Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Rei 'morto', rei posto

Ontem realizaram-se as eleições locais em Israel. Em Jerusalém, a luta foi renhida. Há já alguns meses que a cidade se vinha cobrindo de cartazes de propaganda dos vários candidatos. No próprio dia da votação, passei por vários bairros religiosos. O aspecto das ruas era deplorável: milhares de panfletos de propaganda cobriam os passeios e as bordas das ruas. Numa cidade já habitualmente pouco limpa, tanto lixo espalhado era um espectáculo triste de ver.

Apesar de haver vários candidatos, a verdadeira luta era entre dois: Meir Porush e Nir Barkat. Porush é um haredi (ou judeu ultra-ortodoxo) de longas barbas brancas, apoiado por várias linhas (mas não todas) do Judaísmo Ortodoxo. Barkat é um judeu secular, apoiado pelo partido do poder (apesar de ele manter essa ligação meio encoberta) e pelos tradicionalistas que não se identificam com o Judaísmo Ortodoxo. Além destes, o milionário russo Arkadi Gaidamak, que mal fala hebraico e que comprou o clube de futebol Beitar de Jerusalém; e Dan Birron, um argentino cabeludo, membro de um pequeno partido de extrema-esquerda cujas principais causas são a legalização da marijuana e a retórica anti-religiosa.

Ganhou Nir Barkat, mas não conseguiu conquistar nem sequer metade dos lugares no conselho municipal. Vai ter de fazer acordos com vários partidos: dos religiosos sionistas aos ultra-ortodoxos, aos seculares nacionalistas e os da direita moderada. Os árabes, que são cerca de 200 mil entre os 700 mil habitantes da cidade, de uma maneira geral boicotam as eleições. Deve ter ocorrido o mesmo desta vez.

Veremos o que nos reservam os próximos meses. Veremos se o novo presidente e os seus vereadores conseguem ultrapassar os sérios problemas da capital. Habitações a preços acessíveis e falta de empregos (duas das causas principais para a saída de cerca de 100 mil habitantes nos últimos anos), trânsito caótico e poluição são apenas alguns dos desafios que o novo cacique tem de cuidar.

publicado por Boaz às 19:38
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005

Hilária política

O slogan de campanha da candidatura de Fátima Felgueiras: "Sempre presente!"

O autor deste brilhante mote merecia o prémio de Humorista do Ano.

publicado por Boaz às 17:23
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2005

Juizinho, meus senhores

Com a aproximação das eleições presidenciais, algumas figuras influentes do PS declararam apoiar a candidatura de Mário Soares a Belém. Ele, logo disse que ia reflectir o assunto, demonstrando que não percebeu que é uma segunda (ou terceira) escolha do Partido Socialista.

Não sei se repararam - pelo menos no PS poucos devem ter notado - mas passaram 20 anos desde o "Soares é fixe". Mesmo assim se empurra Soares, pois parece que o partido não tem mais ninguém a apresentar aos portugueses, além das mesmas figuras de sempre. Ou seja, desde o 25 de Abril de 1974.

Que mal que vai o país, quando o partido que está no governo e tem uma maioria absoluta na Assembleia da República não encontra nas suas fileiras ninguém melhor para candidato a chefe de Estado que um esgotado octogenário que há muito não diz coisa com coisa. E eu a pensar que as coisas não podiam ficar piores por cá...

Nesta altura, a única união em redor de Mário Soares devia ser para lhe pagar um bilhete só de ida para as Seychelles. Primeira classe, vá lá. Assim, ele podia passar o resto dos seus dias entre banhocas no Índico e passeios às costas das tartarugas. Para ele era bem bom e por cá ninguém se queixava.

publicado por Boaz às 15:53
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2005

O difícil é escolher

Santanócrates Sócratana
 

Política PhotoShop: Sabe mesmo quem é?

A dois dias das eleições tenho a sensação de, qualquer que seja o quadradinho onde escreva a cruz no próximo Domingo, não ir fazer algo de bom pelo país...

Uma observação: Não deixa de ser irónico que o filme que a RTP escolheu exibir no Domingo à tarde, antes da emissão especial de cobertura das eleições seja "A Tempestade". Premonição do que aí vem?

publicado por Boaz às 17:38
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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2005

A desgraça do "mal menor"

Nas eleições do próximo dia 20 os resultados não são muito difíceis de adivinhar. Tudo indica que ganhará o Partido Socialista e José Sócrates. E, mesmo que quase miraculosamente ganhem os sociais-democratas e Pedro Santana Lopes, uma das mais importantes conclusões a tirar é tão simplesmente: ganhou o "mal menor".

Santana Lopes (mais a sua «eminência parda» Paulo Portas) provou não ter categoria para ser Primeiro-Ministro. Foram tantos os erros em tão curto espaço de tempo...

José Sócrates não tem melhor currículo. Mantendo o plano dos seus tempos de ministro, ele continua a insistir na co-incineração mesmo depois de cientistas e ecologistas - estes últimos é sabido que costumam estar mais ligados à esquerda - já terem vindo defender a opção do sistema proposto pelo governo de Santana. No fundo, recusa-se a admitir o seu erro e insiste em conduzir o barco dos resíduos industriais para o baixio mais próximo. Além dele há os que se desunham para ficar à sua sombra. Qualquer coisa como 40% dos candidatos a deputados do PS é malta dos governos de António Guterres. A coisa promete...

Tanto Santana como Sócrates apostam na choradeira como estratégia de caçar votos. Desde o seu primeiro dia à frente do governo que Santana se faz de coitadinho. Primeiro foi por não ter o apoio e ter recebido críticas de muitos pesos-pesados do PSD, como Manuela Ferreira Leite e Marques Mendes. Já depois da demissão forçada resumiu a sua triste sina àquela metáfora do «bebé na incubadora que todos os dias leva pancada dos irmãos mais velhos». Até parece tirado de uma novela venezuelana.

Como não gosta de ficar atrás, Sócrates foi pelo mesmo caminho. Depois dos boatos de «conteúdo brejeiro» contra a sua pessoa, tem-se fartado de chorar, qual virgem desonrada.

Com o cenário que se aproxima - e não sendo Portas, Jerónimo e Louçã alternativas - resta levar as mãos à cabeça e esperar que os próximos quatro anos passem depressa.

publicado por Boaz às 17:05
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2005

O senhor que se segue

Abbas sucede a Arafat

Mahmud Abbas (ou Abu Mazen) ganhou, como era esperado, as eleições presidenciais palestinianas. Com mais de 60% dos votos. Resta saber o que fará agora com esta legitimidade democrática, coisa rara no mundo árabe, aliás.

Se, como presidente da Autoridade Palestiniana se quer afirmar como parceiro para a paz e finalmente decide controlar os grupos terroristas, incluindo no interior da sua organização, a Fatah

Ou, pelo contrário, se quer mostrar-se como seguidor à letra de Arafat, mantendo a sua eterna linha inflexível e fechando os olhos às acções dos radicais para não correr o risco de ser considerado "traidor".

Está nas mãos de Abbas o resultado desta nova era para a Palestina.

publicado por Boaz às 16:58
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2004

Em que falhou Kerry?

Só a pergunta, amarga para tanta gente, incluindo na América...

A única certeza é que o cowboy texano levou mesmo a melhor.

PS - Se no fim da recontagem de votos no Ohio se verificar a vitória de Kerry, eu não me importo de dar a mão à palmatória pela precipitação.

publicado por Boaz às 17:59
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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2004

Falta pouco... para o resto do Mundo

Frente a frente

As eleições americanas são já daqui a umas horas. Desconhece-se o desfecho da votação - normalmente, nas democracias, é assim que acontece. Mas esta incerteza deixa um certo aperto no estômago. O mundo parece que nunca se mostrou tão interessado e esperançado numas eleições americanas. As reacções, quem quer que vença o embate, serão tudo menos de indiferença.

Foi a mais renhida campanha eleitoral para as presidenciais americanas em muitas décadas - provavelmente, desde o início da democracia americana. Espera-se a maior participação do eleitorado juvenil de todos os tempos.

Uma parte cada vez maior do eleitorado negro, tradicionalmente apoiante dos Democratas, tem vindo a aproximar-se, nos últimos tempos às ideias dos Republicanos. As questões do aborto (Bush contra, Kerry "pro choice"), do casamento de homossexuais (Bush contra, Kerry mais flexível), da investigação genética em células estaminais (Bush contra, Kerry a favor) e outras questões quentes, onde muitas vezes se mete a colherada da moral e da religião, têm feito os negros americanos chegar-se mais para o lado conservador.

Para quem está fora da América as coisas parecem simples. Tirando um ou outro caso - não negligenciáveis contudo - o mundo declara-se contra Bush e a favor de Kerry. Fosse quem fosse o opositor, desde que não vença Bush. O problema é que, apesar de o senhor que ocupar a Casa Branca determinar em boa parte o modo como todo o planeta vai viver nos próximos anos, a decisão cabe inteiramente aos americanos. E esses têm vivido desde Setembro de 2001 com a sombra do medo e do terror internacional na sua própria casa. Bush tem usado insistentemente este fantasma, pois sabe - os seus estrategos vão-lhe dando as dicas - que nestes casos, o eleitorado tende a reagir apoiando a estratégia da força e não da negociação.

Com o último vídeo de Bin Laden, este fantasma parece que ganhou forças. Resta saber se com ele os americanos se deixam convencer pela retórica de Bush que o Iraque foi uma etapa na guerra contra o terror; ou se pelo contrário, como reclama Kerry, foi uma distracção do problema central, que é a caça à Al-Qaeda e a Bin Laden.

Se vencer Bush, vai ficar tudo na mesma. Pelo menos assim se espera. Alguém irá culpar o eterno outsider Ralph Nader por ter roubado umas centenas de milhar de votos que seriam preciosos para John Kerry, como aconteceu com Al Gore. E se vencer Kerry, não se pense que o paraíso estará garantido no dia seguinte. O dossier iraquiano não se resolve apenas com boas vontades e é preciso agir com pragmatismo. Que, se calhar, Kerry não tem, debaixo de tanto idealismo.

Falta pouco... para o resto do mundo.

publicado por Boaz às 10:20
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2004

Entre a batalha-naval e a Miss Universo

O primeiro debate entre os candidatos às próximas eleições presidenciais americanas, George W. Bush e John Kerry, teve lugar ontem, em Miami. O encontro foi dominado pelas questões da política externa, com o Iraque, obviamente, no centro das atenções.

Se alguém pensava em algo animado, coincidente com o espectáculo habitual que costuma caracterizar as campanhas eleitorais na América, ficou decerto desapontado. Nos tempos que atravessamos, em que o Mundo olha para as próximas eleições nos EUA quase como uma decisão entre a salvação messiânica - somos uns sonhadores... - ou a confirmação do desastre, esperava-se que o encontro pudesse ajudar a afundar Bush e levar Kerry para a frente das sondagens. Bastava a Kerry provar aquilo que para a maioria dos não-americanos é claríssimo: que ele é, no mínimo, mais inteligente que o actual presidente americano.

O debate foi tão morno e tão pouco apelativo (sobretudo mediaticamente), que não tenho a certeza que isso ficou claro para os americanos. E nós sabemos que eles são um bocado míopes nestas coisas de política...

A tarefa de Kerry também não era a mais fácil - a George Bush bastava aguentar-se, o que conseguiu, pois era Kerry quem tinha de "atacar" - e as regras do encontro serviam mais para disfarçar as debilidades mediáticas do texano, que para mostrar as verdadeiras capacidades de ambos.

Em directo na Euronews, na emissão da 2: - à mesma hora de uma excelente mini-série policial inglesa na TVI, bolas! - assistiu-se a pouco mais do que um sonolento monólogo com dois participantes. Um jogo de batalha-naval: ora atiras tu, ora atiro eu. As perguntas eram dirigidas a um dos candidatos, alternadamente, que tinha apenas 2 minutos para responder. O opositor dispunha depois de 90 segundos para contrapor e o primeiro podia defender-se em mais 30 segundos. Para assegurar o "timing", a cada momento havia 3 luzinhas que assinalavam o passar do tempo. A última era vermelha, sinal inequívoco de "time-out".

Kerry, é certo, mostrou-se mais solto no discurso, parecendo não ter tanta dificuldade em expressar as suas posições sobre os assuntos, apesar das várias argolas onde tem enfiado o pé, com algumas incoerências que se têm descoberto entre o seu discurso e a sua acção (em especial no dossiê iraquiano). Várias vezes Bush se mostrou visivelmente atrapalhado com a maior desenvoltura do opositor e, apesar da sua habitual pobreza de discurso, explorou as fraquezas de John Kerry e lá se foi safando aos seus dardos.

Para evitar que o público percebesse a diferença de altura entre os dois - Kerry é um bocado mais alto e na era mediática isso também conta - os candidatos raramente apareciam no mesmo plano de imagem e ainda estavam afastados vários metros um do outro. Ao contrário de debates em campanhas anteriores, as regras ditavam que nenhum podia levar sapatos de salto alto.

George W. Bush manteve a sua tendência para a piadinha e os sorrisos, enquanto o candidato democrata se mostrou mais sério. Até houve lugar para o elogio mútuo! Questionados sobre os pontos positivos que destacavam no adversário, Bush - verdadeiramente espantado com a pergunta - lá destacou os anos de serviço que Kerry dedicou à nação e o seu exemplo de pai e que as filhas de Kerry são amigas das filhas de Bush (que lindo, depois daquilo, devem ter ido todos tomar um cházinho em família!). Aparentemente, não encontrando nada para destacar do presidente, Kerry dirigiu os seus carinhos para a mulher, Laura: «uma excelente Primeira Dama». Viva a cordialidade.

Tanto Kerry como Bush se comportaram como se fossem no desfile de Miss Universo, cheios de desejos para a paz mundial e é obvio que ambos tinham de terminar com um tão americano "God bless America".

Ainda faltam mais dois debates até às eleições. Se a lista de regras se mantiver, vamos ouvir mais do mesmo, e não creio que os americanos, pelo menos os indecisos, consigam ver as diferenças entre os concorrentes à Casa Branca. O risco é ficarmos todos a perder.

publicado por Boaz às 17:04
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