Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

O lado certo

A situação de segurança entre Israel e o Líbano nunca é muito garantida. Apesar da presença de mais de dez mil soldados das Nações Unidas com a missão de patrulhar a região fronteiriça e evitar as escaramuças, a conjuntura permanece tensa. Em especial para os habitantes da região.

Um dos casos mais bicudos é o da aldeia de Ghajar, situada nos montes Golan. Conquistada por Israel na Guerra dos Seis Dias, junto com a restante região dos Golan, os seus habitantes aceitaram ser cidadãos de Israel. A aldeia cresceu em direção ao norte durante a ocupação israelita do Sul do Líbano incorporando na sua área território libanês. Com a retirada do exército de Israel em 2000, as Nações Unidas determinaram que a fronteira entre os dois países passaria pelo meio da aldeia.


 Ghajar, vista do parque de Tel Dan no norte de Israel. 

Desde a retirada israelita, o local transformou-se num ponto de contrabando de artigos roubados em Israel e da entrada de mercadoria proibida, em especial drogas. Após a Segunda Guerra do Líbano, Israel manteve uma presença militar na área e construiu uma cerca em redor da parte norte da aldeia. Há poucos meses, o governo de Israel planeou a retirada da parte norte da aldeia, reconhecida como território libanês.

Face à retirada israelita, os habitantes locais temem as represálias do Hezbollah. Nas palavras do líder muçulmano da aldeia: “Nós não queríamos ser refugiados em Israel, por isso recebemos sobre nós a cidadania israelita com a Lei do Golan, e agora nós não estamos dispostos a ser refugiados no Líbano e ser massacrados pelo Hezbollah. A divisão da aldeia de Ghajar é uma pena de morte para nós, é o equivalente a sermos apanhados para ser mortos no meio da praça”. É sabido como a guerrilha terrorista libanesa trata os traidores, por isso, o mais provável é que pouco tempo após a retirada israelita e consequente divisão da aldeia, uma boa parte da população, ou pelo menos os homens, fossem massacrados.

Esta atitude de retaliação não é exclusiva do Hezbollah. Aquando do assalto do Hamas à Faixa de Gaza, em 2007, houve centenas de mortos em confrontos entre membros da Fatah e do Hamas. (Aliás, alguém ouviu falar disto nas notícias? Alguém viu protestos em frente às embaixadas da Palestina nessa Europa tão humanista?) Face à superioridade numérica e militar do Hamas, os militantes da Fatah – o movimento do presidente da Autoridade Palestiniana – correram para os postos de fronteira da Faixa, a fim de serem socorridos por Israel.

O que não deixa de ser uma tremenda ironia. Ainda esta semana, num congresso da organização, a Fatah declarou não aceitar a existência de Israel como um estado judaico; não desistir da questão do regresso dos refugiados palestinianos, a qual a realizar-se significaria o fim de Israel (ou não fosse essa a principal razão da insistência nessa questão).

Quando as coisas estão calmas, os Árabes tentam de tudo para destruir Israel e negar o seu direito a existir. Porém, quando a briga estala entre árabe e árabe, perante a morte certa às mãos dos seus irmãos palestinianos, não têm vergonha de buscar a providencial ajuda do grande inimigo sionista.

publicado por Boaz às 17:40
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

O regresso dos mortos

Ontem, Israel e o Hezbollah trocaram prisioneiros. Cinco terroristas que cumpriam pena nas prisões de Israel, assim como os cadáveres de cerca de 200 libaneses e palestinianos que estavam na posse de Israel, foram entregues. Em troca recebeu dois cadáveres. Os soldados Eldad Regev e Ehud Goldwasser haviam sido capturados em Julho de 2006. O seu sequestro às mãos do Hezbollah, enquanto patrulhavam uma área junto à fronteira israelo-libanesa, despoletou a Segunda Guerra do Líbano.


A discrição israelita vs. a pompa do Hezbollah.

Em Beirute, os prisioneiros, os vivos, são mostrados como heróis. O país decretou um dia de feriado nacional. Os caixões dos 200 cadáveres, foram passeados em enormes camiões engalanados. Vivos e mortos mostrados em paradas, sob a bandeira do Hezbollah. Os terroristas xiitas declaram vitória e dominam a vida política do Líbano, sem rival. O governo em peso, assim como dignitários muçulmanos e cristãos, saudaram os ex-prisioneiros, à chegada ao aeroporto de Beirute.

Em Israel, choram-se e enterram-se os mortos. Não há desfiles com os caixões dos soldados. O luto é uma dor privada, reservada às famílias que, até há poucas semanas, ainda tinham esperanças de conseguir reencontrar os seus familiares com vida. Durante dois anos, o Hezbollah manipulou como quis a dor das famílias Regev e Goldwasser, sem saberem nada em concreto do destino dos seus desaparecidos. Eram desaparecidos, até que o próprio governo de Israel os declarou "mortos em combate". As autópsias revelaram que morreram ambos no ataque inicial, na altura do sequestro.

Com esta operação, mediada pelo governo alemão, Israel destruiu três princípios que regiam a sua diplomacia e postura regional: não dialogar com terroristas, não trocar vivos por mortos, não libertar condenados por crimes de sangue. Um dos criminosos libertados, Samir Kuntar, estava preso desde 1979, condenado pela morte de três pessoas, incluindo uma menina de 4 anos. Quase 30 anos passados, nunca mostrou qualquer arrependimento. Agora é um herói em Beirute, junto com Hassan Nazrallah, o líder do Hezbollah.

Ao realizar esta troca, Israel abriu uma série de precedentes perigosos, que motivam os terroristas a continuar as suas acções. Gilad Schalit, o soldado israelita de 21 anos, sequestrado em Gaza em 25 de Junho de 2006, continua em mãos do Hamas. Inspirando-se na troca de hoje, o Hamas pode exigir muito de Israel.

Isto porque, a troca de prisioneiros comprova uma máxima que tem sido uma das regras de ouro da defesa de Israel: nunca abandonamos um soldado. Vivo ou morto, ele deve voltar para casa. Israel mostra uma evidente superioridade moral e humana. A qual, nesta como noutras ocasiões, de um ponto de vista político e militar, pode ser vista como uma fraqueza. Os seus inimigos não terão qualquer pudor em explorá-la. Aí reside o segredo entre o contraste do luto sereno israelita, frente ao alarde dos que celebram um assassino como herói e consciência da nação.

publicado por Boaz às 23:04
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

O arco da crise

Com frequência, analistas, jornalistas e políticos referem-se à resolução do conflito entre Israel e os Palestinianos como a chave para a estabilização do Médio Oriente e daí, de todo o Planeta.

Recentemente, o Iraq Study Group (ISG) liderado por James Baker, antigo Secretário de Estado americano foi incumbido pelo presidente Bush de encontrar formas para vencer a guerra no Iraque, de uma forma mais rápida e menos custosa. Em sangue e dólares. A conclusão do ISG foi: "a resolução a disputa Israel-Palestina" é a chave para ganhar a guerra no Iraque.

A ideia da centralidade do conflito Israel-Palestinianos não é exclusiva de James Baker e seus associados. Kofi Annan, ex-Secretário Geral da ONU partilha da mesma ideia. E também, aparentemente, o seu sucessor Ban Ki-Moon, que recentemente disse a um jornal sul-coreano: "Se as questões no conflito entre Israel e a Palestina [sic] forem bem, outras questões no Médio Oriente... irão da mesma forma ser resolvidas."

Será o conflito entre Israel e os Palestinianos assim tão central no Mundo e mesmo no Médio Oriente?

Façamos então um passeio pelo Grande Médio Oriente, ao qual Tony Blair chamou "o arco da crise". Estendendo-se do Atlântico ao Índico, compreende 22 países. Dezasseis deles árabes, mais a Turquia, Arménia, Azerbeijão, Israel, Irão, Afeganistão e Paquistão. Todos foram fundados após o desmembramento de algum império colonial. Como primeiro sinal de instabilidade, saiba-se que nenhum destes estados goza de fronteiras inteiramente reconhecidas. Todos têm diferendos fronteiriços com um ou mais vizinhos, reclamando partes dos seus territórios. A maioria já travou guerras em consequência dessas reclamações.

Comecemos a digressão pelo Afeganistão. Reclama a soberania sobre a paquistanesa Província da Fronteira Noroeste. Na década de 1960, os dois países travaram uma série de guerras fronteiriças pelo controle da região. O Irão, por seu lado, insiste no direito de supervisão no oeste do Afeganistão baseado no Tratado de Paris de 1855. Iranianos e afegãos disputam ainda as águas de três rios fronteiriços, o Hirmand, o Parian e o Harirud.

O Paquistão desde 1947 mantém uma longa disputa territorial com a Índia pelo controle de Caxemira, desde a divisão do antigo Império Britânico da Índia, em dois estados, em 1947. Caxemira foi a origem de três guerras em larga escala e numerosos episódios de violência na fronteira entre os dois países. É responsável ainda pela corrida de ambos às armas nucleares, além de centenas de ataques terroristas, sobretudo na Caxemira indiana. Além de Caxemira, o Paquistão mantém uma disputa com o Irão sobre águas territoriais no Mar Arábico e sobre a nacionalidade de várias tribos de etnia Baluch que vivem dos dois lados da fronteira entre os dos países.

Numa escala muito maior, o Irão e o Iraque travaram uma série de guerras desde 1936 pelo controle o estuário do Shatt al-Arab. Um tratado de paz foi assinado em 1975, mas em 1980 Saddam Hussein invadiu o Irão, começando uma guerra de oito anos e que fez mais de um milhão de mortos nos dois lados. Desde a deposição de Saddam em 2003, o Irão redesenhou a fronteira a seu favor. E continua a reclamar o direito de supervisão sobre santuários xiitas no Iraque como Samara ou Karbala.


Irão, Esquadrão de fuzilamento nos primeiros anos da Revolução Islâmica.
Foto de Jahangir Razmi, fotógrafo iraniano. Prémio Pulitzer

A sul, e desde 1971, o Irão reclama dos Emirados Árabes o controle de três estratégicas ilhas no estreito de Ormuz, por onde flúi diariamente metade do petróleo do Mundo. A norte, luta com o Turquemenistão, o Kazaquistão, o Azerbeijão e a Rússia pelo Mar Cáspio. Os vizinhos pretendem a divisão deste mar interior conforme a extensão das suas fronteiras. Para reclamar a divisão equitativa que duplicaria a sua extensão do Cáspio, o Irão mantém desde 1995 uma marinha de guerra e impede as petrolíferas internacionais de explorarem gás e petróleo nas águas azeris e turcumenas que Teerão reclama como suas. Teerão tenta ainda manter um controlo da província de Khuzestan, rica em petróleo. A região teve uma maioria de população árabe até à década de 1940. Desde então tem sido sistematicamente "persianizada." Recentemente, várias tribos árabes residentes perto da fronteira iraquiana foram expulsas e substituídas por habitantes persas do centro do Irão.

O Irão é visto pelos países árabes como uma ameaça directa, em especial os Estados do Golfo. No entanto, mesmo entre estes, as relações não são amistosas. Apesar das relações tribais entre as famílias reais da região, a Arábia Saudita travou em 1955 uma guerra com Omã pelo controle do oásis de Buraimi, alegadamente rico em petróleo. Décadas de negociações não foram suficientes para se chegar a um acordo. No ano passado os Emiratos Árabes renunciaram a um tratado de 1974 com a Arábia Saudita, adivinhando-se uma terceira reclamação sobre o oásis.

Desde o final da década de 1990, o Qatar luta com os sauditas pela região de Khor al-Udaid, rica em petróleo. Em 2000, os sauditas anexaram a área à força, cortando assim a fronteira do Qatar com os Emiratos. O Qatar reclama do vizinho Bahrain o controle das ilhas de Hawar, travando uma guerra naval em 2001.

Entre a Arábia Saudita e o Kuwait, alegadamente os mais próximos dentre os Estados do Golfo, mantém-se o diferendo acerca da demarcação de fronteiras na chamada "Zona Neutra." Após a Guerra do Golfo de 1992-93, a fronteira do Kuwait com o Iraque foi estabelecida. Todavia, mesmo o parlamento eleito do Iraque não abdicou ainda da reclamação de soberania sobre as ilhas kuwaitianas de Warbah e Bubiyan e da parte sul dos campos petrolíferos de Rumailah atribuídos ao Kuwait pela ONU. A desconfiança em relação a Bagdade, levou o governo do Kuwait a erguer fortificações, cercas electrificadas, armadilhas anti-tanque e a implantar uma “terra de ninguém” que se estende numa faixa de 15 quilómetros. A Arábia Saudita tem em construção estruturas similares na sua fronteira com o Iraque.

A dinastia hashemita da Jordânia mantém há décadas uma reclamação de suserania sobre a província saudita de Hejaz, onde se situam as cidades santas de Meca e Medina, despojada do controle das tribos hashemitas em 1924 pelas tribos que compõem a actual família real saudita. A cada onda de pressão sobre a casa real saudita pela Al-Qaeda ou por militantes xiitas, de Amã ouvem-se apoios a um Hejaz independente.

O Iémen continua sem conseguir traçar a sua fronteira com Omã ao longo do Golfo de Hauf e no deserto de Rub al-Khali, “o vazio da Arábia”. Em 1999 travou uma guerra com a Eritreia pelo controle das ilhas Hanish, um arquipélago estratégico na entrada do Mar Vermelho.

Desde os anos de 1940, o Iraque e a Síria mantêm um diferendo com a Turquia pela divisão das águas do Rio Eufrates. Ainda, tanto a Síria como o Iraque reclamam a província turca de Iskanderun, onde os Árabes compõem 30% da população. A Turquia reclama o direito de supervisão do Norte do Iraque baseado no Tratado de Lausanne de 1923, em especial sobre as regiões petrolíferas de Mossul e Kirkuk e tem treinado e armado grupos tribais turcomanos na região. Na década de 1990, a Turquia actuou militarmente na região na sua guerra contra a milícia marxista curda do PKK.

A Síria reclama a totalidade do Líbano como parte da "Grande Síria", da qual reclama também fazerem parte a Palestina histórica e parte do Norte da Jordânia. Em quase 30 dos 50 anos do Líbano independente, a Síria manteve aí um exército de ocupação e esteve activamente envolvida nas três guerras civis libanesas. A Síria foi em grande parte responsável pela morte de mais de 100 mil libaneses e pela fuga de outros dois milhões e meio. No ano passado, a Síria e o seu maior aliado, o Irão, encorajaram o Hezbollah a travar uma guerra com Israel. Nos últimos anos, Damasco tem sido responsável por grande parte da agitação social e política no Líbano e por uma série de assassinatos políticos, incluindo o primeiro-ministro Rafik Hariri.

O Egipto, o maior dos estados árabes, mantém divergências fronteiriças com a Líbia e o Sudão. Na década de 1960 fomentou várias guerras por todo o mundo árabe. Desde a guerra 1958-62 na Argélia a um golpe de estado no Iémen que deflagrou uma guerra civil que se prolongou por seis anos e fez mais de 200 mil mortos. Recentemente, anexou partes do território sudanês e mantém um conflito intermitente com a Líbia sobre uma área do deserto Egípcio. Ironicamente, a sua única fronteira estável e reconhecida internacionalmente é aquela que o separa de Israel.

A Líbia é desde os anos 70 um dos grandes patrocinadores do terrorismo internacional. O atentado contra o avião da PanAm que se despenhou em Lockerbie e uma bomba numa discoteca alemã frequentada por soldados americanos estão no cadastro de Muamar Khaddafi. Mantém disputas com o Chade, a Tunísia e o Sudão. No Sudão desenrola-se um dos maiores desastres humanitários da actualidade, na região de Darfur. Centenas de milhares de mortos e mais de um milhão de refugiados, resultado dos massacres das milícias janjaweed apoiadas pelo governo central. Ao longo de várias décadas, o país esteve numa guerra civil. Árabes muçulmanos do Norte contra tribos negras cristãs e animistas do Sul. Mais de dois milhões de mortos e outros tantos refugiados até ao recente acordo de paz.

Marrocos, Argélia e Mauritânia têm lutado entre si pelo controlo do Saara Ocidental. A região foi anexada por Marrocos em 1975. Em retaliação, a Argélia tem apoiado a Frente Polisário, que reclama ser o governo legítimo do povo Saraui. Desde 1976 que Marrocos e a Frente Polisário travam uma guerra de baixa intensidade. Na década de 1990, Marrocos retribuiu à Argélia o seu apoio à Frente Polisario fechando os olhos à sangrenta campanha terrorista dos islamistas que custou a vida a mais de 250 mil argelinos.

Tudo isto é apenas uma síntese do que tem acontecido no "arco da crise". Nas últimas seis décadas, a região sofreu não menos de 22 guerras de larga escala em disputas de território e recursos, nenhuma delas tendo alguma coisa a ver com Israel ou os Palestinianos (se tem dúvidas, volte atrás e releia o artigo). Além disso, a história destes países tem sido dominada por séries de lutas domésticas, golpes de estado, ondas de violência étnica e sectária, em muitos casos com altos níveis de crueldade.

O Grande Médio Oriente tem-se caracterizado por uma crónica instabilidade, níveis baixos de desenvolvimento e atraso cultural. A região é a única zona do Mundo que, de um modo geral, passou ao lado da onda de mudanças positivas que se seguiram ao fim da Guerra Fria. Imprensa ou universidades privadas, sindicatos livres, partidos políticos ou liberdade de associação e expressão são realidades distantes. No século XXI, as linhas de produção das grandes marcas internacionais estenderam-se da Polónia ao Vietname ou ao Peru. Mas não à Síria ou ao Egipto. Nenhum destes estados tem, por exemplo, fábricas de automóveis ou de produtos de alta tecnologia.

Os déspotas que chefiam os estados entre a Mauritânia e o Paquistão há muito que pretendem desviar as atenções dos seus oprimidos súbditos com o sonho de atirar ao mar "o inimigo sionista". Como fazia o antigo presidente Nasser do Egipto, sempre que espreitava a ameaça da revolta política, logo se apressava a assegurar às massas do seu país e da "grande nação" árabe que a reforma política e social teria de esperar até que "o inimigo" fosse expulso da "nossa amada Palestina."

Para até um grupo de, aparentemente, homens sábios americanos, adoptar a mesma visão retrógrada e facilmente refutável, demonstra uma absoluta e perigosa ignorância da realidade.

Baseado num artigo de Amir Taheri, ex-editor do diário iraniano Kayhan, para a Commentary Magazine.

publicado por Boaz às 11:03
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Terça-feira, 25 de Julho de 2006

A manif

Uma série de organizações de esquerda, com o selo de garantia do Bloco de Esquerda e do PCP, convocou uma manifestação contra Israel (quem mais?) na cidade do Porto. Razão: a exigência do "fim da agressão à Palestina, dos bombardeamentos ao Líbano e do terrorismo de estado de Israel". Quanto aos bombardeamentos do Hezbollah no norte e Israel e do Hamas no sul de Israel a partir de Gaza, nem uma palavra.

Ainda, os factos que despoletaram a actual situação - o rapto de soldados pelo Hamas e pelo Hezbollah, merecem umas eloquentes aspas. Para um tal de Movimento pela Paz, Israel "procede metodicamente ao aniquilamento de dois países - a Palestina e o Líbano", "a pretexto do que chama 'rapto' de três dos seus soldados", ao mesmo tempo que "milhares de palestinianos e libaneses jazem nas masmorras israelitas".

É verdade que há milhares de libaneses e palestinianos presos em Israel, alguns mesmo condenados a prisão perpétua. Mas nenhum deles lá foi parar por ajudar velhinhas a atravessar a rua ou por ter roubado chupa-chupas na mercearia da esquina.

É que, em Israel, terrorismo resolve-se com mão de ferro. Não há outra forma. Ao contrário de Portugal, onde a pretexto de um passado "heróico-revolucionário-antifascista" se fecharam os olhos aos crimes de alguns senhores das FP-25 como Otelo Saraiva de Carvalho e respectiva pandilha, os quais, após uns mesinhos na prisão, lá saíram em liberdade e de nariz erguido e hoje andam aí a falar às televisões como se tivessem a folha limpa...

Mas isso não interessa nada, como diria a outra senhora.

publicado por Boaz às 20:51
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

Superioridade moral

Desde o rapto de dois soldados israelitas pelo Hezbollah, Israel ganhou o direito de ripostar sobre o movimento terrorista libanês, que é apoiado pela Síria e o Irão.

O governo de Israel, através de uma operação militar em larga escala com o objectivo de acabar de vez com o Hezbollah, poderia além de terminar com a ameaça terrorista na fronteira norte, ainda ter ganho o reconhecimento da maioria do povo libanês. Poderia. Todavia, por uma série de decisões tácticas erradas, não o conseguiu.

A decisão de partir para uma vaga de destruição, com a escolha errada de alvos, tira uma grande parte da legitimidade do ataque de Israel. Alvos como pontes, estradas, portos e o aeroporto de Beirute não são alvos que se possam reclamar - sem contestação - como "alvos legítimos". Em termos militares pode alegar-se que a partir desses pontos, o Hezbollah pode, por um lado, receber reabastecimentos, por outro, permitirem que retirem do Líbano os soldados sequestrados. Em termos humanos e de política externa, essa decisão é um desastre.

O pânico gerado pela onda de ataque israelita na população libanesa e nos milhares de estrangeiros, tanto trabalhadores como turistas, terá minado o apoio que a decapitação do Hezbollah teria suscitado na população do "país dos cedros". O próprio primeiro-ministro libanês Fuad Siniora disse reconhecer que a Síria e o Irão têm influência no que se passa no país, e que os bombardeamentos israelitas apenas farão aumentar a popularidade do Hezbollah no Líbano.

Olmert e o governo de Israel deveriam ter aproveitado o facto de o próprio governo libanês desejar livrar-se do Hezbollah e ainda mais de este último ter apenas o apoio local dos xiitas, sendo os muçulmanos sunitas e a metade cristã da população libanesa totalmente contra o movimento pró-iraniano.

As bombas caídas num bairro cristão de Beirute - onde dificilmente encontrariam refúgio terroristas do Hezbollah - não destruíram apenas vidas e edifícios. Destruíram um apoio vital que já havia existido a favor de Israel em 1982, quando o exército israelita invadiu o Líbano para terminar com os ataques contra a Galileia, após o país se ter tornado um abrigo para a OLP e campo de treino para os seus terroristas. A história parece estar a repetir-se. Infelizmente.

É verdade que a opinião pública israelita exigia uma resposta dura sobre o Hezbollah, mas a oposição a uma resposta como a que tem sido dada já se faz sentir em Israel.

publicado por Boaz às 00:02
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Sábado, 15 de Julho de 2006

Elevarei os meus olhos às montanhas

Shir Ha'maalot (Canto de ascensão). De David.

Elevarei os meus olhos às montanhas, de onde virá a minha ajuda?
A minha ajuda provém do Eterno, criador do céu e da terra.
Não deixará resvalar o teu pé, nem se adormecerá o que te guarda.
É aqui que não adormecerá e não dormirá o guardiâo de Israel.
O Eterno é o teu guardião.
O Eterno é a tua sombra sobre a tua direita.
De dia o sol não te ferirá nem a lua de noite.
O Eterno cuidar-te-á de todo o mal; cuidará da tua alma.
O Eterno cuidará a tua saída e a tua entrada desde agora até à eternidade.

Pelos habitantes de Haifa e das outras cidades da Galileia. Pelas gentes de Beirute e do Líbano. Pelos soldados israelitas raptados. Pelos soldados que estão neste momento mobilizados. Pelas suas famílias angustiadas.

publicado por Boaz às 21:38
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