrário, querendo apaziguar o mundo islâmico com a moeda israelita, apenas provará que a violência compensa.

E então colherá mais do mesmo.

Só resta saber qual é o político ocidental (fora de Israel, está visto) que tem a coragem de enfrentar a fera e assim dar o exemplo.

publicado por Boaz às 17:42
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

O presente armadilhado

Há poucas semanas houve uma reunião entre o PM israelita Ehud Olmert e o presidente da Autoridade Palestiniana Mahmud Abbas, para discutir algumas questões entre os dois lados, entre as quais o descongelamento de verbas de impostos aduaneiros palestinianos congelados por Israel. O Hamas, que controla o governo palestiniano, foi contra o encontro.

Na altura, Salah Bardaweel, um legislador (eufemismo para terrorista-de-gravata) do Hamas, reiterou a "oferta" do seu generoso movimento a Israel. Em troca de uma hudna (palavra árabe que significa trégua) de longo prazo, Israel deveria permitir o estabelecimento de um Estado Palestiniano em todos os territórios capturados por Israel em 1967, incluindo Jerusalém, e a libertação de todos os prisioneiros Palestinianos das prisões israelitas. Só. Tão simples.

No entanto, tão generoso embrulho vinha, naturalmente armadilhado. Conhecendo-se o currículo do emissário, não é de estranhar.

O senhor Bardaweel prontificou-se a clarificar o que significa para o Hamas uma trégua. A sua proposta não significaria de forma alguma que o Hamas iria reconhecer o direito de Israel a existir. "Estamos a falar de uma solução faseada". Pois "nunca desistiremos dos nosso direito a toda a terra da Palestina".

Ou seja, aquela "trégua de longo prazo" seria apenas pelo tempo necessário para encontrar refúgio algures no Mundo (ou até mesmo em Júpiter), para cada judeu que vive entre o Mediterrânico e o Jordão.

É com esta base ideológica do outro lado que Israel tem de lidar para conseguir a paz e a estabilidade. E os Europeus, com toda a sua hipocrisia de remorso mal sarado misturado com apetite petrolífero e temor que a jihad chegue em força à Europa, não conseguem ver o que realmente está em causa...

publicado por Boaz às 17:38
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006

Deixa-me rir (sem ofensa)

Garfield Maomé, em Ridiculopathy.com

O mundo islâmico, pouco conhecido pelo seu sentido de humor, em especial em relação a si mesmos, entrou em polvorosa por mais uma razão. Não bastava a habitual onda de violência em manifestações públicas de ódio contra Israel, agora o ódio virou-se também contra a - até agora inocente - Dinamarca.

O problema surgiu com a publicação no jornal Jyllands Posten de uma série de cartoons em que o profeta Maomé aparece, entre outras coisas, retratado com um rastilho saindo do seu turbante, fazendo a ligação directa entre a doutrina islâmica e o terrorismo. É obviamente ofensivo, mas a onda de protestos é um exagero e demontra uma enorme falta de maturidade das massas e dos poderes islâmicos em geral. Estranho é que os ditos cartoons tenham sido publicados há já quatro meses e, só agora tenha estalado o protesto...

Desconhecendo a noção de liberdade de imprensa e de independência editorial entre os media e o poder político, uma série de paises islâmicos decidiram chamar os seus embaixadores em Copenhaga e expressaram o seu repúdio ao governo dinamarquês pelo ultrage.

Nas ruas, multidões furiosas queimaram bandeiras dinamarquesas (por uns dias foi a bandeira mais queimada no mundo, em vez das israelitas e americanas). Embaixadas dinamarquesas receberam ameaças de bomba. Nos supermercados boicotaram-se os produtos dinamarqueses, malditos agora para os consumidores árabes.

Na Dinamarca, o editor do jornal pede desculpas mas defende-se com a liberdade de expressão. O governo pede desculpas tambem e alguém propõe a construção de uma mesquita em Copenhaga, para abrigar dignamente a comunidade islâmica do país. (Os 200 mil muçulmanos que vivem no país reunem-se em 50 mesquitas improvisadas.) Uma tentativa vã de limpar a cara e - pior que tudo - uma cedência aos radicais que ia dar razão aos seus protestos.

Até que ponto se pode brincar com os símbolos religiosos? Até onde se pode ir sem desencadear uma "guerra santa"?

Nota: Um artigo interessante de um site satírico, Ridiculopathy.com.

publicado por Boaz às 00:34
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2005

Amostra do que aí vem?

Ontem, num ataque suicida na estação de autocarros de Beersheva, sul de Israel, dez pessoas ficaram feriadas, duas das quais com gravidade. Foi o primeiro ataque terrorista desde a retirada israelita de Gaza, ocorrida na semana passada. A acção foi reivindicada conjuntamente pelos braços armados da Fatah e da Jihad Islâmica. Poucos dias antes, num vídeo divulgado pelo Hamas, o novo líder do movimento prometeu continuar com os atentados terroristas contra Israel.

Interpretando a retirada israelita de Gaza como uma capitulação israelita face à estratégia do terror, os movimentos terroristas palestinianos prometeram continuar com acções suicidas para conseguirem o seu objectivo de apagar Israel do mapa. "Primeiro Gaza, no futuro Jerusalém e toda a terra do Jordão ao Mediterrêneo."

A mesma perspectiva teve o Hezbollah em 2000, quando o exército de Israel retirou do sul do Líbano. Que a retirada não era só uma mudança de estratégia de segurança (nunca é), mas uma fuga face à ameaça constante das emboscadas, dos mísseis e dos ataques suicidas. Desde então verificam-se confrontos esporádicos, com lançamento de rockets sobre Kiryat Shmona e outras cidades junto à fronteira libanesa.

Não deixa de ser irónico que, para lá da "cedência de terras bíblicas", seja exactamente a mesma "capitulação ao terror" o argumento dos israelitas que se opõem ao plano de retirada.

publicado por Boaz às 17:30
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2005

Paralelos (que não se traçam)

Um ataque terrorista suicida matou ontem, 12 de Julho de 2005, 4 pessoas e feriu várias dezenas em frente a um centro comercial de Netanya, uma cidade israelita a norte de Tel Aviv.

Desde 5ª feira, os políticos e os cidadãos europeus e do resto do mundo ficaram chocados e mostraram o seu apoio ao povo britânico, vítimas colectivas do terrorismo. Quem é que entretanto mostrou algum apoio aos israelitas?

É melhor ficar por aqui...

publicado por Boaz às 17:10
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Selectiva falta de memória

Ontem à noite, a 2: transmitiu mais um programa "Parlamento". Eu não costumo ver esse tipo de programas, por achar insuportáveis a maioria dos nossos deputados, mais a sua retórica. Ontem, talvez por masoquismo, assisti ao programa, com a curiosidade de saber as opiniões de deputados das diversas bancadas da Assembleia da República sobre o fenómeno do terrorismo e os modos de o combater.

Os deputados do PS, PSD e CDS foram regulares, com o habitualmente maior "sentido de Estado" que os caracteriza. (Isto não se aplicaria se o PSDista fosse o Alberto João Jardim.) Anormalmente equilibrada achei a opinião do camarada "norte-coreano" Bernardino Soares. Como já se esperava, Ana Drago, a voz do Bloco de Esquerda no programa, insistiu na culpa do capitalismo em todos os males do Mundo. Até no terrorismo: a culpa é das operações offshore e da lavagem de dinheiro que aí se faz, que possibilitam o financiamento do crime organizado e do terrorismo. Pois muito bem...

Só que todos se esqueceram de um pormenor: o fanatismo que é a base do terrorismo da Al-Qaeda. É que, ao contrário do 11 de Setembro - que foi uma operação de grande envergadura -, o 11 de Março e o 7 de Julho foram esquemas relativamente simples, que não precisaram de muito dinheiro.

Explosivos, telemóveis e conhecimentos em fabricar bombas, que se adquirem em milhares de sites na Internet. Tudo somado, só falta um elemento fundamental: a motivação. E essa provém dos radicais infiltrados nas comunidades islâmicas que se aproveitam da liberdade de expressão existente na Europa - e muito especialmente no Reino Unido - e assim propagam as suas ideias assassinas.

Os senhores deputados, sempre preocupados com o politicamente correcto, meteram o rabinho entre as pernas e habilmente esqueceram-se do cerne do problema.

publicado por Boaz às 16:42
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Very British

Depois dos ataques em Londres, os britânicos deram uma lição ao Mundo, no modo como reagiram ao terrorismo. Foi absolutamente extraordinária a forma serena como os londrinos se portaram, nos momentos imediatos ao ataque. Admirável, a calma com que as pessoas prestavam declarações aos jornalistas, mesmo as pessoas feridas.

De salientar também a cobertura mediática dos acontecimentos pelos media britânicos, habitualmente sedentos de escândalos. Evitou-se a ânsia pelo sangue e a dor, que faria certamente as delícias dos instigadores do ataque, a admirarem atentamente os resultados da sua obra pela televisão.

Foi a melhor maneira de mostrar a sua superioridade de carácter face aos terroristas. O terror regozija-se com o pânico, o sangue e as lágrimas. Os canalhas não poderiam ter recebido maior derrota.

Como talvez nenhum outro povo, os britânicos sabem demonstrar a sua honra. Em especial na adversidade. Poucos dias após os atentados, a multidão nas ruas de Londres a participar nos festejos dos 60 anos do fim da II Guerra Mundial, foi um magnífico sinal de resistência.

publicado por Boaz às 16:41
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2005

Terror, a convivência possível

Ontem o medo e morte em larga escala chegaram mais perto de nós. Em Londres. A escassas horas de voo. No mesmo fuso horário. Não foi em Bagdade ou em Jacarta, locais bem mais distantes, em todos os sentidos da palavra "distante".

Quando os ataques são no Iraque, na Indonésia ou em Israel, vemo-los normalmente como factos suficientemente longínquos para, em grande medida, nos passarem ao lado. Mas não em Londres. Ou em Madrid. Nesta nossa Europa tão dividida em tantas coisas, em momentos como estes, é como se fossemos um único povo. Um único país. Como se Londres fosse tão "nossa" como é Lisboa.

Nos comentários aos ataques terroristas retive em particular o do General Loureiro dos Santos. Disse ele que "no futuro, teremos de encontrar um nível de convivência possível com o terror". Como é possível conviver - viver com - o terror? Admiti-lo como tão normal que condicione toda a nossa vivência diária?

Conscientes da impossibilidade de prever e evitar todas as acções terroristas, passaremos a encarar o terror como uma coisa que nos pode acontecer como qualquer outra casualidade. Passará a ser exactamente isso, uma casualidade? Adaptados a um estado policial, integraremos nas nossas rotinas coisas hoje aparentemente tão absurdas como ter de passar por um detector de metais em cada ida ao restaurante, ao supermercado, ao banco, aos correios, ao cinema. A ver em cada paragem de autocarro um polícia de rádio na mão, em diálogo com outros polícias em permanente estado de alerta. Habituar-se a que, a qualquer momento, o trânsito seja cortado nas nossas ruas, por causa de uma suspeita.

Em nome do bem comum e da essencial segurança que garante o nosso modo de vida, teremos de abdicar de certas liberdades, bem mais importantes do que simplesmente termos de abrir as carteiras à entrada do café.

Os terroristas usam a seu favor as liberdades que conquistámos nas nossas sociedades. É provável que tenhamos de abdicar de algumas delas para os conseguir vencer. E isso é o mais terrível nesta história. Significa que são eles que nos vencem, porque dominam o nosso modo de vida. Porque nós teremos de mudar, enquanto eles continuarão sempre iguais ao que sempre foram. Inflexíveis.

Em Londres, Nova Iorque, Madrid ou Telavive, são irrelevantes as caras e as causas que se escondem por detrás do terror. Toda a busca de justificações para o que se passou ontem em Londres é tão repudiável como o próprio atentado, porque isso significaria admitir que eles - quem quer que sejam - possam estar certos nos seus actos, que as suas pretensões sejam justas e logo, válidos os seus métodos. Nenhum terrorismo é merecedor de crédito, pois causa alguma justifica a barbárie indiscriminada que é a própria essência do terrorismo.

publicado por Boaz às 03:45
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