Hoje, em Israel e no calendário judaico, comemora-se o Yom HaShoá, o Dia do Holocausto. A data coincide com a revolta do Gueto de Varsóvia, em 1943 e acontece – não por acaso – uma semana antes do Dia da Independência de Israel.
O tom das celebrações repete-se todos os anos. No antigo campo de morte de Auschwitz-Birkenau, milhares de jovens participam na "Marcha da Vida". Em Israel, as cerimónias oficiais são centradas no Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém. Alguns sobreviventes, cada vez mais escassos e cada vez mais idosos, acendem seis tochas em memória dos 6 milhões de mortos judeus às mãos dos Nazis e seus colaboradores.

Jovens visitam Auschwitz, durante a 'Marcha da Vida'. | O arrogante macaco iraniano.
Na véspera, lojas e restaurantes fecham ao final da tarde, e mantêm-se encerradas durante a noite. As televisões emitem filmes e documentários sobre a Shoá, entrevistas com sobreviventes, os telejornais descobrem algumas das histórias ainda não contadas 64 anos depois do fim da II Guerra Mundial. Os canais de entretenimento, simplesmente suspendem a sua programação, anunciando a que a emissão voltará "após o final do Dia do Holocausto".
Às 10 horas da manhã, por todo Israel toca uma sirene. O trânsito pára. Nas ruas das cidades e nas auto-estradas e os condutores saem das viaturas e ficam de pé. Nas lojas, repartições públicas, escolas, no meio da rua, as pessoas param também. Dois minutos de silêncio, apenas cortados pelo clamor ondulante da sirene.
Este ano, no Yom HaShoá, estive em Nahariya, uma pequena cidade turística do Norte de Israel. À hora da sirene, acabado de tomar o pequeno-almoço, corri para a entrada do hotel para observar a cidade parada, em sentido. Na sala de jantar do hotel, porém, um grupo de mulheres e crianças árabes riam e falavam alto, continuando a sua farta refeição matinal. O Dia do Holocausto não parece dizer-lhes nada. Para eles, o Holocausto é apenas “a desculpa de Israel para oprimir o povo Palestiniano”, “para fazerem aos Palestinianos aquilo que os Nazis fizeram aos Judeus, ou pior ainda”.
Ontem, na sede das Nações Unidas em Genebra, onde decorre a segunda Conferência Internacional sobre o Racismo, discursou Mahmud Ahmadinejad, o presidente do Irão, famoso por apelar à destruição de Israel e pelas suas declarações em que nega o Holocausto. Já se sabia o que ele iria dizer e ele, sem vergonha alguma, repetiu-o. Na véspera do dia em que se lembra o Holocausto. No melhor dos palanques, houve um timing perfeito, do ditador e da arena política internacional que lhe dá voz.
Nota: Para quem não entendeu a ironia, o adjectivo do título deve ser lido com umas aspas bem carregadas.
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