Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

O regresso dos mortos

Ontem, Israel e o Hezbollah trocaram prisioneiros. Cinco terroristas que cumpriam pena nas prisões de Israel, assim como os cadáveres de cerca de 200 libaneses e palestinianos que estavam na posse de Israel, foram entregues. Em troca recebeu dois cadáveres. Os soldados Eldad Regev e Ehud Goldwasser haviam sido capturados em Julho de 2006. O seu sequestro às mãos do Hezbollah, enquanto patrulhavam uma área junto à fronteira israelo-libanesa, despoletou a Segunda Guerra do Líbano.


A discrição israelita vs. a pompa do Hezbollah.

Em Beirute, os prisioneiros, os vivos, são mostrados como heróis. O país decretou um dia de feriado nacional. Os caixões dos 200 cadáveres, foram passeados em enormes camiões engalanados. Vivos e mortos mostrados em paradas, sob a bandeira do Hezbollah. Os terroristas xiitas declaram vitória e dominam a vida política do Líbano, sem rival. O governo em peso, assim como dignitários muçulmanos e cristãos, saudaram os ex-prisioneiros, à chegada ao aeroporto de Beirute.

Em Israel, choram-se e enterram-se os mortos. Não há desfiles com os caixões dos soldados. O luto é uma dor privada, reservada às famílias que, até há poucas semanas, ainda tinham esperanças de conseguir reencontrar os seus familiares com vida. Durante dois anos, o Hezbollah manipulou como quis a dor das famílias Regev e Goldwasser, sem saberem nada em concreto do destino dos seus desaparecidos. Eram desaparecidos, até que o próprio governo de Israel os declarou "mortos em combate". As autópsias revelaram que morreram ambos no ataque inicial, na altura do sequestro.

Com esta operação, mediada pelo governo alemão, Israel destruiu três princípios que regiam a sua diplomacia e postura regional: não dialogar com terroristas, não trocar vivos por mortos, não libertar condenados por crimes de sangue. Um dos criminosos libertados, Samir Kuntar, estava preso desde 1979, condenado pela morte de três pessoas, incluindo uma menina de 4 anos. Quase 30 anos passados, nunca mostrou qualquer arrependimento. Agora é um herói em Beirute, junto com Hassan Nazrallah, o líder do Hezbollah.

Ao realizar esta troca, Israel abriu uma série de precedentes perigosos, que motivam os terroristas a continuar as suas acções. Gilad Schalit, o soldado israelita de 21 anos, sequestrado em Gaza em 25 de Junho de 2006, continua em mãos do Hamas. Inspirando-se na troca de hoje, o Hamas pode exigir muito de Israel.

Isto porque, a troca de prisioneiros comprova uma máxima que tem sido uma das regras de ouro da defesa de Israel: nunca abandonamos um soldado. Vivo ou morto, ele deve voltar para casa. Israel mostra uma evidente superioridade moral e humana. A qual, nesta como noutras ocasiões, de um ponto de vista político e militar, pode ser vista como uma fraqueza. Os seus inimigos não terão qualquer pudor em explorá-la. Aí reside o segredo entre o contraste do luto sereno israelita, frente ao alarde dos que celebram um assassino como herói e consciência da nação.

publicado por Boaz às 23:04
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Terça-feira, 25 de Julho de 2006

A manif

Uma série de organizações de esquerda, com o selo de garantia do Bloco de Esquerda e do PCP, convocou uma manifestação contra Israel (quem mais?) na cidade do Porto. Razão: a exigência do "fim da agressão à Palestina, dos bombardeamentos ao Líbano e do terrorismo de estado de Israel". Quanto aos bombardeamentos do Hezbollah no norte e Israel e do Hamas no sul de Israel a partir de Gaza, nem uma palavra.

Ainda, os factos que despoletaram a actual situação - o rapto de soldados pelo Hamas e pelo Hezbollah, merecem umas eloquentes aspas. Para um tal de Movimento pela Paz, Israel "procede metodicamente ao aniquilamento de dois países - a Palestina e o Líbano", "a pretexto do que chama 'rapto' de três dos seus soldados", ao mesmo tempo que "milhares de palestinianos e libaneses jazem nas masmorras israelitas".

É verdade que há milhares de libaneses e palestinianos presos em Israel, alguns mesmo condenados a prisão perpétua. Mas nenhum deles lá foi parar por ajudar velhinhas a atravessar a rua ou por ter roubado chupa-chupas na mercearia da esquina.

É que, em Israel, terrorismo resolve-se com mão de ferro. Não há outra forma. Ao contrário de Portugal, onde a pretexto de um passado "heróico-revolucionário-antifascista" se fecharam os olhos aos crimes de alguns senhores das FP-25 como Otelo Saraiva de Carvalho e respectiva pandilha, os quais, após uns mesinhos na prisão, lá saíram em liberdade e de nariz erguido e hoje andam aí a falar às televisões como se tivessem a folha limpa...

Mas isso não interessa nada, como diria a outra senhora.

publicado por Boaz às 20:51
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

Superioridade moral

Desde o rapto de dois soldados israelitas pelo Hezbollah, Israel ganhou o direito de ripostar sobre o movimento terrorista libanês, que é apoiado pela Síria e o Irão.

O governo de Israel, através de uma operação militar em larga escala com o objectivo de acabar de vez com o Hezbollah, poderia além de terminar com a ameaça terrorista na fronteira norte, ainda ter ganho o reconhecimento da maioria do povo libanês. Poderia. Todavia, por uma série de decisões tácticas erradas, não o conseguiu.

A decisão de partir para uma vaga de destruição, com a escolha errada de alvos, tira uma grande parte da legitimidade do ataque de Israel. Alvos como pontes, estradas, portos e o aeroporto de Beirute não são alvos que se possam reclamar - sem contestação - como "alvos legítimos". Em termos militares pode alegar-se que a partir desses pontos, o Hezbollah pode, por um lado, receber reabastecimentos, por outro, permitirem que retirem do Líbano os soldados sequestrados. Em termos humanos e de política externa, essa decisão é um desastre.

O pânico gerado pela onda de ataque israelita na população libanesa e nos milhares de estrangeiros, tanto trabalhadores como turistas, terá minado o apoio que a decapitação do Hezbollah teria suscitado na população do "país dos cedros". O próprio primeiro-ministro libanês Fuad Siniora disse reconhecer que a Síria e o Irão têm influência no que se passa no país, e que os bombardeamentos israelitas apenas farão aumentar a popularidade do Hezbollah no Líbano.

Olmert e o governo de Israel deveriam ter aproveitado o facto de o próprio governo libanês desejar livrar-se do Hezbollah e ainda mais de este último ter apenas o apoio local dos xiitas, sendo os muçulmanos sunitas e a metade cristã da população libanesa totalmente contra o movimento pró-iraniano.

As bombas caídas num bairro cristão de Beirute - onde dificilmente encontrariam refúgio terroristas do Hezbollah - não destruíram apenas vidas e edifícios. Destruíram um apoio vital que já havia existido a favor de Israel em 1982, quando o exército israelita invadiu o Líbano para terminar com os ataques contra a Galileia, após o país se ter tornado um abrigo para a OLP e campo de treino para os seus terroristas. A história parece estar a repetir-se. Infelizmente.

É verdade que a opinião pública israelita exigia uma resposta dura sobre o Hezbollah, mas a oposição a uma resposta como a que tem sido dada já se faz sentir em Israel.

publicado por Boaz às 00:02
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Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


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