De Diogo a 7 de Janeiro de 2011 às 15:33
CONTINUAÇÃO

Neste sentido fica sem justificação aparente todo o parágrafo onde falas de um suposto problema de imagem do catolicismo em relação a um "lugar de destaque na macabra contabilidade das centenas de milhões de sacrificados no altar das ideologias". Se não fosse o facto de nada ter que ver com a discussão e de ser uma generalização, a afirmada ideia errónea e cristalizada que algumas mentes judias tem do catolicismo, esvaziava esse parágrafo de sentido.

Acrescento ainda que, maior que o desfasamento que dizes existir entre a doutrina e a prática dos fiéis católicos, é o desconhecimento que a maioria das pessoas que disso fala tem da vivência do catolicismo.

A razão que te levou a distanciar do cristianismo é por sinal a que me aproxima: Deus sendo inefável, fez-se um de nós, nunca deixando de ser Ele, mas sendo Ele no meio de nós. Conceitos como a "morte de Deus" utilizados por ti, estão mais próximos da filosofia nietzschiana, que de uma fundamentada perspectiva da teologia cristã. Explicar isso e o mistério salvador da morte e ressurreição de Jesus, implica mais dedicação que tempo. Se o fizeste no questionamento da tua fé antes do teu processo de conversão? As imprecisões teológicas levam-me a crer que não o fizeste bem.

Sublinho que durante o nosso diálogo tens utilizado expressões que denotam uma certa aversão ao cristianismo. Sendo o judaísmo em muito uma religião de memória, falas com insistência de um histórico ódio anti-judaico dentro do Cristianismo. Se ainda o há, não será essa atitude o caminho certo para uma reconciliação, acredito.
Veio-me à memória os artigos da tua autoria neste blog: "ícone rachado" de 30 de Dezembro de 2007 e "Natal sem Natal" de 17 de Dezembro de 2007 em que utilizas a expressão "seguidores do menino da manjedoura", como que desqualificar uma religião que já abraçaste. Neste registo a tua apostasia tem tanto de consciente como de provocatória.

A "militância cristã" que dizes que tenho é a mesma que me faz aceitar e respeitar a tua conversão, mas não a afirmação de um conhecimento de algo que nunca experimentaste, sobretudo quando apelas a ti esse conhecimento com uma autoridade que não aparentas ter.
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