De P.A. a 3 de Janeiro de 2011 às 10:52
Então também poderei deduzir, então, que a tua opção pelo judaísmo tem a ver com a coerência de vida dos judeus, de todos os judeus, certo? Hum... acho que é uma dedução demasiado atrevida... Não pensei que caísses de novo no lugar comum que é a argumentação com as inquisições e quejandas. Uma argumentação demasiado fácil...
De Boaz a 3 de Janeiro de 2011 às 22:47
Isto de se ficar por meias-leituras leva a conclusões precipitadas. Ora leia lá de novo e veja se entende:

"Se a razão da minha mudança de religião fosse um desfasamento entre a doutrina e a prática dos fiéis católicos, eu poderia simplesmente ter aderido a uma outra corrente do Cristianismo. Ou até, passar a ser apenas mais um cristão "sem denominação", mantendo a crença em Jesus mas não em qualquer igreja ou religião organizada. Não foi esse o caso.
Ainda que nos últimos 2000 anos o Cristianismo tivesse – ao menos entre os seus próprios aderentes – instaurado a paz, o problema mantinha-se. A minha divergência era com o cerne da crença cristã de que Jesus não só é o Messias, o Salvador, como é o próprio Deus."

Contudo, não deixa de ser curiosa essa sua definição das repetidas violações da doutrina católica pelos próprios líderes e crentes ao longo da História como "lugar comum". Há algo de verdade nessa expressão: foram "comuns" em muitos "lugares"...
E "quejandas" também é uma ótima caracterização para o resto (para além das inquisições).
Mas, de novo, esse não é o essencial do texto.

Entendeu? Não? Deixe estar... Eu não estou a pregar para ninguém. Não quero convencer ninguém de nada. De novo:
"Não espero a compreensão dos cristãos – nem sequer dos meus amigos – pela minha mudança de crença. Menos ainda a sua aprovação. Não peço nem uma nem outra. Só não aceito que ponham em causa a minha seriedade na forma como vivi o Cristianismo e de como o abandonei."
De P.A. a 4 de Janeiro de 2011 às 09:36
Entendi à primeira. Mas parece que os comentadores do teu blogue não têm o direito a focar-se num ou noutro ponto da tua argumentação, ou a discordar desse ponto. Mas enfim. É uma questão de... tolerância.
Quanto ao teu aproveitamento da expressão "lugar comum" foi demasiado engraçada para ser levada a sério. Assim como não quero levar a sério a tua tentativa de tornar uma possível discussão sã numa troca de sarcasmos e ironias. Cumprimentos da batalha.
De Boaz a 5 de Janeiro de 2011 às 21:11
Aliás, têm todo o direito de focar-se em qualquer ponto da argumentação que desejem. Porém, no próprio texto eu excluí esse ponto como aparte da minha decisão de saída do Catolicismo.

Mas, já que insistes nesse caso, daquilo a que tu e outros chamam "lugares comuns" - começo a pensar que já entrou no léxico doutrinal - proponho-te um desafio.

Experimenta fazer um inquérito a algumas pessoas que não conheças. Pergunta se são católicas e praticantes. E se não são, pergunta porquê. Vê quantas te dirão que não concordam com a incoerência que existe na Igreja: nem será um problema de mensagem, mas a prática que foi e é muitas vezes desastrosa.

Aquilo a que chamas "lugar comum" é somente a principal razão do afastamento das pessoas do Catolicismo. Se tens dúvidas, investiga o assunto.
De P.A. a 6 de Janeiro de 2011 às 12:47
Nisso concordo: esse lugar comum é uma das razões (mas não será a principal) do afastamento das pessoas. Agora, lá está a falácia, é uma argumentação que foge - e muito - daquilo que é a essência do cristianismo: não sou cristão pelo que os cristãos fizeram, mas pelo que Cristo faz. Ou serás tu judeu pelo que os judeus fazem? ou fizeram?
É que quando se argumenta com a incoerência dos nossos correligionários, seja em que sector for, não estou a ver que qual é a camisa que me (te) possa servir...
De Boaz a 6 de Janeiro de 2011 às 21:58
Mas eu não argumentei com a incoerência de nenhuns co-religionários. Aliás, referi expressamente que essa incoerência, que é a razão para a saída de tanta gente do Cristianismo, NÃO FOI a razão para a minha saída.

Se tu és cristão "pelo que Cristo faz" (ou fez ou foi ou não foi); eu deixei de ser cristão exatamente pela mesma razão. Como vês, temos muitas coisas em comum.
De P.A. a 7 de Janeiro de 2011 às 10:04
Dizes que não argumentas com a incoerência, mas no teu texto ela apresenta-se com lugar de destaque.
Mas agora a minha questão é outra: dizes que deixaste de ser Cristão pelo que Cristo fez (ou faz, tanto faz) e depreendo que o cerne da questão está no facto de ele se ter declarado o Messias. No entanto, penso eu que o judaísmo assenta também a sua vivência religiosa na esperança da vinda do Messias (ao contrário de ti, não tenho conhecimento aprofundado do judaísmo...) Será que a tua aversão (sim, nota-se isso no teu discurso) ao cristianismo tem a ver com razão de ser dele mesmo, da fé na existência de um Deus que se fez homem para estar mais perto de nós?
De David a 12 de Janeiro de 2011 às 13:27
"da fé na existência de um Deus que se fez homem para estar mais perto de nós?"

Para além da maneira como as pessoas devem ser salvas, da exclusividade da verdade, desse vosso conceito da "consubtencialidade" de D.eus, de índole claramente idolatra para o judaísmo, e da totalidade das outras razões, sim, pode-se dizer que a aversão pelo cristianismo em geral, e no meu caso, ainda mais pelo catolicismo, têm a ver claramente com a razão de ele ser o que é. Isto já sem mencionar o muito do que o Gabriel ometeu cientemente de referir quanto à historia secular do cristianismo.

Boa Saturnais em atraso e um óptimo novo ano.
De P.A. a 12 de Janeiro de 2011 às 14:13
Bem, agora perdi-me. Mas nem sei se foi da forma da escrita, se do argumento utilizado, se da tentativa de resposta à minha questão... De qualquer maneira, dá para perceber e confirmar o que disse atrás: a vossa (já que passaram a ser dois interlocutores) aversão não é ao cristianismo em si, mas aos cristãos e, sobretudo, à incoerência de alguns cristãos (muitos). É, tipo, eu dizer que não acredito na medicina porque o meu médico de família não tem licença para praticar a actividade.
De David a 12 de Janeiro de 2011 às 14:53
Caro P.A,

A sua ultima mensagem lembrou-me, oportunamente, outra principal razão, senão A principal razão, que explica a minha aversão ao cristianismo.

A falta de rigor na leitura dos textos, mesmo quando por ventura se tratem de originais(..), sem falar na interpretação destes, pela doutrina cristã.

O facto de na minha ultima mensagem você ter lido o que queria, e de não ter identificado 3 razões exclusivamente ligadas ao dogma cristão, isso reflecte bem a essência do problema cristão, a Meu ver.
Mas sendo o dogma cristão determinado não por D.eus mas sim pelos homens, entendo a sua confusão.

Tendo exposto o vosso mal-entendido, ou talvez o que você não-leu, fico-me por este breve resumo da minha aversão.
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