Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Parabéns amigo ditador

Há 40 anos, um coronel do exército da Líbia tomou o poder no país por uma Revolução a que chamam "o Grande Al-Fateh". Quatro décadas depois, Muammar Khadafi, o tal coronel golpista ainda controla os destinos da Líbia. Foram 40 anos marcados pela mais feroz doutrina laica alguma vez a tomar o poder num país muçulmano. O único avanço civilizacional a avançar na sociedade líbia - ao contrário da regra islâmica - foi mesmo a instauração de igualdade entre mulheres e homens. Ao menos isso temos de agradecer ao coronel. Porém...

Apoio ao terrorismo internacional, com a causa palestiniana à cabeça. Um atentado contra uma discoteca alemã onde morreram militares americanos e a bomba no avião da companhia PanAm que se despenhou em Lockerbie, na Escócia são outras das marcas do anti-americanismo militante que marcou o isolamento internacional da Líbia.

A exemplo de outros regimes ditatoriais em final de existência, como a União Soviética de Gorbatchov, a Líbia tenta a aproximação ao Ocidente. É um dos mais influentes países na diplomacia africana com um ou outro caso de sucesso na mediação de conflitos.

As suas reservas enormes de petróleo e gás tão apetecidas pela Europa parecem tornar os políticos e ainda mais as empresas europeias completamente indiferentes aos abusos cometidos pela Líbia. Ainda esta semana, o autor do atentado de Lockerbie foi recebido na capital líbia Tripoli por milhares de pessoas, depois de ter sido libertado de uma cadeia inglesa (alegadamente para facilitar um negócio multimilionário da petrolífera inglesa BP). Dai que as monumentais celebrações dos 40 anos da Revolução Líbia contem com a presença de altos dignitários europeus. O Primeiro Ministro Silvio Berlusconi, de Itália – a Líbia foi colónia italiana – e o português Luís Amado são alguns dos amigos de Khadafi.

É vergonhoso que um país democrático como Portugal se faça representar ao mais alto nível para festejar a ascensão ao poder de um ditador. Como a Líbia não é a única ditadura que merece ser celebrada, espera-se que Luís Amado ou até o Primeiro-Ministro José Sócrates estejam no próximo 9 de Setembro, em Pyongyang entre milhares de alegres criancinhas norte-coreanas – bem alimentadas para a ocasião – que exultarão pela gloriosa independência do país e subida ao poder do antigo "Grande Líder" Kim il-Sung.

A 7 de Outubro estarão na China, para festejar os 59 anos do início da invasão chinesa do Tibete. Como a vergonha não combina com os negócios e tantas vezes faz esquecer a história, até é possível que no próximo 7 de Dezembro se reúnam na Indonésia a lembrar a gloriosa a patriótica invasão de Timor-Leste, ocorrida há 34 anos. E por aí sucessivamente.

publicado por Boaz às 20:20
link do artigo | Comente | ver comentários (3) | favorito
Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Pouco fogo, muito fumo

No Mundo há terramotos, ciclones, atentados na Índia, engarrafamentos gigantes em Jerusalém pela visita do Bush (muito importante, sim) mas, a notícia do momento em Portugal: O Sr. PM José Sócrates não resistiu ao vício e fumou num avião. (Apupo) Alega que não sabia que era contra a lei. (Apupo e lançamento de tomates).

Ora vejamos, assim que se sentou no seu lugar no avião, a caminho da Venezuela, não digo só desta vez, mas em qualquer das centenas de vezes que a criatura terá viajado de avião, será que nunca olhou para cima do banco e, viu o sempre iluminado sinal do cigarro com um proibitivo traço por cima, que significa "Não fumar"? (Faço um desenho). É mesmo ao lado da luzinha que indica que já pode soltar o cinto de segurança e dar uma voltinha pelo corredor! (Dahh!)

Seja como for, o Sr. PM arrependeu-se de ter violado a lei. (Tadinho) Alegadamente, já que ele não sabia que era ilegal fumar em aviões. E, vejam só que ele, quando contou a sua versão do episódio, não se esqueceu de mencionar que fumou junto com o Sr. ministro da Economia, Manuel Pinho. (Também tu Brutus!?). O Sr. PM pode afundar-se, mas alguém irá ao fundo com ele. Se ele paga, o colega também não se livra! (Ah, biltre traidor!)

Ah, e como o arrependimento é grande, ele já prometeu que vai deixar de fumar. (entra o coro de anjinhos a voar em redor do arrependido) Caramba, Sr. PM, não se lhe pediríamos tanto. Pode começar por não fumar apenas onde é expressamente proibido. E se lhe custar muito viajar de avião pelas longas horas sem o vício, vá a pé. Afinal, não é seu costume fazer uma saudável corridinha matinal?

PS - Olhem só como a TAP veio a correr para defender o tão fiel cliente. Parece que "Pedir para fumar num voo fretado é tão 'normal' como solicitar uma 'refeição especial'. Quer dizer que é a mesma coisa, eu pedir uma refeição casher ou puxar uma passa a bordo?

publicado por Boaz às 22:24
link do artigo | Comente | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Glória fácil

De tempos a tempos, algum inspirado propõe a realização de grandes eventos internacionais em Portugal. A última foi a proposta de Gilberto Madaíl, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, da realização em Portugal do Mundial de Futebol de 2018. Seria uma realização conjunta com Espanha.


18.788 mulheres formam as cores da bandeira nacional no Estádio do Jamor,
em apoio à selecção portuguesa de futebol, antes do Mundial da Alemanha, Maio’06

Vai e volta, surgem os sonhos dos elefantes brancos. Num país nunca recuperado da perda da glória das Descobertas e ainda com sonhos de Sebastianismo, enganos grandiosos como um Mundial de Futebol ou umas Olimpíadas parecem reanimar a vontade de afirmação nacional dos Portugueses. Projectos grandiosos espevitam a baixa auto-estima lusitana. Isso e as recorrentes notícias de possíveis sucessos na prospecção petrolífera em Portugal. E não fosse Portugal o campeão das apostas no Euromilhões. A sedução da glória e riqueza fáceis.

Em boa hora, o presidente Cavaco Silva se revelou contra a iniciativa de um Mundial em Portugal. O tempo não é de “vacas gordas” e “o país tem outras prioridades”, foram as suas oportunas justificações.

(Não estou com isto a fazer a campanha de Cavaco. Eu nem sequer votei no dito senhor. Ocupado com os meus afazeres em Jerusalém, deixei passar as últimas eleições presidenciais como tinha feito com as legislativas, sem me preocupar em ir sequer registar-me à embaixada a Tel Aviv. Um dia inteiro perdido só por isso! Nem vale a pena. Continuo registado na freguesia de Golpilheira, concelho da Batalha. Os que vivem no rectângulo que se mexam. Cavaco é “presidente de todos os portugueses”, sem dúvida. Mas é aos do rectângulo que ele tem de mostrar trabalho.)

O Europeu de Futebol de 2004 foi sem dúvida um sucesso de promoção internacional do país. Os resultados no aumento do turismo ainda hoje se fazem sentir. No entanto, depois das semanas dos jogos, da invasão dos turistas, ficaram os estádios, quase todos às moscas. O melhor exemplo é o Estádio Municipal de Leiria, a minha cidade natal. Um mamarracho inútil – que serviu apenas para dois jogos durante o Europeu! – vazio e coloridamente agressivo, ao lado da belíssima colina do castelo. Alguém que o impluda, como fizeram com as torres de Tróia. Acaba-se a vergonha e alivia-se o buraco na Câmara.

Desde 1986, ano da entrada de Portugal na antiga CEE, é inegável que o país deu um salto gigante em direcção ao progresso. Se alguém visitasse hoje o país, ao final de 20 anos de ausência, até os recantos mais remotos lhe seriam irreconhecíveis.

Todavia, os biliões da Europa não fizeram recuar como deviam os principais atrasos estruturais de Portugal. Para lá das crónicas derrapagens nas obras públicas, ficou a deficiente aposta no conhecimento. A inteligência que é mal aproveitada no país, além daquela que se vai esvaindo, rumo a outros pontos da Europa ou os Estados Unidos, onde os profissionais bem qualificados são melhor valorizados. Em reconhecimento de mérito e em salário. Os rápidos resultados do betão ganharam à custa da lenta capitalização da Educação. Numa luta de cinzentos, ganhou o cinzento do betão. Perdeu a massa cinzenta.

Em Israel – desculpem-me a comparação – o progresso deu-se com a aposta inversa. Ao longo das décadas, as universidades israelitas foram formando uma das mais reconhecidas comunidades científicas do Mundo, competindo com os melhores centros da América e Europa. O Technion de Haifa ou o Instituto Weizmann são apenas os dois exemplos mais famosos. As grandes empresas de software todas têm centros de pesquisa em Israel, no famoso Silicon Wadi dos arredores de Tel Aviv, inspirado no Silicon Valley californiano. No próprio país germinaram algumas grandes empresas tecnológicas internacionais.

Por outro lado, auto-estradas são realidades recentes por cá. Só agora se constrói a ligação de comboio rápido entre Jerusalém e Tel Aviv. O aeroporto Ben Gurion, o principal de Israel, foi apenas modernizado nos últimos anos. Jerusalém está em obras para o metro ligeiro de superfície. Para os próximos anos está prevista a construção do metropolitano de Tel Aviv (com a portuguesa Soares da Costa no consórcio vencedor do projecto). Só depois de alcançar uma economia consolidada na alta tecnologia e no conhecimento, Israel começou a investir no betão.

Só assim o país aguenta taxas de crescimento de mais de 5% ao ano, invejáveis entre os países industrializados. A bolsa de Tel Aviv está entre as que apresentam maior crescimento a nível mundial. E até mesmo em 2006, ano da Guerra do Líbano, a derrapagem económica foi mínima.

publicado por Boaz às 21:36
link do artigo | Comente | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

Silêncios ao som das bombas

Desde há quase duas semanas, que todos os dias ouvimos e vemos nas notícias o regresso da violência em larga escala no Líbano. O exército libanês ataca com toda a sua força as posições de uma tal Fatah al-Islam, um grupo terrorista palestiniano derivado da OLP e com alegadas ligações à Al-Qaeda em dois campos de refugiados. Os sinistros membros desse grupo terrorista fizeram já saber que lutarão até à morte. Como todo o bom terrorista, aliás.

Ao mesmo tempo que a situação se arrasta, não vemos qualquer reacção dos nossos "defensores dos oprimidos" de ocasião. Voltemos então no tempo até Março de 2002 e façamos uma breve comparação.

Na altura, a Europa tinha manifestações umas atrás das outras a condenar Israel por uma acção militar no campo de refugiados de Jenin, onde o exército israelita combatia militantes palestinianos armados. Israel foi, sem piedade, acusado de enormes atrocidades e de matar centenas de civis. Mesmo em Lisboa, frente à embaixada israelita, bloquistas, comunistas e simpatizantes gritaram slogans acusatórios e empunharam cartazes mostrando de um lado, uma inocente e heróica criancinha palestiniana de pedra na mão e do outro, o arrogante e terrível tanque israelita.

"Estes bárbaros são capazes de tudo!" rosnava um músico decadente aos microfones da televisão. "Podiam ser os nossos filhos...", carpia uma mãezinha amargurada de cartaz em punho.

Investigações posteriores por parte de observadores internacionais provaram que as "centenas de civis chacinados" em Jenin foram afinal 70 e, na sua maioria, militantes armados. Na altura, Israel mandou soldados de infantaria para o terreno para minorar as baixas civis e limitar a destruição. Mesmo assim as acusações choveram contra Israel, apesar de terem morrido mais de 20 soldados do Tzahal durante a operação.

Ora, de volta ao presente, o exército libanês bombardeia diariamente e com artilharia pesada campos de refugiados no norte e no sul do país, onde muitos civis ainda se encontram encarcerados sem conseguir escapar do meio dos combates.

E os justiceiros da nossa praça calam-se. Parecem não ver as ligações entre os casos. É que até os coitadinhos são aparentados: tanto a Fatah al-Islam de Nahr al-Bared, como as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa de Jenin descendem de uma forma ou de outra do aparelho da OLP, a organização fundada pelo saudoso Yasser Arafat, o grande herói da malta que gritava contra Israel por essa Europa fora em 2002.

A razão deste silêncio é evidente. Afinal, é ideia aceite que os Árabes e os Muçulmanos são inimputáveis. Afinal, se eles se matam entre eles, alguma razão devem ter. Seja o exército libanês, os sunitas e xiitas em guerra aberta entre si no Iraque, os talibãs no Afeganistão, os lacaios do governo sudanês no Darfur, os senhores da guerra na Somália e por aí em diante. A lista seguiria longa. Só vale mesmo a pena ladrar e empunhar vistosos cartazes quando são as bestas ocidentais a matar cidadãos árabes. Seja Israel (posto avançado do Ocidente no Mundo Árabe), sejam os EUA no Iraque.

É que é apenas seguindo este modelo que o tradicional maniqueísmo da esquerda europeia funciona. É óbvio que esses senhores não estão para admitir que os seus modelos de valores estão, há muito, caducos.

publicado por Boaz às 20:47
link do artigo | Comente | favorito
Quinta-feira, 7 de Setembro de 2006

Cegueira ou apenas demência?

Para a última festa do Avante!, o PCP convidou a revista Resistencia, que não é mais que um dos veículos da propaganda das FARC, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. O facto causou um embaraço diplomático entre Portugal e a Colômbia, uma vez que essa organização está na lista das organizações terroristas feita pela União Europeia. Mas esse embaraço é o menos mal de tudo isto.

O PCP defendeu que a presença da voz oficial da guerrilha colombiana, pretendendo assim «denunciar as tentativas de criminalização da resistência ao grande capital e ao imperialismo e para reiterar a sua frontal oposição à classificação pelos EUA e União Europeia das FARC, uma organização popular armada que há mais de 40 anos prossegue, entre outros objectivos, a luta pela real democracia na Colômbia e por uma justa e equitativa redistribuição da riqueza, dos recursos naturais da Colômbia e da posse e uso da terra, como organização terrorista.»

Até onde chega a demência destes senhores? E os massacres contra populações civis perpetrados pelas FARC? Os raptos, como da deputada ecologista e pacifista Ingrid Bettencourt, raptada há mais de 40 meses por aqueles que o PCP chama de lutadores pela liberdade... Além disso, para se financiar, além de raptos e do subsequente pedido de resgate dedica-se à produção de drogas.

Mas isso, claro, faz parte da sua luta «por uma justa e equitativa redistribuição da riqueza, dos recursos naturais da Colômbia e da posse e uso da terra».

Em nome de quê se continua a permitir que uma organização política com esta postura continue a existir e a propagandear-se? Não falo das FARC, falo do PCP.

publicado por Boaz às 22:57
link do artigo | Comente | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 30 de Março de 2006

Ai que saudades

Não dão para imaginar as saudades que eu tinha da política-à-portuguesa. A política em Israel não é nada branda nem enfadonha, mas para quem passou seis meses praticamente sem nunca olhar para uma televisão e com pouca vontade para ler jornais, há muita coisa que passou despercebida.

De regresso ao "Rectângulo" vejo que a política por cá continua tão cómica como sempre. O Bloco de Esquerda continua com o seu brilhante e insuperável papel de animador do Grande Circo da Assembleia da República.

Uma das últimas pedradas do BE foi contra o Cardeal Patriarca de Lisboa. Sim, eu também concordo que não se deviam dar tantas honrarias e demonstrações de vassalagem ao Dom José, neste caso na tomada de posse do novo Presidente da República, Cavaco Silva (outro de que já tinha saudades).

Mantendo as distâncias devidas entre Clero e Nobreza, não me oponho que convidassem o cardeal, mas que não se extraviassem os convites para o imã, o rabino, o guru indiano, os bispos das IURDs, Manás, Adventistas e afins e até mesmo a mãe-de-santo e o macumbeiro africano que têm os seus fiéis seguidores. Isso sim seria democrático e imparcial.

É bom encontrar os cromos do costume...

publicado por Boaz às 13:53
link do artigo | Comente | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005

Hilária política

O slogan de campanha da candidatura de Fátima Felgueiras: "Sempre presente!"

O autor deste brilhante mote merecia o prémio de Humorista do Ano.

publicado por Boaz às 17:23
link do artigo | Comente | ver comentários (4) | favorito
Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005

Ficamos a espera da tournée

"Gostei, gostei. Foi um bom espectáculo." Foi este o comentário de José Sócrates à demolição dos mostrengos de Tróia.

Eu também gostei. Agora é continuar com a diversão, que o resto do país também merece divertimentos desses. Em quase todas as praias entre a Figueira da Foz e a Costa da Caparica não faltam mamarrachos bons para implodir.

Uma digressão da equipa de demolidores pelo Algarve podia dar espectáculos diários durante semanas a fio em Albufeira, Portimão, Quarteira e Monte Gordo. Atracção turística de sucesso garantido. Melhor que o concerto de Cliff Richards.

E, já agora, como a malta suburbana se queixa de não ter divertimentos ao pé da porta, era capaz de haver a animação com fartura na Brandoa, Odivelas, Cacém e Santo António dos Cavaleiros.

Só falta um Belmiro que dê a guita para a pólvora.

publicado por Boaz às 16:35
link do artigo | Comente | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 29 de Julho de 2005

Juizinho, meus senhores

Com a aproximação das eleições presidenciais, algumas figuras influentes do PS declararam apoiar a candidatura de Mário Soares a Belém. Ele, logo disse que ia reflectir o assunto, demonstrando que não percebeu que é uma segunda (ou terceira) escolha do Partido Socialista.

Não sei se repararam - pelo menos no PS poucos devem ter notado - mas passaram 20 anos desde o "Soares é fixe". Mesmo assim se empurra Soares, pois parece que o partido não tem mais ninguém a apresentar aos portugueses, além das mesmas figuras de sempre. Ou seja, desde o 25 de Abril de 1974.

Que mal que vai o país, quando o partido que está no governo e tem uma maioria absoluta na Assembleia da República não encontra nas suas fileiras ninguém melhor para candidato a chefe de Estado que um esgotado octogenário que há muito não diz coisa com coisa. E eu a pensar que as coisas não podiam ficar piores por cá...

Nesta altura, a única união em redor de Mário Soares devia ser para lhe pagar um bilhete só de ida para as Seychelles. Primeira classe, vá lá. Assim, ele podia passar o resto dos seus dias entre banhocas no Índico e passeios às costas das tartarugas. Para ele era bem bom e por cá ninguém se queixava.

publicado por Boaz às 15:53
link do artigo | Comente | favorito
Sexta-feira, 1 de Julho de 2005

O providencial filão

Há uma série de anos que andam a amedrontar-nos com o papão do défice - desde os primeiros dias do governo de Durão Barroso - esse bicho horrível dos 6,83%. Só que parece que nos andaram a mentir. Afinal o bicho é tão somente de 6,72%.

Ó, magnífica notícia! É que, assim, tudo muda neste país. Sem perigo de exagero, atrevo-me a dizer que acabou o tempo da tanga (ou do fio dental, como vi um malicioso economista chamar-lhe) e podemos todos desapertar o cinto. Ufa!


Desculpem lá, eu andei à procura de uma gralha, mas o mais parecido que encontrei foi uma avestruz.
É uma ave, ora!

Até se prevê que o IVA a 21% - que entrou hoje em vigor, pfff!!! - seja abolido numa questão de horas. Sim, sim! O prometido fim das mordomias e acumulação de ordenados e reformas por parte de políticos, também deverá passar para a gaveta.

Agora que se descobriu este filão escondido nas masmorras das Finanças: TGVs, Otas e até centrais nucleares devem pulular por esse país fora, num regresso à saudosa fúria do betão dos maravilhosos tempos do cavaquismo.

Adivinham-se tempos dourados, se pensarmos em tudo o que um governo - cheio de garra, como o nosso - pode fazer com um mísero défice de 6,72%.

PS - a Oposição reagiu indignada à revelação do novo valor do défice. Não gostaram da boa nova, os cínicos! Atacaram Vítor Constâncio pela "gralha". Tanto barulho, que até parecia que em vez de uma gralha, o governador do Banco de Portugal tinha era lançado um bando de abutres...

publicado por Boaz às 15:30
link do artigo | Comente | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2005

O difícil é escolher

Santanócrates Sócratana
 

Política PhotoShop: Sabe mesmo quem é?

A dois dias das eleições tenho a sensação de, qualquer que seja o quadradinho onde escreva a cruz no próximo Domingo, não ir fazer algo de bom pelo país...

Uma observação: Não deixa de ser irónico que o filme que a RTP escolheu exibir no Domingo à tarde, antes da emissão especial de cobertura das eleições seja "A Tempestade". Premonição do que aí vem?

publicado por Boaz às 17:38
link do artigo | Comente | favorito
Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2005

A desgraça do "mal menor"

Nas eleições do próximo dia 20 os resultados não são muito difíceis de adivinhar. Tudo indica que ganhará o Partido Socialista e José Sócrates. E, mesmo que quase miraculosamente ganhem os sociais-democratas e Pedro Santana Lopes, uma das mais importantes conclusões a tirar é tão simplesmente: ganhou o "mal menor".

Santana Lopes (mais a sua «eminência parda» Paulo Portas) provou não ter categoria para ser Primeiro-Ministro. Foram tantos os erros em tão curto espaço de tempo...

José Sócrates não tem melhor currículo. Mantendo o plano dos seus tempos de ministro, ele continua a insistir na co-incineração mesmo depois de cientistas e ecologistas - estes últimos é sabido que costumam estar mais ligados à esquerda - já terem vindo defender a opção do sistema proposto pelo governo de Santana. No fundo, recusa-se a admitir o seu erro e insiste em conduzir o barco dos resíduos industriais para o baixio mais próximo. Além dele há os que se desunham para ficar à sua sombra. Qualquer coisa como 40% dos candidatos a deputados do PS é malta dos governos de António Guterres. A coisa promete...

Tanto Santana como Sócrates apostam na choradeira como estratégia de caçar votos. Desde o seu primeiro dia à frente do governo que Santana se faz de coitadinho. Primeiro foi por não ter o apoio e ter recebido críticas de muitos pesos-pesados do PSD, como Manuela Ferreira Leite e Marques Mendes. Já depois da demissão forçada resumiu a sua triste sina àquela metáfora do «bebé na incubadora que todos os dias leva pancada dos irmãos mais velhos». Até parece tirado de uma novela venezuelana.

Como não gosta de ficar atrás, Sócrates foi pelo mesmo caminho. Depois dos boatos de «conteúdo brejeiro» contra a sua pessoa, tem-se fartado de chorar, qual virgem desonrada.

Com o cenário que se aproxima - e não sendo Portas, Jerónimo e Louçã alternativas - resta levar as mãos à cabeça e esperar que os próximos quatro anos passem depressa.

publicado por Boaz às 17:05
link do artigo | Comente | favorito
Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2005

Logo agora

Logo agora que tudo se preparava para que a campanha eleitoral fosse decente, construtiva e com um mínimo de debate limpo, atiram-se umas postas de pescada para deitar abaixo o adversário.

Não sei ao certo o que se disse de José Sócrates ou de qualquer outro. Nem quero saber! Tudo o que seja da esfera privada das pessoas, desde que não seja contra a lei, é no domínio privado que deve ficar.

Não há direito. Este país merece melhor que isto. Cavaco Silva tem mesmo razão. Os maus políticos varreram os bons da arena. Tanto à direita como à esquerda. Ah, se o "voto à Saramago" fosse a solução...

publicado por Boaz às 17:42
link do artigo | Comente | ver comentários (6) | favorito
Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2005

O arrastar da asa

Os extremos frente a frente

Ontem, Paulo Portas e Francisco Louçã estiveram frente-a-frente num debate na SIC Notícias. Por estranho que pareça, e apesar das diferenças entre os dois, não houve puxões de cabelos ou arranhões.

A novidade foi a declaração do líder do PP, que admitiu «entendimentos pós-eleitorais» com o PS. Resta saber se Sócrates vai na cantiga... e o que Santana pensa de mais esta facada nas costas.

É pá, não sei se tem alguma coisa a ver, mas de repente comecei a sentir um leve cheiro a queijo. Será Limiano?

publicado por Boaz às 16:16
link do artigo | Comente | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2005

Olha quem paga!

Pois senhor ministro...É a polémica da semana. O senhor ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento foi em visita oficial a São Tomé e Príncipe. De jacto. Ficou lá 2 ou 3 dias. (Só?! Bem sei que aquilo é pequeno, mas sempre merecia mais atenção) Se tivesse ido em voo regular teria de lá ficar uma semana. (Coitado, que martírio que seria, especialmente para nós, os portugueses que gostamos tanto dele, ai).

O problema levantado por algumas más-línguas foi a despesa. O jacto com a respectiva tripulação (o ministro em causa foi pugilista, não foi piloto); a estadia dele e da comitiva (sim, que ministro não viaja sozinho, tem que levar alguém nem que seja só para conversar durante a viagem que é uma maçada); as taxas do aeroporto; o táxi (ai perdão, o carrão, o ministro andar de táxi, ainda por cima em África, credo!) e os souvenirs (não, brincas...) ficaram em 80 mil euros.

Essas mesmas más-línguas (invejosas!) perguntaram quem é que ia pagar a conta. (Cínicos, até parece que não sabem já.)

É exactamente o mesmo que paga a viagem do senhor Presidente da República (vénia) e da comitiva de mais de uma centena de gente de bem à China; os carrões de alta cilindrada que servem os outros senhores ministros e os senhores deputados (incluindo os invejosos, ai não!) nas suas deslocações; as ajudas de custo desses mesmos senhores ministros e senhores deputados para tudo e mais alguma coisa; e ainda o carrão, o motorista e os seguranças a que os nossos ex-primeiro ministros e ex-Presidentes da República têm direito por lei, para lá da reforma (mas isso é uma ninharia, afinal foram só dois mandatos cada um).*

Onde é que está a dúvida?

* A este respeito o último dos nossos ex-Presidentes (aquele que escreve prefácios para imensos livros) declarou numa entrevista à Judite de Sousa quando ela lhe perguntou sobre o carrão: "decerto que os portugueses não quereriam que eu andasse de carro eléctrico". Obviamente que não, senhor ex-Presidente. Eu nem tenho dormido bem, só de pensar nas dificuldades de transporte de vossa excelência.

publicado por Boaz às 17:09
link do artigo | Comente | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2005

Os sonhos modestos de Sócrates

José Sócrates prometeu que, caso o PS chegue ao Governo nas próximas legislativas (alguém tem dúvidas que assim será?), conseguir para a economia portuguesa um «crescimento sustentado de 3 por cento».

E - como se isto não bastasse - ao mesmo tempo, diminuir os níveis de desemprego para os de há três anos, quando Guterres fez aquela birrinha pós-autárquica e bateu com a porta. O que ele promete é recuperar mais ou menos 150 mil empregos. E tudo isto no tempo de uma legislatura.

Como se diz na minha terra "Ah, homem valente!". Este nível de promessa eleitoral está roçar o absurdo e ainda nem começou a campanha a sério. Esperam-nos umas semanas hilariantes.

Se há algum pingo de consciência e responsabilidade política naquela cabeça, Sócrates já se deve ter arrependido de ter chegado a líder do PS. É que ser (candidato a) primeiro-ministro é um bocadinho mais difícil do que ir mandando ao ar números de crescimento económico. Ele lá vai tentando...

 

PS - E depois há aquela ideia magnífica de não recorrer a receitas extraordinárias para manter o défice controlado. Se é assim, ou ele é milionário e vai por a sua imensa fortuna ao serviço do país, ou então está a sonhar outra vez.

PS 2 - Há ainda a hipótese de ele ser mágico ou estar a pensar convidar o Luís de Matos para ministro das Finanças. Tenhamos esperança, então.

publicado por Boaz às 17:57
link do artigo | Comente | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2004

Uma novela política com casamento, união de facto, namoro e divórcio

Nas próximas eleições legislativas é quase garantido que o poder vai virar à esquerda. PSD e PP, apesar de irem às urnas separados já prometeram retomar a coligação, se juntos garantirem uma maioria de "centro-direita", como actualmente.

Santana Lopes e Paulo Portas até assinaram um compromisso de "casamento" pós eleitoral em frente às câmaras. Sócrates chamou a isto uma "união de facto".

Pelo contrário, o PS e o Bloco não vivem em união de facto, mas é certo que namoram e o casamento adivinha-se. Não o fazem ás escondidas, mas também não trocam anéis de noivado nem caixas de bombons ou ramos de flores.

Já o PCP parece que nesta história é o cônjuge que tem de sair de casa com o divórcio já anunciado por José Sócrates, que excluiu uma coligação entre socialistas e comunistas se não houver maioria absoluta para o PS.

Tanto no caso Santana-Portas como no Sócrates-Louçã estamos perante casamentos forçados, apesar das conveniências. Santana e Sócrates, cada um para seu lado, bem preferiam ficar "solteiros". Já Portas e Louçã, cada um com o seu prometido, esperam impacientes pela hora de dar o nó. São eles quem mais tem a ganhar.

O namoro e o noivado ainda agora começaram. Vamos ver que no dia das eleições vai mesmo ter de dizer o "sim". Quem perder a 20 de Fevereiro vai assumir o papel de madrasta maléfica que faz a tudo para separar o casal.

Quem ganhar recebe como casa - e que casa! - um país para governar. Com uma longa colecção de mobílias e presentes, alguns estragados e já fora da garantia, usados por anteriores casais e solteiros negligentes.

Estamos todos convidados para a boda. Só espero que no fim da festa não apanhemos uma grande dor de barriga. E que os que se chegarem a casar que sejam felizes para sempre. Ou seja, que o casal consiga durar quatro anos.

publicado por Boaz às 15:39
link do artigo | Comente | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2004

Sampaio e a cenoura cavaquista

burro.gifAlgumas mentes pensantes dizem que Sampaio resolveu decidir-se pela dissolução da Assembleia da República e assim acabar com o governo de Santana Lopes, depois da publicação de um artigo de Cavaco Silva no Expresso.

 

 

Nesse artigo, o antigo PM com grandes ambições (ainda não declaradas) a alcançar o lugar de Sampaio, apelou aos políticos competentes para afastarem os incompetentes. Alguns viram aqui uma (in)directa para Santana.

E terá sido isto que fez acordar o Presidente.

Ora, se assim foi, estamos mal (ou seja, pior ainda do que pensávamos). É que isso quer dizer que além de um governo que não governa, temos um presidente que não preside. Limita-se a ficar à espera que alguém lhe dê umas dicas como agir.

O que não é mais que a cenoura na ponta do pau que faz andar o burro.

publicado por Boaz às 04:45
link do artigo | Comente | ver comentários (2) | favorito
Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2004

Sócrates não merece governar Portugal

O Presidente decidiu. Para uns tarde, para outros cedo. Para outros ainda devia ter estado quieto. Assim, vamos mesmo ter eleições antecipadas. Em democracia não costuma haver vencedores antecipados, mas, ou muito me engano, ou vamos ter de levar com Sócrates mais uma vez... Sim, mais uma vez.

Para os esquecidos, ele foi ministro de António Guterres. E o seu registo não foi lá muito brilhante. No currículo dele estão políticas como a co-incineração dos resíduos industriais nas cimenteiras - que acabou por não ir para a frente, não pelos protestos populares, nem pela opção por medidas mais amigas do ambiente, mas porque Guterres resolveu saltar do poleiro depois do desaire socialista nas últimas autárquicas. E dos governos guterristas não nos ficou grande herança. Conseguiram o prodígio de emagrecer a vaca, mesmo em período de vacas gordas. É o nosso crónico contra-ciclo.

Pelo que fez como ministro e pelo que tem feito como líder da oposição, José Sócrates não merece ser Primeiro-ministro de Portugal. É verdade que Santana Lopes foi um desastre à frente do governo, que quebrou as medidas de austeridade do governo de Durão Barroso e emprenhou-se em populismos, que vão contra o rigor que o país deve prosseguir. É verdade que o seu governo e o de Durão Barroso estiveram reféns de Paulo Portas - a actual 'bruxa má' da política nacional.

Então e Sócrates, garante-nos algo de diferente? E diferente para melhor? Até agora, em poucos meses de liderança socialista, não se vêem grandes diferenças. A mesma figurinha a puxar para o mediático, bon vivant que tanto se critica em Santana Lopes. O mesmo estilo light e teatral. No seu caso, ainda mais dramático.

As últimas sondagens - valem o que valem, a 3 ou 4 meses das eleições, mas é o que temos - mostram que o PS está 11% acima do PSD, e sem maioria absoluta. Isto quer dizer que, se o PS não conseguir uma maioria absoluta, vamos voltar aos famosos orçamentos limianos da era Guterres. Ou, pior ainda, em vez de um governo e um país reféns do tradicionalista e em muitos aspectos retrógrado PP, estaremos reféns de um irremediavelmente fossilizado PCP ou do um anarquista-armado-em-revolucionário-progressista Bloco de Esquerda.

Em nenhum dos casos vejo um futuro risonho para Portugal.

PS - No princípio desta noite, quando à hora dos telejornais (o nosso marketing político é oportuníssimo!) José Sócrates fez o seu comentário à decisão presidencial de dissolução da Assembleia da República saiu-se com uma frase notável. «Esta situação tem APENAS UM responsável: o Dr. Santana Lopes e o seu governo.» Ora, está-me cá a parecer que, tal como António Guterres, José Sócrates também tem um problema com a matemática.

publicado por Boaz às 18:28
link do artigo | Comente | ver comentários (5) | favorito
Sexta-feira, 19 de Novembro de 2004

Soares, o instigador

Mário Soares - essa vaca sagrada da política portuguesa e baluarte moral do país - afirmou, numa conferência sobre os 30 anos do 25 de Abril que, só a restituição da voz aos cidadãos pode evitar «revoltas descontroladas».

Com o seu olhar de responsável "Pai da Pátria" sempre atento, alertou que só ainda cá não houve «aventuras militares» porque Portugal está integrado na União Europeia.

Será isto um apelo? Ou o Conselho da Revolução já se reuniu mesmo, está tudo pronto e este recado não é mais que o "Depois do Adeus" para pôr as tropas a marchar sobre Lisboa?

publicado por Boaz às 16:22
link do artigo | Comente | ver comentários (2) | favorito

.Sobre o autor


Página Pessoal
Perfil do autor. História do Médio Oriente.
Galeria de imagens da experiência como voluntário num kibbutz em Israel.


Envie comentários, sugestões e críticas para:
Correio do Clara Mente

.Pesquisar no blog

Este blog está registado
IBSN: Internet Blog Serial Number 1-613-12-5771

É proibido o uso de conteúdos sem autorização

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.Ligações

.Visitantes

Jewish Bloggers
Powered By Ringsurf

.Arquivos

. Maio 2014

. Março 2013

. Novembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

.subscrever feeds

Partilhar