De repente, alguém desconfia de algo anormal. Dá o alarme. A zona é evacuada. Carros da polícia chegam para bloquear as ruas nas imediações. Os pedestres são impedidos de passar. É assim, cada vez que se descobre algum hafetz hashud, um objeto suspeito. Não são assim tão comuns no dia-a-dia israelita, mas não há quem não tenha passado por pelo menos um episódio destes. Quase se podia considerar uma experiência tipicamente israelita.
Encontrado num lugar público, seja no meio da rua, num centro comercial ou numa estação de transportes, a resposta a uma situação de "objeto suspeito" é sempre a evacuação dos civis. Em breves minutos, um esquadrão anti-bomba da polícia chega ao local para analisar o problema. Nos casos mais complicados aparece um veículo-estilo-robô que recolhe o objeto e o faz explodir de forma controlada. Noutros, um elemento da brigada anti-explosivos envolto num fato à prova de explosões (não todas, obviamente) aproxima-se para verificar o incómodo com olhos humanos.
Em cinco anos de residência em Israel, já assisti a estes espetáculos por vezes hollywoodescos. Felizmente, em nenhuma deles o perigo era real. Na última das situações, ontem mesmo durante o regresso a casa, observei as pessoas que tal como eu esperavam que o episódio se resolvesse. Habituadas a incontáveis incidentes do género, em especial durante os anos da Segunda Intifada, respondiam com uma expressão de tédio à informação de que se tratava de mais um hafetz hashud. Fazer o quê? Resta esperar. A polícia não deixa passar ninguém.
Em alguns minutos apenas, a situação resolve-se. O trânsito volta a circular. Em todas as paragens de autocarros acumulam-se passageiros impacientes, desconhecedores do que se passou no outro lado da cidade. Ao terminar a situação de alerta chegam filas de autocarros que haviam ficado retidos no bloqueio da rua.
A desconfiança securitária em Israel é por vezes stressante e exagerada. Na vida quotidiana, a qualquer momento, a normalidade pode ser interrompida por um objecto deixado no sítio errado. Talvez seja inocente – a maioria das vezes é mesmo –, mas não há lugar para indulgências quando está em causa a segurança pública. As ameaças por estes lados são um pouco mais sérias do que as que existem em quase todo o resto do Mundo.
Soldado com um fato anti-explosivos. No filme "The Hurt Locker".
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