Esta semana, Israel organiza durante cinco dias um grande exercício de alerta e defesa da população civil. O maior da sua história, serão simulados cenários de ataques com mísseis do Hezbollah a partir do Líbano, rockets do Hamas a partir de Gaza, uma vaga de atentados, e cenários de guerra com a Síria e o Irão. Serão ensaiados procedimentos de segurança em caso de ataques com armas convencionais, mas também químicas e biológicas. Ou seja, o teatro do Apocalipse.
É o terceiro grande exercício do género desde o final da Segunda Guerra do Líbano em 2006, mas não é apenas um treino da população para a catástrofe. É também – talvez mais do que outra coisa – uma forma de mostrar aos inimigos de Israel, com o Irão e a Síria à cabeça, que o país está preparado para qualquer ocorrência. Amanhã, terça-feira, de manhã ocorrerá o ponto principal de toda a ação, quando as sirenes soarem em todo o país, um sinal alertando para a iminência dos ataques. A essa hora, toda a gente deve correr a refugiar-se nos abrigos, num tempo mínimo de três minutos.
Vêm aí os ayatollas!
Todas as casas e edifícios públicos em Israel são dotados de um abrigo de emergência, um verdadeiro bunker. Nos prédios de apartamentos, o piso mais abaixo é normalmente o escolhido. Porém, em Jerusalém, muitos prédios usam a enorme sala do abrigo como arrecadação da tralha de todos os moradores. A pequena probabilidade de um ataque com mísseis em Jerusalém – nenhum exército árabe quer arriscar-se a destruir a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local santo do Islão – deixa despreocupados os habitantes da cidade para este tipo de eventualidade.
No meu apartamento, situado na cave de uma casa maior, o quarto de casal é o bunker. Dotado de uma janela especial, com portas deslizantes de aço e um filtro na parede exterior, paredes maciças de betão armado – tão duras que foi um trabalhão conseguir furá-las para pendurar o espelho do quarto. Só a porta blindada é que não fecha, pelo simples facto de a ranhura da fechadura nunca ter sido aberta no arco da porta. Detalhe.
Este não é apenas o nosso bunker, mas também dos vizinhos de cima, os donos da casa. Amanhã, às 11 horas da manhã, a senhoria, junto com seu bebé de pouco mais de um mês, talvez apareça para "visitar" o abrigo. O marido deve fazer o exercício no trabalho e as filhas, na escola. Digo talvez porque nos últimos dias não recebemos nenhuma informação oficial do que fazer durante o exercício. Não temos televisão, por isso, apenas sabemos da informação que passou boca-em-boca ou escutámos ocasionalmente na rádio.
Apesar das repetitivas situações de emergência em Israel, não acredito que a maioria da população leve muito a sério este tipo de treino. Talvez até achem que tudo não passa de uma grande e cara palhaçada. Para Ahmadinejad ver. Tal como satirizou hoje um apresentador de rádio: "E se eu estiver na praia, como faço? Atiro-me ao mar e digo 'glu glu glu'?"
Entrada de um abrigo anti-aéreo na rua de uma cidade de Israel.
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