Maale Mikhmash, o colonato a 10 quilómetros a noroeste de Jerusalém onde passei o último Shabbat, é um lugar aparentemente tranquilo. A pequena comunidade, situa-se num desvio a algumas centenas de metros da Estrada 60, a via que atravessa as montanhas da Samaria e liga Jerusalém a cidades como Nablus ou Jenin e continua até Nazaré (a original). Numa área semi-desértica, Mikhmash é tórrido no Verão e frio e no Inverno. No alto de uma montanha, o vento é presença todo o ano.
Isolada, tem como vizinhos mais próximos a vila árabe de Mukhmas – a semelhança dos nomes não é coincidência. Para sudeste, vêem-se dois núcleos suburbanos de Jerusalém: Pisgat Zeev e Neve Yaakov. A ocidente, na crista das montanhas da Judeia, estende-se a cidade de Ramallah, sede da Autoridade Palestiniana. Ao longe, mais para norte, o colonato de Rimonim, ainda mais isolado. Não muito longe, a oriente, estende-se o vale do Jordão.
Aqui habitam poucas centenas de famílias. As ruas são quase desertas durante qualquer dia da semana e, no Shabbat nenhum carro cruza o local. Com uma excepção apenas: o carro da segurança. Segurança é uma palavra muito discutida e uma preocupação quotidiana na vida de Mikhmash.
Até há poucos anos, Maale Mikhmash era uma alternativa aos altos preços das casas e do bulício de Jerusalém. Havia planos para estender o povoamento. Novos bairros, montados de início apenas com caravanas, deveriam ser organizados com vivendas simpáticas rodeadas de pequenos jardins.
A retirada de Gaza, em Agosto de 2005, e os posteriores planos do governo de Ehud Olmert de entregar mais terras aos Palestinianos, instalaram a incerteza em Mikhmash, assim como na maioria dos outros colonatos. Maale Mikhmash, Rimonim e muitas outras comunidades isoladas foram incluídas na "lista negra" de possíveis áreas a entregar aos Palestinianos.
Como consequência da mudança de política, a maioria das obras foi cancelada. A já longa paragem na construção de uma nova sinagoga e centro comunitário, só com as paredes exteriores, é um sinal da situação de paralisação que se vive na comunidade. Não se permite a construção de novos bairros, apenas a construção de casas particulares. E casas novas, dada a situação de incerteza em relação ao futuro, são poucas as que se vêm em construção. Poucas são as novas famílias que, por agora, apostam no futuro em Mikhmash. Por enquanto, um dos poucos sinais de construção é a renovação de uma pequena sinagoga.
Mesmo noutros colonatos mais desenvolvidos, a paragem das obras também é a regra. Na região de Gush Etzion, a sul de Jerusalém, mesmo sendo uma área considerada dentro da cintura urbana da capital e que se pretende incluir no seu território municipal, os planos também foram alterados. A expansão para norte do grande colonato de Efrat está parada. O projecto de unir Elazar e Alon Shevut, numa extensão de menos de dois quilómetros, no vale que separa as duas localidades, regressou ao fundo da gaveta. Planos para aumentar a selecta colónia de Alon Shevut, onde a maioria dos habitantes são famílias americanas que vivem em belas vivendas com jardins bem cuidados, e onde a procura de casa é grande, também estão em stand-by.
Ninguém sabe bem qual será o futuro. A situação em Gaza não transmite muita confiança nas negociações entre as partes. Entregar mais territórios, ainda mais na cercania de Jerusalém, é arriscar-se a transferir para a capital a desesperada situação de Sderot, bombardeada diariamente há mais de 7 anos pelos mísseis Qassam lançados de Gaza.
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