Hoje fui, pela segunda vez ao bairro de Har Nof, em Jerusalém. Da primeira vez, há quase dois anos, tinha ido lá, sorrateiramente, durante a noite, colar cartazes de uma campanha política, na qual estava envolvido um amigo. Dadas as altas horas da noite, não encontrámos ninguém na rua. Desta segunda vez, foi diferente.
O bairro é um dos extremos da cidade de Jerusalém, construído ao longo de uma das encostas ocidentais da capital. Edifícios de aspecto maciço, com inúmeras varandas e, invariavelmente, cobertos de pedra calcária, como manda a lei em Jerusalém. Incontáveis sinagogas, batei midrash (salas de estudo religioso), yeshivot e midrashot (a versão feminina da yeshiva).
Praticamente toda a população do bairro é haredi, ou seja, ultra-ortodoxa. Abundam as crianças de colo e de carrinho, dada a elevada taxa de natalidade. Os homens vestem de preto e branco – daí a alcunha de pinguins. As mulheres são discretas e as meninas vestem-se sempre com o uniforme do colégio: saia preta e blusa azul; manga abaixo do cotovelo, sff.
Porém, apesar do meu conhecimento limitado do bairro, tudo isto eram realidades que eu já conhecia. O que me espantou verdadeiramente foi verificar que nas ruas se fala principalmente, inglês. Nas ruas, nos autocarros, nas lojas, se alguém nos dirige a palavra, fá-lo primeiramente em inglês. A maioria da população do bairro é de origem americana, daí o hebraico ser a segunda língua.
Onde moro, em Alon Shevut, uma boa parte da população também é americana. No entanto, o normal é que as pessoas se comuniquem em hebraico. Nem que seja num hebraico perfeito com o sotaque do Midwest.
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