Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

A moeda tem dois lados

Duas notícias do dia no Público:

Portugal assume 40 por cento do orçamento da candidatura (conjunta com Espanha ao Mundial de Futebol de 2018 ou 2022).

Jovens à procura do primeiro emprego e trabalhadores precários são os mais vulneráveis à pobreza

Alguém consegue ver uma relação de causa-efeito entre as duas notícias? Ao longe, parece-me mais uma manifestação da eterna e tão portuguesa mania das grandezas a funcionar. E os respetivos resultados. O zé-povinho nem se dá conta do engodo, desde que a bola continue a rolar. Ou talvez esteja tudo bem e seja eu que, ao fim de quatro anos no estrangeiro, a olhar Portugal de longe, já não conheça o país.

publicado por Boaz às 23:10
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Domingo, 26 de Julho de 2009

Raízes portuguesas no hino de Israel

O ministério da Educação de Israel, preocupado em incutir uma maior identificação com os símbolos nacionais nos estudantes do país, renovou o currículo sobre a história e o significado do Hatikvá, o hino nacional de Israel.

Para ser distribuído nas escolas seculares e religiosas do estado - mas não nas escolas ultra-ortodoxas e árabes, pouco recetivas àquilo que consideram "propaganda sionista" - a nova informação sobre o hino israelita deverá ser incorporada nas matérias das diferentes disciplinas. Novas pesquisas foram feitas sobre a origem da letra e da melodia do hino nacional israelita.

Até agora, era aceite que a melodia teria origem numa balada do folclore da Roménia. No entanto, foi descoberta uma fonte mais antiga, num texto de 1330 escrito com as anotações musicais da época, numa antiga sinagoga portuguesa.

Da próxima vez que cantar o hino de Israel vou tomar mais atenção à melodia. Talvez até consiga detectar nele algum tom de fado.

publicado por Boaz às 22:10
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Domingo, 16 de Novembro de 2008

Ora pois

Muitas vezes, quando conheço um novo brasileiro, ele pergunta-me com um ar de curiosidade sincera: "é verdade que os portugueses sempre dizem 'ora pois'?". A minha reacção, a início, era de perfeita estranheza. Não me lembro de ter ouvido essa expressão em Portugal. Porque será então que os brasileiros me perguntam sobre essa alegada "expressão típica dos portugueses"?

Esta situação é apenas a revelação do desconhecimento acerca de Portugal e dos portugueses que existe entre os brasileiros. O país foi colónia portuguesa durante vários séculos. A base principal da cultura brasileira é evidentemente a herança portuguesa: em especial a língua, e a maioria da população de religião cristã. A influência portuguesa entrou, em maior ou menor grau, em todas as áreas da sociedade brasileira. Porém, actualmente, os antigos colonizados conhecem muito pouco de Portugal.

Conhecem relativamente bem a nossa história, mas apenas até à independência do Brasil. Na literatura estudam Camões e até Bocage, mas não a moderna literatura portuguesa. Da música ouviram falar – só falar, porque na verdade nunca escutaram nada – de fado. Na prática, música portuguesa é o tão fora de moda Roberto Leal. E isto porque ele começou a sua carreira em terras brasileiras.

Por vezes, para satirizar os portugueses, os meus amigos brasileiros cantam a famosa canção "Vira, vira" da banda Mamonas Assassinas. Essa banda fez um sucesso estrondoso também em Portugal. Eu e os meus amigos sabíamos de cor todas as músicas do único CD editado pela malograda banda. Até vir para Israel e conhecer alguns brasileiros, nunca tinha percebido que "Vira, vira" era exactamente uma sátira aos portugueses. Talvez porque os portugueses não têm de si mesmos a imagem que essa canção mostra. Contudo, essa representação exagerada é, de alguma maneira, a impressão que os brasileiros têm dos portugueses.

Em mais de 30 anos de telenovelas brasileiras em Portugal, os portugueses aprenderam e acostumaram-se ao sotaque do Brasil. Aprenderam até algumas das gírias. A maioria dos artistas populares no Brasil chega aos tops de venda de discos e fazem concertos em Portugal. Ao contrário, os brasileiros não assistem às telenovelas portuguesas, os discos dos artistas portugueses na moda não chegam ao Brasil e só meia dúzia de intelectuais é que conhecem Mariza, Dulce Pontes ou até Eugénia Mello e Castro, a qual há anos que reside no Brasil.

Apesar de centenas de empresas portuguesas terem negócios multi-milionários no Brasil: nas telecomunicações, no turismo, na banca, na electricidade ou no petróleo, essa presença não é percebida como portuguesa. Depois de décadas de imigração para o Brasil, a qual é hoje na sua maioria de empresários, dos portugueses continuam a ter a imagem do Manuel e do Joaquim, com grande probabilidade de um deles ser padeiro. Talvez pensem que todos os portugueses se chamem por esses dois nomes apenas. As mulheres portuguesas chamam-se invariavelmente, Maria. E têm bigode e pêlos no sovaco. (Já me perguntaram com seriedade se as jovens portuguesas continuam a seguir essa "moda".)

É óbvio que Portugal não pode esperar influenciar hoje o Brasil como o fez há 500 anos. O Brasil é um gigante comparado com Portugal, e o fluxo de influência é muito maior do Brasil para Portugal do que no sentido contrário. Mas não deixa de ser totalmente absurdo esse nível de desconhecimento.

publicado por Boaz às 20:57
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Domingo, 2 de Novembro de 2008

Facto é fato que é terno

Aqui em Israel, apesar de longe de casa e do ambiente em que vivi durante 28 anos, eu bem tento manter o meu português de Portugal. Praticamente só falo português com brasileiros: em casa, com os vizinhos brasileiros de Alon Shvut, com os colegas brasileiros da yeshivá. Conheço apenas uns cinco portugueses em Jerusalém e arredores, porém raramente estou com eles.

Muitas vezes, os meus amigos brasileiros riem-se quando eu falo de "camisola" e eles entendem "combinação" ou "camisa de dormir", porque eles chamam-lhe "malha". Um pulôver é um moleton. Ou o nosso "telemóvel", que é para eles "celular". Ou o "autocarro" que é "ônibus". O "banheiro" brasileiro, que é a portuguesa "casa de banho" gera uma série de confusões: o "autoclismo" (este causa risadas, sempre) que é a "descarga", a "sanita" que é a "privada", o "lavatório" que é uma "pia". Salvam-se a banheira e o bidé. O moço de recados português é um estafeta; o brasileiro é um office-boy. O primeiro tira fotocópias, o segundo tira xeroxes. A "fila" já foi "bicha" em Portugal, mas por causa da "bicha" dos brasileiros, os portugueses agora também lhe chamam "fila".

O lusitano "pequeno-almoço" é o brasileiro "café da manhã", mesmo que não tenha café mas leite com chocolate e bolachas ou cereais. Aliás, as bolachas portuguesas só são bolachas no Norte do Brasil, mas são biscoitos no Rio de Janeiro. Os cereais são "sucrilhos". O requeijão que os brasileiros adoram é apenas "queijo fundido" deste lado do Atlântico. Enquanto o requeijão português é algo como queijo fresco no Brasil. O frango brasileiro tem coxa e sobre-coxa enquanto o português tem coxa e perna. A aboborinha, é chamada pelos portugueses de courgete. Oui, como en français!

Por vezes, as diferenças são apenas ao nível da acentuação. Os portugueses falam e escrevem Amazónia, matrimónio e cómico. No Brasil escreve-se e fala-se Amazônia, matrimônio e cômico. Os exemplos poderiam acumular-se por muitas linhas.

Diariamente vou aprendendo um pouco mais da língua de Machado de Assim. Porém, procuro não perder a língua de Camões. Resta explicar que: facto é um fato, e um fato não é um acontecimento, mas um "terno". E terno é, simplesmente carinhoso.

publicado por Boaz às 17:34
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Viagens na minha (outra) terra

Na última Sexta-feira regressei de mais uma viagem a Portugal. Foi o meu terceiro regresso, desde que vim para Israel, em Setembro de 2005. Desta vez, porém, havia um elemento novo na viagem: Nicole, a minha esposa, de visita pela primeira vez ao meu país de origem. Ficámos pouco mais de duas semanas. Vida de casado e compromissos de estudo obrigaram à constrição das férias.


Arco da Rua Augusta, Lisboa; Sítio da Nazaré
São Pedro de Alcântara, Lisboa; Óbidos.

À partida, o obstáculo da língua estava praticamente ultrapassado – sendo brasileira e convivendo comigo há mais de um ano –, as nuances do português que o tornam intrincado para o ouvinte brasileiro, foram superadas com facilidade. Ainda assim, até mesmo eu, de vez em quando, esbugalhava os olhos, a pensar no que pensaria a Nicole acerca de algumas expressões portuguesas.

A alimentação, pela dificuldade em conseguir comida casher em Portugal (tirando a limitada variedade existente numa minúscula secção num supermercado lisboeta) foi a maior das contrariedades. Com antecedência, contactei uns amigos judeus em Portugal, a fim de conseguir a lista de produtos casher, para nos precavermos na ida ao supermercado. Cortámos a carne da dieta e aderimos em força às frutas, ao leite de soja e ao peixe. Como é abençoado o mar de Portugal! (Nem a propósito, a nossa primeira visita turística foi ao Oceanário de Lisboa.) Na bagagem de volta acabámos por trazer dois quilos de bacalhau, os quais ficarão guardados até voltar o desejo do "fiel amigo", depois de comermos bacalhau durante as duas semanas, quase dia-sim-dia-sim.

A inédita experiência da sardinhada não deixou boas memórias à minha cara-metade. Assadas inteiras, com tripas e tudo, com o consequente trabalho de tirar essa parte não comestível do peixe, foi um episódio desagradável. Já os joaquinzinhos fritos ficaram aprovados. E ainda mais, o arroz de grelos a acompanhá-los.

Com pouco tempo disponível, praticamente todos os dias tínhamos de ter uma coisa que só poderíamos fazer uma vez. Visitar a minha irmã e as minhas sobrinhas, antes que abalassem de férias para o distante Algarve, foi uma das primeiras tarefas. Sentia-me, diariamente, como que a marcar um xis numa lista de tarefas a cumprir, ao ritmo da sua execução: visitar a minha irmã, ver os amigos do antigo Grupo de Jovens, visitar a família de Alcobaça e de Lisboa. Cada coisa encaixada num horário apertado.

Consegui reunir a maioria dos amigos de infância após o Shabbat que passámos em minha casa. Reunimo-nos à volta do álbum das fotos do casamento. No geral parece estar quase tudo na mesma. Os mesmos empregos, os mesmos amores, e as mesmas eternas piadas que só nós entendemos.

Sem carro próprio, usámos o carro da minha mãe, com o compromisso de a ir buscar à sua hora de saída do trabalho. Assim, nos nossos passeios, estávamos limitados às proximidades da vila da Batalha. A cidade de Tomar e a sua modesta sinagoga (a precisar de algum restauro), Óbidos e a enchente de turistas italianos – e a ginjinha casher que serviremos aos nossos convidados no Shabbat –, Nazaré e a maravilhosa vista do Sítio, o castelo de Leiria.

Em Lisboa, estivemos menos tempo do que desejaríamos. Ainda assim, na Sexta-feira anterior ao Shabbat que passámos na capital (para termos algum contacto com a comunidade judaica local) aproveitámos para passear. As longas tardes de Verão deram-nos tempo para fazermos um dos mais típicos passeios lisboetas: uma viagem no eléctrico 28. Apanhámos o histórico “bonde” amarelo frente à Basílica e ao Jardim da Estrela. Apinhado, apesar de ter iniciado a sua viagem apenas duas estações antes, em Campo de Ourique. Turistas italianos, espanhóis e americanos compunham a maioria dos passageiros. Tivemos de ir em pé a maior parte da viagem, até à Avenida Almirante Reis.

São Bento, Bairro da Bica, Chiado, Baixa Pombalina, Sé, Alfama, Graça, Anjos, Martim Moniz. Uma delicia! Terminada a viagem de eléctrico, fomos a pé até à Praça da Figueira, descemos toda a Baixa até à Praça do Comércio. Subimos até ao Rossio pela Rua Augusta, eternamente alegrada pelos artistas de rua. Gostei especialmente das pinturas com os eléctricos de Lisboa em milhentas opções.

Fomos ao Chiado e aproveitámos o ar condicionado do Centro Comercial para recuperar o fôlego e arrefecer um pouco o corpo, naquela tarde quente. Continuámos pelo Bairro Alto até São Pedro de Alcântara, um dos mais privilegiados miradouros de Lisboa, agora mais limpo e cuidado do que da última vez que lá apreciei a sua magnífica vista. Pelo Rato chegámos ao ponto de partida do passeio. Alimentámos os atrevidos patos e os pombos do Jardim da Estrela com bolachas de água e sal.

O Shabbat foi muito especial. Hospedados em casa de uma família de amigos alemães, judeus ortodoxos, fomos recebidos como reis. A generosidade foi farta, com a mesa da família partilhada por mais sete pessoas: todos de Israel e de passagem por Lisboa. Voltámos à capital mais uma vez, de regresso do nosso passeio a Sintra. Fomos de comboio – foi a primeira vez que viajei na Linha de Sintra.

Dois dias depois regressámos a casa, a Israel. Não sei quando voltaremos. Esta será, possivelmente, em muitos anos, a única viagem que faremos apenas os dois, em casal. Em breve chegarão os filhos e aí as dificuldades de transporte, assim como as prioridades familiares, serão outras. Poderemos dizer que esta foi a nossa lua-de-mel não oficial.

publicado por Boaz às 22:08
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

Batatinhas contra o boicote

Parece que duram os boicotes das universidades inglesas contra as universidades e professores israelitas, e da União dos Jornalistas Ingleses contra os produtos israelitas. Há já algumas décadas que dura o boicote de muitos países árabes a tudo o que tem a ver com Israel.

Mas a realidade tem destas ironias e Israel, mesmo sem nadar em petróleo e sob o embargo do Mundo Árabe, nas últimas décadas cresceu ao ponto de ser um dos países mais desenvolvidos do Mundo enquanto a generalidade das nações árabes, mesmo ensopadas em petróleo e para lá dos palácios sumptuosos dos seus sultões, príncipes e ditadores, dos hotéis de sete estrelas e outros luxos das Arábias, continuam tão atrasados como sempre foram.

Em alguns países da Europa, grupos de cidadãos organizam boicotes aos produtos israelitas nos supermercados, colando uma muito politicamente correcta etiqueta pró-palestiniana em cada laranja israelita que encontram à venda. É uma espécie de queima-da-sapatilha-indonésia-na-praça-pública que aconteceu há uns anos em Lisboa, em protesto pela ocupação indonésia de Timor-Leste. Salvo a comparação (das ocupações).

Ora, em Portugal não existe nenhum boicote a Israel, mas também é verdade que por cá não é muito comum encontrar bens (marcados como) israelitas à venda. Todavia, sempre se encontra alguma coisa. No supermercado já encontrei pelo menos toranjas, meloas, mangas e batata-doce.

E ainda ontem a minha mãe me disse ter encontrado há uns meses umas batatas israelitas que até eram muito boas.

Ora bem meus caros paspalhos ingleses, à batatada se vence o boicote.

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Sexta-feira, 11 de Maio de 2007

Longe de Jerusalém

Já passaram 2 semanas desde que cheguei de Israel.

Uma estadia fora do ambiente da yeshiva, já tem as suas consequências. A primeira é ao nível do estudo. Todos os dias, não sinto a obrigação de me levantar cedo para ir para as aulas na yeshiva. E estudar sozinho também não é lá muito aliciante. Mas vou estudando, pouco a pouco, alguma coisa.

As distracções são inúmeras, mesmo que já tenha deixado de ser viciado na televisão. No entanto, confesso que retomei o hábito de ver as notícias e algumas séries e documentários. E, acho que para bem, decidi não ter Internet em casa. Sempre é menos uma razão para não me deitar tarde e não passar muito tempo à frente do computador. Mas arranjei um espaço alternativo, para quando a Internet se torna mesmo indispensável. E como o tal local alternativo fica a vários quilómetros da minha casa, até aproveito para fazer exercício, na minha já velhinha mas saudosa bicicleta.

Outros dos problemas de estar fora de Israel é ao nível da oração. É que, tirando no Shabat, também não tenho normalmente o ímpeto de me levantar cedo para rezar. É verdade que rezo, mas pelo menos as orações da manhã, faço-as normalmente, fora de horas. E claro, exceptuando quando rezo na sinagoga, não tenho a oportunidade para rezar com minyan (conjunto mínimo de 10 homens judeus com mais de 13 anos, a partir do qual é possível fazer o serviço religioso completo).

A questão da comida casher, normalmente um dos problemas mais bicudos a resolver por judeu que está fora de um ambiente judaico, até não tem sido assim tão difícil de solucionar. Além da habitual "casherização" da cozinha que tive de fazer logo à chegada a minha casa, tenho a sorte de a família ter deixado de comer carne em casa, reservando os seus apetites na alimentação carnívora para a saída domingueira ao restaurante.

De qualquer forma, uma ida ao supermercado levanta o problema de ter de verificar a lista dos ingredientes de cada coisa que compro, desde as bolachas, aos cereais de pequeno-almoço, aos iogurtes. Há dias, quando me preparava para comer a usual taça de cereais antes de dormir, verifiquei que afinal os corn-flakes não eram casher. Bolas, uns emulsionantes proibidos na lista de ingredientes! Felizmente, descobri a tempo, mesmo antes de ter vertido o leite na taça, mas estragaram-me a refeição... Ainda não ouviram falar da lecitina de soja???

Mais tarde contei o facto à minha mãe, para a avisar de que já não iria comer dos ditos cereais. Ela veio com uma tirada sarcástica: "Olha, vê lá se vais para o Inferno!" Sinceramente, não me posso queixar da sua falta de colaboração com os meus novos e (a seu ver) complicados hábitos, mas vai e volta, lá se sai com uma destas...

Ao contrário do que acontece em Jerusalém, é normal ser confrontado em Lisboa com publicidade pouco recatada. A cada passo, parecem saltar das paragens de autocarros ou em outdoors, imagens de mulheres seminuas. Tenho de admitir que, antes de ir para Israel eu nem dava grande importância a tais cartazes, pois obviamente que estava acostumado a ver esse tipo de publicidade em Portugal. Um ano fora, ainda mais, passado numa cidade como Jerusalém, tão sóbria na questão dos corpos menos cobertos, faz com que hoje pareça muito mais impressionado com esse tipo de imagens.

Acerca disto, queixava-se um amigo brasileiro da yeshiva, entretanto regressado ao Rio. Pouco tempo depois da sua chegada ao Brasil escreveu no seu primeiro e-mail: "Eu não tinha ideia que as pessoas no Brasil andavam peladas na rua!". Em Portugal não é tanto assim, mas anda bem longe do recato de Jerusalém.

publicado por Boaz às 17:54
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2007

Tudo na mesma

Cheguei a Portugal dia 29 de Abril. Para uma estadia que deverá prolongar-se por dois meses. Até agora, e apesar de ter passado um ano fora do país, não vejo grandes diferenças. Tudo aparenta continuar igual... Toda a gente a quem pergunto "Como está?" me responde com um conformado "Está tudo na mesma..." As reticências notam-se bem no tom da voz. Parece-me que o desânimo português segue realmente inalterado.

Já começo a sentir as dificuldades de estar fora de Israel. Ter de casherizar a cozinha, para a adaptar às minhas regras alimentares. Não ter horas de estudo específicas. Só para começar...

A próxima surpresa será decerto na altura do regresso à sinagoga de Lisboa e às memórias que ela me evoca...

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publicado por Boaz às 17:01
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Sábado, 12 de Agosto de 2006

Depois da casa roubada

Em Lisboa, assim como em muitos aeroportos um pouco por todo o mundo, implementam-se novas medidas de segurança, após a descoberta e desmantelamento dos planos terroristas com aviões a partir de Londres.

Mesmo estando aparentemente fora das atenções dos terroristas - assim continuam a pensar os portugueses - acrescem-se os incómodos para os passageiros no que toca aos apertos na segurança e na vigilância na bagagem.

Em Maio último, aquando da minha última visita a Portugal, no regresso a Israel a partir de Lisboa, já havia notado um aumento - aparentemente sem explicação - na segurança no aeroporto da Portela. Após o check-in - que em Lisboa é tchik-tchak, sem problema nenhum, mesmo para quem viajava para Israel com uma escala em Madrid - à passagem para a zona das lojas duty-free, reparei que havia um novo controle de bagagem. Surpreendente. Uma barreira de máquinas de raios-x na área em que antes bastava mostrar o cartão de embarque.

Tive a ocasião de experimentar in-loco a competência dos profissionais de segurança - o que me deixou deveras satisfeito, consciente que sou da habitual balda nacional. Ao passar a minha mochila pela máquina de raios-x, o segurança desconfiou de um pequeno objecto metálico no seu interior. Educadamente, pediu-me para abrir a mochila e mostrar-lhe o dito objecto. A minha mezuzá de prata. Com cuidado, abriu a cápsula e retirou do seu interior o pergaminho envolto em película transparente. Perguntou-me o que era, mas logo percebeu tratar-se de um pergaminho escrito. Não o desenrolou. "OK, não há problemas aqui. Boa viagem".

Habituados a poucos controles de segurança onde quer que estejam em território nacional, parece que os portugueses já se começam a queixar do estreitamento das liberdades "a bem da segurança". É esse o preço que temos de pagar pela continuação da nossa vida normal, pelo menos nos seus aspectos mais básicos.

A alternativa seria deixar que os terroristas - como os que executaram os ataques do 11 de Setembro e os que neles se inspiraram para tentar atacar a partir de Londres na semana que passou - levem a cabo os seus intentos. Basta escolher que futuro se pretende.

publicado por Boaz às 23:41
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005

Ficamos a espera da tournée

"Gostei, gostei. Foi um bom espectáculo." Foi este o comentário de José Sócrates à demolição dos mostrengos de Tróia.

Eu também gostei. Agora é continuar com a diversão, que o resto do país também merece divertimentos desses. Em quase todas as praias entre a Figueira da Foz e a Costa da Caparica não faltam mamarrachos bons para implodir.

Uma digressão da equipa de demolidores pelo Algarve podia dar espectáculos diários durante semanas a fio em Albufeira, Portimão, Quarteira e Monte Gordo. Atracção turística de sucesso garantido. Melhor que o concerto de Cliff Richards.

E, já agora, como a malta suburbana se queixa de não ter divertimentos ao pé da porta, era capaz de haver a animação com fartura na Brandoa, Odivelas, Cacém e Santo António dos Cavaleiros.

Só falta um Belmiro que dê a guita para a pólvora.

publicado por Boaz às 16:35
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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2004

O circo desceu à cidade

Além do circo Chen e do Cardinali, com habituais actuações nesta altura do ano em Lisboa, começou um outro circo, que promete ter lotação esgotada. O circo dos horrores da Casa Pia, na Boa Hora.

O palhaço pobre, conhecido por Bibi, já disse que vai mostrar todos os seus talentos e revelar tudo o que sabe. Que não lhe fuja a corda debaixo dos pés...

Para além das "atracções" que se conhecem, espera-se que, no exterior, uma multidão de jornalistas faça a sua parte do espectáculo e atraia ainda mais público. Apesar das entradas limitadas.

É certo que vai continuar a actuação das feras. Quando, daqui a uns meses, a exibição acabar, esperemos que tudo não se resuma a uma grande palhaçada. E que haja poucos truques de malabarismo.

publicado por Boaz às 17:49
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2004

"El Dorado" Portugal

Ontem fui fazer umas compras a um supermercado aqui da terrinha. Quando cheguei, estacionado em frente da entrada, estava um autocarro de turismo.

Dentro do supermercado, uma multidão, como eu nunca tinha visto no local. Estrangeiros, que falavam uma língua estranha. Não eram ucranianos, nem romenos, porque não dava para entender nem uma palavrinha do que diziam e o sotaque era estranho. Depois acabei por descobrir que eram húngaros...

Quando acabei as minhas compras, deparei-me em todas as caixas, com filas de gente com carros atafulhados de coisas banais: sacos de rebuçados, pacotes de maços de lenços de papel, rolos de cozinha, pacotes de leite achocolatado e acima de tudo, muitas garrafas de vinho do Porto.

Uma fúria consumista só possível em gente que vem de uma terra onde a escassez já se fez sentir. E a fúria era tanta que quando foram para o autocarro, alguns até levavam os cestos de transportar as compras a pensar que eram "oferta da casa" e enchiam os seus sacos com outros sacos de compras.

Não deixa de ser irónico que num tempo em que tantos portugueses se lamentam com a crise, outros se embriaguem com a nossa abundância.

publicado por Boaz às 17:52
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