Depois de cinco meses a morar em Alon Shevut, estamos a pensar em mudar-nos para Jerusalém. Até há um mês e meio, tinha garantido diariamente, uma boleia directa para a Cidade Velha, através de um rabino brasileiro, meu vizinho, que ensina na Yeshivat Hakotel. Com o começo do novo ano de estudos, ele conseguiu uma vaga no edifício do kollel, mesmo ao lado da yeshiva. E eu perdi a minha óptima boleia.
O facto de não termos carro e, tanto eu como a minha esposa termos as nossas ocupações diárias na capital (eu na yeshiva, ela num centro de crianças deficientes), torna-nos dependentes da incerteza do tremping, a boleia. Isto porque, apesar da curta distância que nos separa da Cidade Santa – cerca de 20 quilómetros – a ligação por transporte público não é nada cómoda. O autocarro entra nos vários colonatos até chegar a Jerusalém. A viagem de 20 quilómetros requer quase uma hora. Assim, os autocarros não são opção para a viagem matinal.
É comum a prática dos moradores dos yishuvim (colonatos) oferecerem boleia, tanto para Jerusalém, como entre os vários povoados da região do Gush Etzion. Porém, Alon Shevut não é particularmente famoso pela disponibilidade dos seus moradores em oferecerem um lugar vago no carro. Assim, todas as manhãs, sujeitamo-nos a esperar bastante tempo por uma oferta.
Na maioria dos casos, os poucos motoristas que param nas duas paragens de autocarro – que servem de ponto de aglomeração dos trampistas (os que esperam a boleia) – não vão para a Cidade Velha, ou as proximidades. Shopping Malcha, os vários hospitais da cidade e a zona industrial de Har Hotzvim são a maioria das ofertas. Com as obras do metro de superfície a esburacarem metade de Jerusalém, na chegada à cidade, ainda é preciso tomar um autocarro para a Cidade Velha. As obras atrasam o, já de si penoso, trânsito da capital.
Na melhor das hipóteses, a zona comercial de Talpiot, no Sul da cidade, à a opção. Apeando-me da boleia algures na Estrada de Hebron, a principal via de ligação entre o sul e o centro da cidade, aí apanho um autocarro até ao centro da cidade (não há nenhum para a Cidade Velha). Daí, ainda me resta uma caminhada de 15 minutos até à yeshivá. Um bom exercício matinal, para ajudar a desanuviar o stress para conseguir – todos os dias – chegar ao meu destino.
Autocarro na Avenida King George, Jerusalém.
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